Eu me chamo André, 29 anos. Casei com a Carla há sete meses. Ainda estávamos naquela fase de lua de mel prolongada: sexo quase toda noite, planos de apartamento maior, conversas sobre filhos “daqui a uns dois anos”. Eu me considerava um cara normal. Gostava de mulher, de futebol, de cerveja com os amigos. Nunca tinha olhado pra outro homem daquele jeito. Nunca tinha sentido vontade. Até conhecer o Ricardo. Ricardo tinha 38 anos, casado há doze com a Fernanda. Dois filhos: um menino de nove e uma menina de seis. Trabalhava no mesmo setor que eu, no banco. Era o coordenador da equipe. Alto, 1,86, ombros largos, barriga ainda firme apesar da idade, cabelo preto com alguns fios brancos nas laterais, barba sempre bem feita. Voz grave, jeito calmo, olhar direto. Todo mundo respeitava ele. Eu também. No começo era só trabalho. Reuniões, e-mails, café na cozinha do escritório. Depois começamos a almoçar juntos algumas vezes. Ele falava dos filhos com um sorriso cansado e orgulhoso. Eu falava da Carla, do casamento novo, do medo de não dar conta. Ele ria e dizia: — Relaxa, André. Nos primeiros anos a gente acha que sabe de tudo. Depois descobre que não sabe porra nenhuma. A gente ria. A amizade foi crescendo sem pressa. A virada aconteceu numa sexta-feira de novembro. O banco tinha promovido um happy hour no barzinho do outro lado da rua. A maioria foi embora cedo. Sobramos eu, o Ricardo e mais dois colegas que logo sumiram. Ficamos só nós dois na mesa do fundo, bebendo cerveja e falando merda. Já eram quase onze da noite quando ele olhou pro relógio. — Fernanda e as crianças foram pra casa da sogra esse fim de semana. Tô sozinho até domingo. Eu também estava sozinho. A Carla tinha viajado com as amigas pra um spa de final de semana. Eu tinha mentido que ia ficar em casa descansando. Ricardo pediu a conta, pagou e falou, casual: — Quer ir pra minha casa? Tenho uma garrafa de whisky boa e o jogo tá passando. Eu aceitei. Não pensei duas vezes. O apartamento dele era grande, silencioso, cheiro de casa de família. Fotos dos filhos na parede, brinquedos no canto da sala. Ele tirou o paletó, soltou a gravata e foi até a cozinha. Voltou com dois copos e a garrafa. A gente sentou no sofá. O jogo estava no segundo tempo, mas nenhum dos dois prestava muita atenção. Depois do terceiro gole, Ricardo falou, olhando pra tela: — Você parece tenso ultimamente. Eu dei de ombros. — Casamento novo. Ainda tô me acostumando. Ele sorriu de lado. — Casamento é bom. Mas às vezes a gente precisa de… outra coisa. Eu ri, nervoso. — Tipo o quê? Ele virou o rosto e me olhou. O olhar era diferente. Mais pesado. — Tipo algo que a gente não conta pra mulher. O coração acelerou. Eu engoli seco. — Não sei do que você tá falando. Ricardo se aproximou um pouco no sofá. A mão dele pousou no meu joelho. Firme, quente. — Tô falando de sexo, André. Entre homens. Você nunca pensou nisso? Eu recuei o corpo. — Porra, Ricardo… eu sou casado. E hétero. — Eu também sou. Casado, com filhos, hétero. E mesmo assim… A mão dele subiu alguns centímetros pela minha coxa. Eu senti o pau mexer dentro da calça. Odiando a reação do próprio corpo. — Para com isso — eu disse, a voz saindo mais fraca do que eu queria. Ele não parou. Apertou de leve o volume que já começava a aparecer. — Seu corpo tá dizendo outra coisa. Eu segurei o pulso dele. — Eu não sou viado. Ricardo riu baixo, sem humor. — Nem eu. Isso não tem nada a ver com ser viado. É só foda. Dois caras. Sem compromisso. Sem drama. Ele se inclinou e beijou meu pescoço. A barba raspando a pele. A língua quente. Eu arrepiei inteiro. Quis empurrá-lo. Não empurrei. — Ricardo… para… — Fala pra eu parar de verdade e eu paro. Eu abri a boca. Nenhum som saiu. A mão dele abriu meu cinto, desceu o zíper, enfiou dentro da cueca. Os dedos quentes envolveram meu pau já duro. Eu soltei um gemido traidor. Ricardo masturbou devagar, olhando no meu olho. — Olha só… duro pra caralho. E você ainda fingindo que não quer. Eu fechei os olhos. — Isso é errado. — É gostoso. É só isso. Ele se ajoelhou no chão entre minhas pernas. Puxou a calça e a cueca até os joelhos. Meu pau pulou pra fora, vermelho, pingando. Ricardo olhou, passou a língua no lábio e engoliu a cabeça. Quente. Molhado. Aperto perfeito. Eu joguei a cabeça pro encosto do sofá e soltei um gemido alto demais. — Porra… Ele chupava com calma, como quem tem todo o tempo do mundo. A língua girava na cabeça, depois descia, engolindo mais. A mão apertava a base. Eu sentia a saliva escorrendo pelas bolas. Quis empurrar a cabeça dele. Quis mandar ele parar. Não fiz nenhuma das duas coisas. Quando ele tirou a boca, o pau estava brilhando de saliva. — Levanta. Eu levantei, pernas trêmulas. Ricardo me guiou até o quarto. A cama de casal, grande, cheiro de sabonete e de homem. Ele me empurrou de leve pra deitar. Tirou a própria camisa. O peito era largo, peludo, peitorais ainda firmes. Depois tirou a calça. O pau dele era grosso, veias saltadas, cabeça larga, já completamente duro. Maior que o meu. Eu engoli seco. — Eu nunca… nunca fiz isso. — Eu sei. Por isso vai ser devagar. Ele deitou ao meu lado e beijou minha boca. O primeiro beijo de homem. A barba raspava. O gosto de whisky e de algo masculino. A língua dele era dominante, explorava sem pressa. Eu respondi sem querer. A mão dele desceu e masturbou os dois paus juntos. O atrito quente, a pele contra pele. Eu gemia dentro da boca dele. Ricardo desceu, chupou meu peito, mordeu o mamilo, depois voltou pro pau. Engoliu fundo dessa vez. Eu arqueei as costas. Ele usava a mão e a boca juntas, ritmo firme. Quando eu estava prestes a gozar, ele parou. — Ainda não. Ele abriu a gaveta da mesinha e tirou um tubo de lubrificante e uma camisinha. Meu estômago revirou. — Ricardo… eu não sei se consigo. — Você consegue. Confia em mim. Ele passou o lubrificante nos dedos e tocou meu cuzinho. Eu contraí na hora. — Relaxa. O dedo entrou devagar. A pressão estranha, invasiva. Eu mordia o lábio. Ele mexia com cuidado, entrando e saindo, curvando o dedo. Quando achei o ponto, um choque de prazer subiu pela espinha. Eu soltei um gemido surpreso. — É aí — ele falou, a voz rouca. — É assim que começa a ficar bom. Um segundo dedo. A abertura ardia. Eu respirava fundo. Ricardo beijava minha boca enquanto os dedos trabalhavam. Depois de um tempo, o ardor virou pressão gostosa. Eu comecei a empurrar de volta sem perceber. Ele tirou os dedos, colocou a camisinha, passou mais lubrificante e se posicionou entre minhas pernas. A cabeça do pau grosso encostou. — Olha pra mim. Eu olhei. Os olhos dele estavam escuros, seguros. — Se doer demais, fala. Eu paro. Eu acenei, nervoso. Ele empurrou. A cabeça abriu o anel. A dor veio afiada. Eu soltei o ar pelos dentes. — Caralho… — Respira. Relaxa o corpo. Ele ficou parado, só a cabeça dentro, esperando. Eu respirava. A dor foi diminuindo. Ele entrou mais um pouco. Outro centímetro. Mais um. Eu sentia cada veia, cada centímetro engrossando dentro de mim. Quando esteve completamente dentro, ele parou de novo. — Tá tudo dentro. Como se sente? — Cheio… caralho, muito cheio. Ricardo começou a se mexer. Curto no começo. Avanço e recuo mínimos. O lubrificante facilitava. Cada movimento fazia o pau roçar naquele ponto. O prazer ia crescendo por cima da dor. Eu gemia baixo, as mãos apertando os ombros dele. — Mais fundo? — ele perguntou. Eu hesitei só um segundo. — Mais fundo. Ele agarrou minhas coxas e abriu. Começou a meter de verdade. O pau grosso entrava até o fundo, as bolas batiam. O barulho úmido encheu o quarto. Eu gemia mais alto agora. A dor ainda estava lá, mas o prazer era maior. Cada estocada mandava um choque pelo corpo. — Porra, André… que cu apertado. Você tá me engolindo inteiro. Eu só conseguia gemer. Ricardo acelerou. O ritmo ficou mais forte, mais profundo. Eu sentia o pau latejando dentro de mim. A mão dele desceu e masturbou meu pau no mesmo ritmo. O prazer dobrou. Eu estava prestes a gozar. — Tô perto… — eu avisei. — Goza. Goza com meu pau dentro. Eu gozei forte. O corpo inteiro tremeu. O cu se contraiu em volta do pau dele e eu jorrei no peito, no abdômen, na mão dele. Ricardo meteu mais algumas vezes e gozou também, gemendo baixo, o corpo rígido sobre o meu. Eu senti o pau pulsando dentro da camisinha. Ficamos assim por um tempo. Ele ainda dentro, a respiração quente no meu pescoço. Depois tirou com cuidado. A saída deixou uma sensação estranha de vazio. Ele tirou a camisinha, amarrou e jogou no lixo. Deitou ao meu lado. Eu olhava pro teto, o coração ainda disparado. O cu latejava. O corpo estava suado, o gozo escorrendo pela barriga. Ricardo passou a mão no meu peito. — E aí? Continua achando que é errado? Eu demorei pra responder. — Eu… não sei. Foi intenso demais. Ele riu baixo. — Foi só o começo. A gente ficou em silêncio. Depois ele se levantou, foi ao banheiro e voltou com uma toalha úmida. Limpou o gozo do meu corpo com cuidado. Depois limpou o dele. Deitou de novo e puxou o lençol sobre os dois. Eu deveria ter me vestido e ido embora. Não fui. Fiquei. No meio da madrugada acordei com a mão dele no meu pau. Já estava duro de novo. Ricardo beijava meu pescoço. — Quero de novo. Dessa vez eu não resisti tanto. Ele me virou de quatro. Preparei com os dedos outra vez, depois enfiou. A entrada foi mais fácil. O pau deslizou até o fundo. Ele meteu com mais vontade, segurando minha cintura, o ritmo forte e constante. Eu gemia no travesseiro, empurrando a bunda pra trás. A mão dele batia meu pau embaixo. Eu gozei de novo, o corpo tremendo. Ele gozou logo depois, fundo. Depois disso dormimos de verdade. Acordei com a luz do dia entrando pela janela. Ricardo já estava acordado, deitado de lado, me observando. — Bom dia. Eu me sentei, sentindo o cu ainda sensível. — Eu preciso ir. Ele não impediu. Me viu me vestir em silêncio. Quando eu estava na porta do quarto, ele falou: — Segunda-feira a gente se vê no trabalho. Como se nada tivesse acontecido. Eu acenei e saí. No caminho de casa o corpo ainda lembrava de cada estocada. O cu latejava. A cabeça estava uma bagunça. Eu tinha traído a Carla. Tinha dado o cu pra um homem. E o pior: tinha gozado forte. Duas vezes. Segunda-feira no escritório foi estranho. Ricardo me tratou normalmente. Reunião, café, e-mails. No final do dia ele passou pela minha mesa e falou baixo: — Fernanda e as crianças voltam só na quinta. Se quiser, passa lá de novo. Eu olhei pra tela do computador. — Eu não sei. Ele sorriu de canto e foi embora. Na terça eu mandei mensagem: “Que horas?” A resposta veio na hora: “A qualquer hora depois das oito.” Cheguei às oito e meia. Ele abriu a porta de short e camiseta. O cheiro de sabonete e de homem. Dessa vez não teve whisky. A gente nem chegou na sala. Ele me puxou pelo corredor, beijou minha boca com força e me empurrou pra cama. A resistência foi menor. Eu ainda falava “isso é errado” entre um beijo e outro, mas as mãos já estavam abrindo a calça dele. O pau grosso saltou. Eu ajoelhei e chupei pela primeira vez. O gosto era salgado, masculino. A cabeça larga enchendo a boca. Ricardo segurava meu cabelo e gemia baixo. — Isso… chupa fundo… caralho, André… Eu engolia o que conseguia, babava, usava a mão na base. Depois ele me puxou pra cima, me virou de quatro e enfiou. Sem tanta preparação dessa vez. A dor veio, mas logo virou prazer. Ele metia forte, o barulho molhado ecoando no quarto. Eu gemia o nome dele. A mão dele batia meu pau. Eu gozei no lençol. Ele gozou dentro da camisinha, gemendo contra minhas costas. Na quarta-feira eu voltei de novo. Dessa vez ele me fodeu de frente, pernas no ombro, olhando no olho. Cada estocada profunda. Eu gemia sem vergonha. Quando ele perguntou se eu queria sem camisinha, eu hesitei só um segundo e acenei. A sensação de pele com pele foi ainda mais intensa. O gozo quente dentro de mim me fez gozar de novo. Na quinta as crianças voltaram. A gente parou. Mas a coisa já tinha mudado. Nas semanas seguintes a gente se encontrava quando dava. Hotel barato perto do trabalho. O carro dele no estacionamento vazio à noite. Uma vez no banheiro do escritório depois que todo mundo foi embora. Cada vez eu resistia menos. Cada vez o prazer era maior. Ricardo era intenso. Gostava de falar putaria enquanto metia. — Olha só o recém-casado abrindo o cu pro colega de trabalho… a mulherzinha em casa sem saber que o marido tá gozando com porra de homem no rabo… Eu gemia e pedia mais. Uma noite, num hotel, ele me fodeu por quase uma hora. Várias posições. De quatro, de lado, eu por cima, ele por cima. Eu gozei três vezes. Na terceira eu estava tremendo, o corpo sensível demais. Ele ainda metia, o pau duro, o suor escorrendo. Quando finalmente gozou, o gozo escorreu pelo meu cu e desceu pelas bolas. Eu estava destruído de prazer. Depois, deitados, ele passou a mão no meu cabelo. — Você ainda acha que é só curiosidade? Eu olhei pro teto. — Eu não sei o que é. Só sei que não consigo parar. Ele beijou minha testa. — Então a gente não para. E a gente não parou.
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