Naquela noite ele me chamou na sala. Estava sentado na poltrona, com um copo de whisky na mão.
— Você não está sendo muito obediente ultimamente — disse ele, a voz baixa. — Acho que preciso te punir.
Eu imediatamente me ajoelhei no chão, as mãos sobre as coxas, a cabeça baixa.
— Perdão, senhor. Eu mereço. Castigue-me como achar necessário.
A campainha tocou. Meu coração disparou. Ele se levantou, abriu a porta, e cinquenta homens negros entraram. Um atrás do outro. Grandes, silenciosos, preenchendo a sala inteira. O cheiro de tantos corpos juntos me fez tremer. Eu continuei ajoelhada, sem ousar levantar o olhar.
Meu marido voltou para a poltrona, abriu a calça e começou a se masturbar devagar, observando.
— Tira a roupa — ordenou. — Fica pelada.
Minhas mãos tremiam tanto que mal conseguia desabotoar o vestido. O tecido escorregou pelos ombros e caiu no chão. Depois a anágua, o sutiã, a calcinha. Fiquei completamente nua no meio da sala, tentando cobrir o corpo com os braços, mas ele mandou eu baixá-los.
— Você vai ser o objeto sexual de todos esses homens — disse ele, a voz calma. — Eles vão te usar até ficarem satisfeitos. E eu vou assistir.
Eu solucei.
— Senhor… por favor…
Mas já era tarde. As primeiras mãos me agarraram. Me jogaram de quatro. Um homem grosso e duro entrou em mim de uma vez, sem preparação. A dor me fez gritar. Outro segurou minha cabeça e enfiou o pau na minha boca. Eu engasguei. Um terceiro me abriu por trás e penetrou meu ânus com violência. Eu estava completamente preenchida, esticada, usada.
Eles se revezavam sem piedade. Me viravam. Me levantavam no ar. Me faziam engolir. Me davam tapas no rosto e na bunda. O esperma escorria pela minha boca, pelas minhas coxas, pingava no chão. Eu chorava e, entre soluços, tentava rezar. Meu marido continuava na poltrona, bebendo e se tocando, os olhos fixos em mim.
— Olha para mim — ele mandou uma vez.
Eu levantei o rosto sujo de lágrimas e porra. Ele sorriu e gozou na própria mão enquanto me via ser penetrada por três homens ao mesmo tempo.
Quando finalmente terminaram, eu caí de lado no chão, o corpo mole, latejando, coberto de marcas e esperma. Meu marido se levantou, pegou o cinto e apontou para o sofá.
— Ajoelha. Bunda para cá. E enquanto apanha, você vai rezar Ave-Maria.
Eu obedeçi. O primeiro estalo do cinto arrancou um grito de mim.
— Ave Maria… cheia de graça… o Senhor é convosco…
O segundo golpe veio logo em seguida. Depois o terceiro. O quarto. Eu rezava entre soluços, a voz falhando a cada cintada. Minha bunda queimava, inchava, latejava. Quando chegou na quinquagésima, eu mal conseguia falar. Só murmurava o final da oração com a face pressionada contra o sofá.
Ele parou. Guardou o cinto. Depois se aproximou e passou a mão pela minha pele marcada, com uma carícia estranhamente suave.
— Eu te amo muito — disse. — Mas infelizmente você é uma vadia. Sempre foi. Isso tudo foi um presente que você queria, não foi?
Eu chorei mais forte.
— Sim, senhor… eu sempre fui uma vadia. Mesmo vestindo roupas longas… mesmo rezando… eu merecia. Obrigada pelo presente.
Ele gravou tudo. No dia seguinte me obrigou a sentar na frente do notebook e assistir o vídeo. Meu rosto estava borrado, mas o corpo era claramente o meu. Embaixo, os comentários já se acumulavam:
“Que puta deliciosa”
“Olha ela rezando enquanto apanha kkkkk”
“Esposa religiosa virando lixeira”
— Você vai ver isso todo dia — ele disse. — E quase todo dia vai ter vídeo novo.
Depois postou o vídeo no grupo de homens da igreja, escrevendo apenas: “Uma vadia qualquer crente”. O pastor comentou. Outros irmãos também. Alguns começaram a me reconhecer pelo corpo. Mandaram mensagens para meu marido com prints e ameaças:
“Eu sei que é ela.”
“Se não der pra gente, a gente conta pra igreja inteira.”
“Quero foder essa putinha da mesma forma.”
No domingo fomos à igreja. Eu de vestido longo, cabeça baixa, fingindo normalidade. Ouvi homens rindo baixo sobre o vídeo. Mulheres condenando “aquela crente safada”. Alguns olhares demoravam tempo demais no meu corpo.
Depois do culto o pastor me chamou.
— Irmã, venha comigo. Preciso conversar a sós.
Na sala reservada ele fechou a porta, ficou me observando em silêncio e depois falou:
— Isso é uma vergonha. Eu deveria expulsá-la. Mas posso ser indulgente… se você for obediente.
Abriu o zíper e tirou o pau. Eu me ajoelhei sem que ele precisasse repetir. Enquanto eu o chupava, a porta se abriu de novo. Outros pastores entraram. Um por um, usei a boca neles. Eles seguravam meu cabelo, empurravam fundo, gozavam na minha língua e no meu rosto. Quando terminaram, saíram rindo e me humilhando:
— Que putinha da igreja…
— O marido sabe o que tem em casa…
Saí da sala com o vestido amassado e o gosto deles ainda na boca. No corredor, meu marido conversava animadamente com outra mulher. Quando me viu, apenas disse, com o olhar displicente:
— Volta pra casa sozinha. Pega o ônibus. Depois eu te encontro.
No ônibus, dois homens mais à frente assistiam o vídeo no celular. Reconheceram o corpo. Riram baixo e me olharam de canto. Uma mulher também viu e fez careta de nojo. Eu apertei a bolsa no colo e fiquei olhando pela janela até chegar em casa.
Agora estou sozinha no quarto. O roupão apertado contra o corpo. A casa silenciosa. Eu tento rezar, mas as palavras não saem direito.
Por que, Deus? Por que o senhor permitiu que meu marido me desse àqueles cinquenta homens enquanto se masturbava? Por que me fez rezar enquanto apanhava? Por que até os pastores… e o ônibus… e os comentários todos os dias?
Talvez porque eu realmente sempre fui uma vadia.
Talvez porque essa é a minha cruz.
Talvez porque uma esposa obediente aceita tudo.
Eu deito de lado e espero ele voltar.
O corpo ainda dói.
A vergonha ainda queima.
E a imagem daquele primeiro dia não sai da minha cabeça: eu nua no meio da sala, cinquenta homens me usando, e meu marido na poltrona, com o whisky na mão, gozando enquanto assistia a esposa religiosa ser completamente destruída.
Eu continuo sendo dele.
Mesmo depois de tudo.
retilineo