O Ademir me olhava com cara de desejo. Percebi que ele ficava olhando para o meu corpo enquanto eu preparava o almoço.
Eu correspondia com olhares profundos, sorrisos...
Eu estava de pé no fogão quando ele veio, me abraçou por trás e beijou meu pescoço. Virei de frente para ele, com um sorriso safado no rosto. Ele me puxou pela cintura e me beijou.
— Agora você é minha. Sempre que eu quiser, você vai ter que estar disponível.
Adorei aquela fala mais dominante dele.
— Claro, Ademir. Aqui em casa é você que manda...
Respondi, deixando claro que gostava daquela dinâmica entre nós.
Ele claramente já estava me vendo de uma maneira diferente.
Passamos o sábado nesse clima gostoso. Ao chegar a noite, tomei banho primeiro e coloquei minha camisola preta, que tanto gosto, com minha lingerie preta.
Ao sair do banheiro, ele me elogiou:
— Nossa, que delícia!
Enquanto ele entrou para tomar o banho dele, já fui para a cama. Nem olhei para a minha; fui diretamente para a cama do quarto, entrei embaixo da coberta e esperei por ele.
Foi então que me bateu uma vontade louca de ligar para minha mãe, deitada na cama dela, usando aquelas roupinhas e esperando o marido dela voltar. Eu estava me sentindo muito safada.
Peguei o telefone e liguei.
— Oi, mãe, tudo bem por aí?
Ela respondeu que estava tudo bem.
— Você volta segunda a que horas?
E seguimos conversando por mais alguns minutos.
Foi quando Ademir entrou no quarto, ainda só enrolado na toalha.
Continuei conversando com minha mãe enquanto olhava para ele. Ele percebeu que eu estava ao telefone com ela.
Minha mãe chegou a perguntar por Ademir.
— Ele está bem, mãe.
Respondi tentando manter a voz o mais natural possível. Só que estava ficando cada vez mais difícil me concentrar naquela conversa.
Eu precisava me policiar para não deixar transparecer o que estava acontecendo.
Minha voz já não estava tão firme, e eu tive que respirar fundo algumas vezes para conseguir continuar falando normalmente.
Ademir percebeu meu nervosismo e ficou ainda mais excitado com a situação. Entrou embaixo da coberta sem nenhuma roupa, começou a me acariciar, me beijar, de tempos em tempos colocava a rola na minha boca, eu tinha que me virar para me recompor e continuar a ligação.
Naquele momento, comecei a pensar que aquilo era uma loucura. Minha mãe estava do outro lado da ligação, sem imaginar absolutamente nada, enquanto eu estava ali, no quarto dela com o marido dela.
Até que percebi que precisava desligar antes que minha voz me entregasse.
— Mãezinha, vou ter que desligar, tá? Estou com um pouco de sono. Te amo.
Desliguei o telefone e olhei para Ademir, sorrindo.
— Você é doido, kkkk. Quase me fez entregar tudo no telefone!
Ele deu aquele sorriso de quem sabia exatamente o que estava fazendo.
— A intenção era essa...
— Kkkk... olha, olha, hein!
Depois, ficamos juntos, trocando beijos e carícias, mamei ele bem gostoso durante muito tempo, depois ele me colocou de bruços, veio por cima de mim e meteu gostoso, percebi que sem beber a pegada dele era ainda mais forte.
Eu me sentia cada vez mais entregue a ele.
No domingo, curtimos bastante juntos novamente. Confesso que, à noite, lembrei que no dia seguinte minha mãe estaria de volta.
Dessa vez, porém, não era exatamente medo.
Eu já estava muito mais segura do que queria e do que estava vivendo.
Sabia que precisava prestar atenção nas palavras, nos olhares e nos pequenos gestos. Afinal, aquele segredo era nosso.
E eu também estava percebendo outra coisa.
Eu estava mudando.
Minha maneira de andar estava mais delicada. Minha mão parecia mais leve quando eu pegava alguma coisa. Até meu jeito de sorrir tinha mudado.
Às vezes eu me pegava andando pela casa e dando uma pequena rebolada sem nem pensar.
Outras vezes percebia que estava mexendo as mãos de um jeito diferente ou inclinando a cabeça enquanto falava.
E o pior — ou talvez o melhor — era que eu gostava, me sentia bem quando me pegava fazendo essas coisas.
Ademir percebia tudo.
Bastava eu passar por ele para aquele sorriso aparecer.
Eu sabia que ele estava reparando em cada detalhe.
Na segunda-feira, acordei por volta das 6h com Ademir me beijando e me chamando. Ele tinha que sair por volta das 7h para trabalhar.
— Acorda, delícia.
Abri os olhos ainda sonolenta.
— Sua mãe vai chegar agora cedo. Precisamos dar uma ajeitada na casa, e você tem que esconder essas manchas.
Levantei, fiz o café para ele e comecei a arrumar a casa para a chegada da minha mãe.
O quarto ainda estava com aquele cheiro de sexo, que denunciava o que tinha acontecido durante o fim de semana. Troquei os lençóis, guardei minhas roupinhas e tomei um banho.
Durante o banho, tirei o batom e usei um pouquinho de base para tentar esconder as manchas. Também tive sorte de estar frio, então coloquei uma blusa de gola alta, que ajudava bastante a esconder meu pescoço.
Na hora em que ele foi sair para o trabalho, que era no próprio sítio onde morávamos, se despediu de mim com um beijo e disse:
— Não esquece que, daqui pra frente, a mãe e a filha são minhas.
Gostei daquela fala dele.
Por volta das 8h da manhã, ouvi o barulho do ônibus chegando. Dava para ouvir de longe, pois a estrada era de terra. O ponto final ficava bem em frente de casa.
O motorista era nosso conhecido, por isso já parava na frente do portão quando algum de nós estava no ônibus.
Dessa vez, fez exatamente isso.
Quando o ônibus parou ali, já percebi que minha mãe tinha chegado.
Saí para recebê-la no portão, cumprimentei o motorista e abri o portão para ela.
Foi uma recepção bem diferente das outras vezes em que ela tinha ido.
Por dentro, eu estava me sentindo completamente diferente. Tinha passado três noites ao lado do marido dela, e estava sendo difícil agir como se nada tivesse mudado.
Peguei a bolsa dela e a ajudei a levar para dentro.
— Como foram as coisas por aqui? O Ademir bebeu muito?
Dei uma risada.
— Sempre, né? Ele saiu com o Leovino na sexta e voltou tarde.
— Não toma jeito mesmo, viu?
Ela continuou:
— E vocês fizeram almoço? Comeram certinho?
Por dentro, pensei:
“Tenho certeza de que o Ademir comeu muito bem esses dias.”
Deixei escapar um sorrisinho.
— Eu fiz a comida, mãe. Comemos certinho. O Ademir comeu bem esses dias. Nunca vi ele comer tanto...
Soltei essa e comecei a rir.
Ali, continuamos conversando. Ela me contou como tinha sido sua viagem para São Paulo, e o tempo foi passando.
Quando começou a se aproximar a hora do almoço, minha mãe disse:
— Vou preparar o almoço, porque o Ademir já já vem almoçar.
— Pode deixar que eu faço o almoço, mamãe.
Ela estranhou um pouco.
Afinal, eu não era muito de cozinhar quando ela estava em casa.
Mesmo assim, fui para a cozinha e comecei a preparar o almoço.
Enquanto mexia nas panelas, percebi que estava me movimentando de um jeito diferente.
Pegava os utensílios com cuidado, mexia o cabelo, sorria sozinha...
Minha mãe não pareceu perceber nada.
Mas eu sabia que Ademir perceberia.
Por volta das 11h50, Ademir chegou para almoçar.
Na hora em que abriu a porta estavamos nós duas na cozinha, senti aquele frio na barriga.
Pela primeira vez, nós três estávamos juntos depois de tudo o que tinha acontecido.
Olhei para ele profundamente.
Um olhar de desejo.
O fato de minha mãe estar ali tornava tudo mais arriscado e mais gostoso.
Ele se aproximou, abraçou e beijou minha mãe.
Senti uma coisa estranha dentro de mim.
Minha vontade era mandar que ele a soltasse.
Fiquei olhando para os dois por alguns segundos.
Talvez meu rosto tivesse entregado um pouco do que eu estava sentindo, porque, durante o abraço, ele encontrou um jeito de olhar para mim.
Fiz uma pequena cara de ciúmes.
Ele percebeu.
Então, antes que aquele olhar durasse mais do que deveria, interrompi:
— Ademir, o almoço já está pronto.
Fui até a pia, peguei dois pratos e entreguei um para minha mãe e o outro para ele. Na hora em que fui passar o prato para Ademir, ele fez questão de segurar minha mão por alguns segundos.
Aquilo foi suficiente para me deixar com aquele friozinho na barriga novamente.
Mas também comecei a gostar daquela sensação de ser observada.
Passei a fazer pequenas coisas de propósito.
Um sorriso diferente.
Um jeito mais delicado de falar.
Um movimento mais feminino ao passar por ele.
Às vezes eu sabia que estava rebolando um pouco mais do que precisava.
E quando percebia que ele tinha reparado, fingia que não era comigo.
Era uma brincadeira silenciosa entre nós.
Mas o mais excitante e diferente aconteceu naquela noite.
Como relatei anteriormente, o quarto deles não tinha porta. Era apenas uma cortina que separava a sala do quarto. Além disso, as paredes eram daquelas antigas, que não chegavam a fechar completamente, deixando um espaço aberto na parte de cima.
Por isso, eu sempre acabava ouvindo quando minha mãe e Ademir transavam. Eles claramente tentavam fazer silêncio para que eu não ouvisse.
Naquela noite, porém, percebi que Ademir não estava fazendo tanta questão de esconder.
Eu nunca tinha percebido minha mãe e Ademir daquela maneira.
Fiquei ali, em silêncio, ouvindo tudo e sentindo uma mistura de curiosidade e ciúme. Afinal, eu sabia de um segredo que minha mãe não fazia ideia que existia.
Ao mesmo tempo, percebi que aquela situação estava mexendo comigo.
Eu queria que ele olhasse para mim.
Queria ser percebida.
E, mesmo sabendo que precisava ter cuidado, eu gostava daquele jogo.
Depois de algum tempo, tudo ficou em silêncio. Provavelmente, os dois tinham terminado e ido dormir.
Pensei que a noite tinha acabado por ali.
Mas, pouco depois, vi a cortina se mexer.
Ademir saiu do quarto usando apenas uma bermuda e caminhou silenciosamente até perto da minha cama.
Ele olhou para mim e sussurrou:
— Agora limpa pra mim
Colocou o pau pra fora da bermuda e enfiou na minha boca. Mamei gostoso, deixei ela bem limpinha.
Meu coração quase saiu pela boca de tesão e adrenalina.
Nos dias seguintes, nosso triângulo foi ficando cada vez mais intenso.
Quando minha mãe ia para o quarto, eu e o Ademir aproveitávamos qualquer oportunidade para trocar um carinho ou uma provocação na cozinha. As piadinhas entre nós também foram ficando cada vez mais constantes.
Às vezes bastava um olhar para entendermos exatamente o que o outro estava pensando.
E eu estava cada vez mais natural.
A delicadeza vinha sem esforço.
Minha mão ficava mais leve.
Meu sorriso aparecia diferente.
Meu jeito de andar estava mais solto.
E, às vezes, eu percebia que estava rebolando sem nem ter planejado.
Ademir notava tudo.
E quanto mais ele notava, mais eu gostava de provocar.
O problema era que, quanto mais confiança nós ganhávamos, mais ousados ficávamos.
Certo dia, Ademir chegou tarde com Leovino. Ouvi os dois chegando, levantei e fui abrir a porta e o portão.
Os dois estavam completamente bêbados.
Naquele estado, eu já sabia que precisava tomar cuidado. Ademir bêbado era outra pessoa. Falava demais, ria de tudo e parecia esquecer que qualquer palavra poderia colocar nosso segredo em risco.
Leovino olhou para mim e soltou:
— E aquelas manchas roxas no seu pescoço aquele dia? Andou aprontando, foi?
Na hora, senti aquele friozinho na barriga.
Tentei desconversar.
— Que manchas? Você está lembrando de coisa que nem existe, Leovino.
Ele deu uma risada.
— Ah, existe sim. Eu vi.
Olhei rapidamente para Ademir.
Foi um erro.
Ele percebeu meu olhar e abriu aquele sorriso de quem estava prestes a falar besteira.
— Eu que fiz.
Meu coração quase parou.
— Ademir!
Ele começou a rir.
Leovino também levou na brincadeira.
— Olha só... então foi você?
Ademir apenas continuou rindo, completamente sem noção do perigo.
Leovino olhou novamente para mim e brincou:
— Então quero fazer também.
Fiquei sem jeito por alguns segundos.
Minha mãe estava ali dentro.
A casa inteira parecia silenciosa.
E eu sabia que precisava escolher bem a resposta.
Mas, em vez de cortar completamente a brincadeira, deixei escapar um sorriso de canto.
Olhei para Leovino e respondi:
— Você está muito atrevidinho hoje.
O jeito que falei deixou a frase no ar.
Ele riu.
— Também, com vocês dois fazendo mistério...
Ademir continuava achando graça.
Aquilo me deu um tesão danado.
Não sabia se Leovino estava apenas brincando ou se realmente estava começando a perceber alguma coisa.
Então ouvi um barulho vindo de dentro de casa.
Minha mãe.
Imediatamente, fiquei séria.
— Entrem logo, vocês dois. E fala baixo, pelo amor de Deus.
Leovino entrou rindo, e Ademir veio logo atrás.
Enquanto eles passavam, Ademir olhou para mim daquele jeito que só ele sabia olhar.
Um olhar que dizia que aquela noite ainda renderia.
Fechei o portão e respirei fundo.
Não estava com medo.
Mas sabia que precisava ficar atenta.
Aquela brincadeira tinha chegado a um ponto em que uma palavra mal colocada poderia levantar perguntas demais.
E o mais curioso era que, apesar disso, uma parte de mim gostava daquele limite.
Naquela noite, fiquei ainda mais atenta.
Cada palavra de Ademir precisava ser escolhida com cuidado.
Cada olhar de Leovino parecia ter uma segunda intenção.
E minha mãe continuava ali, vivendo normalmente, sem imaginar o que estava acontecendo debaixo do próprio teto.
— Vem me ajudar aqui — minha mãe chamou da cozinha.
— Já vou, mãe!
Respondi rapidamente.
Olhei para Ademir antes de entrar na cozinha.
Ele estava sorrindo.
Eu fiz uma cara séria para ele, como quem dizia:
“Se controla.”
Ele apenas levantou as mãos, fingindo inocência.
Aquilo me fez rir por dentro.
Mas eu já sabia.
Aquela brincadeira tinha ficado perigosa.
Não era mais aquela sensação de medo que eu tinha no começo.
Agora era diferente.
Eu estava mais segura, mais ousada e muito mais consciente dos meus limites.
Eu estava gostando de ser assim.
Gostando da delicadeza que vinha naturalmente.
Gostando dos olhares.
Gostando das pequenas provocações.
Gostando de saber que Ademir percebia cada detalhe.
E, principalmente, começava a gostar daquela sensação de poder brincar com o limite sem necessariamente ultrapassá-lo.
Leovino, porém, estava começando a prestar atenção demais.
Talvez ele ainda não soubesse exatamente o que estava acontecendo.
Mas alguma coisa tinha despertado a curiosidade dele.
E eu tinha a impressão de que, no próximo encontro, ele viria ainda mais atrevido.
Quanto a mim, eu só precisava continuar tendo cuidado.
Porque, naquele momento, eu já não queria voltar a ser quem era antes.
