Entre lençóis e Silêncio


## Capítulo 1 — Depois do silêncio

A porta se abriu sem aviso, e Lucas entrou como se o quarto já fosse dele. Fechou-a com um empurrão se?co no trinco, e o som estalou no silêncio como uma sentença. Helena estava de pé junto à cama, as mãos soltas ao lado do corpo, o vestido ainda marcando a forma dos quadris largos. Não perguntou o que ele queria. Não mandou embora. Apenas o encarou, os olhos cansados fixos nos dele, e deixou que o silêncio dissesse o que os dois sabiam.

Ele atravessou o pequeno espaço entre a porta e ela. Cada passo parecia pesar no ar. Quando parou à sua frente, o cheiro dele — sabonete, suor do dia, algo mais fundo — invadiu o espaço de Helena. As mãos de Lucas tocaram sua cintura, dedos firmes sobre o tecido, e a seguraram sem pressa, como se medissem a rendição. Helena sentiu os ombros cederem, o peso inteiro do corpo se entregando um instante antes da vontade.

A boca de Lucas desceu ao pescoço dela. Quente. Úmida. Ele a mordeu de leve, e depois chupou a pele, e Helena fechou os olhos, o corpo arqueando contra o dele, as mãos subindo para trás do pescoço do filho e se agarrando ali como quem se afoga.

Lucas recuou apenas o bastante para puxar o vestido pelos ombros. O tecido cedeu, desceu pelo corpo de Helena, e ela o deixou cair no chão sem um gesto para se cobrir. Ele tirou a calça e a cueca num movimento só, o pau ereto entre os dois, grosso e já escorrendo pela ponta. Helena sentiu o estômago virar. Culpa, desejo, vertigem. Tudo junto.

Ele a empurrou contra a parede. O impacto arrancou um som curto da boca dela. Lucas a ergueu pelas coxas, e Helena envolveu as pernas ao redor da cintura dele por instinto, os calcanhares se cruzando atrás das costas largas. A cabeça do pau roçou sua entrada, quente, e Helena mordeu o lábio, as unhas cravando nos ombros dele.

Lucas empurrou de uma vez. O grito que saiu de Helena não era de dor. Ele estocou fundo, até o fim, e ela sentiu o corpo abrir ao redor dele, apertar, ceder. O peso dos dois batendo contra a parede fazia o quarto estalar num ritmo seco, animal. Lucas a fodia de pé, as mãos cravadas nas coxas dela, o rosto enterrado no seu ombro. Helena chorou. Lágrimas quentes desciam sem que ela pudesse conter, misturadas aos gemidos que saíam da sua garganta a cada investida.

— Fala meu nome — pediu ele, com a voz baixa e firme contra a pele dela.

— Lucas.

Ela soluçou. O prazer era uma faca girando no ventre, a culpa um peso esmagando o peito. A parede batia nas costas dela, o som dos corpos se chocando enchia o quarto, e Helena apertou as pernas com mais força, puxando-o para dentro, aceitando tudo.

Lucas a carregou sem sair de dentro. Deitou-a na cama e cobriu o corpo dela com o seu, as estocadas agora mais rasas, mais rápidas, o colchão rangendo sob os dois. Helena agarrou os lençóis, a cabeça jogada para trás, a boca aberta num gemido alto que parecia querer se despedaçar. Ele a olhava. O tempo todo a olhava.

— De novo — murmurou ele. — Fala de novo.

— Lucas... Lucas...

Ela repetiu como uma oração. O corpo dela tremeu ao redor do pau dele, as coxas apertando, os calcanhares cavando as costas dele. Lucas enterrou o rosto no cabelo escuro dela e gozou dentro, as estocadas finais brutais e depois uma imobilidade total, o calor se espalhando dentro dela, pulsando. Helena sentiu cada espasmo, cada jato, e chorou baixinho, o rosto molhado, o corpo sacudido por pequenos tremores.

Ele não saiu logo. Permaneceu dentro dela, o peso acomodado, a respiração pesada no pescoço dela. Por um longo tempo, só o som dos dois tentando voltar a respirar preencheu o silêncio. Aos poucos, o corpo de Helena foi perdendo a tensão, os dedos afrouxando nos lençóis, as lágrimas secando na pele.

Lucas se ergueu. Saiu dela devagar, e Helena sentiu o vazio imediato, o gozo escorrendo por dentro das coxas. Ele não disse nada. Ao se levantar, o quarto inteiro pareceu se recompor ao redor dela: o vestido no chão, o cheiro do sexo, o estalo distante de um carro na rua.

Lucas se vestiu em silêncio.

Ficou de costas para ela por um instante, as mãos nos botões da camisa, e Helena pensou que ele iria embora sem olhar para trás, como fazia sempre. Mas ele se virou. Ficou parado à beira da cama, o cinto já fechado, o rosto sem expressão, e procurou os olhos dela no escuro.

— Isso não foi só sexo — disse ele, e não era uma pergunta.

Helena puxou o lençol até o peito, sentindo o latejar entre as pernas, o peso das palavras dele no ar.

— Não — respondeu, a voz rouca, os lábios ainda inchados.

Lucas sustentou o olhar por um tempo longo, como se procurasse nela uma mentira, e não encontrasse. Então voltou para a cama, sentou na beirada, e pegou a mão dela, os dedos entrelaçando nos dela com uma gentileza que doeu.

— Eu não sei fazer isso direito — murmurou, olhando para as mãos unidas. — Mas eu quero tentar. Se você quiser.

Helena sentiu o peito apertar, as lágrimas ameaçando voltar, mas agora eram outras. Ela apertou a mão dele.

— Eu quero.

Fora da janela, a cidade seguia em seu rumor distante. Ele deitou ao lado dela e a puxou para perto, o rosto dela no peito dele, o cheiro dos dois se misturando no mesmo lençol. E ficaram ali, sem pressa, aprendendo o silêncio que vem depois das tempestades.
Amanhecer Selado
A luz cinzenta entrou devagar pela janela, pousando sobre o lençol amassado, sobre o vestido ainda no chão, sobre a pele nua de Helena. Ela acordou sem pressa, os olhos fechados, sentindo o peso do braço de Lucas na cintura antes de qualquer outra coisa. O corpo doía, as pernas, os ombros, o ponto exato onde o pescoço encontrava o queixo, mas era uma dor que ela reconhecia como sua. Lucas não estava dormindo. Ela percebeu pela respiração, curta demais, contida, e quando abriu os olhos encontrou os dele, escuros e fixos, observando-a na meia-luz. Ele não tinha fugido. A mão dele subiu devagar pelo ombro dela, os dedos traçando o contorno de uma marca vermelha que a noite deixara, sem pressa, como se lesse a história escrita ali. Helena esticou o corpo dolorido contra ele, sentindo cada músculo despertar, e deixou escapar um suspiro baixo, quase rouco.

— Você não foi embora, murmurou.

— Não.

Ele continuou passando os dedos pela pele dela, o rosto sério, as olheiras fundas de quem não pregou os olhos, e algo no peito de Helena apertou com força. Era real. A luz crescia, revelando as marcas, os cabelos desarrumados, o cheiro dos dois preso no tecido, e a manhã os forçava a encarar o que tinham construído entre aquelas paredes.

A luz cruzava o quarto devagar, e o silêncio entre eles mudava de peso. Lucas passou o polegar pelo maxilar de Helena, o toque firme, como se quisesse garantir que ela ainda estava ali.

— E agora? — a voz dele saiu baixa, quase engolida pela manhã. — Para onde a gente vai daqui?

Helena sustentou o olhar dele, sentindo o próprio corpo inteiro despertar sob os dedos. A resposta não veio pronta, não era simples. Mas também não era fuga.

— Não sei, disse, a voz rouca, pausada. — Mas não vou voltar atrás. Não vou fingir que isso não existe.

Os olhos de Lucas escureceram, e ele balançou a cabeça uma vez, devagar, como se aquilo bastasse. A mão dele subiu para segurar o rosto dela por inteiro, o polegar na maçã do rosto, os dedos na nuca, e ele se inclinou sem pressa.

O beijo começou lento, lábios se reconhecendo ao sabor da madrugada, mas cresceu com decisão. Helena o puxou pela camisa amassada, os dedos fechando o tecido, trazendo-o para cima de si enquanto as bocas se aprofundavam e as línguas se buscavam com uma urgência que já não hesitava. A excitação tomou o lugar da dúvida, quente e sem recuo, e o quarto voltou a ser deles.

O beijo se desfez só o suficiente para que Lucas erguesse o rosto, os olhos escuros fixos nos dela enquanto acomodava o corpo sobre o seu. O peso veio inteiro, quente, e Helena o recebeu abrindo as pernas para que ele se encaixasse. A camisa amassada subiu pelas costas dele, e ela puxou o tecido até despí-lo, as mãos percorrendo a pele suada do torso, os músculos tensos sob os dedos. Lucas a olhava como se não houvesse mais nada no mundo além daquele quarto, daquela cama, e quando se apoiou nos cotovelos, os quadris já pressionavam os dela.

Ele entrou devagar, sem pressa, os olhos presos nos seus. Helena soltou o ar devagar, sentindo o corpo ceder, abrir-se para recebê-lo por inteiro, e manteve o olhar firme, sem se esconder. As pernas dela subiram e se fecharam ao redor das dele, e os calcanhares firmaram-se na parte baixa das costas de Lucas, ancorando-o ali, onde tudo parecia certo. Ele se moveu pela primeira vez num ir e vir longo, profundo, e o prazer despertou como uma onda que começava longe, crescia devagar, e se espraiava por cada nervo.

O ritmo veio constante, sem urgência, os corpos colados e suados, os quadris se encontrando num compasso que não precisava de pressa para ser devastador. Helena cravou as unhas nas costas dele, marcando pele, e Lucas gemeu baixo contra a boca dela, o rosto baixando até encostar o seu. Os movimentos longos arrastavam, preenchiam, e o prazer foi subindo sem trégua, uma maré que não recuava, só engrossava.

Quando o clímax chegou, veio junto, ela sentiu o corpo inteiro estremecer, os espasmos se espalhando em ondas, enquanto Lucas afundava até o fundo e se esvaziava com um som rouco, os ombros tremendo.

Ficaram assim por um longo momento, os corpos ainda ligados, a respiração ofegante misturando-se no ar parado do quarto. A mão de Helena subiu pelas costas dele, agora frouxa, e afagou a nuca com os dedos, num gesto quase distraído. Lucas ergueu o rosto e a beijou na testa, demorado, como se selasse algo que não precisava de palavras. Depois, devagar, saiu dela e deitou-se ao lado, puxando-a para o calor do seu corpo. O lençol subiu até a cintura deles, e Helena apoiou a cabeça no ombro dele, sentindo o coração de Lucas ainda batendo forte contra a própria pele. A claridade da rua penetrava a fresta da cortina, desenhando uma linha de luz sobre o travesseiro. Ela fechou os olhos, e por um instante o silêncio foi completo, confortável, como se o tempo ali dentro tivesse resolvido parar. Lucas passou o braço em volta dela, os dedos traçando um caminho lento pela espinha até os cabelos, e murmurou algo que ela não precisou ouvir para entender. Helena sorriu contra o ombro dele e afundou um pouco mais no abraço, deixando o sono chegar sem resistência, com a certeza tranquila de quem já não precisa correr para lugar nenhum.


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Ficha do conto

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Nome do conto:
Entre lençóis e Silêncio

Codigo do conto:
272216

Categoria:
Incesto

Data da Publicação:
14/09/2026

Quant.de Votos:
3

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