Ela estendeu as mãos, encontrou o peito dele por baixo da camiseta. Os dedos percorreram o relevo dos músculos, sentiram os pelos, os mamilos que endureceram ao seu toque. Rafael não disse nada, apenas respirou mais fundo, e ela desceu as mãos pelo abdômen, até encontrar o cós da calça. Desabotoou com paciência, guiada pelo tato, e quando os dedos tocaram a pele quente por baixo do tecido, ele soltou um murmúrio grave.
— Isso — sussurrou ele. — Continua.
Ela envolveu a ereção dele com a mão, sentiu o peso, a textura, o calor. Passou o polegar pela glande, já úmida, e o ouviu prender o ar. Rafael se moveu, pegou o lubrificante na mesinha, e ela ouviu o som do frasco se abrindo. Em seguida, os dedos dele tocaram os seus, ainda ao redor do pau, espalhando um gel frio que logo esquentou entre eles.
— Deixa eu te deixar pronta — disse ele, e a voz tinha a firmeza de sempre.
Ela retirou a mão. Ouviu o som úmido do lubrificante enquanto ele passava mais nos próprios dedos e depois na extensão do pau, lentamente, com a respiração controlada. Helena se virou para a cama, apoiou as mãos no colchão, levantou os quadris. Ajoelhou-se de quatro, abrindo as pernas devagar, sentindo o ar tocar a pele exposta. A saia subiu pelas coxas, presa na cintura. O corpo dela estava tenso, antecipando.
A cegueira transformava a espera em uma forma de escuta. Cada som — o frasco fechado, o colchão se movendo sob o peso de Rafael, a respiração dele se aproximando do seu corpo — desenhava uma imagem. Ela ouviu o joelho dele afundar na cama atrás dela, sentiu o calor dos dedos na sua nádega, abrindo-a com delicadeza. O contato do ar com o ânus a fez estremecer.
— Vai ser devagar — disse Rafael, e a voz chegou baixa, quase dentro do seu ouvido.
Ela assentiu, incapaz de formar palavras. Ele posicionou a glande contra a entrada dela, e o simples toque daquela pele quente e úmida no ponto exato fez o corpo inteiro dela se retesar. Esperou, respirando fundo, as mãos agarrando o lençol. O mundo ao redor era apenas aquilo: a pressão, o calor, a promessa contida no instante antes da entrega.
A pressão veio aos poucos. Rafael empurrou, e Helena sentiu a coroa vencer a resistência com uma lentidão deliberada. Um ardor se espalhou, não de dor, mas de invasão, e ela soltou o ar pelo nariz, deixando a cabeça pender entre os braços. Ele parou quando a glande entrou por completo.
— Respira — murmurou ele.
Ela respirou. O corpo foi se abrindo, adaptando-se, e Rafael avançou mais fundo, centímetro a centímetro, como se lesse nas reações dela o ritmo certo. Helena soltou um gemido baixo quando ele chegou até o fim, os quadris dele encostados nos seus. Por um instante ficaram imóveis, os dois respirando na mesma escuridão.
— Pode se mexer — disse ela, a voz saída num fio.
Ele começou a se mover. Estocadas longas, puxadas quase completas antes de afundar de novo, e o corpo dela aprendeu a recebê-lo. O atrito ardia e arrepiava, uma fricção que acendia nervos que ela não sabia que tinha. Os dedos de Rafael fincaram na sua cintura, firmes como se a ancorassem, e ela empurrou os quadris de volta, encontrando cada investida com a sua.
— Mais — pediu, ofegante.
O ritmo aumentou. O som dos corpos se chocando, a respiração errática de Helena, os grunhidos contidos de Rafael preenchiam o quarto. Ela perdeu a noção de qualquer coisa que não fosse aquilo: a penetração preenchia cada pensamento, cada espaço vazio. As mãos dele deslizaram para as suas coxas, abrindo-a ainda mais, e o ângulo mudou, fazendo-a soltar um gemido mais alto.
Rafael inclinou o corpo, o peito colado às costas dela, e a voz chegou ao seu ouvido como um murmúrio entrecortado.
— Vou gozar dentro.
Ela deixou escapar um sussurro de consentimento, e as estocadas se tornaram mais duras, mais fundas, mais urgentes.
O mundo inteiro se reduziu àquele ponto de contato. Helena sentiu o corpo dele enrijecer às suas costas, o ritmo perdendo a elegância, tornando-se bruto, primal. Cada investida a empurrava contra o colchão, e ela agarrou os lençóis, os dedos brancos de tensão. O gemido dele foi abafado no seu ombro, um som rouco e desesperado, enquanto o calor se espalhava dentro dela em ondas. Aquilo a desfez. O orgasmo chegou como uma maré que ela não tentou controlar, arrancando-lhe um grito abafado, os músculos internos se contraindo ao redor dele. Rafael permaneceu imóvel por um longo momento, o corpo tremendo, a respiração irregular varrendo sua pele. Depois, ele se retirou devagar, deitando-se ao lado dela, o silêncio entre eles pesado, mas não desconfortável. Ela rolou para encará-lo, a escuridão escondendo o que seu rosto não conseguia expressar. — Isso foi — começou ela, sem terminar a frase. Ele tocou seu rosto, o polegar traçando sua bochecha. — Eu sei. Helena sorriu, um gesto pequeno que ele sentiu mais do que viu. Virou-se de costas, e Rafael a puxou para si, o braço atravessando sua cintura, o corpo quente colado ao seu. Ela fechou os olhos, sentindo-o ainda presente, e permitiu-se adormecer assim, sustentada.
O calor do corpo de Rafael permanecia colado às suas costas, e Helena sentiu o sêmen escorrendo devagar, descendo entre as nádegas, misturando-se ao lubrificante e ao suor que ainda cobriam sua pele. A umidade escorregadia fazia o contato entre os dois corpos deslizar, os pelos do peito dele roçando sua coluna a cada respirada. O quarto continuava em escuridão absoluta, e isso era um alívio: não havia nada para ver, apenas para sentir.
A respiração de Rafael acertava sua nuca em lufadas cálidas, o ritmo aos poucos se acomodando, tornando-se mais lento, mais pesado. Helena se deixou ficar ali, imóvel, ouvindo o próprio coração desacelerar junto com o dele. O corpo ainda vibrava, os músculos internos latejando numa memória difusa daquilo que ele tinha deixado dentro dela.
A frase voltou, flutuando na sua mente: Isso foi.. Ela tentou completá-la em silêncio. Incrível, talvez. Intenso. Necessário. Nenhuma palavra cabia. O polegar dele na sua bochecha, minutos antes, já tinha dito tudo. Não havia o que completar, porque Rafael já sabia, e saber, para ele, bastava.
O braço dele apertou sua cintura num gesto instintivo, puxando-a mais para perto, como se mesmo no sono fizesse questão de tê-la ali. Era posse e proteção na mesma medida, e Helena reconheceu aquilo sem precisar de explicação. Ela se rendeu, deixando o corpo relaxar em etapas: primeiro os ombros, depois o ventre, por fim as pernas que ainda se mantinham encolhidas de lado.
O silêncio do quarto engoliu qualquer som que não fosse o das respirações se sincronizando, a dela e a dele, num compasso lento e igual.
Ela fechou os olhos e deixou aquele compasso guiá-la para o sono. O escuro ao redor deixou de ser vazio para virar recinto, o corpo dele contra o seu como parede e teto, casa inteira numa cama de solteiro. Alguma hora, entre uma respiração e outra, o pensamento se desfez: não havia amanhã a temer, não havia nome a dar. Havia só o peso quente do braço na sua cintura e a certeza tranquila de que, se acordasse no meio da noite, ele ainda estaria lá.
Acordou com a luz cinzenta da madrugada entrando pela fresta da cortina. Rafael dormia de bruços, o rosto virado para o lado, a mão dele agora frouxa sobre o quadril dela. Helena ficou um tempo olhando as costas largas subindo e descendo, a pele marcada de arranhões finos que ela não lembrava de ter feito. Sentou-se devagar, procurou a calcinha no chão, vestiu a camisa dele que estava jogada na cadeira. Na cozinha, a chaleira começou a cantar baixo. Quando voltou com duas xícaras, ele já estava sentado na cama, esfregando os olhos, e a viu entrar com a luz da manhã atrás dela.
— Café, disse ela, entregando a xícara.
Ele bebeu um gole em silêncio. Depois olhou para ela, para a camisa dele aberta no peito dela, e sorriu, o sorriso preguiçoso de quem já sabia que ela ficaria.



Conto lindo demais, parece uma poesia de tão bonito e romântico, mesmo sendo um incesto, um sexo gostoso entre mãe e filho, um dos mais lindos do site, parabéns pela sensibilidade, pela forma diferenciada como escreveu, uma maravilha de ler. votado e aprovado