— Meu carro está ali — falei.
Renata olhou para onde eu apontava e depois para mim.
— E você acha que eu vou entrar no carro de um homem que conheci há duas horas?
— Acho.
— Convencido do caralho.
Ela caminhou até o carro.
— Abre logo.
Comecei a rir.
Aquela mulher estava acabando comigo.
No caminho, Renata perguntou:
— Sua casa é longe?
— Uns quinze minutos.
— Então dirige.
— Está com pressa?
Ela virou o rosto lentamente e me lançou aquele olhar.
— Sandro, não me faz responder isso.
O restante do trajeto teve aquela tensão deliciosa de duas pessoas que já sabiam perfeitamente o que aconteceria quando a porta se fechasse atrás delas.
Quando chegamos, mal tive tempo de colocar a chave sobre a mesa.
Renata me puxou pela camisa.
— Agora não tem plateia.
— Estava esperando por isso?
— Cala a boca.
Ela me beijou.
Dessa vez não havia bar, amigas, vergonha ou necessidade de fingir que aquilo ainda era apenas brincadeira.
Era desejo.
Simples assim.
E Renata tinha desejo acumulado pra caralho.
Entre um beijo e outro, começou a rir.
— Que foi?
— Estou pensando numa coisa.
— Fala.
— Duas horas atrás eu nem sabia seu nome.
— E agora?
Ela passou os braços pelo meu pescoço.
— Agora estou pensando nas merdas que quero fazer com você.
— Interessante.
— Não fica convencido.
— Tarde demais.
— Idiota.
Voltamos a nos beijar.
Quando finalmente chegamos ao quarto, a Renata engraçada e debochada do bar continuava ali, mas havia aparecido outra versão dela.
Mais atrevida.
Mais intensa.
E absolutamente sem vergonha de dizer o que gostava.
Descobrimos rapidamente que nossa química não terminava nos beijos.
Muito pelo contrário.
Aquela mulher sabia provocar.
E gostava de ser provocada.
A noite virou uma mistura de mãos, bocas, risadas, provocações e pequenas disputas para descobrir quem conseguia enlouquecer primeiro o outro.
Em determinado momento ela simplesmente apontou para a cama.
— Deita.
— Virou chefe agora?
— Deita, Sandro.
— Sim, senhora.
— E para de rir.
Não parei.
Principalmente quando percebi o sorriso dela.
Renata tinha uma maneira particularmente talentosa de usar a boca para me fazer esquecer qualquer resposta engraçadinha que estivesse preparando.
Depois chegou minha vez de retribuir.
— Agora fica quieta você.
— Quero ver você conseguir.
Consegui.
Pouco depois, a mesma mulher que mandava eu calar a boca estava apertando os lençóis e xingando meu nome.
— Filho da puta...
Levantei o rosto.
— Alguma reclamação?
— Se você parar agora, eu te mato.
Voltei ao que estava fazendo.
— Desgraçado...
Aquilo me fez rir.
E a noite continuou.
Experimentamos posições diferentes, mudamos o ritmo inúmeras vezes e fomos descobrindo juntos o que fazia o outro perder o controle.
Renata não tinha vergonha de pedir.
Nem eu de perguntar.
Quando quis experimentar algo mais ousado, ela própria deixou claro o que queria e até onde queria ir. Fomos devagar, entre provocações e risadas, e acabamos descobrindo mais uma coisa de que os dois gostavam.
Depois disso, já não existia muita organização.
Cama.
Chuveiro.
Cama novamente.
Uma pausa para beber água.
Mais beijos.
Mais provocações.
Em algum momento olhei o relógio.
Quase quatro da manhã.
— Caralho.
Renata estava deitada ao meu lado, completamente descabelada.
— Que foi?
— Olha a hora.
Ela pegou o celular.
— Puta merda.
Ficamos alguns segundos em silêncio.
Então ela olhou para mim.
Eu olhei para ela.
— Nem pensa nisso — falei.
— Pensar em quê?
— Estou vendo essa cara.
Renata começou a rir.
— Você não aguenta mais?
— Você que não aguenta.
Ela imediatamente se sentou.
— Repete.
Percebi meu erro.
— Renata...
— Repete essa merda.
— Acho que vou beber água.
Ela me puxou de volta.
A madrugada ainda ganhou mais um capítulo.
Quando finalmente desistimos, já começava a clarear.
Renata estava deitada de bruços, usando minha camisa, cabelos completamente bagunçados e uma expressão de quem finalmente havia gastado toda a energia que tinha.
Olhei para ela.
— Posso fazer uma pergunta?
— Se for idiota, não.
— Você sempre termina uma saída com as amigas desse jeito?
Ela virou o rosto.
— Claro. Toda sexta arrumo um Sandro diferente.
— Vagabunda.
Renata pegou o travesseiro e acertou minha cara.
— Filho da puta!
Começamos a rir.
Depois ela ficou séria por alguns segundos.
— Posso confessar uma coisa?
— Fala.
— Quando te vi no bar, achei que no máximo ia ganhar uns beijos.
— Ficou decepcionada?
Ela olhou para mim.
Depois para o quarto completamente bagunçado.
Depois novamente para mim.
— Profundamente.
— Então nunca mais precisamos repetir.
Renata sorriu.
— Nem fodendo.
Pegou meu celular na mesa.
— Desbloqueia.
— Para quê?
— Vou colocar meu número.
— E quem disse que quero?
Ela começou a digitar mesmo assim.
— Cala a boca.
Salvou o contato e devolveu o aparelho.
Olhei para a tela.
Ela havia colocado:
**RENATA — NÃO ATENDER**
Comecei a rir.
— Você é completamente maluca.
Ela se aproximou e me deu um último beijo.
— Mas você vai atender.
E o pior?
Ela estava certa.
sandroandarilho