Quando Ana sugeriu que a sobrinha viesse passar um tempo, ele nem pensou duas vezes.
— A Camila precisa de um lugar por algumas semanas. A mãe viajou e ela não quer ficar sozinha.
Ele deu de ombros. Sobrinha da esposa. Vinte e dois anos. Devia ser só mais uma jovem qualquer.
Camila chegou numa sexta à noite.
A primeira impressão foi de alguém pequena. Magrinha, cabelos cacheados escuros caindo até o meio das costas, rostinho de menina educada. Cumprimentou a tia com um abraço apertado e depois estendeu a mão para Ricardo, educada demais.
— Oi, tio.
A voz era baixa. Quando ela se curvou para pegar a mala, a blusa subiu um pouco e ele viu a linha fina de um piercing no umbigo. Nada demais. Muita gente tinha aquilo. Ainda assim, algo no gesto o fez desviar o olhar rápido demais.
Nos primeiros dias ela foi discreta. Ajudava Ana na cozinha, perguntava sobre a casa, ria das histórias antigas que a tia contava sobre quando Ricardo ainda era namorado. Às vezes, enquanto Ana falava, Camila olhava para ele por cima do ombro da tia. O olhar não durava mais que um segundo, mas ficava.
Na terça-feira, Ana saiu mais cedo para uma consulta. Ricardo estava no escritório quando ouviu a porta do banheiro abrir. Camila saiu enrolada numa toalha curta, cabelos molhados, gotas ainda escorrendo pelo pescoço. Passou pelo corredor sem pressa. A toalha mal cobria as coxas. Quando ela se virou para pegar o carregador do celular que tinha deixado na mesa da sala, a parte de cima da toalha escorregou um centímetro. O contorno de um piercing no mamilo direito ficou visível por um instante.
Ricardo fingiu continuar digitando. O cursor piscava na tela sem que ele escrevesse nada.
Naquela noite, Ana dormiu cedo por causa da enxaqueca. Ricardo ficou no sofá, televisão ligada sem volume. Camila apareceu de camisola fina, sem sutiã. Sentou-se na poltrona em frente, puxou as pernas para o peito e ficou mexendo no celular. A camisola subiu até quase a virilha. Ele conseguiu ver a curva interna da coxa e, por um segundo, o tecido fino colado entre as pernas, marcando algo.
Ela percebeu o olhar. Não se cobriu. Só ergueu os olhos e sorriu de canto.
— A tia dorme cedo, né?
— Quando toma o remédio, sim.
— Vocês ainda… — ela fez um gesto vago com a mão. — Vocês ainda fazem?
Ricardo sentiu o rosto esquentar.
— Isso não é conversa de sobrinha.
Ela riu baixinho e se levantou.
— Boa noite, tio.
Passou por trás do sofá. O cheiro de sabonete e pele quente ficou no ar.
Na quarta-feira a porta do banheiro ficou entreaberta de novo. Ricardo ia passar quando ouviu a água. Parou. Do corredor dava para ver o espelho embassado e o vulto dela sob o chuveiro. Camila estava de costas, uma mão na parede, a outra entre as pernas. Os movimentos eram lentos. Quando virou o rosto, os olhos encontraram o dele no reflexo.
Ela não parou.
Ricardo fechou a porta com força e foi para o escritório. Ficou sentado com o pau duro dentro da calça por quase meia hora, odiando a si mesmo.
Foi nessa noite que ele começou a descontar em Ana.
Ela estava no sofá quando ele chegou por trás, puxou o cabelo dela com mais força que o costume e beijou o pescoço com fome. Ana se surpreendeu, mas não recusou. Ricardo a virou, puxou a blusa, chupou os seios e a levou para o quarto sem desligar a televisão. Fodeu Ana de quatro, segurando a cintura dela, estocando fundo e rápido, imaginando o grelo inchado e perfurado da sobrinha enquanto gozava dentro da esposa.
Ana ficou ofegante.
— Nossa… o que foi isso?
— Senti sua falta — mentiu.
A partir daí o padrão se repetiu. Cada provocação de Camila virava uma noite mais intensa com Ana. Quando a sobrinha passava de shortinho pela sala, Ricardo ia atrás da esposa e a comia no banheiro, de pé. Quando via o contorno do piercing no mamilo sob a camisola, acordava Ana no meio da madrugada e enfiava de uma vez. Ana adorava.
— Você está diferente — disse uma manhã. — Mais faminto. Eu gosto.
Ricardo não respondia. A imagem que vinha na cabeça não era a dela.
Na quinta-feira Ana saiu para o mercado. Camila apareceu na porta do escritório de shortinho e top curto, sem sutiã. Os mamilos perfurados marcavam o tecido. Entrou, fechou a porta e se apoiou na mesa.
— A tia vai demorar pelo menos uma hora.
— Camila…
— Eu sei que você está com tesão. Você olha para mim o tempo todo. Para a minha boca. Para os meus peitos. Para entre as minhas pernas.
Ela passou a mão pela barriga, desceu até o short e pressionou o tecido contra o grelo.
— Está inchado agora. Quer tocar?
Ricardo ficou imóvel. O pau já latejava.
Camila se ajoelhou. Desabotoou a calça dele, puxou o pau para fora e o segurou.
— Olha… ele não mente.
Lambeu a fenda uma vez, devagar, olhando nos olhos dele. Depois engoliu a cabeça, chupou com pressão, soltou e voltou a lamber. Ricardo agarrou os braços da cadeira. Não a empurrou. Não a puxou. Ficou ali enquanto a sobrinha da esposa chupava o pau dele.
Quando estava perto de gozar, ela parou.
— Ainda não. Eu quero que você fique com tesão o dia inteiro. Quero que pense em mim quando estiver comendo a tia.
Saiu deixando a porta aberta.
Naquela noite Ricardo puxou Ana para o sofá, tirou a calça dela e a fodeu ali mesmo, de frente, segurando o rosto dela. Ana gozou surpresa.
No sábado ele ligou para Marcelo, o melhor amigo.
Depois de duas cervejas desabafou sem dizer o nome.
— Tem uma mulher nova. Não é caso ainda, mas está quase. Estou com um tesão que não controlo. Estou fodendo a Ana como se fosse a última vez. Ela adora, mas sinto que estou usando ela.
Marcelo riu sem humor.
— Ou você corta agora, ou assume e se fode. Mulher nova que provoca casado quase sempre quer destruir alguma coisa.
Ricardo não contou que era a sobrinha.
Na segunda Camila voltou à carga.
Ana saiu para uma reunião. Camila trancou a porta, puxou Ricardo para o quarto de casal e se sentou no colo dele.
— Fode a sobrinha na cama da esposa.
Ele a virou de quatro. Puxou a calcinha de lado. O grelo inchado e perfurado esfregava no lençol enquanto ele entrava fundo. Camila gemia alto, pedindo mais forte, chamando de tio e de porco. Quando ele gozou dentro, ela sussurrou:
— Agora tem um pouco de você dentro de mim. Igual tinha dentro dela quando ela tinha a minha idade.
Camila se vestiu.
— Eu gravei. Só a sua voz gemendo e me chamando de putinha. Se parar, eu mando. Para ela. Para os filhos. Para o trabalho. Você perde tudo.
Ricardo cedeu. Nos dias seguintes fodeu Camila em todos os cômodos. No sofá. No banheiro. Na varanda de madrugada. E depois de cada vez ia atrás de Ana com fome ainda maior. Comia a esposa duas, três vezes por dia. Ana estava radiosa, achando que o casamento tinha renascido.
Foi então que o celular de Ricardo apitou com uma mensagem anônima.
Um vídeo.
Ele abriu no banheiro do trabalho.
A imagem era escura. Ana de quatro numa cama que não era a deles. Um homem negro, jovem, corpo definido, segurava a cintura dela e enfiava um pau enorme — claramente mais de vinte e cinco centímetros — com força. Ana gemia alto, a voz inconfundível, pedindo mais fundo, mais duro, chamando o homem de “meu negro gostoso” e “arromba essa buceta casada”. O homem a virou, colocou as pernas dela nos ombros e fodeu ainda mais fundo. Ana gozou gritando, o rosto contorcido de prazer.
O vídeo tinha três minutos e vinte e dois segundos.
Ricardo vomitou no vaso.
Passou o resto do dia em silêncio. À noite olhou para Ana como se a visse pela primeira vez. Ela sorriu e perguntou se ele queria jantar. Ele disse que não tinha fome.
Guardou o arquivo. Não contou a ninguém. Continuou fodendo a esposa com uma intensidade quase violenta e a sobrinha nas madrugadas, odiando a si mesmo nas duas situações.
Uma tarde Ana chegou mais cedo do trabalho.
A casa estava silenciosa. A porta da sala entreaberta. Ela ouviu um som baixo, úmido, rítmico. Aproximou-se sem fazer barulho.
Camila estava no sofá, completamente nua.
As pernas abertas, um pé apoiado no encosto, o outro no chão. Os cabelos cacheados espalhados. Os seios pequenos com os piercings brilhando. A mão direita entre as pernas, dois dedos entrando e saindo da buceta molhada, o polegar esfregando o grelo inchado e perfurado com movimentos circulares. Na outra mão, o celular.
Na tela do celular rodava o vídeo.
Ana viu a si mesma de quatro, sendo arrombada pelo homem negro de pau enorme. Ouviu a própria voz gemendo, pedindo mais fundo, chamando o homem daqueles nomes. Camila assistia com a boca entreaberta, os olhos semicerrados, se masturbando sem pressa, o líquido escorrendo pela coxa e manchando o sofá.
Ana ficou paralisada na porta.
Camila percebeu a presença. Não parou. Apenas ergueu os olhos, continuou metendo os dedos e sorriu devagar.
— Oi, tia.
Ana deu um passo para trás. A voz saiu rouca:
— O que… o que você está fazendo?
Camila aumentou o volume do celular. O gemido de Ana encheu a sala. Depois pausou o vídeo, tirou os dedos da buceta, mostrou-os brilhando e levou à boca, chupando com calma.
— Assistindo você ser fodida. E gozando com isso.
Ana avançou, tentou pegar o celular. Camila foi mais rápida. Guardou o aparelho atrás do corpo e se levantou nua, sem nenhum constrangimento.
— Eu tenho o original. E mais três. Diferentes dias. Diferentes ângulos. Em um deles dá para ver o rosto dele bem de perto. Em outro, você olha para a câmera e sorri depois de gozar.
Ana sentiu as pernas fraquejarem.
— Como…?
— Não importa como. Importa o que eu quero agora.
Camila se aproximou. O cheiro de sexo e sabonete misturados. Os mamilos perfurados quase tocando o peito da tia.
— Você vai continuar quieta. Vai deixar o Ricardo me foder quando ele quiser. Vai fingir que nada está acontecendo. Porque se abrir a boca… se tentar me expulsar… se contar qualquer coisa… eu mando o vídeo para ele. Para os filhos de vocês. Para o chefe dele. Para o grupo da igreja. Você perde o marido, a casa, a reputação, tudo. Eu não perco nada.
Ana tentou falar. Só conseguiu um som quebrado.
Camila passou a mão molhada no rosto da tia, deixando o cheiro da própria buceta na pele dela.
— Agora nós duas temos um segredo. E eu decido o que acontece com ele.
Virou as costas, ainda nua, e foi em direção ao quarto de hóspedes, o celular na mão, o grelo inchado ainda brilhando entre as coxas.
Ana ficou sozinha na sala, o vídeo pausado na última imagem dela mesma gozando na pica de outro homem, o cheiro da sobrinha impregnado no sofá e no próprio rosto.
Do escritório, Ricardo ouviu apenas o silêncio.
Não soube de nada.
Continuou vivendo entre o ódio pelo vídeo que recebera e o desejo doentio pela sobrinha que o chantageava com o áudio.
Enquanto, na casa, as duas mulheres — a esposa e a sobrinha — passavam a dividir um segredo que ele jamais descobriria daquela forma.
Camila já tinha decidido o próximo passo.
E Ana, pela primeira vez em décadas, tinha medo de verdade.
kanonlsf