Voltando um pouco mais no tempo, eu fui criada em uma igreja evangélica e imagino que muitas de vocês também. Aos 15 anos eu tive o meu primeiro surto de depressão, fiquei mal, tentei suicídio, perdi o sentido de tudo. E preciso anotar isso aqui, para que vocês saibam que desde os meus 15 anos, essa depressão vem e vai. E devo ressaltar que quando estou depressiva, eu não me lembro como é estar "bem", e quando estou eufórica, contente, com minha libido la no céu, se apaga da minha memoria o quanto posso ficar depressiva. É como se fossem duas pessoas coexistindo dentro de mim. Eu comecei a escrever, justamente para me lembrar de como sou em determinados momentos e em outros também. Recomendação da minha terapeuta.
Como os períodos depressivos são maiores em tempo, e são neles que você sente que precisa de ajuda, foi nesse período que me entreguei na igreja com toda intensidade. Eu era sincera e dedicada e naquele período depressivo eu recebi muita ajuda, construí laços importantes e podia passar por aquela fase com muita gente segurando nas minhas mãos, e por isso, serei sempre grata. O caso, é que quando vinha alegria retumbando dentro de mim, eu entendia que Deus estava me "curando" e ficava muito contente com minha relação com o divino. Porém vinha também a hipersexualidade, e ter aquele sentimento dentro de mim, como uma fome intensa me deixavam em completo desespero. Eu resistia, eu jejuava, eu orava eu fazia de tudo para tentar impedir o meu corpo de sentir aquilo, eu acreditava que se pudesse priva-lo de outros desejos, eu poderia suprimir àquele. Mas não tardava a eu cair em tentação e me tocar; e era intensamente prazeroso.
Sempre que parecia impossível resistir e eu ficava tão a flor da pele, eu descia a minha mão e começava a me sentir, e conforme eu me tocava eu sentia os meus dedos molhando, eu ficava deslizando devagar como para evitar o "pecado" próximo e isso só piorava a minha situação. Eu passeava os dedos, eu cheirava os meus dedos, eu chupava os meus dedos, eu passava os dedos molhados no meus seios e lambia, e isso aumentava o tesão até não ser mais possível se evitar um orgasmo, e depois do primeiro eu me tocava duas, três, quatro, cinco, seis, sete vezes mais até meu corpo pedir desfalecer completamente.
Era terrivelmente decepcionante não conseguir controlar meus impulsos e eu tentava me redimir diante de Deus.
Perto de fazer 17 anos fiz uma amizade com uma garota de SP chamada Priscila. Eu até então morava na Bahia.
A amizade era muito bacana e eu gostava muito dela, ela tinha na época 22 anos, trabalhava no setor administrativo de um hospital e fazia faculdade a noite. Eu trabalhava durante o dia num escritório também, e por lá que podíamos conversar através do MSN, usando o computador do trabalho.
A primeira coisa que me chamou atenção nela foi a voz, a voz dela era linda e quando ela me mandava áudios eu tinha o habito de guardar para poder ouvir varias vezes depois. Quando ela dava risada meu coração se derretia inteirinho, que risada gostosa de ouvir! Eu sempre ouvia e ouvia de novo como uma terapia.
Eu não percebi que estava me apaixonando por ela aos pouquinhos, eu nem sabia o que era aquilo que eu estava sentindo. Quando o movimento estava tranquilo no trabalho, colocávamos filmes para assistir juntas, e deixávamos o microfone ligado. Eu podia ouvir o som respiração dela bem pertinho de mim e era como se ela estivesse do meu lado. Ter a companhia dela me proporcionava uma sensação de conforto delicioso.
As coisas começaram a se complicar quando ao se despedir para o dia seguinte, ela mandava um "eu te amo", e isso aquecia o meu coração de um jeito inexplicável e quando eu respondia que a amava também, era do fundo do meu coração. Mas até então, eu achava que era uma linda, verdadeira e forte amizade, e nada alem de amizade.
Aconteceu que ela mudou a foto de perfil para uma que mostrava só a sua boca avermelhada. A primeira vez que olhei essa foto eu comecei a me sentir diferente, foi como se eu ficasse hipnotizada naquela foto. Eu lembro de ficar olhando essa foto sem parar, sentindo uma vontade tão absurda de beija-la. Eu passava os dedos na tela, desenhando a boca dela e desejando esse beijo como se precisasse dele para viver. Mas guardei isso comigo, como se até de deus eu pudesse esconder.
Naqueles dias ela me confidenciou que se sentia atraída por mulheres e que isso a estava corroendo por dentro, por que parecia tão puro e bonito, e era horrível saber que era um pecado sujo, 'que Deus era aquele?' Perguntava ela..
Saber que se interessava por mulheres despertou dentro de mim um desejo explosivo, como se pegasse um fogo descontrolado. Eu não soube o que fazer com aquilo. Só poderia ser Deus me testando.
Lembro que no dia seguinte eu iniciei um jejum de 3 dias só de água e fiz uma vigília pessoal em que orava a noite toda com os joelhos e rosto no chão e era terrivelmente frustante porque eu não conseguia parar de pensar e de desejar Priscila e nada seria suficiente para mim e eu sabia que nenhum beijo serviria, ou nada que eu fizesse com meu corpo, porque naquele momento eu precisava apenas dela e somente dela.
Eu ocupava um cargo na igreja e me sentia mal por estar ali enganando a todos, eu entreguei o meu uniforme e abri mão, com muita dor e apego que tinha, as minhas funções na igreja (como o de "tia", da escolinha bíblica). Eu me sentia hipócrita. O meu suplicio e minhas tentativas de conter esse sentimento forte que tomou conta do meu corpo por inteiro continuaram. Eu não conseguia não pensar em Priscila e na força que eu estava desejando ela. E não teve jejum, oração, leitura da bíblia que me curasse, eu cheguei a ficar fisicamente doente e de cama por dias de tanto conflito interno e desespero.
Eu comecei a evitar conversar com ela por alguns dias e ela também evitava a mim. Apos uma semana a saudade falou mais alto e voltamos a nos falar. Dentre algumas confidencias ela me contou que fez sexo com um rapaz na tentativa de não se sentir mais atraída por mulheres. Eu senti um ciume corrosivo, mas fingi normalidade, ela não fazia ideia da turbulência emocional que eu me encontrava por causa dela.
Mas tentei fazer o mesmo, havia um rapaz que gostava de mim, e eu resolvi dar uma chance, saímos nessa mesma noite e ele me beijou na praça da cidade. E ele beijava bem, mas quando voltei para a minha casa eu escovei os dentes com tanta força que saiu sangue das minha gengiva, tamanho o desgosto moral que me causou aquele beijo, e nunca mais quis vê-lo.
Para Priscila eu disse que comecei a namorar com ele e fui parando de falar com ela. Foi uma separação duríssima, a mais difícil que tive até hoje. Eu me separei contra a vontade e sofri muito. Eu chorava pelos cantos ouvindo Ana Carolina (como boa lésbica). Eu ouvia no repete aquela musica "Aqui" e chorava um tanto. "Estou lembrando menos de você, falta pouco para eu me convencer, de que sou a pessoa errada..." Essa música traduzia tão o bem tudo que que eu passei naquela época que ao ouvi-la hoje, difícil não me transportar de novo e desejar ser aquela menina, mas com a mente que tenho hoje. Eu faria tudo diferente.
"Não dá pra disfarçar
Eu tento aparentar frieza, mas não dá
É como uma represa pronta pra jorrar
Querendo iluminar
A estrada, a casa, o quarto onde você está
Não dá pra ocultar
Algo preso quer sair do meu olhar
Atravessar montanhas e te alcançar
Tocar o seu olhar
Te fazer me enxergar e se enxergar em mim."
Aos 19 anos eu já na faculdade, resolvi largar tudo e fui morar sozinha em sp. Não pensava mais em Priscila, larguei a igreja também e não quis saber de relacionamento, amor, sexo, religião ou nada disso.
Recentemente eu achei Priscila no meu instagram, ela está casada com uma mulher ha 10 anos e parece feliz. Eu senti saudade, quase 20 anos depois, muito tarde? Senti saudades de vê-la.
Sabe uma coisa que me marcou muito foi o sorriso dela. Quando fazíamos chamada de vídeo e ela sorria eu percebia o quão grande era o seu sorriso, tão grande que quando ela sorria os olhos fechavam. Até hoje eu sou tomada por um encantamento instantâneo quando vejo alguém sorrir assim porque em todas as vezes eu me lembro de Priscila.
Mandei uma mensagem enorme detalhando tudo isso que acabei de vos contar, e pedindo perdão por ter sido tão cruel comigo mesma e consequentemente com ela.
Ela nunca me respondeu...
Minha esposa tbm tinha uma paixão por uma amiga ela me falou que uma vez as duas tomaram banho juntas ela disse que uma passava sabonete na outra elas se beijaram se masturbando
nathliz