A Igreja e o Humberto Martins



Gente, depois de publicar meus primeiros contos, recebi tantas mensagens carinhosas e palavras de apoio... além de algumas fotos bem interessantes de pênis grandes — daqueles que, às vezes, me pego imaginando dentro de mim. Ainda não me sinto pronta para dar esse passo na vida real, mas sei que esse dia vai chegar. Enquanto isso, mergulho nas minhas memórias.

?Certa vez, ainda na escola, apanhei de três meninos. Eles me bateram por causa do meu jeito afeminado e me xingaram de bicha. Um deles, ao ver meu olho roxo pelo soco, ficou com pena e disse que só tinha me batido para me "ajudar" a me "consertar", de acordo com as "leis de Deus". Ele falou que Deus tinha um plano para mim e que eu precisava disciplinar minha mente para afastar o demônio. A partir dali, passei anos indo à igreja com esse novo amigo, cantando hinos como "Eram cem ovelhas..." e "Um passo só, tu verás que maravilha...". Mas era óbvio que a minha essência não mudaria, por mais força que eu fizesse.

?Lembro que, nessa época, passava a novela Uga Uga, estrelada pelo Humberto Martins. Mesmo naquela minha adolescência evangélica, eu assistia escondida. Às vezes, fechava os olhos e me imaginava sendo a mulher do Sargento Baldo (o personagem dele).

?Até que lançaram uma revista com o Humberto Martins pelado. A minha mente disparava: "Humberto Martins pelado...", mas logo em seguida vinha a culpa: "Deus não gosta disso... sou um menino".
?Virou uma guerra interna. Certa vez, voltando da escola, passei em frente a uma banca e vi a revista ali, em exposição. Dei voltas e voltas pelo quarteirão. A minha consciência repetia: "Confia nas promessas do Senhor". Consegui ir embora duas vezes, mas, na terceira, cedi. Com o coração disparado, peguei várias revistas juntas — quadrinhos e até uma Playboy — para disfarçar. O meu maior medo era o vendedor notar. Elaborei três desculpas na hora: dizer que era para uma amiga, fingir que peguei errado (o que significaria não levar) ou dizer que era para um trabalho escolar. Certamente eu me embananaria toda na hora de falar.
?Com muita vergonha, coloquei o monte no balcão. O jornaleiro foi somando uma por uma. Quando ele pegou a tal revista, meu peito apertou, o ar sumiu e deu um "branco" total; todas as desculpas evaporaram. Mas, para meu espanto, o homem simplesmente passou para a revista seguinte sem esboçar reação alguma. Vendeu duas revistas eróticas para uma adolescente confusa como se estivesse vendendo garrafas d'água.

?Já em casa, sozinha no meu quarto à noite, olhei para a Bíblia e pensei em rasgar a revista antes mesmo de abrir. Minha cabeça estava em um nó.

?A liberdade para me assumir, fazer transição hormonal e viver como mulher era um sonho muito distante. Com o Anderson, no meio do sexo, eu me pegava pensando: "tenho que cortar isso, tinha que ter uma vagina aqui". Mas coragem de dizer a todos, não. Do contrário, surras e exclusão seriam certos. Na comunidade onde eu vivia, o preconceito era esmagador, e o único refúgio para quem se sentia humilhado e confuso era a igreja evangélica. Mas esse refúgio cobrava um preço alto: entrava na nossa mente e semeava uma culpa devastadora, quando não servia de pretexto para mais violência e discriminação.
?Hoje as coisas melhoraram — embora ainda exista o risco de retrocessos nas nossas liberdades. Quem nasceu nos anos 2000 tem muito mais coragem e determinação para não perder tempo e iniciar logo a transição, deixando para trás um corpo com o qual não se identifica. Já quem é do fim dos anos 80 ou início dos 90, como eu, não tinha esse amparo. O que colocavam na nossa cabeça desde a infância era que tínhamos deixado o demônio nos dominar e que carregaríamos o pecado gravíssimo de reproduzir Sodoma e Gomorra.
?Foi com esse peso que abri a revista e vi o Humberto Martins totalmente nu. Naquele segundo, toda a religiosidade se esvaiu. O que me veio à mente foi a lembrança vívida de ser segurada firme pela cintura enquanto um pênis quente encostava no meu ânus. Suspirei fundo. Continuei olhando para a foto, me imaginando abraçada a ele, meus braços ao redor dos seus ombros, meus cabelos compridos de novo.

Deitada na cama, com a porta trancada, me concentrei profundamente. Imaginei a mão dele deslizando pelas minhas nádegas e o membro dele roçando na minha pele.
?Mudei o foco do pensamento e tomei uma decisão: "Já caí em tentação mesmo. Agora vou até o fim e peço perdão depois".

?Fui ao banheiro e vi uma calcinha da minha mãe. Higienizei meu ânus, vesti a calcinha e voltei para o quarto trazendo uma sacola plástica, um pouco de manteiga e o cabo de madeira de uma pá de lixo pequena.
?Olhei para a revista mais uma vez, fixei os olhos no pênis do Humberto Martins e me deixei levar pela lembrança do prazer de ser penetrada — de sentir aquele membro rígido preenchendo o meu corpo, e de como essa sensação era maravilhosa.

?Amarrei o cabo firmemente entre o colchão e o estrado, encapei a madeira com a sacola e a melei bem com a manteiga. Fiquei de quatro na cama. Lentamente, fui me projetando para trás, fazendo com que o cabo deslizasse e entrasse no meu ânus.

?Uma onda avassaladora de alívio e prazer erótico percorreu meu corpo inteiro. Em questão de segundos, senti um arrepio profundo e, com aquilo me preenchendo por dentro, me veio a ilusão de que era o próprio Humberto Martins ali atrás de mim, me dando aquela loucura de prazer. Claro que eu sabia que não era real; conforme fui acelerando o vai e vem do meu quadril e rebolando para os lados, dava para sentir a diferença entre a rigidez do cabo de madeira e a flexibilidade de um pênis de verdade. Além disso, fazia mais de um ano que o Anderson tinha me penetrado pela última vez, antes de parar de me falar comigo e se mudar em definitivo.

?Cheguei a um orgasmo intenso, fazendo meu corpo todo tremer.

?Mas, em vez de pensar "preciso encontrar um homem, preciso virar mulher logo", a culpa voltou com tudo: "Como vou vencer isso? Satanás está muito forte. Mas Deus está comigo e nada é impossível para Ele".

Desesperada, caí em oração, fazendo juras de que me manteria firme até que Deus visse a minha vitória e me revelasse minha missão. Cheguei a me chicotear como autopunição por ter flertado novamente com o "demônio".

?Bom, amigos e amigas! Se vocês gostaram deste conto, não se esqueçam de votar nele. (E votem correto amanhã para presidente, 25/10, para preservarmos nossa liberdade de gênero e sexualidade, mantermos nosso direito de exigir respeito e etc). Aproveitem tambem para ler e votar nos outros contos — lá eu conto como era minha vida antes da igreja e detalho minhas outras experiências sexuais, até com mais intensidade descritiva. Como foi a primeira penetração, sexo na janela e outras coisinhas mais.

?Continuo no meu processo de transformação e na luta para que todos e todas nós tenhamos liberdade de identidade, de sexualidade e o respeito necessário para buscar a própria felicidade.

?Um beijo, meus amores! Votem no conto!!!

Foto 1 do Conto erotico: A Igreja e o Humberto Martins

Foto 2 do Conto erotico: A Igreja e o Humberto Martins

Foto 3 do Conto erotico: A Igreja e o Humberto Martins


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Ficha do conto

Foto Perfil betinhagirl22
betinhagirl22

Nome do conto:
A Igreja e o Humberto Martins

Codigo do conto:
275461

Categoria:
Travesti

Data da Publicação:
24/10/2026

Quant.de Votos:
2

Quant.de Fotos:
3