Aquele verão estava sendo infernal. O calor parecia ter um peso próprio, especialmente na recepção do hotel onde eu trabalhava. O ar condicionado lutava uma batalha perdida contra a umidade do litoral, e eu, no meu uniforme de algodão azul-marinho, sentia cada grama de suor escorrendo pelas costas. Tinha 24 anos, e meu trabalho era basicamente ser o sorriso oficial do paraíso para gringos e paulistas de dinheiro. Foi durante um desses passeios de buggy que os conheci. Helena e Roberto. Desde o primeiro momento, ela chamou a atenção. Mesmo com quase sessenta anos, tinha uma presença que dominava a areia. Cabelos castanhos longos, mesmo com alguns fios prateados que o sol insistia em revelar, e um vestido de linho branco que se ajustava a um corpo que contava histórias. Contava, sim, mas bem contadas. Roberto era mais discreto, mas os olhos dele seguiam cada movimento dela com uma admiração que nem o tempo apagara. Estavam comemorando trinta e cinco anos de casamento, me contaram enquanto a buggy subia uma duna. Helena não media palavras. — E você, rapaz? Solteiro? — perguntou, os óculos de sol no topo da cabeça, revelando olhos cor de mel que não me largavam. — Sou, sim, Dona Helena. — Helena, por favor. Que absurdo esse 'Dona'. E chame o Roberto de Roberto, ele não é bispo não. Rimos. Roberto apenas deu um sorriso, acostumado com o jeito direto da mulher. — Faz dois anos que estou aqui no hotel. Vim do interior para tentar a vida no litoral. Ela me olhou de cima a baixo, um sorriso curioso no rosto. — Altão e bonitão, o Roberto tem bom gosto. Ele sempre escolhe o melhor guia para nos acompanhar. Brincando, claro. Ou não. A conversa continuou assim, leve mas com uma carga de subtexto que eu, mesmo sendo um pouco ingênuo na época, consegui captar. No fim do passeio, quando eu estava ajudando a descer da buggy, Roberto me puxou de lado. — Escuta aqui, rapaz. Quando terminar seu expediente, topa tomar uma cerveja conosco? Lá no bar do quiosque. É por nossa conta, claro. Aceitei. Não via malícia, apenas um convite simpático de um casal de hóspedes. Achei que talvez quisessem dar uma gorjeta extra, ou apenas conversar mais. O sol já se punha quando me livrei do uniforme e caminhei na direção do quiosque. Vi eles numa mesa de canto, mais afastada da agitação. Helena tinha trocado o vestido por uma saia longa e uma blusa de seda que deixava os ombros à mostra. Roberto, de bermuda e camisa pólo, parecia relaxado. — Ah, ele chegou! Celebridades! Comemorou Helena, erguendo seu copo de caipirinha. — Senta, garoto. Descansa dos teus flagelos. A primeira hora foi assim. Turismo, trabalho, planos para o futuro. Mas a bebida foi baixando as defesas e alongando a língua. Foi Roberto quem começou a mudar o rumo da conversa. — Escuta, meu caro. Nós somos um casal... antigo. Mas não no sentido ruim. Somos velhos no tempo juntos, mas não caretas. Helena interveio, passando a mão no braço do marido. — O que ele quer dizer é que a gente não tem aquelas frescas de casamento. A gente conversa. Sabe? A gente conversa sobre tudo. Até sobre o que a gente quer, mas talvez não tenha tido coragem. Olhei de um para o outro, o coração começando a bater um pouco mais forte. A areia parecia ter entrado na minha garganta. — E uma dessas conversas — continuou Roberto, com uma voz calma que me surpreendeu — foi sobre fantasias. Coisas que a gente gostaria de... experimentar. Helena encostou-se para frente na mesa, o olhar fixo em mim. A proximidade fez com que eu sentisse o perfume dela, algo com jasmim e um toque de madeira. — E eu, meu querido, tenho uma fantasia. Uma que venho guardando há algum tempo. E conversei com o Roberto. Como a gente faz com tudo. Fez uma pausa, deixando a suspensão no ar. O barulho das ondas parecia ter se afastado. — Eu gostaria de transar com outro homem. Um homem novo. Com o Roberto presente, sabendo de tudo. Concordando com tudo. Engoli em seco. Meu cérebro tentava processar a informação, mas pareceu que someonehavia puxado o fio da tomada. Olhei para Roberto, esperando ver raiva, ciúmes, algo. Mas vi apenas... carinho. E expectativa. — E... por que... por que estão me contando isso? — arrisquei, a voz um pouco trêmula. Helena soltou uma risada baixa, um som de chocolate quente. — Porque você, meu querido, é exatamente o tipo de homem que eu imaginei para isso. E acho que o Roberto também. Altão, bonito, com um jeito de moleque bom. E porque, durante todo o passeio, eu senti que você olhava para mim também. Ela tinha razão. Eu tinha olhado. Não podia negar. Helena continuou, sua voz um sussurro agora. — Depois de tantos anos de casamento, a gente aprende que algumas vontades ficam melhores quando são conversadas. E que algumas fantasias, se a gente não viver, viram peso. Remorso. E eu não quero ter remorsos. — Pense bem, rapaz — falou Roberto. — Não é uma ordem. É um convite. Um convite muito sincero, de um casal que se ama e quer compartilhar um momento único. Sem compromisso. Sem cobranças. Apenas três pessoas adultas, consentindo, curtindo uma noite. Fora do seu horário de trabalho, claro. Isso não tem nada a ver com você ser funcionário aqui. Se você disser não, vamos beber mais uma cerveja, dar risada e na manhã seguinte a única coisa que vamos querer de você é o café da manhã. Sem pressão. Combinado? Fiquei em silêncio por um longo tempo, olhando para as ondas que se quebravam na areia, iluminadas pela lua cheia. Pensei nas implicações, nos riscos, no quão bizarra era aquela situação. Mas, por dentro, uma outra voz falava mais alto. Uma voz que dizia: quando você terá outra chance como essa? Uma mulher como Helena? Um momento tão... real? Respirei fundo e olhei para eles. Para os dois. — Estou falando sério? — perguntei, mais para mim mesmo. — Falando seríssimo, meu filho — respondeu Roberto, com um sorriso genuíno. Helena apenas me encarou, um brilho de desafio e desejo nos olhos. — Então... sim — disse eu, sentindo o peso das palavras e, ao mesmo tempo, uma leveza incrível. — Sim. Eu topo. O sorriso de Helena foi lindo, genuíno. Roberto estendeu a mão por cima da mesa e apertou a minha, um aperto firme e de cumplicidade. — Ótimo — disse ele. — Nosso quarto é o 208. Te esperamos lá em meia hora. Dá tempo de você tomar um banho, se arrumar. Fique à vontade. A porta ficará destravada. Levantei, as pernas meio bambas. Enquanto caminhava em direção ao meu quarto dos funcionários, meu coração martelava no peito, uma mistura de adrenalina e puro pavor. Entrar no quarto de um hóspede? Aquele era o maior tabu que poderia quebrar. Mas não era qualquer hóspede. Era Helena. Era Roberto. Era eles. O chuveiro quente pareceu lavar a dúvida e o medo, deixando apenas uma expectativa eletrizante. Troquei a bermuda depraia por uma calça jeans e uma camiseta preta. Cheirei o meu próprio perfume, olhei no espelho. O cara que me encarava de volta era o mesmo, mas algo nos olhos era diferente. Uma faísca. A caminho do quarto 208, o corredor do hotel parecia mais longo, o carpete mais espesso. Minha mão tremeu um pouco quando toquei a maçaneta do 208. Ela cedeu, destravada. Empurrei a porta com cuidado. O quarto era iluminado apenas pela luz da lua e da varanda, que dava para o mar. Uma brisa marítima entrava pela porta aberta, movendo as cortinas leves. Helena estava de pé, de costas para mim, olhando para o oceano. Usava apenas um roupão de seda branca, quase transparente. O cabelo caía solto sobre suas costas. Roberto estava sentado numa poltrona, com um copo de uísque na mão, observando tudo. — Fechou a porta, meu querido? — a voz de Helena foi suave, sem se virar. Engoli em seco e fechei a porta atrás de mim, o clique soando alto no silêncio do quarto. — Entre. Fique à vontade — convidou Roberto. — Isso aqui é a casa da gente. Por hoje, é a sua casa também. Fui me aproximando devagar, como se não quisesse assustar um animal selvagem. Quando cheguei perto de Helena na varanda, ela finalmente se virou. O roupão estava levemente aberto na frente, revelando o colo e a parte interna dos seios. A pele dela estava macia, com as marcas do tempo que só a tornavam mais real, mais fascinante. — Você está bonito — disse ela, passando a mão no meu peito, por cima da camiseta. — Nervoso? — Um pouco — confessei, a voz rouca. — Eu também — ela sorriu. — Mas é um nervosismo bom. Não acha? E então ela se levantou na ponta dos pés e me beijou. Não foi um beijo tímido. Foi um beijo de mulher que sabe o que quer. Os lábios dela eram macios, e o gosto de vinho e something else, algo que era puramente ela. Eu retribuí, minhas mãos encontrando a cintura dela e puxando-a para perto. O corpo dela se encaixou no meu como se fosse feito para aquilo. Enquanto nos beijávamos, senti o peso do olhar de Roberto. Não era um olhar de ciúmes, mas de pura contemplação. Ele estava assistindo à sua esposa se entregar a outro homem, e havia uma paz, uma aceitação surpreendente no seu rosto. Quando o beijo terminou, Helena apoiou a testa na minha. — Vamos para dentro? — sussurrou ela. Dei um passo para trás e ela me pegou pela mão, me levando para a cama. O rei do castelo. Roberto se levantou e sentou na beirada da cama, perto de nós, como um espectador atento e participante. Helena me empurrou suavemente para que eu sentasse na cama. Ficou na minha frente, entre minhas pernas. Desfez o nó do roupão e ele se abriu completamente, revelando seu corpo nu por baixo. E ali estava ela. Cinquenta e sete anos de vida, de história, desenhados em cada curva, cada linha. Não era o corpo perfeito de uma garota de vinte anos, mas era o corpo de uma mulher que vivia, que amava, que se sentia. E era o corpo mais lindo que eu já tinha visto. — O que você acha? — perguntou ela, a voz um desafio. — Acho que... acho que o mar não tem nada a ver com a senhora — respondi, a emoção embargando a voz. Ela riu, uma risada baixa e vibrante. Ajoelhou-se na minha frente e começou a desabotoar minha calça jeans. Eu estava duro como uma rocha, o desejo tomando conta de mim. Ela deslizou a calça e a cueca para baixo, libertando minha ereção. Seus olhos brilharam. — Olha só... — murmurou ela, o quente do hálito na minha pele. Ela me olhou nos olhos por um instante antes de me pegar na boca. A sensação foi incrível. Quente, molhado, profundo. Ela sabia o que estava fazendo, usando a língua, os lábios, as mãos com uma maestria que me deixou sem fôlego. Eu olhei para Roberto. Ele tinha o próprio pênis na mão, se masturbando devagar enquanto observava a esposa me chupar. Nosso olhar se cruzou, e ele me deu um sorriso e um aceno de cabeça. Uma bênção. Uma licença. Eu estava no ponto de estourar quando Helena parou. Ela se levantou, se ajoelhou na cama ao meu lado e se deitou de costas, as pernas abertas. — Agora é a sua vez, meu querido — disse ela, a voz carregada de desejo. — Me mostre o que você sabe fazer. Eu não precisei que me dissessem duas vezes. Me ajoelhei entre as pernas dela e me curvei para beijar sua bunda. O cheiro dela era intenso, um perfume de mulher madura, de tesão. Passei a língua lentamente, sentindo o sabor dela, ouvindo os gemidos baixos que escapavam de seus lábios. Usei os dedos para abrir suas bochechas, expondo seu cu inchado e pulsando. Fui com a língua lá, explorando, provando. Ela se contorcia na cama, os quadris se movendo em ritmo com minha língua. — Sim... assim... — gemia ela. — Não para... não para... Olhei para o lado e vi que Roberto se aproximado. Ele estava de pé ao lado da cama, observando tudo de perto. Ele estendeu a mão e pegou a mão da esposa, entrelaçando os dedos. — Você está linda, meu amor — disse ele, a voz cheia de amor e desejo. — Simplesmente linda. Helena olhou para ele, os olhos cheios de lágrimas de prazer. E foi nesse momento que eu percebi o quão profundo era o amor deles. Aquilo não era apenas sobre sexo. Era sobre intimidade, sobre confiança, sobre compartilhar tudo, inclusive as fantasias mais profundas. Eu me levantei, minha pica dura e pulsando. Posicionei-me na entrada da buceta dela. Ela estava molhada, pronta para mim. — Entra — sussurrou ela. — Entra agora. Empurrei devagar, sentindo o calor dela me envolvendo, me apertando. Era uma sensação incrível, de estar completamente dentro dela, conectado a ela. Comecei a me mover, em um ritmo lento e profundo. Cada movimento era uma descoberta, uma exploração. Helena se virou para Roberto. — Vem cá — disse ela. — Quero te chupar também. Roberto se ajoelhou na cama ao lado da cabeça da esposa, e ela o pegou na boca com a mesma habilidade com que tinha me pegado. A visão dela, de costas para mim, chupando o marido enquanto eu a comia, foi demais para mim. Senti o orgasmo se aproximando, uma onda de prazer que começava nos meus pés e subia pela minha espinha. — Vou gozar — grunhi. — Vai, meu querido — disse ela, tirando a boca do marido por um instante. — Goza dentro de mim. Quero sentir você. E eu gozei. Um orgasmo intenso, poderoso, que me deixou fraco, trêmulo. Eu continuei me movendo dentro dela, sentindo cada contração do seu próprio orgasmo, ouvindo seus gemidos abafados pelo pênis do marido. Quando terminamos, caí na cama ao lado deles, ofegando. O quarto estava em silêncio, exceto pelo som do mar e da nossa respiração ofegante. Helena se virou para mim e me beijou, um beijo lento e profundo. — Obrigada — disse ela. — Isso foi... incrível. — Para mim também — respondi, a voz fraca. Roberto se deitou do outro lado de Helena, abraçando-a por trás. Os três ficamos ali, em silêncio, desfrutando daquele momento de intimidade e prazer compartilhado. Eu nunca tinha sentido tão perto de estranhos, e, ao mesmo tempo, tão conectado a eles. Depois de um tempo, Helena se levantou. — Vou tomar um banho — disse ela. — Alguém quer me acompanhar? Rimos. Roberto se levantou e a seguiu em direção ao banheiro. Eu fiquei na cama, olhando para o teto, tentando processar tudo o que tinha acontecido. Foi uma das noites mais intensas da minha vida. Uma noite que eu nunca ia esquecer. Quando eles voltaram, já vestidos com roupões, o clima era mais relaxado, mais caseiro. Sentamos na varanda, tomando um copo de uísque e conversando sobre tudo um pouco. Sobre a vida, sobre o amor, sobre as escolhas que a gente faz. Era uma conversa profunda, de gente madura, que já viu o mundo e não tem medo de viver.
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