Capítulo 1: A Parada
A estrada de terra vermelha serpenteava entre montanhas, levantando uma poeira que grudava nos vidros do carro. Dentro, o ar condicionado combatia o calor de fim de tarde, mas não o tédio da longa viagem. No banco de trás, Lucas, de 20 anos, trocou um olhar entediado com seu melhor amigo, Leonardo, enquanto seus ouvidos captavam fragmentos da conversa dos adultos à frente.
Caio, pai de Lucas, conduzia o 4x4 com a confiança de quem conhecia cada curva daquele caminho. Ao seu lado, no banco do passageiro, Marcos, colega de trabalho, apontava algo no horizonte através do para-brisa. A ausência de Renato, pai de Leonardo e também do grupo profissional, era sentida — um compromisso de última hora o impediu de vir, mas ele insistiu que o filho aproveitasse a aventura.
“Vamos fazer uma parada rápida naquele posto ali à frente”, anunciou Caio, indicando um conjunto precário de edificações à beira da estrada. “Estique as pernas, cuidem das necessidades. A estrada fica pior daqui pra frente.”
O carro parou em um pátio de terra batida. Leonardo desceu rapidamente, seguido por Caio, que foi direto conversar com o frentista. Lucas, sentindo a bexiga apertada, avistou uma construção baixa de tijolos à vista com uma placa indicando sanitários.
O interior era escuro, úmido e mal iluminado por uma lâmpada piscante. Havia uma fila de três mictórios de aço esmaltado, rachados e manchados pelo tempo, separados por divisórias baixas que ofereciam uma privacidade apenas simbólica.
Lucas posicionou-se no mictório do meio, desabotoou as calças jeans e começou a aliviar-se, olhando fixamente para a parede de tijolos à sua frente, onde alguém havia riscado um coração com uma seta.
O som da porta rangendo abrindo-se fez Lucas estremecer levemente. Passos firmes ecoaram no cômodo pequeno. Sem olhar para trás, ele sentiu mais do que viu alguém se postar no mictório à sua direita.
Por um impulso que não conseguiu controlar, uma curiosidade rápida e despretensiosa, Lucas virou a cabeça alguns centímetros para o lado.
Foi então que a visão o atingiu como um choque físico.
Marcos estava lá, de pé, calças jeans e cinto já abertos. Ele segurava não apenas o tecido, mas sim seu próprio pênis, já exposto. E Lucas percebeu, com um detalhe que lhe pareceu absurdamente vívido, que não havia a barreira de nenhum tecido de cueca entre a calça e a pele. Marcos não estava usando nada por baixo.
O membro era impressionante, mesmo em estado completamente flácido. Grosso, com veias discretas traçando um mapa sob a pele mais escura, e de uma cabeçona que fez Lucas prender a respiração sem perceber. Era o tipo de pinto que se via em revistas ou vídeos, não no mictório escuro de um posto de beira de estrada ao lado de você.
O ato de Marcos foi deliberado, relaxado. Um longo, forte e contínuo jato de urina começou a bater no aço do mictório, ecoando naquele silêncio pesado. Lucas, congelado, não conseguia desviar os olhos. Seu próprio fluxo havia cessado, mas ele permanecia ali, segurando-se, hipnotizado pela intimidade crua e inesperada daquela cena.
Foi quando Marcos virou levemente a cabeça. Seus olhos escuros, geralmente tão focados e sérios, agora encontravam os dele no reflexo embaçado de um pedaço de metal polido acima dos mictórios. Um sorriso lento, quase imperceptível, curvou os lábios de Marcos. Não era um sorriso amplo ou amigável. Era íntimo, cúmplice, carregado de um conhecimento que Lucas ainda não possuía.
O som da urina cessou. Marcos deu uma suave sacudida, o movimento sendo acompanhado pelo olhar fixo de Lucas. Em um gesto que parecia durar uma eternidade, ele guardou o pênis — que agora parecia ainda mais volumoso — dentro da calça e fechou o cinto. O ruído do metal do zíper sendo puxado soou como um ponto final.
Antes de se virar para sair, Marcos manteve o olhar no reflexo, capturando os olhos arregalados de Lucas mais uma vez.
“Melhor nos apressarmos, Lucas”, disse ele, a voz um tom mais baixa e pessoal do que a que Lucas estava acostumado a ouvir em sua sala de estar. “Seu pai e o Leo não vão esperar para sempre.”
E então, com a mesma naturalidade com que entrara, Marcos saiu, deixando para trás o cheiro de seu sabonete masculino e um vácuo de ar carregado.
Lucas ficou parado por mais dez segundos, até se dar conta de que ainda estava com as calças abertas. Fechou-as com dedos que tremiam levemente, lavou as mãos de forma automática na pia entupida e saiu para a luz do entardecer.
O carro estava lá, motor já ligado. Leonardo fazia um gesto impaciente da janela de trás. Caio, ao volante, acenou. E Marcos, já no banco do passageiro, olhou diretamente para Lucas através do para-brisa. Apenas um breve aceno de cabeça, mas o mesmo sorriso sutil dos lábios.
Lucas entrou no carro, o coração batendo forte contra as costelas. A viagem recomeçou, mas algo fundamental havia mudado. O acampamento, a floresta, os dias pela frente… tudo agora era tingido por uma nova e eletrizante possibilidade, nascida na penumbra de um banheiro público, sob o olhar de um homem que claramente não usava cueca.
connanboy