O silêncio que se seguiu foi denso, carregado de uma energia elétrica que Lucas sentia arrepiar seus braços. Ele não sabia quanto tempo ficou ali, imóvel, ouvindo. Então, um movimento. O ruído do saco de dormir sendo aberto. A lanterna não foi acesa, mas Lucas, cujos olhos já estavam acostumados à escuridão, conseguia distinguir a silhueta poderosa de Marcos, ainda nu, agachando-se perto da mochila.
Ouviu um leve suspiro de contentamento, o som de um tecido sendo puxado — uma camiseta? Lucas viu a silhueta se curvar levemente. Ele se limpou cuidadosamente com a camiseta, removendo o sêmen de seu abdômen e o restante de creme hidratante de seu pinto. Em seguida, ele se levantou, dobrou o pedaço de tecido sujo e o deixou em um canto, sobre sua mochila. Silenciosamente, saiu da barraca, provavelmente para se lavar no riacho próximo.
Lucas ficou sozinho. O cheiro agora era inconfundível e dominante no ar abafado: salgado, terroso, masculino. E vinha, principalmente, daquela camiseta escura amontoada no canto. A prova da transgressão.
O impulso foi mais forte do que a razão, mais forte do que o constrangimento. Movendo-se como um sonâmbulo, Lucas saiu de seu saco de dormir e se ajoelhou no local onde Marcos estivera. Suas mãos, trêmulas, encontraram o tecido de algodão macio. Estava ainda quente, e úmido em uma área específica. Ele o levou ao rosto.
O cheiro era intenso, invasivo. Sua própria excitação, já latejante, tornou-se uma dor doce e insistente. E então, uma curiosidade perversa, nascida da escuridão e daquela intimidade forçada, brotou nele. Como seria o gosto? Aquele homem, aquele corpo, aquele ato solitário que ele testemunhou… qual era o sabor final?
Levou a mancha úmida da camiseta à boca. A ponta da língua tocou o tecido. O sabor foi salgado, amargo, único. Um sabor proibido, que o fez estremecer por completo.
Foi nesse exato momento que a aba da barraca foi aberta.
Lucas congelou, a camiseta ainda pressionada contra os lábios, os olhos arregalados de pânico. Marcos entrou, sua forma imponente bloqueando a entrada e, por um instante, a fraca luz das estrelas. Ele estava nu, limpo, gotas de água do riacho ainda brilhando em seus pelos peitorais e nas coxas. Seu olhar não foi para o rosto aterrorizado de Lucas, mas para a camiseta em suas mãos.
Não houve surpresa. Não houve raiva. Apenas uma compreensão profunda, sombria, que se refletiu em seus olhos. Ele não disse uma palavra.
Lentamente, Marcos se aproximou e parou diante de Lucas, no espaço íntimo entre os dois colchonetes. Seu pênis, flácido após a ejaculação, pendia pesado e impressionante entre as pernas, a apenas centímetros do rosto de Lucas.
Lucas não conseguia desviar o olhar. Do corpo esculpido, dos músculos do abdômen, daquela masculinidade crua e tão próxima. Ele estava petrificado, envergonhado, mas também hipnotizado.
Marcos quebrou o silêncio, sua voz um sussurro áspero que parecia vir do centro da terra. “Curioso?”
Lucas não conseguiu responder. Seu coração batia como um pássaro preso.
Com uma calma que era quase aterradora, Marcos levou a mão à nuca de Lucas, não com força, mas com firmeza. Seu toque era quente, decisivo. Ele guiou gentil, mas inexoravelmente, o rosto de Lucas para mais perto de seu corpo.
“Pode provar direto da fonte”, sussurrou Marcos, e sua outra mão pegou seu próprio membro, que começou a responder instantaneamente ao toque, ao contexto, ao poder da situação. Lucas sentiu o cheiro da água do riacho, do próprio sexo de Marcos, misturado ao cheiro da floresta. Quando a cabeça arroxeada e úmida tocou seus lábios, foi um choque elétrico. Ele não resistiu. Talvez não quisesse. Sua boca se abriu, guiada por um instinto que ele nunca conhecera.
O gosto era diferente, mais limpo, mais vivo do que na camiseta. Era um sabor salgado, de pele, de homem. Marcos soltou um longo e profundo suspiro quando a boca quente de Lucas o envolveu.
O que se seguiu o começo de um ritmo, desajeitado no início, mas guiado pelos sussurros roucos de Marcos, pela mão firme em sua nuca, indicando pressão, velocidade. Lucas se perdeu na sensação, na textura, no peso, no poder avassalador de estar ali, naquela situação, fazendo aquilo. A barraca, o acampamento, seu pai e Leonardo dormindo a poucos metros, tudo desapareceu. Existia apenas aquele espaço quente e escuro, o gosto, os sons guturais de Marcos, e a excitação insuportável que latejava em seu próprio corpo. Marcos tentava não gemer, Lucas percebia que ele estava se contendo. Deveriam fazer silêncio para não acordar os outros. Lucas segurou com uma das mãos a parte de trás da coxa de Marcos e com isso Marcos percebeu que poderia acelerar um pouco mais o ritmo.
Marcos ficou mais tenso, sua respiração ofegante. Suas coxas tremeram. “Vou gozar”, ele anunciou, a voz tensa como um fio de aço.
Lucas tentou se afastar, mas a mão na sua nuca manteve-o firme, com uma pressão que não era violenta, mas absolutamente inegociável.
“Na boca”, ordenou Marcos, um comando final.
E Lucas obedeceu. Quando a explosão quente e salgada inundou sua boca, ele engasgou, mas manteve-se ali, tomando tudo, sentindo os espasmos finais do corpo poderoso de Marcos. Era intenso, avassalador, e de uma intimidade que ultrapassava qualquer fantasia.
Marcos apenas soltou o cabelo de Lucas quando percebeu que todo leite havia sigo engolido. Ofegante, Lucas estava com lágrimas nos olhos de excitação e choque. Marcos olhou para ele por um longo momento, seus olhos inescrutáveis. Depois, simplesmente se deitou em seu saco de dormir, de costas.
“Muito bem, bezerro”, disse, virando-se para o lado.
Lucas, ainda ajoelhado, com o gosto de Marcos ainda em sua língua, arrastou-se para dentro de seu próprio saco. Seu corpo ainda tremia. O silêncio retornou, mas agora era diferente. Era um silêncio pesado, pactuado, repleto do que havia sido feito.
Eles não se tocaram novamente. Mas quando Lucas finalmente adormeceu, exausto e transformado, foi com a consciência de que uma linha havia sido não apenas cruzada, mas obliterada. O sabor salgado em sua boca era a prova.
connanboy