O sol de domingo nasceu com um brilho diferente sobre a Fazenda Santa Isabel. Matias partira cedo com os capatazes para vistoriar as divisas da propriedade, e os meus filhos brincavam sob a vigilância das amas. Eu, no entanto, sentia um formigamento nas coxas, uma memória vívida da aspereza das mãos de Bento que o banho de banheira não conseguira apagar. Ao meio-dia, o desejo tornou-se uma urgência física. Mandei chamar Maria. — Traga o Bento. Invente uma goteira no meu quarto, qualquer desculpa para o escrutínio dos outros escravos. — Sinhá... — Maria baixou os olhos, nervosa. — O feitor levou Bento e os outros braços fortes para a colheita do café no vale de baixo. Eles só voltam com o cair da noite. Estão longe, lá onde o chicote estala mais alto. Senti um acesso de raiva, uma frustração que quase me fez atirar o frasco de perfume na parede. Meu corpo, despertado após anos de dormência sob o desleixo de Matias, não aceitava o "não". Eu precisava daquele peso, daquela invasão que me fazia sentir viva. Saí à varanda dos fundos. O calor era uma massa sólida. Meus olhos percorreram o terreiro, mas as senzalas pareciam vazias dos homens de lida pesada. Foi então que, perto da estrebaria, vi um movimento. Não era Bento. Era Sebastião, o ferreiro. Ele era mais velho, com a barba começando a encanecer, mas o trabalho na forja lhe dera um tórax que parecia fundido em ferro. Ele estava sem camisa, martelando uma ferradura, os músculos das costas saltando como serpentes sob a pele de um negro tão profundo que beirava o azul. Ao lado dele, ajudando a carregar os sacos de carvão, estava o jovem Tiago, um rapaz que mal completara vinte anos, mas que já possuía a altura de um gigante e pernas que pareciam colunas de mármore negro. Um calafrio percorreu minha espinha. Olhei para a vasta extensão da fazenda e, pela primeira vez em dez anos, não vi apenas uma propriedade produtiva. Vi um catálogo. Um harém de ébano que me pertencia por direito de papel e agora, por desejo de carne. Bento fora apenas a primeira página de um livro proibido que eu estava ansiosa para ler por inteiro. — Maria — chamei, minha voz agora baixa e decidida. — Esqueça o Bento. Diga ao Sebastião que a carruagem do Coronel está com um rangido no eixo. Que ele venha agora ao galpão de ferramentas, aquele que fica atrás do pomar, onde ninguém transita a esta hora. E diga ao Tiago... que ele venha junto. Para ajudar com o peso. Maria empalideceu. — Os dois, Sinhá? — Os dois, Maria. E se você valoriza sua língua, não deixe que uma alma viva saiba para onde eles foram. Caminhei até o galpão de ferramentas. O cheiro de óleo, serragem e ferro velho era inebriante. Eu me sentei em um banco de madeira, desabotoando os primeiros botões do meu corpete, deixando que a frescura do lugar aliviasse o fogo que me consumia. Quando a porta rangeu, as silhuetas de Sebastião e Tiago bloquearam a luz do sol. Eles entraram com a cautela de quem entra em uma armadilha, mas quando me viram ali, semidesnuda, com as pernas generosas à mostra sob as anáguas de renda, o medo em seus olhos foi rapidamente substituído por uma luxúria primitiva. — A carruagem, Sinhá? — Sebastião perguntou a foz falha, os olhos fixos no balanço dos meus seios. — A carruagem pode esperar, Sebastião — levantei-me, caminhando até ele. Toquei o braço dele, sentindo a fuligem da forja manchar meus dedos pálidos. — Eu descobri ontem que o ferro do meu marido é frio. Eu preciso do calor da sua forja. E o rapaz... — olhei para Tiago, que tremia visivelmente, sua masculinidade já marcando o tecido pobre de sua calça de algodão. — ... ele parece ter vigor suficiente para me sustentar quando você se cansar. A partir dali, o galpão de ferramentas transformou-se em um templo de depravação que faria as beatas da vila desmaiarem de horror. Sebastião não tinha a pressa de Bento. Ele me tomou com uma autoridade que me fez tremer. Suas mãos, endurecidas pelo fogo, exploraram cada dobra da minha gordura, apertando-me com uma força que me fazia soltar gemidos curtos e agudos. Ele me colocou de joelhos sobre um fardo de feno, e enquanto me possuía por trás com a potência de um animal reprodutor, ordenou que Tiago se aproximasse. O jovem, encorajado pelo exemplo do mais velho, ajoelhou-se à minha frente. Senti o gosto do suor e da juventude dele enquanto ele se entregava aos meus caprichos. Eu era o centro de uma engrenagem de carne escura. De um lado, a experiência bruta de Sebastião, que me preenchia com estocadas que ecoavam no meu peito; do outro, a fome insaciável de Tiago. Eu estava sendo "arrombada" no melhor sentido da palavra. O contraste era uma pintura obscena: minha pele de sinhá, branca e gordinha, desaparecendo sob os corpos daqueles dois negros imensos. Eu não era mais a Dona Eulália; eu era uma fêmea sendo servida pela força da terra. — Isso... me usem! — eu gritava, sem mais me importar com quem ouvisse. — Mostrem o que o Coronel não tem coragem de fazer! O prazer veio em ondas sucessivas, cada uma mais violenta que a anterior. Quando Sebastião finalmente descarregou em mim, com um rugido que pareceu estremecer as paredes de madeira, Tiago não demorou a segui-lo. Eu estava encharcada, exausta e completamente realizada. Enquanto eles se vestiam em silêncio, ainda sob o efeito do choque pelo que tinham acabado de fazer com a patroa, eu me recostei no feno, sentindo o sêmen quente escorrer pelas minhas coxas. Olhei para a porta entreaberta, vendo ao longe as senzalas onde dezenas de outros homens descansavam ou trabalhavam. Uma sensação de poder absoluto me dominou. Matias podia ter as terras, o gado e o café. Mas eu? Eu tinha a chave da senzala. Eu tinha um exército de touros negros à minha disposição, homens que me olhariam no jantar de amanhã com o segredo queimando nos olhos. Bento, Sebastião, Tiago... a lista estava apenas começando. A Fazenda Santa Isabel nunca mais seria a mesma, pois a Sinhá tinha descoberto que a verdadeira riqueza não estava no ouro de Minas, mas no ébano de seus escravos.
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