A Sinhá e o Cocheiro Zacarias

A segunda-feira amanheceu com um céu de brigadeiro, mas o ar na Casa Grande estava carregado de uma eletricidade que só eu compreendia. Matias, em sua arrogância cega, mal me dirigiu a palavra durante o desjejum, absorto em papéis e cálculos de sacas. Mal sabia ele que o brilho em meu rosto não vinha do sono restaurador, mas do suor de dois homens que ainda parecia pulsar sob minha pele.
— Matias — disse eu, limpando os lábios com o guardanapo de linho rendado —, preciso ir à vila. Minhas sedas acabaram e preciso encomendar novos unguentos na botica. O sol está forte, mande preparar a charrete pequena.
— Vá, Eulália. Mas leve alguém que saiba conduzir com firmeza. A estrada do desfiladeiro está precária com as últimas chuvas.
Um sorriso interno, lento e pecaminoso, desenhou-se em meus lábios.
— Mande o Zacarias. Ele é silencioso e conhece bem as rédeas.
Zacarias era um negro que pouco se notava na lida da casa, mas que eu observava de longe há tempos. Ele era esguio, de mãos longas e dedos finos, com uma elegância natural que destoava da força bruta de Bento ou Sebastião. Ele era o que chamavam de "negro de estimação" pela sua postura polida, mas eu via através daquela farda de cocheiro. Por baixo daquela libré, batia um coração selvagem e um corpo de músculos nervosos, prontos para disparar.
A charrete era pequena e íntima, protegida por uma capota de couro que nos isolava do mundo. Quando Zacarias me ajudou a subir, sua mão tocou a minha por um segundo a mais do que o necessário. Senti o calor atravessar a luva de pelica.
— Para a vila, Sinhá? — ele perguntou, sem olhar nos meus olhos, mantendo o decoro.
— Pelo caminho velho, Zacarias. É mais longo, mas a sombra das árvores me apraz mais — respondi, fechando as cortinas laterais da charrete.
A estrada velha era um abandono só. O mato crescia alto nas bordas e os viajantes preferiam a estrada nova. Assim que entramos no trecho mais denso da floresta, onde o som dos pássaros engolia qualquer ruído da fazenda, eu dei o comando.
— Pare a charrete, Zacarias.
Ele obedeceu prontamente, puxando as rédeas. O silêncio da mata nos envolveu.
— Aconteceu algo, Sinhá? Algum mal-estar?
— Um mal-estar que só você pode curar, Zacarias. Passe para trás. Agora.
Houve um momento de hesitação. Eu ouvi a respiração dele do outro lado da cortina. Então, a estrutura da charrete balançou sob o peso dele. Quando ele afastou o couro e entrou no pequeno habitáculo, o espaço pareceu encolher. O cheiro de cavalo, couro e o perfume masculino dele preencheram o ar.
Eu já tinha me despojado de parte da minha compostura. Meu vestido de passeio, de um azul profundo, estava aberto, revelando a brancura transbordante do meu colo e a curva generosa das minhas coxas, que o calor da tarde fazia brilhar de suor.
— A estrada está vazia, Zacarias. Não haverá ninguém por léguas — murmurei, puxando-o pela gola da farda. — Tire isso. Quero ver se o que dizem sobre o seu silêncio se aplica a tudo o mais.
Zacarias despiu-se com uma agilidade felina. Sob as roupas de cocheiro, ele era uma obra-prima de ébano polido. Se Bento era a terra e Sebastião o ferro, Zacarias era o chicote: longo, flexível e mortal. A masculinidade dele era impressionante, uma lança escura que parecia reclamar o espaço daquela charrete para si.
Eu me acomodei no banco estofado, abrindo as pernas de tal forma que o vestido servia apenas de moldura para o meu desejo.
— Venha, Zacarias. Conduza-me agora por outro caminho.
O que se seguiu foi uma dança frenética dentro de um espaço confinado. A charrete balançava violentamente sobre os eixos, as molas rangendo em protesto sob o peso da nossa luxúria. Zacarias me possuía com uma precisão cirúrgica. Ele encontrava ângulos que eu nem sabia existir, suas mãos longas apertando minha carne gordinha com uma possessividade que me fazia perder o fôlego.
O contraste era quase poético: a Sinhá, branca e farta, sendo cavalgada pelo seu cocheiro em meio à selva brasileira. A cada estocada dele, a charrete dava um solavanco, e eu sentia que estávamos galopando em direção ao abismo. Eu enterrava minhas unhas naqueles ombros definidos, abafando meus gritos no pescoço dele.
— Sinhá... — ele sussurrava, a voz não mais polida, mas carregada de uma urgência animal. — A senhora vai me fazer perder o juízo...
— Perca-o, Zacarias! Eu já perdi o meu faz tempo!
Quando o ápice chegou, foi como se a charrete tivesse sido atingida por um raio. Eu desfaleci contra o couro do assento, o peito subindo e descendo, enquanto ele se derramava em mim, um calor que parecia fundir nossas essências ali mesmo, entre as rodas e os arreios.
Minutos depois, ele já estava novamente no banco do cocheiro, recomposto, as mãos firmes nas rédeas como se nada tivesse acontecido. Eu, lá atrás, limpava-me com um lenço de seda, sentindo o latejar delicioso entre minhas pernas.
Ao passarmos pelos portões da vila, olhei pela fresta da cortina. Vi os negros que carregavam fardos no mercado, os que limpavam as ruas, os que serviam nas casas alheias. Um calafrio de antecipação me percorreu.
Cada um deles era uma possibilidade. Cada um deles era uma arma que eu poderia usar para incendiar a monotonia da minha vida e o desleixo de Matias. A estrada para a vila nunca fora tão curta, e o meu apetite, eu percebi, era agora uma terra sem fronteiras.
O retorno para a Santa Isabel foi um exercício de cinismo e volúpia. Enquanto a charrete balançava no ritmo do trote dos cavalos, eu sentia o sêmen de Zacarias — quente, espesso, proibido — escorrer lentamente pela parte interna das minhas coxas, manchando o linho fino da minha anágua. Cada solavanco da estrada era um lembrete físico do que havíamos consumado entre as cortinas de couro.
Ao chegarmos, Zacarias parou diante da escadaria de pedra. Ele desceu e, com a mesma face imperturbável de sempre, estendeu-me a mão enluvada. Nossos olhares se cruzaram por um milésimo de segundo; o dele era um abismo de segredos; o meu, um desafio. Eu apertei sua mão com força, sentindo a calosidade das palmas que, minutos antes, me prendiam contra o banco de couro.
— Obrigada, Zacarias. Os unguentos da vila serão de grande serventia — disse eu, em voz alta, para que as mucamas ouvissem.
Subi para os meus aposentos. O sol começava a cair, pintando o céu mineiro de um laranja sangrento. Mandei Maria preparar meu banho — um banho demorado, com pétalas de jasmim e óleos caros. Eu precisava limpar o cheiro do pecado antes que Matias voltasse da lida, mas, no fundo, eu queria que aquele rastro de ébano ficasse impregnado em mim para sempre.
À noite, o jantar foi servido sob o brilho opaco dos castiçais de prata. Matias sentava-se à cabeceira, mastigando com a rudeza de quem se sente dono da terra, mas que não conhece o próprio solo. Meus dois filhos comiam em silêncio, sob o olhar severo da preceptora.
— A vila estava calma, Eulália? — perguntou ele, sem desviar os olhos do prato.
— Silenciosa como um túmulo, meu caro — respondi, levando uma taça de vinho tinto aos lábios. — Mas o calor na estrada estava insuportável. Senti que a charrete ia pegar fogo a qualquer momento.
Matias soltou uma risada seca, desdenhosa.
— Você sempre foi sensível demais ao clima, mulher. É essa sua pele de louça e essa carne farta que não foram feitas para o sol dos trópicos.
Eu sorri por trás da taça. * Carne farta.* Se ele soubesse como Bento, Sebastião e Zacarias haviam devorado essa "carne" nas últimas quarenta e oito horas, talvez a apoplexia o levasse ali mesmo.
— Falando em carne — continuei, mudando de assunto com a maestria de uma atriz —, notei que o cercado do gado perto do rio precisa de reparos. Vi alguns homens trabalhando lá quando voltava. Quem é aquele negro novo, um de ombros muito largos e dentes muito brancos?
— Deve ser o Cassiano — resmungou Matias. — Um investimento caro que trouxe da Bahia. Dizem que é indomável, mas vou quebrá-lo no serviço pesado.
Indomável. A palavra ecoou na minha mente como um convite.
Após o jantar, Matias recolheu-se ao escritório com o feitor para discutir as contas do café. Eu fui para a varanda lateral. A noite estava densa, e o som dos tambores vindo da senzala — o lundu escondido que eles dançavam quando achavam que os senhores dormiam — vibrava no chão de pedra.
Eu olhei para a escuridão da fazenda. Antes, aquele lugar era minha prisão; agora, era meu banquete.
A cada escravo que passava levando lenha ou água, eu fazia um inventário silencioso. A força de um, a altura de outro, o olhar de fogo de um terceiro. Eu percebi, com uma clareza embriagadora, que eu não precisava de Matias para nada além de manter as aparências e o sobrenome. Eu era a Rainha de um exército de sombras.
Chamei Maria, que estava por perto recolhendo as xícaras de café.
— Maria — sussurrei, meus olhos fixos em um vulto que passava pelo terreiro, um homem de pernas longas e movimentos de pantera. — Quem é aquele que carrega os sacos de milho agora?
— É o Samuel, Sinhá. O que veio da mina de ouro no mês passado. Dizem que ele tem a força de dez homens.
— De dez homens... — repeti, sentindo um calafrio de luxúria me percorrer. — Pois diga a ele que amanhã, bem cedo, quando o Coronel sair para a caçada, ele deve ir ao sótão da Casa Grande. Há uma infestação de cupins que precisa ser verificada... e ele deve trazer todas as suas "ferramentas".
Maria assentiu, já sem questionar. Ela sabia que a Sinhá não estava mais interessada em reformas domésticas, mas em derrubar as paredes da própria moral.
Deitei-me na cama de dossel, ao lado do espaço vazio que Matias logo ocuparia apenas para roncar. Fechei os olhos e vi a imagem de Samuel, depois de Bento, depois de Zacarias. Uma fila de ébano, uma sucessão de prazeres que me levariam à glória ou à ruína. E, sinceramente, sob o lençol de seda, eu não me importava com qual dos dois chegaria primeiro.
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Comentários


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lozo Comentou em 07/01/2026

Que maravilha de conto, como retrata bem o que realmente acontecia nas fazendas e como havia uma luxuria constante e intensa entre as sinhás e os belos e grandes escravos que se deliciavam. votado e aprovado

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klavfarbr Comentou em 07/01/2026

Sinhá voluptuosa!




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Ficha do conto

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Nome do conto:
A Sinhá e o Cocheiro Zacarias

Codigo do conto:
251210

Categoria:
Interrraciais

Data da Publicação:
06/01/2026

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