O Ritual da Varanda — A Consagração

Os meses seguintes foram de um aprendizado lento e profundo. Lucas não era mais o vizinho do 1501. Era simplesmente deles. O apartamento dele virou escritório, depósito, às vezes quarto de hóspedes para amigos que nunca vieram. Ele dormia todas as noites na cama grande, entre os dois, a coleira pendurada no criado-mudo ao alcance de qualquer mão.

Aprendeu os corpos deles como se fossem seus. O jeito que ela gemia quando ele beijava atrás da orelha. O ritmo da respiração dele quando estava perto de gozar. Aprendeu a ler os olhares, os silêncios, os pequenos gestos que significavam agora ou espera ou vem cá, cachorro.

Mas nunca tinham feito o que fizeram naquela noite.

Era sábado. Ela passou o dia diferente, mais quieta, mais observadora. Ele também, trocando olhares com ela pelo canto da sala. Lucas sentiu a tensão no ar, elétrica, e esperou. Aprender a esperar foi a primeira lição que realmente aprendeu.

À noite, ela o chamou para o quarto.

"Tira a roupa", disse. "E vem."

Ele obedeceu. Quando entrou no quarto, viu a cena e o coração parou por um segundo.

Ela estava nua, deitada de lado na cama, os cabelos soltos sobre o travesseiro. Perfeita, como sempre. Mas não era ela que paralisou Lucas.

Era ele.

O marido estava de pé ao lado da cama. Também nu. Mas nos pulsos, tornozelos e pescoço, havia correntes de ouro fino. Correntes que Lucas nunca vira. E na mão dele, uma coleira. Mais elaborada que a de Lucas. Couro trançado, argolas de prata, uma pequena joia incrustada.

Lucas olhou para ela, confuso.

Ela sorriu, devagar.

"Hoje você vai ver", disse. "O que é ser dono também exige entrega."

Ele, o marido, ajoelhou.

Lucas sentiu o chão tremer. Aquele homem grande, forte, de mãos tão poderosas — ajoelhado na frente da cama, a cabeça baixa, a coleira estendida nas mãos como uma oferenda.

Ela se sentou na cama. Os pés no chão. Olhou para ele, o marido, com uma doçura que Lucas nunca vira.

"Vem", disse.

Ele rastejou de joelhos até ela. Parou entre as pernas dela. Ela pegou a coleira, passou no pescoço dele, fechou. O clique do metal foi o mesmo que Lucas ouvira no próprio pescoço tantas vezes.

Ela passou a mão no cabelo dele. Depois olhou para Lucas.

"Senta aqui", apontou o lado da cama.

Lucas sentou, nu, ao lado dela. Assistindo.

"Você achava que só existia um tipo de submissão", ela disse, a mão ainda acariciando o cabelo do marido. "A sua. Mas existem muitas. Ele também se entrega. De outro jeito."

Ela puxou a coleira, erguendo o rosto do marido. Os olhos dele encontraram os de Lucas. Não havia vergonha. Apenas confiança.

"Hoje você vai aprender a ser dono também", ela disse para Lucas. "Com a gente. Comigo."

Lucas engoliu seco. "Eu não sei... eu nunca..."

"Eu sei", ela interrompeu. "Por isso a gente vai ensinar."

Ela guiou as mãos de Lucas. Colocou uma na nuca do marido, outra no rosto dele.

"Acaricia", sussurrou. "Devagar. Ele gosta."

Lucas obedeceu. Os dedos trêmulos tocando a pele do homem que tanto o dominara. A sensação era estranha, quase proibida. Mas quando viu os olhos do marido fecharem, o corpo relaxar sob o toque, algo mudou dentro dele.

"Beija ele", ela ordenou.

Lucas hesitou. Ela apenas esperou. Ele se inclinou, beijou a testa do marido. Depois a bochecha. Depois, quando sentiu a mão dela guiar, a boca.

O beijo foi lento, estranho, macio. O marido correspondeu, as mãos nos joelhos de Lucas, submisso, entregue.

Ela assistiu, os olhos brilhando.

"Agora deita", disse para o marido. "De bruços."

Ele obedeceu. Deitou na cama, o rosto virado para o lado, as costas largas expostas. As correntes tilintaram suaves.

Ela entregou um pequeno pote de óleo a Lucas.

"Você vai preparar ele", disse. "Para mim. Com calma. Com amor."

Lucas abriu o pote. O cheiro de lavanda. Despejou nas mãos, esquentou entre os dedos. Depois tocou as costas do marido.

Massageou devagar, como ela ensinara. Os ombros, a coluna, a lombar. O marido gemeu baixo, o corpo se abrindo sob as mãos de Lucas.

"Mais baixo", ela guiou.

Lucas desceu. As nádegas, a parte interna das coxas. O marido abriu as pernas, oferecendo.

"Prepara ele", ela disse. "Com os dedos. Devagar."

Lucas obedeceu. Lubrificou os dedos, tocou a entrada, sentiu o corpo do homem tremer. Entrou devagar, um dedo, depois dois. O marido gemeu, o rosto enterrado no travesseiro, as mãos apertando os lençóis.

"Assim", ela sussurrou no ouvido de Lucas. "Você está lindo. Dono."

A palavra atravessou Lucas como um choque. Dono. Ele nunca tinha sido dono de nada.

Quando o marido estava aberto, pronto, ela se deitou na cama, de costas, e puxou o marido para cima dela.

"Agora ele me come", disse. "E você come ele."

Lucas entendeu. O coração disparou.

Ela guiou o marido para dentro dela, lenta, profunda. Ele gemeu, enterrando o rosto no pescoço dela. E então ela olhou para Lucas.

"Vem", disse.

Lucas se posicionou atrás do marido. Lubrificou o próprio sexo, dolorosamente duro. Tocou a entrada, sentiu o calor, a tensão. O marido arfou contra o pescoço dela.

"Devagar", ela ordenou. "Respeita ele."

Lucas entrou devagar. O corpo do marido apertado, quente, cedendo centímetro a centímetro. Quando enterrou todo, parou. Os três imóveis, ligados.

Ela começou a se mover. O marido dentro dela, Lucas dentro do marido. Um ritmo lento, hipnótico, que ela comandava com os quadris.

"Olha pra mim", ela disse.

Lucas obedeceu. Os olhos dela fixos nos dele enquanto os corpos se moviam. Ela sorriu, lenta, poderosa.

"Lindos", murmurou. "Meus dois."

O marido gemeu, próximo. Ela apertou as pernas em volta dele, segurando.

"Ainda não", ordenou. "Espera."

Ele obedeceu, o corpo tremendo.

Lucas sentiu o próprio orgasmo se aproximar, incontrolável. "Senhora", ele implorou.

Ela olhou para ele. O poder absoluto nos olhos.

"Goza", disse. "Agora. Dentro dele."

Lucas obedeceu. O corpo inteiro explodindo, o grito preso na garganta, as mãos cravadas nos quadris do marido. Sentiu o marido gozar também, dentro dela, os dois se dissolvendo juntos.

Ela não gozou. Apenas observou. Apenas comandou. Apenas recebeu.

Quando os dois terminaram, caídos, ofegantes, ela se levantou. Ficou de pé na frente da cama, nua, perfeita, intocada.

Olhou para os dois. O marido de bruços, o rosto no travesseiro, as correntes brilhando. Lucas ajoelhado na cama, o corpo marcado, os olhos úmidos.

Ela passou a mão no cabelo de Lucas. Depois no do marido.

"Meus", disse.

Não era pergunta. Não era negociação. Era fato.

Na varanda, mais tarde, os três sentados no chão, as costas apoiadas no gradil. A cidade dormindo lá embaixo. O vento fresco. A pele ainda quente.

O marido segurava a mão dela. Ela segurava a mão de Lucas. Lucas segurava a mão do marido. Um círculo.

"Agora você entendeu", disse ela, a voz suave.

Lucas assentiu. Entendia. Submissão não era fraqueza. Dominação não era força. Era confiança. Era escolha. Era amor.

"Pra sempre?", ela perguntou.

Lucas olhou para os dois. Para o homem que aprendeu a amar de outro jeito. Para a mulher que ensinou os dois a serem inteiros.

"Pra sempre", ele respondeu.

Ela sorriu. Puxou os dois para perto. Os três abraçados na varanda, a noite testemunha.

No dia seguinte, Lucas queimou o contrato de aluguel do 1501. Não precisava mais.

FIM

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Ficha do conto

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olhosazuis73

Nome do conto:
O Ritual da Varanda — A Consagração

Codigo do conto:
255527

Categoria:
Fetiches

Data da Publicação:
25/02/2026

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