Um som seco, um baque que avisa,
sempre que passa, chama a atenção.
A muleta de madeira o asfalto pisa,
marca o compasso sem hesitação.
Não é o que falta que define o vulto,
é o equilíbrio que o corpo inventa,
mestre do prumo, postura de culto,
enfrenta o mundo, não se ausenta.
Sim, falha o passo do lado esquerdo,
mas sobra a coragem no trilho que faz.
O som da muleta, que guardo em segredo,
ecoa pela rua e rouba-me a paz.
Ninguém lhe conhece rumo ou destino!
Mas aquele passinho de balanço constante
é como um segredo, antigo e divino,
que flutua airoso por breve instante.
O som cavo que me desperta a atenção,
deixa um rastro de luz no meu olhar.
Intensifica o pulsar do coração,
e, saborosamente, faz o tempo parar.
Adoro seus contos, dá um tesao danado lendo! Votado com prazer, bjinhos Ângela. PS. Adoraria um comentário seu no meu último conto.