Fechei os olhos para ouvir o mar.
Embalado pelo vai-vem das ondas,
atravessei o Atlântico para te procurar.
À aventura, sem mapa nem plano,
mas encontrei-te! Deitada na areia,
outra praia, o mesmo oceano.
Sabias que viria, esperavas-me,
e perguntaste porque demorei.
“Descobri-te tarde, vim de longe,
mas parti assim que te encontrei!”
Guardámos as palavras para depois,
o fogo consumia-me, não sou monge!...
Saciados, aninhámo-nos em silêncio,
afaguei-te o leão para lhe acalmar a ira
e assim curar-te as feridas da alma
com que te foi presenteando a vida.