I. O Churrasco O cheiro da carne na brasa chegava até a sala em ondas, misturado ao som das garrafas batendo e das risadas que iam e vinham lá fora. Era um sábado qualquer no calendário, mas havia algo diferente no ar desde cedo — uma espécie de eletricidade baixa, quase inaudível, que eu sentia na pele sem conseguir nomear com precisão. Cinco anos haviam passado desde o nascimento do nosso filho. Cinco anos que haviam mudado tudo da forma que muda quando a vida entra de verdade — o corpo, a rotina, as prioridades, os horários, a forma como a gente dorme e acorda e olha um para o outro pela manhã antes de qualquer palavra. Mas haviam mudado para melhor de um jeito que eu não esperava: a cumplicidade entre nós havia ficado mais funda, mais honesta, construída em cima de noites sem dormir e pequenas rendições e momentos de intimidade que só existem quando você conhece alguém de verdade. E a Sra. Safada estava mais linda do que nunca. Isso não é saudade nem ilusão de marido — era objetivamente verdade. O corpo havia mudado, ficado mais curvilíneo, com aquelas curvas generosas que ela às vezes olhava no espelho com insegurança e que me faziam perder o foco quando eu menos esperava. Os seios cheios, que a maternidade havia transformado, eram impossíveis de ignorar naquela blusa justa que ela havia escolhido com cuidado demais para ser acaso. Eu havia notado os olhares desde que os convidados chegaram. Dois amigos para um churrasco íntimo, foi o que combinamos. O primeiro — vou chamá-lo de Renato — era mestiço, corpo marcado de quem malha com consistência, aquele tipo de físico que chama atenção sem precisar de esforço. Ela havia me falado dele algumas semanas antes, numa daquelas conversas noturnas que a gente tem quando o filho já dormiu e o quarto é escuro e as palavras saem com menos filtro. — Ele tem um corpo gostoso — ela havia dito, com aquela voz de quem está testando a temperatura da água. — Mas a rola é pequena. Tinha rido. Ela também. E no riso havia algo que a gente não precisou nomear — uma cumplicidade construída depois da primeira vez, depois de todas as conversas que vieram depois, depois de aprendermos que era possível falar sobre desejo com a mesma franqueza com que se fala sobre qualquer outra coisa importante. O segundo amigo era mais reservado. Ficou claro cedo que ele seria o espectador da noite — se houvesse uma noite. Sobre isso, eu ainda não tinha certeza. Eram possibilidades, não planos. A gente havia aprendido que essas coisas não se forçam. II. A Cerveja e o Calor A brasa ia baixando devagar enquanto as cervejas iam sumindo. A conversa tomou aquele caráter solto de festa que vai longe — saltava de assunto em assunto, ficava mais barulhenta, mais íntima, mais carregada de uma quentura que não era só do sol ainda presente no começo da tarde. Eu ficava observando ela. Havia uma arte discreta no que a Sra. Safada fazia, que talvez só eu conseguisse ver por conhecê-la tão bem. A forma como ela se inclinava levemente na direção de Renato quando ria de alguma coisa que ele disse. A mão que pousava no antebraço dele com uma naturalidade calculada. As pernas cruzando devagar quando os dois falavam mais de perto, o joelho apontando na direção dele como uma bússola que encontrou o norte. Ele respondia. Não de forma óbvia — mas de um jeito que eu identificava porque era exatamente o jeito que eu respondia a ela quando ela fazia aquilo comigo. O corpo se ajustando na cadeira. O olhar descendo brevemente antes de voltar ao rosto. A cerveja corria e o quintal ia ficando mais quente do que a temperatura justificava. Em algum momento, ela foi buscar cervejas na cozinha. Renato levantou um pouco depois, com aquele pretexto de precisar de água que não enganaria ninguém que estivesse prestando atenção. Fiquei sentado, continuei a conversa com o outro amigo, e calculei mentalmente quanto tempo havia entre uma coisa e outra. Foram talvez seis, sete minutos. Quando ela voltou, havia uma leveza diferente nela. Nada gritante — só aquele brilho específico nos olhos que eu conhecia muito bem, que aparecia sempre que ela havia feito algo que a deixou ligeiramente mais viva. Renato voltou logo depois com a cara de quem está tentando parecer casual e não está conseguindo completamente. Continuamos a noite. Mas alguma coisa havia mudado no equilíbrio do ar. III. O Sussurro Já era quase meia-noite quando sugeri que os dois ficassem — tarde demais para dirigir, casa grande o suficiente para acomodar. A proposta foi aceita sem resistência. Os dois foram para a sala. Nós fomos para o quarto. Ela deitou ao meu lado no escuro e ficou quieta por um momento. Eu conhecia esse silêncio — era o silêncio de quem está reunindo as palavras certas. — Amor... — Fala. — Beijei ele. Na cozinha, quando fui pegar a cerveja. Virei o rosto na direção dela no escuro. O coração acelerou — não de raiva, não de susto, mas daquela forma específica que eu havia aprendido a reconhecer: excitação misturada com adrenalina, uma coisa quente e urgente subindo pelo peito. — Como foi? — perguntei, e minha voz saiu mais rouca do que eu pretendia. — Bom — ela disse, simplesmente. — Ele beija bem. Fiquei em silêncio por um momento. Aquela informação simples criou imagens que eu não pedi e não quis afastar. A cozinha iluminada. A mão dela na gola da camiseta dele. Os dois num espaço pequeno com a desculpa das cervejas e o quintal cheio de conversa lá fora. — E quer que eu chame ele? Ela virou o rosto. No escuro, eu quase não via a expressão dela, mas conhecia o silêncio que veio antes da resposta — aquele segundo que não era dúvida, era prazer antecipado. — Quero. Me levantei da cama. IV. A Chamada A sala estava com a luz baixa. Os dois estavam no sofá, o volume da televisão no mudo. O segundo amigo já estava cabisbaixo de sono num canto do sofá, alheio completamente. Renato levantou o olhar quando me viu entrar. Não disse nada. Só fiz um gesto discreto com a cabeça — um convite que não precisava de palavras porque o contexto havia construído o vocabulário de antemão. Ele piscou. Ficou imóvel por dois segundos que pareceram mais longos. Depois se levantou devagar e me seguiu pelo corredor. Fechei a porta do quarto atrás de nós três. O quarto estava na penumbra, só o abajur do canto aceso, jogando uma luz cor de mel sobre tudo. A Sra. Safada estava sentada na beirada da cama, os cabelos soltos, com aquela postura de quem está completamente no controle da situação mesmo parecendo vulnerável. Havia na postura dela — nos ombros levemente para trás, no queixo ligeiramente erguido — aquela confiança tranquila de quem sabe o que quer. Olhou para ele. Ele foi até ela. O beijo que se seguiu não tinha a tentativa do beijo da cozinha — esse era intencional, completo, os dois sabendo exatamente o que estavam fazendo. Ela enrolou os dedos na gola da camiseta dele e o puxou mais perto, e eu fiquei de pé a dois metros, sentindo meu pau endurecer com uma velocidade que ainda me surpreendia depois de tudo. Havia algo avassalador em assistir àquilo. Não era só o aspecto visual, embora a visão fosse absurdamente boa — era o som, o cheiro do quarto que havia mudado, a consciência de que aquilo estava acontecendo de verdade, com meu conhecimento e minha presença e minha cumplicidade ativa. Ela estava completamente no controle. E isso era exatamente o que tornava tudo mais intenso. V. O Ajoelhar As mãos dela foram para o cinto dele com uma decisão que não deixava espaço para ambiguidade. O zíper desceu. Ela se ajoelhou no chão com uma elegância que não deveria ser possível naquele contexto mas era — aquela coisa que ela tem de transformar qualquer movimento em algo que parece deliberado. O que ela fez a seguir foi uma demonstração de talento que eu havia testemunhado antes — mas nunca desta posição, nunca com este ângulo específico, nunca com aquela consciência absurda de que eu estava vendo de fora o que normalmente fazia parte do meu próprio prazer. Ela o envolveu com a boca devagar, os olhos fechados no começo, concentrada. Ele inalou fundo e encostou a mão de leve na cabeça dela, um gesto que era ao mesmo tempo controle e rendição. — Nossa — ele murmurou, baixinho. Me aproximei por trás dela sem pressa. Me ajoelhei atrás do corpo dela, as mãos descendo pelos quadris, encontrando o elástico da calcinha. Abaixei devagar enquanto ela continuava — ela arqueou levemente os quadris num convite que não precisava de palavras. Deslizei dois dedos pela abertura dela primeiro, e o que encontrei me fez prender a respiração. Ela estava completamente molhada — não um pouco, não razoavelmente, mas de um jeito que deixava claro o quanto aquela situação toda a havia excitado antes mesmo de qualquer toque direto. Alinhei e entrei. De uma vez, fundo, sem hesitação. Ela soltou um gemido que ficou abafado pelo que tinha na boca, mas que eu senti vibrar pelo corpo dela inteiro — uma onda que começou no centro dela e percorreu cada centímetro. Segurei os quadris com as duas mãos e fiquei imóvel por um segundo, sentindo o calor dela, a pulsação dela ao redor de mim, aquela familiaridade do corpo dela que mesmo em contextos completamente novos permanecia completamente ela. Depois comecei a me mover. VI. Os Três O que se seguiu foi uma das experiências mais absurdamente intensas que eu já vivi. Ela no meio — literalmente, fisicamente, completamente no meio dos dois — entregue de uma forma que só consigo descrever como total. Sem reservas, sem autoconciência, sem nada que não fosse presença pura no que estava acontecendo. A coluna se arqueando no ritmo das minhas estocadas, os lábios ocupados com ele, as mãos apoiadas nos joelhos dele para se equilibrar. Eu a via de trás — as costas, os ombros, os cabelos caindo para os lados, a cintura afunilando e abrindo nos quadris que eu segurava com as duas mãos. O som da minha pele batendo na dela, ritmado, insistente, preencheu o quarto junto com os sons dela que vazavam entre os movimentos da boca. Renato tinha os olhos arregalados de quem está processando uma realidade que parecia teoria até cinco minutos atrás. Olhava para ela, olhava para mim, olhava para ela de novo. — Caralho — ele murmurou, mais para si mesmo do que para alguém. Ela riu, brevemente, antes de voltar ao que estava fazendo. Esse riso — solto, sem vergonha, genuinamente divertido — foi de longe a coisa mais erótica da noite. Era o riso de quem está exatamente onde quer estar. Aumentei o ritmo. Os gemidos dela foram ficando menos abafados, mais frequentes. O corpo dela respondia a cada estocada com aquela precisão que eu conhecia — aquela leve contração, aquele apertar involuntário que me dizia tudo sobre o que ela estava sentindo. — Nossa — disse ele de novo, olhando claramente para onde eu e ela estávamos conectados. — Olha o tamanho do pau do seu marido... Ela levantou os olhos para ele, os lábios levemente inchados, os olhos brilhando com uma expressão que era ao mesmo tempo tesão e orgulho e cumplicidade comigo. Não disse nada. Só sorriu. E depois voltou a chupá-lo com mais vontade do que antes. VII. A Virada Foi quando ela pediu. Levantou levemente os quadris de um jeito específico, sem parar o que estava fazendo com a boca, e disse por cima do ombro — a voz rouca, sem nenhuma hesitação: — Vai. Mete no meu cu. Parei por meio segundo. Não de dúvida — de antecipação. Aquilo era território que pertencia exclusivamente a nós dois, algo que nunca havia sido compartilhado com ninguém, uma intimidade específica que ficava reservada para o que existia só entre mim e ela. E ela estava pedindo que eu trouxesse isso para aquela noite. Era uma confiança. E eu entendia exatamente o peso dela. Passei a mão pela curva dos quadris dela, encontrei o lugar certo. Ela estava tão molhada que a lubrificação natural havia se espalhado generosamente. Mesmo assim fui devagar — por instinto de cuidado, porque eu a conhecia. Ela pressionou para trás. Entrou. O som que ela soltou foi diferente de tudo que havia saído dela até então — grave, longo, aquela nota específica de quem está sentindo dor e prazer ao mesmo tempo e não consegue separar um do outro e não quer tentar. Renato ficou completamente imóvel, segurando a cabeça dela com delicadeza, olhando para mim com expressão de incredulidade pura. Comecei a me mover devagar. Ela respondeu imediatamente, encontrando o ritmo antes mesmo que eu o estabelecesse, os quadris descendo e subindo com uma desenvoltura que me fez apertar os dedos nela mais forte do que eu pretendia. — Não para — ela disse, a voz abafada. — Não para. Não parei. As estocadas foram ficando mais fortes, mais decididas. Ela gemia agora sem nenhuma contenção, o som subindo e descendo com o ritmo, completamente entregue ao que estava acontecendo nos dois eixos ao mesmo tempo. VIII. O Clímax Ela veio primeiro. Senti antes de ver — aquela contração específica que eu conhecia tão bem depois de anos, o apertar ritmado que vem antes da onda principal. Ela soltou a boca de Renato e se apoiou nas mãos dele, a cabeça baixa, os ombros subindo e descendo rápido. — Vou gozar — ela disse, com aquela voz de quem está avisando e não pedindo permissão. Aumentei o ritmo. O orgasmo chegou em ondas. Ela o deixou acontecer de corpo inteiro — sem segurar, sem comprimir, sem fazer silêncio. O gemido que saiu dela foi longo e alto e honesto, o corpo estremecendo em espasmos que eu sentia diretamente, a pele dela ficando mais quente sob as minhas mãos. Ficou tremendo por longos segundos enquanto eu segurava o ritmo, prolongando o que ela estava sentindo. Depois começou a se acalmar — a respiração descendo, os músculos soltando um por um, aquela moleza específica do depois. Ela se deitou de costas na cama, os cabelos espalhados no travesseiro, a expressão de quem acabou de atravessar algo e ainda está voltando de lá. Olhou para Renato e abriu um espaço para ele. — Vem — ela disse. Ele subiu nela com a cautela de quem ainda não acredita completamente no que está acontecendo. Entrou devagar, e ela arqueou levemente recebendo, os olhos fechados. Fiquei ao lado, de pé, a mão se movendo no meu próprio pau enquanto via aquilo. Não havia distância nesse voyeurismo — eu estava no quarto, presente, aquecido pelo que havia acabado de fazer com ela, ainda sentindo o calor do corpo dela nas palmas das mãos. O corpo dela ainda carregava as marcas do que havíamos feito — os quadris levemente avermelhados onde eu havia segurado, os lábios inchados, o brilho da pele suada sob a luz do abajur. E agora se movia de novo, recebendo outro homem, com aquela mesma entrega total que era característica dela — essa capacidade de se dar completamente para o que está acontecendo sem guardar nada. Ela me olhou. Estendeu a mão na minha direção sem desviar os olhos dele. Sem cerimônia — só o braço se estendendo no espaço entre nós. Segurei. Os dedos dela se fecharam nos meus enquanto ela gemia baixinho com os movimentos de Renato, e aquele contato — simples, silencioso, absolutamente deliberado — me atingiu no peito de um jeito que nenhuma outra coisa da noite havia atingido. Ela estava me dizendo alguma coisa que não tinha palavras. E eu entendi. IX. O Final Renato terminou ofegante, os ombros curvando para dentro, soltando um som grave e curto antes de se imobilizar. Rolou para o lado depois, a respiração pesada, os olhos no teto. Eu não havia terminado ainda. Ela me puxou sem precisar falar. Me olhou. E o que havia nesse olhar era diferente de tudo que havia acontecido antes naquela noite — mais quieto, mais dentro, mais especificamente para mim. Subi nela. O que veio a seguir foi diferente de tudo que havia acontecido no quarto naquela noite. Mais quieto, mais presente. Não havia performance ali — só nós dois, o corpo dela que eu conhecia tão bem recebendo o meu com aquela familiaridade que nenhuma novidade apaga. Terminei olhando para ela. Por cima dela, dentro dela, as mãos no seu rosto. O orgasmo veio fundo e lento e me deixou completamente vazio da melhor forma possível. Fiquei imóvel por um momento antes de rolar para o lado, o coração batendo forte, a respiração aos pedaços. Os três ficamos deitados em silêncio por um tempo impossível de medir. A respiração dos três foi acalmando em frequências diferentes. O quarto cheirava a suor e sexo e a madrugada lá fora estava completamente quieta. Renato se levantou primeiro, silenciosamente. Se vestiu no escuro com aquela discrição de quem sabe quando um momento se encerrou. Nos deu um aceno breve antes de sair e fechar a porta com cuidado. A porta fechou. Ficamos nós dois. X. O Que Sobrou da Noite Ela veio para o meu ombro com aquela naturalidade de quem está voltando para casa. Enrolei o braço em torno dela, a pele dela ainda quente, o cabelo bagunçado contra o meu pescoço. — Tá bem? — ela perguntou, e havia no tom dela o cuidado de sempre, aquele jeito de perguntar que significa mais do que as palavras. — Muito — disse, honestamente. — Foi bom? Precisei pensar na resposta por um momento — não porque não soubesse, mas porque queria ser preciso. — Foi diferente de tudo — disse. — Foi muito bom. Ela ficou quieta por um instante. Depois: — Quando você entrou em mim enquanto eu chupava ele... — ela começou, e parou. — O que foi? — Eu entrei em pânico de prazer — ela disse, e havia gargalhada e seriedade na frase ao mesmo tempo. — Tipo, meu cérebro travou por uns três segundos. Ria. Ela riu junto, e o riso dela no escuro tinha aquela qualidade específica dos risos de madrugada — mais livre, mais real. Depois o silêncio voltou, mas era o silêncio bom — daqueles que não precisam de nada além de si mesmos. — Você me segurou a mão — eu disse depois de um tempo. — Sabia que você ia notar isso — ela respondeu, baixinho. — Por quê? Ela ficou quieta por um momento. Os dedos traçando um padrão lento no meu peito. — Porque eu queria que você soubesse que era você — ela disse, finalmente. — Que não importa o que tava acontecendo, era você que eu queria que estivesse lá. Não disse nada. Apertei o ombro dela. Lá fora, a madrugada estava completamente quieta. O churrasco havia terminado horas atrás, as brasas esfriado, as cervejas esvaziado. A noite havia percorrido um caminho que nenhum dos dois havia planejado com precisão — e chegado num lugar que fazia sentido. Essa era a segunda vez. E havia algo na segunda vez que a primeira não tinha — uma confirmação. Uma prova de que aquilo não era acidente ou adrenalina de novidade, mas alguma coisa real, que pertencia a nós dois de uma forma que nenhuma presença de terceiros diminuía. Pelo contrário. Adormecemos enrolados um no outro, com aquela cumplicidade que cinco anos de filho e vida real e escolhas honestas constroem — e que uma noite como aquela, surpreendentemente, não abalara. Na manhã seguinte, quando o filho bateu na porta às sete da manhã pedindo café com leite, ela levantou antes de mim, como sempre faz, e eu ouvi a voz dela na cozinha respondendo às perguntas dele com a mesma paciência de sempre. Me virei na cama. O travesseiro ainda cheirava a ela. Sorri para o teto e fechei os olhos por mais dez minutos, guardando a noite inteira na memória da forma cuidadosa que a gente usa quando sabe que está guardando algo que vai querer encontrar de volta. Era.
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