I. A Briga Havia brigas que a gente esquecia no dia seguinte e brigas que ficavam. Essa era do segundo tipo. Não vou nomear o que aconteceu. Não porque não importa — importava, e no momento em que aconteceu queimou com aquela queimadura específica das coisas que machucam porque vêm de dentro, do lugar onde você menos espera ser atingido. Mas porque o que veio depois é mais importante do que o que veio antes, e reconstruir cada detalhe da briga seria dar a ela um espaço que a noite acabou tomando de volta. Ficamos em silêncio por um tempo. Aquele silêncio de briga que não é paz — é acúmulo, é as palavras todas ainda no ar sem conseguir se resolver, é dois corpos no mesmo espaço que de repente parece pequeno demais. Foi ela quem se moveu primeiro. Veio até mim com aquele olhar que eu conhecia — culpa e desejo misturados de uma forma que só ela conseguia combinar sem que nenhuma das duas apagasse a outra. Havia no rosto dela uma vulnerabilidade real, não performática, a vulnerabilidade de alguém que errou e sabe que errou e quer consertar mas não sabe exatamente como. — Quero me redimir — ela disse. A voz baixa, os olhos encontrando os meus por um segundo antes de descerem. — Quero fazer algo diferente. Algo que reacenda. Fiquei quieto, esperando. — Vamos sair — ela disse. — Procurar uma mulher. Fazer um a três. A proposta chegou crua e direta, sem construção, sem preparação. E havia algo naquele jeito — nessa ausência de rodeios, nessa forma de colocar o desejo na mesa como uma oferta sem embrulho — que fez o que ficava queimando dentro de mim recuar um passo. Não sumiu. Mas recuou. — Tô dentro — disse. II. A Cidade à Noite Saímos como dois que não têm muito plano além da direção geral. A cidade de sábado à noite tem uma textura própria — as luzes dos bares derramando na calçada, os grupos de pessoas nas portas, aquele ruído de fundo que é sempre o mesmo e nunca é exatamente igual. Íamos no carro sem falar muito, com aquela tensão específica que não era mais briga mas ainda não era outra coisa, ainda estava se transformando. O primeiro lugar que encontramos na internet parecia razoável na descrição. Na realidade era outra coisa. Entramos, demos uma volta que levou menos de cinco minutos, saímos. O ambiente tinha aquela energia pesada que não convida — rostos fechados, ar carregado de uma forma que não era desejo mas era outra coisa, mais opaca, mais sem saída. Não era ali. De volta ao carro, ela ficou no celular por alguns minutos. Depois levantou o olhar. — A Enigma Club — ela disse. O nome havia aparecido antes, em conversas, naquele registro de coisas que a gente menciona sem se comprometer, que existem na categoria do talvez-algum-dia. Uma casa de swing diferente — era o que diziam, o que a gente havia ouvido de passagem sem buscar com intenção. Naquela noite havia intenção. — Vamos — disse. Ela digitou o endereço. O carro virou na direção certa e a cidade foi passando pela janela com aquela qualidade específica dos trajetos que vão para algum lugar novo — cada quarteirão levemente mais carregado de possibilidade que o anterior. III. A Chegada A fachada era discreta, que era provavelmente o ponto. Entramos e fomos recebidos por uma mulher de meia-idade com um sorriso que era ao mesmo tempo profissional e genuinamente acolhedor — o sorriso de alguém que já viu muitos casais chegarem pela primeira vez com aquela mistura específica de determinação e nervosismo que a gente certamente carregava. — Primeira vez aqui? — ela perguntou. — Primeira vez em qualquer lugar assim — admiti. Ela não fez nenhuma expressão que sugerisse julgamento ou condescendência. Só assentiu e nos convidou para conhecer a casa antes de qualquer outra coisa. O tour foi revelador. Não pelo que mostrou de chocante — pelo contrário. O lugar era limpo, bem iluminado nas áreas comuns, com uma atenção ao ambiente que eu não esperava. Havia uma pista de dança com uma trilha sonora que ficava no limite entre sensual e eletrônico. Um bar com gente sentada conversando normalmente, como se estivessem em qualquer bar. Quartos privativos com portas que fechavam de verdade. Um dark room com aquela escuridão que a palavra promete. Um labirinto de corredores estreitos. E em cada espaço, a atendente explicava as regras com a mesma naturalidade com que explicaria as regras de qualquer outro estabelecimento. Consentimento. Respeito. Não a palavra que a outra pessoa precisar dizer é a última palavra, sempre. — Qualquer dúvida, a gente tá aqui — ela disse no fim, nos deixando no bar. Pedimos dois drinks. Sentamos. Olhamos ao redor. Os casais eram de todos os tipos — idades diferentes, corpos diferentes, estilos diferentes. E havia em todos eles uma qualidade que me pegou de surpresa: relaxamento real. Não havia ninguém tentando impressionar ninguém. Não havia a tensão de quem está se mostrando. Havia só gente que sabia por que estava ali e estava confortável com isso. A Sra. Safada pegou o meu braço. Eu senti a pressão dos dedos dela. — Que lugar estranho — ela disse, baixinho. E depois: — No bom sentido. IV. O Dark Room Depois de dois drinks e mais uns trinta minutos observando a casa encher e a música subir de volume, ela se levantou. — Vamos ver o dark room? Não era uma pergunta real. Era o tipo de convite que já carrega a resposta embutida. Levantei. A entrada era uma cortina grossa que bloqueava a luz completamente. Do outro lado, os olhos levaram alguns segundos para se ajustar — e quando se ajustaram, o que apareceu não era exatamente nada visível, apenas variações de sombra e aqueles pontos estratégicos de luz vermelha que davam contorno suficiente para não bater em nada mas não o suficiente para identificar rostos. O que era completamente o ponto. O ambiente era carregado de sons antes de qualquer outra coisa. Gemidos baixos, respirações pesadas, o som específico de corpos em contato. Era quase uma trilha sonora própria, paralela à música que vinha de fora — mais íntima, mais urgente. Demos os primeiros passos devagar, os dois próximos, os dois em alerta. A primeira mão foi uma surpresa mesmo esperada. Passou pelo meu braço — leve, questionadora, sem insistência. Por reflexo encontrei uma cintura no escuro e ela não recuou. Do lado da Sra. Safada ouvi um som baixo — não de susto, de descoberta. — Alguém me tocou — ela sussurrou. — Eu sei — disse. — Não tirei a mão. A escuridão foi se tornando menos assustadora e mais habitável à medida que os sentidos foram se recalibrando. Sem a visão dominando tudo, o tato ganhava uma qualidade diferente — mais direta, mais honesta de certa forma, sem a mediação do olhar que analisa e categoriza antes de sentir. Em algum ponto, a Sra. Safada encostou na parede. Ouvi uma voz feminina próxima, baixa. Depois o som de contato, de mãos se encontrando em pele desconhecida. Outro homem se aproximou dela, senti a presença mais do que vi. Ela não recuou. Fiquei parado por um momento, ouvindo a respiração dela mudar. A briga de horas atrás estava em outro planeta. V. O Glory Hole e o Labirinto Saímos do dark room ofegantes e com os corpos em temperatura elevada. Ela me puxou pela mão com aquela urgência nova que havia aparecido nela dentro da escuridão — uma vontade de explorar que parecia ter sido destampada lá dentro e que agora não conseguia mais ser contida. Os olhos dela brilhavam com aquele brilho específico que eu conhecia bem mas que raramente via tão puro, tão sem mistura. Foi ela quem notou o glory hole num corredor lateral. Parou diante dele com uma curiosidade completamente declarada, sem nenhuma tentativa de disfarçar. Olhou para mim, depois para o buraco, depois para mim de novo. Havia naquele olhar uma pergunta e ao mesmo tempo a resposta à própria pergunta. Estendeu a mão. Do outro lado havia pele. Ela explorou com os dedos com aquela atenção de quem está lendo algo pelo tato — curvas, textura, temperatura. Uma mulher, pelos contornos. A mão dela deslizou até encontrar o seio, passou pelos mamilos. Do outro lado do buraco veio um som baixo. Depois a surpresa. Os dedos dela encontraram outra coisa, dura, volumosa. Ela apertou. Ficou imóvel por um segundo. Depois puxou a mão de volta e me olhou com os olhos arregalados numa expressão que era espanto e excitação e riso ao mesmo tempo. — Puta que pariu — ela sussurrou, mordendo o lábio. Ria também. Era impossível não rir. O labirinto era um corredor estreito e levemente úmido, iluminado só o suficiente para não ser completamente escuro. A arquitetura parecia projetada especificamente para encontros inevitáveis — as curvas fechadas, os espaços apertados que obrigavam os corpos a se rozar ao passar. Um casal veio na direção contrária. Nus, completamente absortos um no outro, usando o corredor como se fosse o único lugar do mundo. Passamos por eles com aquela proximidade forçada que o espaço impunha. Mais à frente, a Sra. Safada parou. Havia um homem de frente para ela. Os dois ficaram por um segundo naquele espaço estreito, os corpos quase se tocando, os olhares se lendo. Ela encostou nele. Ele não hesitou. As mãos dos dois se encontraram com uma naturalidade que o contexto tornava completamente lógica. Ela o beijou. Fiquei parado a um metro, observando. Havia naquilo uma qualidade que eu havia descoberto na primeira vez e que ainda não havia conseguido descrever com precisão — não era só excitação visual, embora fosse também isso. Era a consciência de que ela estava se permitindo algo, de que esse permitir era uma escolha real, e de que eu estava presente nessa escolha. Do meu lado, uma mão encontrou o meu cinto. Me virei. Uma mulher me olhava no semi-escuro do corredor. Não disse nada — só puxou. Eu a segui contra a parede. O beijo foi sem aviso e sem rodeio, a energia crua de dois estranhos que se encontram num contexto onde o desejo é a única língua franca. Quando os dois nos reencontramos no corredor, os olhos dela estavam famintos. VI. De Volta à Escuridão Voltamos ao dark room uma segunda vez e a Sra. Safada que entrou na segunda rodada não era a mesma que havia entrado na primeira. Não era diferente de uma forma que eu pudesse apontar com precisão — era mais dentro de si mesma, mais presente na própria experiência, com aquela qualidade específica de alguém que passou a fronteira do desconhecido e descobriu que do outro lado não havia perigo, havia só mais espaço. Ela foi direto para onde havia duas mulheres que dançavam encostadas uma na outra, os corpos em contato, os movimentos lentos e deliberados. Eu fiquei à distância, observando. Ela se aproximou com aquela confiança nova. Uma das mulheres a recebeu com um sorriso que eu não via mas imaginava. O beijo que se seguiu foi lento, exploratório, as mãos da Sra. Safada encontrando o corpo dela com uma atenção que ela tem quando algo a interessa de verdade. A outra mulher veio por trás. A mão deslizando por dentro da saia, o corpo pressionando pelas costas. A Sra. Safada ficou no meio dos dois corpos femininos com os olhos fechados e uma expressão que eu via do lugar onde estava — os lábios levemente abertos, a cabeça inclinada para trás, completamente dentro do que estava sentindo. Eu estava com o pau duro a ponto de ser desconfortável. Havia algo específico em observá-la assim — não a versão dela que eu conhecia em todos os contextos privados, mas essa versão nova, que estava sendo descoberta naquele lugar, naquela noite, parcialmente por causa da briga que havia antecedido tudo isso. Como se o atrito tivesse lixado uma camada e deixado algo mais nu embaixo. Ela abriu os olhos e me encontrou no escuro. Me chamou sem palavras. VII. O Quarto Coletivo Subimos. O quarto coletivo era um ambiente amplo com várias camas, iluminação baixíssima e uma atmosfera que era ao mesmo tempo coletiva e estranhamente íntima. Algumas camas já estavam ocupadas — casais em posições variadas, alguns se olhando, alguns de olhos fechados, todos completamente dentro do que estavam fazendo. Não havia vergonha no ar. Era provavelmente a coisa mais surpreendente do lugar inteiro — a ausência completa de vergonha, não como conquista ou como afirmação política, mas como simples dado ambiental. As pessoas estavam ali porque queriam estar, fazendo o que queriam fazer, e isso tornava o julgamento irrelevante de uma forma muito básica. A Sra. Safada se despiu sem cerimônia. Vi isso de perto, a dois metros, e havia algo naquele gesto sem drama — sem a autoconsciência que às vezes acompanha o desnudar-se em frente ao espelho, sem a hesitação de quem espera um veredicto — que me atingiu no centro do peito de uma forma que não era só tesão. Era ela inteira. Confiante. Ali. Deitou de quatro numa das camas livres, virada para o casal ao lado. A mulher do casal olhou para ela com aquele reconhecimento entre pessoas que compartilham o mesmo contexto. As mãos das duas se encontraram. Os corpos começaram a se roçar com aquela proximidade que o ambiente normalizava e que em qualquer outro contexto seria extraordinária. Fui até ela. Entrei por trás com uma força que era acúmulo de horas — de tensão, de briga, de dark room, de labirinto, de observá-la com aqueles outros corpos e de sentir aquela mistura que só existe nesse contexto específico: ciúme e desejo e orgulho e entrega, todos ao mesmo tempo, sem que nenhum cancele nenhum outro. Ela gemeu alto. Não havia nenhuma razão para conter o som naquele lugar, e ela não tentou. O gemido se misturou com os sons do quarto como mais um instrumento numa orquestra que já estava tocando, natural e sem autoconsciência. Segurei os cabelos dela. A palma da minha mão encontrou a bunda dela com aquele estalo seco que ela gosta — uma vez, duas, marcando o ritmo, marcando a presença. Ela continuava com a mão na mulher ao lado, os dois corpos femininos se movendo em sintonia com o meu ritmo, a corrente de sensação passando entre os três sem que nenhum de nós precisasse planejar nada. VIII. No Meio de Todos Não sei quanto tempo ficamos ali. O tempo naquele quarto tinha uma textura diferente do tempo normal. Não era que passasse devagar ou depressa — era que perdia a relevância. Havia apenas o presente, continuamente renovado, cada momento tão preenchido que o antes e o depois eram abstrações. Trocamos de posição algumas vezes. Ela ficou de costas, depois de lado, depois de costas de novo. Em algum momento o casal ao lado se reorganizou e por um tempo os quatro estávamos próximos o suficiente para que os toques se misturassem — mão de quem, boca de quem, não era sempre claro, e essa falta de clareza tinha sua própria qualidade. Era uma quase-orgia não planejada, que é talvez a única espécie de orgia que funciona de verdade — quando acontece como consequência natural de corpos em movimento em vez de como objetivo predeterminado. Em determinado momento, os olhos dela encontraram os meus. Havia naquele olhar uma mensagem que eu li claramente — não de fim, não de desconforto, mas de presença. De estar me dizendo que estava ali, comigo, dentro de tudo aquilo. A mesma mensagem da mão que ela havia me estendido em outras noites, em outros contextos. Você está aqui? Estou aqui. As estocadas foram ficando mais lentas, depois pararam. Ficamos parados por um momento, conectados, os corpos ainda em contato mas imóveis. Depois me deitei ao lado dela. Os dois ficamos olhando para o teto baixo do quarto por um momento. Ao redor, a noite continuava. Outros corpos, outros sons, outra realidade que existia paralelamente à nossa sem interferir nela. — Vamos? — ela disse, por fim. — Vamos. IX. A Saída Nos vestimos devagar, com aquela lentidão específica do depois — os movimentos sem urgência, os corpos ainda quentes, os gestos cotidianos de colocar a roupa tendo uma qualidade levemente surreal depois do que havia sido a hora anterior. Descemos. Tomamos uma água no bar. Ficamos sentados por alguns minutos sem falar, observando o ambiente que continuava em pleno funcionamento ao redor, a noite ainda jovem para a maioria das pessoas ali. Havia uma paz estranha em mim. A briga de horas atrás estava — não resolvida, não esquecida, mas colocada num outro compartimento, separada do momento presente por camadas de experiência que não a apagavam mas mudavam a sua proporção. Ela colocou a mão na minha. — Obrigada por ter topado — ela disse. — Você não precisa agradecer. — Preciso — ela disse. — Você estava com raiva de mim e mesmo assim veio. Fiquei quieto por um segundo. — Eu sempre venho — disse. Era verdade de uma forma que ia além do contexto da noite. Havia ali uma afirmação sobre o que existia entre nós que não precisava de mais elaboração. Ela apertou minha mão. Fomos embora. A cidade do lado de fora estava na madrugada avançada, os barulhos mais espaçados, os semáforos piscando amarelo nos cruzamentos. No carro, o silêncio era diferente do silêncio do início da noite — não havia mais acúmulo nele, não havia mais palavras não ditas circulando sem conseguir pousar. Era um silêncio satisfeito. A mão dela encontrou a minha perna. Subiu devagar. X. Em Casa Chegamos, e ela não esperou o elevador. Subiu as escadas na frente de mim, sem me olhar, e eu subi atrás ouvindo os passos dela no concreto e sentindo o sangue voltando a circular com aquela urgência que havia adormecido levemente no trajeto de carro e que a mão dela na perna havia acordado de volta. A porta do apartamento mal fechou. Ela começou a se despir no meio da sala, sem ir para o quarto, sem nenhuma das convenções do cotidiano. A roupa no chão, uma peça depois da outra, com aquela mesma ausência de cerimônia do quarto coletivo mas agora no nosso espaço, no espaço que eu conhecia tão bem e que ela estava preenchendo de uma forma nova. Me puxou para o tapete. O que aconteceu ali não tinha nada da exploração do swing club — não havia terceiros, não havia novidade de ambiente, não havia aquela eletricidade específica do desconhecido. Era só os dois de sempre, no tapete da sala de sempre. E era completamente diferente de tudo que havia sido antes da noite. Ela estava sobre mim com aquela entrega que eu havia visto nela no dark room, no labirinto, no quarto coletivo — aquela versão dela que havia sido destampada naquelas horas e que ainda estava completamente aberta, sem as camadas que o cotidiano vai colocando de volta sem que a gente perceba. Fodemos no tapete com aquela urgência animal que ela havia descrito de forma perfeita com o próprio corpo — sem palavras, sem construção, só presença e movimento e o peso dos dois corpos que haviam passado por uma noite inteira juntos e que agora estavam terminando essa noite da única forma que fazia sentido. Quando acabou, ficamos no tapete mesmo. Ela deitou sobre o meu peito. A respiração dos dois foi acalmando no mesmo ritmo, o apartamento silencioso ao redor, a cidade lá fora muito longe. — A briga — ela disse, depois de um tempo. A voz mole, quase dormindo. — Amanhã — disse. Ela ficou quieta por um momento. Depois: — Amanhã — concordou. Não era esquecimento. Era escolha. A escolha de não trazer aquilo de volta naquele momento, de deixar a noite ser o que havia sido sem misturar com o que havia precedido. O que precisava ser resolvido seria resolvido — a gente sabia disso. Mas naquela hora, no tapete da sala, com o corpo dela sobre o meu e a madrugada do lado de fora, havia só isso. Era suficiente. Mais do que suficiente. Fomos para a cama eventualmente, enrolados e sonolentos, e eu adormeci com aquela clareza específica das noites que expandem algo — que mostram que o espaço entre duas pessoas pode ser maior e mais variado e mais generoso do que parecia antes. Era a primeira vez na casa de swing. A gente sabia, sem precisar dizer, que não seria a última.
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