Mas é isso mesmo que faz a ficção tão fascinante: uma mistura de realidade e imaginação, onde os limites entre o que aconteceu de verdade e o que nasceu da mente se tornam tênues. Cada detalhe pode ter uma ponta de realidade, mas é a criatividade que dá vida às cenas, transforma personagens em figuras intensas e faz o leitor sentir, viver e se perder na narrativa. No fim, o que importa não é apenas o que é real, mas o que a história consegue despertar em quem a lê.
Comer a Mulher de Outro Cara
Comer a mulher de outro cara é muito bom, mas mulher de um amigo é apelação demais.
Eduardo e Rodrigo trabalhavam juntos e se conheciam há anos. A amizade deles era inabalável ao tempo e às brigas, que surgiam principalmente quando um perdia para o outro no baralho, jogo que adoravam nas tardes de domingo e nas folgas.
Todos no bairro sabiam que Rodrigo vivia traindo a mulher, mas Ana sempre fez questão de dizer que sabia das traições do marido cafajeste e que não ligava muito. Tinha fé que Deus restituiria seu casamento. Ela também queria manter a família unida a qualquer custo, e os filhos pesavam muito nessa decisão.
Aos poucos, Eduardo começou a frequentar a casa de Rodrigo a seu convite, para assistir aos jogos do Flamengo e às lutas do UFC. Na maioria das vezes, também havia mais homens da empresa presentes, todos colegas próximos.
A final da Libertadores seria no dia 29 de novembro daquele ano, entre Flamengo e Palmeiras.
Rodrigo combinou com três amigos mais Eduardo de assistirem em sua casa. Seus filhos haviam viajado para a casa dos avós no interior, e Ana estaria no bingo da semana com as amigas. Como Rodrigo tinha moto e Eduardo carro, os três amigos conseguiram sair mais cedo juntos com Eduardo no veículo.
Rodrigo disse que iria atrás logo depois, assim que entregasse o relatório ao chefe do setor de manutenção da empresa.
Mas o pneu da moto furou ainda distante de casa e de qualquer borracharia existente em Manaus.
Eduardo chegou com Alefe, Bruno e Diego à casa de Rodrigo.
A esposa do amigo já estava de saída para o bingo quando se deparou com os rapazes em frente à portaria do prédio.
— Oi, meninos — disse ela. — Cadê o Rodrigo? Aconteceu alguma coisa?
— Nada, Ana — respondeu Eduardo. — Não aconteceu nada, só combinamos de assistir à final aqui hoje, e, pelo visto, ele ainda não saiu da fábrica.
— Ah, entendi — disse ela, fazendo mesura para que eles subissem, pois iria abrir o apartamento para que esperassem o marido lá dentro. Ambos os quatro se entreolharam, como se aquilo não fosse algo errado.
Disconsideraram ao lembrar que ela era uma católica praticante e que nunca faria algo que colocasse seu casamento com Rodrigo em risco. Subiram em fila indiana pela estreita escada, admirando o belo corpo da mulher do amigo. Ana usava um vestido azul simples, não muito curto, que desenhava perfeitamente suas curvas.
Lá dentro, ofereceu-se para fazer um lanche para os rapazes, que aceitaram de imediato a gentileza.
(Mais de meia hora depois, Rodrigo chega em casa e, ao ver ainda na escada a mensagem de Ana dizendo que seus colegas já o aguardavam lá dentro e que ela havia saído para o bingo, entra todo animado.)
Eduardo estava de pernas cruzadas no sofá da sala, com o controle da TV na mão; Alefe fumava um Marlboro na varanda; Bruno e Diego jogavam dominó na mesa da cozinha.
— E aí, gente, tudo certo? — perguntou Rodrigo, animado.
— Sim, amigão — respondeu Eduardo. — Ana disse para entrarmos e que tinha comida na geladeira, pra gente ficar à vontade.
“Ana é um anjo mesmo”, pensou Rodrigo.
Mas mal sabia ele que o vídeo deles comendo sua esposa querida e católica de família — com Eduardo penetrando-a por trás, Alefe por baixo à frente, Diego assistindo tudo com o pau na boca dela e Bruno se masturbando em pé ao lado de todo esse frevo enquanto o jogo passava — estava gravado no notebook dele, pois a filha mais nova havia deixado a câmera do dispositivo ligada, carregando na tomada da sala.
A menina ainda não tinha celular e gravava dancinhas para o TikTok no computador do pai.
Ana dominou o jogo com autoridade, mostrando cada movimento com precisão e intensidade. Seus toques firmes e cadenciados eram como dribles irresistíveis, e cada gol que entrava provocava arrepios e gemidos de prazer. A vitória por 4 a 0 dos rapazes não era apenas no campo imaginário; cada movimento de seu corpo evidenciava carência e desejo, deixando claro que sua vontade e determinação eram irresistíveis. Entre suspiros e olhares ardentes, Ana se tornou um verdadeiro símbolo de prazer para eles, provando que, na paixão ou no jogo, a dedicação sempre recompensa.
