Os Irmão Matias Parte III


A noite foi curta e povoada por sonhos febris. Cada vez que eu me virava na cama, o atrito do lençol contra a pele das minhas coxas e a ardência lá no fundo me lembravam da marca de Daniel. Eu ainda conseguia sentir o cheiro dele — aquele aroma de suor, terra e o perfume cítrico que ele "roubara" do quarto do André.

Às cinco da manhã, o som do berrante de madeira que meu pai usava para acordar a casa ecoou pelo corredor. Era um som seco, autoritário.

— De pé, bando de preguiçosos! O sol não espera a carga ser montada! — a voz do velho Jorge ribombava, acompanhada por batidas pesadas nas portas de madeira.

Levantei sentindo meu corpo pesar uma tonelada. Meus músculos protestaram, e a fisgada na base da coluna me fez morder o lábio para não gemer. No corredor, encontrei Daniel saindo do quarto dele. Ele estava apenas de calça jeans, abotoando os punhos de uma camisa de brim. Ele me olhou de cima a baixo, um sorriso de soslaio brincando nos lábios.

— Dormiu bem, caçula? Ou passou a noite pensando no que o André te prometeu? — ele sussurrou ao passar por mim, esbarrando o ombro no meu de propósito, me fazendo desequilibrar.

Na cozinha, o café era forte e o cheiro de pão de queijo recém-assado tentava mascarar a tensão. André já estava lá, sentado à cabeceira oposta à do meu pai. Ele estava estranhamente silencioso, mas seus olhos castanhos me seguiram desde o momento em que pisei no ladrilho hidráulico até me sentar. Ele não disse uma palavra, mas bateu levemente com os dedos no tampo da mesa, um ritmo impaciente que eu sabia que era para mim.

— Marcus, você vai com o André para o Setor Sul. Daniel, você fica comigo no galpão para conferir a pesagem final — ordenou meu pai, entre um gole de café e uma mordida no queijo. — E nada de corpo mole. Quero aquele lote limpo até o meio-dia.

Senti o estômago dar um nó. O Setor Sul era o mais isolado da fazenda, cercado por uma mata fechada que abafava qualquer som.
O sol ainda estava pálido quando a picape de André parou na entrada das fileiras de bananeiras. O orvalho brilhava nas folhas gigantescas, e o mormaço da manhã já começava a subir. André desligou o motor, mas não desceu. Ele ficou ali, as mãos grandes apertando o volante, olhando para o horizonte.

— O Daniel disse que você foi "resistente" ontem — André começou, a voz carregada de algo que não era elogio, mas uma posse territorial. — Ele sempre foi o bruto da família. Gosta de quebrar as coisas. Eu não, Marcus... eu gosto de gastar o que é meu.

Ele se virou para mim. O olhar de André era diferente do de Daniel. Enquanto Daniel era o fogo que queimava rápido e violento, André era a brasa que consumia devagar.

— Desce. Vamos trabalhar — ele ordenou.

Passamos duas horas cortando os cachos pesados. Eu carregava o facão, mas minhas mãos tremiam. André trabalhava com uma eficiência assustadora, o suor encharcando sua regata branca, revelando a musculatura definida de quem passava a vida dominando aquela terra. Por volta das dez, ele parou debaixo da sombra de uma mangueira centenária que ficava no limite do bananal.

— Vem aqui, Marcus. Bebe água.
Aproximei-me cautelosamente. Quando estendi a mão para pegar o cantil, André o jogou no chão e segurou meu pulso com a força de um torno.

— Você acha que eu esqueci o que li naquelas mensagens? Você se oferecendo para ele na minha cama? — Ele me puxou para perto, colando meu peito ao dele. — Eu passei o trajeto todo da cidade imaginando o quanto você deve estar "largo" depois do que o Daniel te fez.

— André, o pai pode chegar a qualquer momento... — tentei argumentar, mas minha voz falhou.
— O pai está a dois quilômetros daqui, ocupado com a balança. E o Daniel está cuidando para que ele não saia de lá tão cedo. Eles têm um acordo, filhotinho. E agora, o acordo é comigo.
Ele me empurrou contra o tronco rugoso da mangueira. O contraste da casca áspera da árvore contra minhas costas e as mãos quentes de André apertando meu pescoço era inebriante. Ele não esperou. Rasgou os botões da minha camisa de trabalho com uma urgência que fez meu coração disparar.

André não teve pressa. Ele se ajoelhou na minha frente, os olhos fixos na marca roxa que Daniel tinha deixado na minha coxa, como se aquele rastro do irmão fosse uma ofensa pessoal. Com um movimento bruto, ele abriu a própria calça e liberou o membro latejante, mas não para me possuir de imediato. Ele queria algo mais profundo. Segurou o pau com força e, num rosnado baixo, soltou o jato quente e forte de mijo diretamente sobre a minha pele. O impacto do líquido escaldante contra a minha perna me fez dar um solavanco, mas a mão dele me grampeou no lugar, me obrigando a sentir cada gota daquela invasão térmica.

O mijo escorria grosso, lavando o suor e a marca do Daniel, substituindo tudo pelo rastro orgânico e ácido do André. Eu fechei os olhos, a respiração curta, sentindo o calor descer pelas minhas coxas, empapando os meus joelhos e escorrendo até a terra batida, que logo começou a exalar aquele cheiro forte de amônia e testosterona sob o sol do meio-dia. Era um batismo de humilhação que me fazia vibrar por dentro; ele estava me transformando em parte do território dele, me afogando no seu descarte para garantir que nenhum centímetro de mim permanecesse limpo da sua presença.

— Sente o peso do meu rastro em você, Marcus? Sente o calor do seu dono? — ele sibilou, movendo o jato com precisão para que o líquido me cobrisse por inteiro, descendo pelas virilhas e se perdendo entre as minhas nádegas. — O Daniel pode até te usar, mas sou eu quem te batiza. Eu quero que esse cheiro grude no seu osso, que você sinta a minha urina secando na sua pele e saiba que, a partir de agora, você exala André por cada poro. Você é o meu bicho marcado, e eu vou me certificar de que o cheiro do meu mijo afaste qualquer outra porra de macho que tentar te cercar hoje.
Quando o jato finalmente cessou, eu estava ensopado, ofegante, sentindo a brisa úmida do bananal bater na pele molhada e causar um arrepio violento. André passou a mão bruta pelas minhas pernas, espalhando ainda mais a própria urina, certificando-se de que não havia um espaço sequer que não estivesse sob o seu domínio. O cheiro era inebriante, uma mistura de mato, macho e posse que me deixava em transe. Ele me puxou pelos quadris, me fazendo deslizar na lama quente que ele mesmo tinha criado aos meus pés, e sussurrou contra o meu pescoço, com a voz carregada de uma promessa cruel: "Agora que eu te lavei com o que é meu, eu vou te preencher até você transbordar."

— O Daniel te usou para descarregar a raiva. Eu vou te usar para preencher o vazio que você deixou quando eu viajei — ele rosnou no meu ouvido, mordendo o lóbulo da minha orelha com força suficiente para me fazer arfar.

André se ajoelhou na minha frente. Ele não foi gentil. Ele abriu meu cinto e baixou minha calça, expondo minha nudez ao ar úmido da floresta. Ele olhou para a marca roxa que Daniel deixara na minha coxa e passou o polegar por cima, pressionando com força.

— Ele marcou o que é meu. Vou ter que apagar isso.
Diferente da noite anterior, André não tinha pressa. Ele começou a me usar de formas que me faziam sentir cada nervo do meu corpo gritar. Ali, no meio do nada, com o som das cigarras aumentando o clima de urgência, eu percebi que se Daniel era o mestre que me punia, André era o dono que me consumia.

O silêncio do bananal era enganoso; para mim, o mundo se resumia ao som da respiração pesada de André no meu cangote e ao estalo rítmico da pele dele colidindo contra a minha. Ele não tinha a urgência descontrolada de Daniel; André era metódico. Ele segurava meu quadril com a força de quem maneja ferramentas pesadas o dia todo, os dedos cravando na minha carne como se quisessem deixar impressas as digitais nos meus ossos.
Cada estocada era calculada para atingir o limite. Ele entrava devagar, sentindo a resistência do meu corpo, e depois empurrava com um peso bruto, obrigando-me a me curvar contra a árvore. O óleo mineral tornava tudo mais fluido, mas não menos intenso. Eu sentia o calor dele me invadindo, uma pressão que parecia preencher cada fresta da minha alma, enquanto ele sussurrava promessas de posse.
— O Daniel gosta de barulho, Marcus... — André arfou, o peito suado colado nas minhas costas nuas. — Mas eu gosto de sentir o momento exato em que você se quebra. Eu quero sentir você pulsando em volta de mim até não aguentar mais.

Ele mudou o ângulo, puxando meu corpo para cima até que eu ficasse na ponta dos pés, vulnerável. O movimento era profundo, uma "britadeira" silenciosa que me fazia ver pontos de luz na escuridão das pálpebras cerradas. Eu mordia o lábio para não gritar, mas os gemidos escapavam, agudos e desesperados, perdendo-se entre as folhas largas das bananeiras. André se deliciava com o meu colapso, dando tapas estalados nas minhas nádegas que ecoavam pelo terreno baldio, deixando marcas vermelhas que competiam com os roxos de Daniel.

A fricção era ensurdecedora nos meus ouvidos. O cheiro de homem, de mato e de lubrificante improvisado criava uma atmosfera inebriante. André começou a acelerar, os músculos das costas dele saltando a cada impulso. Ele me usava como se eu fosse sua única posse no mundo, uma mistura de adoração e crueldade. Eu sentia o nó se formar na minha garganta, o prazer atingindo um nível insuportável, mas ele me segurava no limite, negando-me a liberação, querendo que eu ficasse naquele limbo de agonia e êxtase por tanto tempo quanto ele desejasse.

Quando André sentiu que eu estava prestes a desfalecer, ele me puxou com um solavanco, me arrancando do tronco da mangueira e me jogando de joelhos na terra batida, entre as raízes expostas da árvore. O choque da terra fria contra meus joelhos me despertou, mas ele não me deu tempo de respirar.
— Olha para mim, Marcus. Abre bem esses olhos — ele ordenou, a voz rouca, transbordando uma autoridade que me fazia obedecer sem questionar.

Ele se posicionou na minha frente, a pica pulsando, latejante e vermelha, uma prova viva do esforço que ele vinha fazendo para me dominar. Ele segurou meu queixo com uma mão, forçando minha cabeça para trás, enquanto a outra mão guiava o membro até encostar no meu lábio inferior. O calor que emanava dele era quase palpável.

— O Daniel deixou o que é dele lá dentro... — André disse, um sorriso sombrio surgindo enquanto ele via minha submissão. — Mas eu quero que o mundo veja quem é o seu dono. Eu quero que você sinta o meu gosto toda vez que respirar hoje.
Ele começou a se masturbar com movimentos rápidos e vigorosos, os olhos fixos nos meus, devorando minha reação. Eu estava em transe, hipnotizado pela visão daquele monstro que acabara de me habitar. A tensão no corpo dele chegou ao ápice; as veias do pescoço saltaram e ele soltou um rugido baixo, gutural, que pareceu vibrar no chão abaixo de nós.
O primeiro jato veio com uma força absurda, atingindo minha bochecha e escorrendo para o canto da minha boca. Foi seguido por outros, jatos quentes e espessos que cobriram minha testa, minhas pálpebras e se perderam nos meus cabelos. O cheiro forte de André me inundou, um perfume de virilidade bruta que selava meu rosto como uma máscara de posse. Ele não parou até que a última gota caísse sobre meu lábio, e eu, por instinto e desejo, passei a língua, aceitando o batismo dele.

André respirava fundo, o peito subindo e descendo, olhando para o trabalho que tinha feito. Ele passou o polegar pela minha bochecha, espalhando o sêmen ainda quente pela minha pele.
— Agora você está com a minha cara, filhotinho — ele sussurrou, a voz voltando ao tom calmo, quase carinhoso, mas ainda perigoso. — Limpe-se o mínimo possível. Quero que o cheiro te acompanhe até o jantar.

Ele se afastou, começando a se vestir como se nada tivesse acontecido, enquanto eu permanecia ali, de joelhos na terra, marcado e transbordando o sêmen dos meus próprios irmãos, sentindo que, a partir daquele momento, Marcus Matias não pertencia mais a si mesmo.
Voltamos para a sede em silêncio. Eu estava em estado de choque, meu corpo funcionando no automático. André dirigia com uma mão no volante e a outra apertando minha nuca, como se temesse que eu fosse fugir.
Voltamos para casa em um silêncio que cheirava a suor, terra e ao rastro que o André deixou em mim. Eu estava em estado de choque, o corpo funcionando no automático, mas sentindo o sêmen dele secar e repuxar na pele do meu rosto como uma máscara de vidro. André dirigia com uma mão no volante e a outra apertando minha nuca com uma força desnecessária, me forçando a olhar para o painel, como se eu não tivesse o direito de encarar o horizonte.
Ao chegarmos, Daniel estava sentado na varanda, limpando um facão com uma pedra de amolar. O som do metal raspando era um aviso. Ele levantou os olhos assim que a porta da picape bateu. Quando ele me viu descer — o cabelo empastado, a camisa rasgada e os rastros brancos e secos que André fizera questão de espalhar pela minha cara e pescoço — o sorriso de deboche dele sumiu, dando lugar a uma expressão de puro ódio.

— Que porra é essa, André? — Daniel cuspiu no chão, levantando-se de um salto e descendo os degraus da varanda. — Eu te mandei levar o moleque pra trabalhar, não pra esculachar com o que eu já tinha arrumado ontem!
André desceu do carro com uma calma que só servia para irritar mais o irmão. Ele caminhou até a frente de Daniel, me deixando ali no meio, como um pedaço de terra disputado por dois fazendeiros gananciosos.
— O trabalho foi feito, caralho. Mas eu aproveitei pra tirar aquele cheiro de bosta que você deixou nele — André rosnou, chegando tão perto de Daniel que seus peitos se chocaram. — O Marcus tava com o seu rastro, e eu não admito que nada que pise no meu setor cheire a você. Eu lavei a cara dele com o meu leite pra ele aprender quem é que manda de verdade. E não foi só isso... se você chegar perto, vai sentir o cheiro do meu mijo nas coxas dele. Eu marquei o território, Daniel. Ele tá batizado com o que é meu.
Daniel soltou uma risada seca, mas os olhos brilhavam com uma vontade assassina. Ele deu um passo à frente, me puxando pelo braço com tanta violência que eu quase caí. Ele grudou o nariz no meu pescoço, fungando fundo, e depois me olhou com um desprezo que me fez encolher.

— Você se acha o tal porque mijou nele e gozou na cara dele, seu merda? — Daniel sibilou para André, ignorando minha presença como se eu fosse um móvel. — Isso não é nada. Você é metódico, André, é um fresco. Você quer "posse", mas eu quero quebra-lo. Eu deixei ele largado ontem, e você só tentou tampar o buraco. Mas olha pra ele... ele continua sendo a minha cadelinha. Ele tá tremendo porque sabe que, quando eu pegar ele de novo, eu vou tirar cada gota desse seu sêmen ralo de dentro dele no grito.
— Tenta a sorte, seu bosta — André retrucou, a mão descendo para o cabo do facão na cintura. — O Marcus não é mais um brinquedo que a gente divide. Ele é o teste pra ver quem é o macho alfa dessa porra de casa. Se você encostar nele sem a minha licença, eu vou te mostrar por que o pai sempre disse que eu era o mais perigoso.
A tensão era insuportável. Eles se encaravam como dois lobos prontos para se estraçalharem por causa de uma presa. Havia algo de doentio naquela competição; não era só sexo, era uma necessidade de anular a existência do outro através de mim. O mistério não era um papel ou um dinheiro, era o que havia de podre no sangue deles que os obrigava a serem tão brutais.

— Aproveita o seu "batismo", André — Daniel disse, a voz agora num tom baixo e venenoso. — À noite, depois que o velho apagar, eu vou lavar o Marcus do meu jeito. E eu garanto que ele vai implorar pra você nunca mais chegar perto. Eu vou encher ele tanto que ele vai transbordar Daniel por todos os poros.

Meu pai saiu do galpão naquele momento, interrompendo a briga física que estava por um fio.
— Ótimo, terminaram a tempo — o velho gritou, sem dar a mínima para o meu estado deplorável. — Marcus, vai pro banho. Você tá fedendo a bicho e tá todo sujo. À noite temos o pessoal da cooperativa aqui e eu quero você com cara de gente, não de animal.
Passei pelos meus irmãos sentindo o peso dos olhares deles. Eu era o campo de batalha. O cheiro de André ainda estava em mim, mas a promessa de Daniel ecoava como uma sentença de morte. Eu sabia que, assim que as luzes se apagassem, a verdadeira guerra começaria, e eu seria o único a sangrar.

Meu celular vibrou no bolso da calça caída. Uma nova mensagem. Mas não era de Daniel nem de André. Era um número desconhecido, mas a foto de perfil me fez gelar o sangue. Era o Jorge, o capataz de confiança do meu pai, que morava na casa vizinha.

Mensagem Jorge (Capataz): "Eu vi o que aconteceu debaixo da mangueira, Marcus... Seus irmãos não sabem brincar de dividir. Mas não se preocupe, eu não vou contar pro seu pai. Desde que você guarde um pouco de espaço para mim amanhã. A matilha é maior do que você pensa."

______________________

"O suor seca, mas o cheiro da posse fica. Agora que a matilha cresceu e o segredo do velho Jorge paira sobre a fazenda, quem vocês acham que vai dar o próximo bote? O André já marcou o território, mas o Daniel prometeu lavar a alma do caçula no grito. Façam suas apostas... quem é que realmente manda nessa porra?"

CONTINUA...


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Ficha do conto

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Nome do conto:
Os Irmão Matias Parte III

Codigo do conto:
258358

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
31/03/2026

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