Os Irmão Matias Parte IV

Continuação...


O domingo havia sido uma operação de guerra silenciosa. Eu, o caçula, consegui o que parecia impossível: manipulei as tarefas da fazenda para que Daniel e André nunca estivessem no mesmo quadrante. Daniel passou o dia na vacinação do gado no retiro, e André foi despachado para conferir as cercas do laranjal (o mais recente experimento e ficção de meu pai atribuído as indicações de minha mãe). Quanto a Jorge, o capataz, deixei-o no vácuo absoluto. Cada vez que meu celular vibrava com uma nova investida dele, eu sentia um frio na espinha, mas mantive a fachada de indiferença.

Aos 35 anos, Jorge era uma presença que não se podia ignorar. Diferente da nossa linhagem de olhos claros, ele era a personificação da terra bruta. Tinha a pele profundamente bronzeada pelo sol do campo, uma barba negra e cerrada que desenhava um maxilar forte, e cabelos escuros sempre levemente desalinhados sob o chapéu de feltro. Ele não era um gigante como Daniel, mas era sólido; seus ombros eram largos, e os braços, marcados por veias saltadas, denotavam uma força rústica. Quando ele me olhava, não era como um funcionário olha para o filho do patrão; seus olhos eram escuros e predatórios, carregados de uma malícia que dizia que ele sabia exatamente o gosto do meu medo — e do meu suor.

A semana começou, e com ela a volta da minha mãe, Helena. Sua chegada trouxe de volta a ordem moral da casa. Durante as refeições, o clima era de uma normalidade irritante. Daniel e André conversavam sobre a safra e o gado como se nada tivesse acontecido. Me tratavam com a fraternidade de sempre, mas o silêncio deles era, na verdade, uma tortura planejada.

Na terça-feira, eu estava na faculdade de Engenharia Civil. Eram quase nove da noite, e eu tentava me concentrar em uma aula de Estruturas de Concreto, mas o calor na sala de aula parecia abafado demais. Foi quando meu celular, sobre a mesa, vibrou.
Era uma mensagem de Daniel.

Abri sob o abrigo da bancada e meu ar faltou.
Era um nude.

Daniel não estava apenas posando; ele estava se oferecendo. A mão dele, grande e calejada, envolvia a base daquela monstruosidade de 24cm, os dedos mal conseguindo dar a volta completa na espessura bruta. Dava para ver as veias saltadas, pulsando como se tivessem vida própria, percorrendo toda a extensão do membro que brilhava levemente sob a luz, denunciando que ele já estava brincando consigo mesmo antes de bater a foto.

?O topo, aquela cabeça larga e de um roxo profundo, exibia uma gota solitária e transparente de pré-gozo, capturada pela câmera bem no momento em que deslizava pela fenda. Era um convite mudo, mas ensurdecedor. O ângulo da foto, tirada de cima, dava a dimensão exata do que me esperava: algo pesado, rígido como as vigas que acabei de estudar, e faminto.
?Abaixo, as palavras "Pensando em você" agiram como um gatilho. Imaginei a voz rouca dele sussurrando isso no meu ouvido enquanto me prensava contra a parede, a mesma mão da foto puxando meu cabelo para trás enquanto ele me mostrava, ao vivo, o quanto eu o deixava naquele estado animal.

Senti meu sangue descer todo de uma vez. O tesão foi tão súbito e violento que precisei me ajeitar na cadeira, sentindo o jeans da calça apertar insuportavelmente. Eu queria estar lá. Queria que ele estivesse me esperando no quarto. Mas, depois daquela mensagem, não houve mais nada. Daniel não ligou, não mandou outra foto, não deu sinais de que faria algo a respeito quando eu chegasse.

Quando as aulas acabaram e eu dirigi de volta para a fazenda, meu corpo era uma pilha de nervos. Entrei em casa por volta das onze e meia da noite. O silêncio era absoluto. Helena, minha mãe, já dormia, e as luzes do corredor estavam apagadas.

Caminhei em direção ao meu quarto, o coração batendo na garganta. Ao passar pela porta de Daniel, parei por um segundo. Ouvi o som da respiração pesada dele lá dentro, mas a porta permaneceu fechada. Ninguém me cercou no corredor. Ninguém me puxou para as sombras.

Entrei no meu quarto e me joguei na cama, ainda sentindo o latejar da excitação que a foto de Daniel havia provocado. Eu tinha passado os últimos dias com medo de ser usado, mas agora que eles me ignoravam, a frustração era pior que o medo. Eu me revirava nos lençóis, a mente inundada pelas imagens do que eles tinham feito comigo. O desejo era uma fome física, um vazio que eu mesmo tentava preencher com as mãos, imaginando o toque bruto de Daniel ou a provocação de André.

Eu estava sonhando acordado com a "matilha" quando ouvi um barulho vindo de fora, perto da janela. Levantei-me devagar e afastei um pouco a cortina. Lá embaixo, perto da luz do poste do pátio, Jorge estava parado, terminando de enrolar um cigarro de palha. Ele olhou diretamente para a minha janela, como se soubesse que eu estava ali, consumido pelo desejo e pela insônia. Ele deu uma tragada lenta, a brasa iluminando por um instante seu rosto másculo e o sorriso de quem tem toda a paciência do mundo para esperar a presa se entregar por vontade própria.

O calor que subia pelas minhas pernas era sufocante, uma pressão que parecia querer explodir sob a pele. Olhei para Jorge lá embaixo e, por um segundo, o medo de ser pego pela minha mãe, Helena, ou pelos meus irmãos foi esmagado por uma vontade irracional de ser dominado por aquele homem bruto.

Peguei o celular com os dedos trêmulos. "O galpão de ferramentas está aberto?", enviei.
Ele nem olhou para o aparelho. Apenas deu uma última tragada, jogou a bituca no chão, esmagou-a com a bota e caminhou lentamente em direção às sombras do galpão lateral.

Aquele era o sinal. Saí do quarto na ponta dos pés, o coração martelando contra as costelas como um animal enjaulado. Atravessei o corredor, passei pela porta da cozinha e senti o ar gelado da noite bater no meu rosto, mas meu corpo estava em brasa.

Quando entrei no galpão, o cheiro de óleo diesel, feno e couro me atingiu. Jorge estava lá, encostado em uma bancada de madeira maciça. A luz fraca de uma lâmpada pendurada criava sombras profundas em seu rosto de 35 anos. Ele era a imagem da virilidade rústica: a pele bronzeada, a barba cerrada e preta, e aqueles braços grossos, marcados por veias que pareciam cordas sob a pele.

— Sabia que você não ia aguentar, Marcus — a voz dele era um rosnado baixo, vibrando no meu peito. — O principezinho da fazenda tá com o rabo pegando fogo, né?

Antes que eu pudesse responder, ele me segurou pelo pescoço com uma mão só, não para machucar, mas para mostrar quem mandava ali. Ele me girou e me prensou contra uma viga de sustentação. Meus pés mal tocavam o chão enquanto ele me arrastava da viga para a bancada de madeira com um puxão ríspido, o som das suas botas pesadas ecoando no galpão como uma sentença. Ele me dobrou sobre a superfície áspera, fazendo meu peito bater contra a madeira fria e cheia de graxa.Você quer ser tratado como o orgulho do papai ou como o meu brinquedo? — ele rosnou, o hálito de fumo e café quente contra a minha nuca. Sem esperar resposta, Jorge desceu uma das mãos calejadas e arrancou minha calça com uma pressa violenta, expondo minha pele ao ar úmido da noite. Senti a pressão de seus dedos enterrados nos meus quadris, me marcando antes mesmo do primeiro golpe. Ele não usou de delicadeza; posicionou-se com a autoridade de quem domina o gado mais bravo e, com um impulso seco e bruto, me jogou contra a bancada de madeira bruta com uma violência que fez meus pulmões arderem. Antes que eu pudesse me recuperar, ele me virou de costas, agarrando meus quadris com mãos que pareciam tenazes de ferro, deixando marcas roxas imediatas na minha pele clara.

— Olha para essa bunda... — ele rosnou, a voz como um trovão rouco no meu ouvido. — Você acha que seus irmãos te conhecem? Eles te tratam como porcelana, Marcus. Mas eu sei o que você é. Você é um buraco faminto esperando por um homem de verdade.

Sem qualquer aviso, ele se abaixou. Jorge não apenas me beijou; ele me atacou.Ele mergulhou o rosto entre as minhas nádegas. A língua dele, áspera como lixa e quente como brasa, invadiu o meu cu com uma força que me fez soltar um grito abafado contra a madeira. Eu ouvia o som sujo da sucção, o barulho da saliva dele se misturando ao meu suor, enquanto ele devorava a minha entrada como se estivesse tentando me revirar do avesso. Era uma "chupada" violenta, possessiva, como se ele estivesse tentando devorar minhas entranhas. Eu sentia cada músculo do meu corpo contrair em espasmos de puro tesão e choque.

— Gosta disso, né, sua putinha de luxo? — ele disse, dando um tapa estalado na minha nádega esquerda que deixou a forma da sua mão gravada em vermelho vivo. — Gosta de sentir a língua de um peão onde seus irmãos só ousam olhar. Eu vou te limpar por dentro antes de te rasgar.

Ele me puxou pelos cabelos, forçando minha cabeça para trás para que eu olhasse nos olhos dele, carregados de uma luxúria sombria. O sexo com ele era uma aventura perigosa. Jorge queria me provar, queria testar até onde minha resistência ia antes de eu quebrar.
Quando ele se posicionou, não houve preliminar ou delicadeza. Jorge se impulsionou para dentro de mim com uma estocada seca e brutal, me atravessando de uma vez só. O impacto fez a bancada de madeira ranger e se deslocar alguns centímetros no chão de terra batida.

— Sente o tamanho do prejuízo, Marcus! — ele berrava, alternando as estocadas com tapas violentos na minha bunda, que já estava em carne viva. — Geme para mim! Quero ouvir você confessar que nenhum daqueles moleques te fode como eu. Eu sou o bicho que vai te marcar para sempre.

Ele me usava com uma força primitiva, cada golpe era como uma martelada que reverberava na minha coluna. Jorge queria me desestruturar, provar que meu corpo, embora moldado na academia e na faculdade, pertencia àquela brutalidade do campo que ele representava. Ele falava as maiores baixarias, descrevendo o que faria comigo, como me deixaria aberto e inutilizável para qualquer outro homem, enquanto suas mãos apertavam meu pescoço, tirando meu fôlego e me levando ao limite entre o desmaio e o orgasmo mais violento da minha vida. Eu não era mais o Marcus engenheiro; eu era apenas carne, suor e gemidos, totalmente subjugado pela vontade animal de Jorge.

O ranger da bancada de madeira era o único som que competia com a respiração pesada de Jorge, que soprava contra a minha nuca como um animal prestes a abater a presa. Ele não tinha pressa, mas cada movimento seu era carregado de uma força bruta que me lembrava, a cada segundo, que eu estava lidando com um homem moldado pela lida mais pesada da fazenda.

— Olha só para você, Marcus... — Jorge rosnou, apertando meu pescoço com uma das mãos enquanto a outra descia pesada pela minha coluna, cravando as unhas na minha pele. — Tremendo que nem uma vara verde. O caçula dos Matias, o engenheiro, o orgulhinho do papai... reduzido a isso aqui no chão de terra.

Eu tentei responder, mas o que saiu foi apenas um gemido entrecortado quando ele desferiu um tapa violento na minha coxa, deixando o local latejando.

— Abre mais essas pernas! — ele ordenou, a voz saindo como um comando inquestionável. — Eu quero ver o quanto você aguenta. Quero ver se esse seu corpinho de academia aguenta a pressão de um homem de verdade, não desses moleques que você chama de irmãos. Aqueles dois não sabem de nada. Eles te tocam com medo de te quebrar. Eu não. Eu quero te quebrar.

Ele me puxou para cima com um solavanco, forçando meu tronco a se erguer enquanto ele permanecia enterrado em mim. A dor era aguda, mas o prazer que vinha com aquela agressividade era algo que me cegava. Jorge então inclinou a cabeça e, sem qualquer aviso, cravou os dentes no meu ombro. Não foi uma mordida de desejo; foi uma mordida de posse, animal e profunda.

Senti a pele se romper sob a pressão da sua mandíbula. Um grito agudo escapou da minha garganta, ecoando pelas telhas de zinco do galpão. O calor do sangue escorrendo pelo meu peito e braço foi imediato, um filete quente e metálico que se misturava ao suor que nos cobria.

— Pronto — ele sussurrou contra o meu ouvido, a língua lambendo o rastro de sangue que ele mesmo havia provocado. — Agora você tem a minha marca. O sangue dos Matias está nas minhas mãos, Marcus. E você está adorando cada segundo dessa carnificina, não está?

— Jorge... por favor... — eu arfava, minha testa encostada na madeira áspera, sentindo o latejar no ombro se fundir com as estocadas brutais que ele retomava.

— "Por favor" o quê? — ele riu, uma risada seca e sem humor, enquanto aumentava o ritmo, me jogando contra a bancada com uma violência que fazia meus ossos reclamarem. — Quer que eu pare? Ou quer que eu te use até você não conseguir mais andar? Fala! Diz o que você é para mim agora!

— Eu sou... seu... — as palavras morriam na minha garganta, sufocadas pelo prazer violento que ele me impunha.

— Você é meu brinquedo, Marcus. Hoje, os engenheiros e os fazendeiros não existem. Só existe a minha vontade e o seu sangue. Eu vou te provar de todas as formas, vou te revirar do avesso até não sobrar nada daquele garoto arrogante que chegou da cidade.

Ele me virou de frente para ele na bancada, sem se desconectar, forçando-me a olhar para o meu próprio sangue que manchava a sua boca e o seu peito. O contraste do vermelho vivo com a pele suada era a imagem mais pecaminosa e excitante que eu já tinha visto. Jorge segurou meu rosto com as mãos calejadas, os dedos sujos de terra e agora de sangue, e me beijou com uma fúria que quase me fez perder os sentidos, enquanto continuava a me possuir com uma ferocidade que beirava o ódio, transformando aquele galpão no cenário da minha mais doce e violenta ruína.

Jorge limpou o canto da boca com as costas da mão, deixando um rastro do meu sangue na própria pele, e soltou uma risada que me fez estremecer. Ele se afastou por um segundo, o suficiente para eu sentir o vazio gelado onde antes estava o seu calor bruto. Meus olhos, turvos de lágrimas e prazer, viram-no caminhar até um canto escuro do galpão, onde ferramentas pesadas e tralhas de montaria ficavam penduradas.

— Você achou que tinha acabado, Marcus? — ele perguntou, voltando com uma corda de nylon grossa, usada para laçar o gado mais bravo da fazenda. — Eu ainda não terminei de te provar. E agora, eu quero ter certeza de que você não vai a lugar nenhum.

Antes que eu pudesse protestar ou sequer processar a imagem daquela corda, ele me agarrou pelos pulsos com uma força que quase deslocou meus ombros. Jorge me puxou para cima, forçando-me a ficar de joelhos sobre a terra batida, com o peito encostado nas pernas da bancada de madeira.

— Jorge, a corda... está muito apertada — eu arfei, sentindo o nylon áspero morder a pele fina dos meus pulsos.
— Cala a boca e sente o aperto — ele rosnou, passando a corda pelas minhas mãos e dando um nó de marinheiro, daqueles que quanto mais você puxa, mais ele trava. Ele puxou a outra ponta e a prendeu em um gancho de metal chumbado na viga de sustentação do galpão. — Seus irmãos te tratam como um príncipe, mas aqui no meu território, você é bicho. E bicho a gente amarra curto para não desgarrar.

Minha posição era humilhante e excitante ao mesmo tempo. Eu estava com os braços esticados acima da cabeça, preso à viga, totalmente vulnerável. Jorge caminhou lentamente ao meu redor, como um predador avaliando a carcaça. Ele parou atrás de mim e, com uma violência súbita, desferiu um soco na minha costela, não para quebrar, mas para me fazer perder o ar e me dobrar de dor.

— Olha como você fica lindo assim, Marcus... — ele sussurrou, agarrando meu quadril e me puxando contra ele, fazendo a corda esticar ainda mais e tirar meus pés do chão. — Todo manchado, sangrando, amarrado como um presente para o capataz. O que o seu pai diria se visse o filho engenheiro sendo usado como uma vaca no abatedouro?

Ele voltou a enfiar o rosto entre as minhas pernas, mas desta vez não houve lambida. Ele mordeu a parte interna da minha coxa, tirando mais um grito rouco da minha garganta.

— Eu vou te rasgar de um jeito que você vai esquecer o nome do Daniel e do André. Eles são moleques brincando de casinha. Eu sou o que você realmente deseja quando fecha os olhos à noite. Sou o perigo que você procurava.

Jorge então pegou o cinto de couro pesado que usava e o enrolou na mão. O som do couro estalando contra o ar foi como um tiro no silêncio do galpão.

— Agora, Marcus, nós vamos ver o quanto o sangue dos Matias é realmente forte. Eu vou te marcar tanto por fora quanto eu já te marquei por dentro. Cada marca que eu deixar em você vai ser um lembrete de que, não importa para onde você fuja ou com quem você se deite, o seu corpo sempre vai pertencer à corda e ao capataz.

Ele levantou o braço, e eu fechei os olhos, sentindo o suor e o sangue escorrerem pelo meu corpo, enquanto a expectativa do próximo golpe me levava a um nível de tesão que eu nunca imaginei ser possível sobreviver.

O som do cinto cortando o ar foi substituído pelo impacto seco e rítmico da carne contra a carne. Jorge não tinha mais qualquer resquício de hesitação. Ele se posicionou atrás de mim, segurando-me pela cintura com tanta força que senti seus dedos se enterrarem na minha pele já marcada.

— Agora você vai saber o que é ser possuído por um bicho, Marcus — ele rosnou, a voz vibrando de uma forma que me fazia perder os sentidos.

As estocadas vieram com uma violência avassaladora. Cada investida de Jorge era como um golpe de marreta contra a bancada de madeira, que rangia sob o nosso peso. A penetração era profunda, sem misericórdia, ignorando qualquer limite que eu pudesse ter.
Cada estocada agora de Jorge parecia fazer meus órgãos se reorganizarem. Eu sentia cada centímetro dele me invadindo, me rasgando e me preenchendo com uma ferocidade que me fazia arquear as costas, os pulsos presos à viga sendo esticados até o limite da dor.

A cada penetração eu sentia o peso do corpo dele esmagando o meu, o cheiro de tabaco e suor másculo inundando meus sentidos. Eu estava tão excitado pela violência dele que meu próprio pau, esmagado entre meu corpo e a madeira, latejava em um ritmo frenético, cuspindo pré-gozo a cada impacto

— Olha para mim! — ele ordenou, puxando meu rosto para trás pelos cabelos, enquanto continuava o ritmo frenético. — Sente o dono da fazenda te quebrando. Você é meu, entendeu?

Eu não conseguia responder. O prazer era uma agonia elétrica que percorria minha espinha, misturando-se ao sangue que ainda escorria do meu ombro. Jorge começou a me sufocar, pressionando uma das mãos calejadas contra o meu nariz e a minha boca, enquanto a outra apertava meu pescoço. O ar começou a faltar, e o pânico se misturou a um tesão negro e absoluto.

— Geme agora, desgraçado... geme para dentro da minha mão — ele sussurrava, os olhos fixos nos meus, que já começavam a revirar.

As estocadas tornaram-se mais rápidas, curtas e brutais. Eu sentia o mundo escurecer nas bordas da minha visão. Jorge soltou um rugido animal quando atingiu o ápice, descarregando-se com uma força que me fez tremer inteiro. Ele tirou a mão da viga e, com um movimento possessivo, gozou sobre as minhas costas e bunda, cobrindo-me com sua semente quente e espessa.

O sufocamento me levou ao limite. O mundo ficou cinza, e a última coisa que senti foi a explosão de Jorge dentro de mim. Naquele vácuo de oxigênio, meu corpo traiu minha consciência. Sem que ninguém encostasse em mim, meu pau disparou jatos quentes e espessos que mancharam minha barriga e a madeira da bancada. Foi um orgasmo de dor e submissão total.

Quando abri os olhos, o galpão estava mergulhado em um silêncio sepulcral. A luz da lua filtrava-se pelas frestas do telhado, iluminando a poeira que dançava no ar. Minhas mãos ainda estavam presas, mas a corda estava frouxa, como se Jorge tivesse cortado o nó principal antes de partir.

Olhei para baixo, para o meu próprio corpo. Eu estava manchado de suor, sangue e o rastro seco de Jorge. Mas, ao olhar para a minha barriga, vi algo que me fez lembrar do que acontecera no quarto de Daniel. Mesmo sem ter sido tocado, mesmo sem as mãos de Jorge terem chegado perto do meu sexo, a violência do momento e o sufocamento tinham me levado a um orgasmo involuntário. Havia gozado sobre mim mesmo, uma reação visceral de um corpo que tinha sido levado ao extremo da submissão.

Jorge já não estava lá. O capataz desaparecera na escuridão da noite, deixando apenas o cheiro de fumo e de posse impregnado em mim.

Com movimentos lentos e dolorosos, desprendi meus pulsos das vigas, sentindo o latejar das marcas deixadas pelas cordas. Cada músculo do meu corpo protestava, mas o fogo que Jorge acendera em mim ainda não havia se apagado totalmente. Vesti minhas roupas rasgadas, sentindo o atrito do tecido contra a pele em carne viva, e foi nesse momento que senti o calor úmido do sêmen dele escorrendo lentamente por minhas pernas, por dentro da calça, um lembrete viscoso e quente de cada estocada.

Saí do galpão mancando, a mente num turbilhão. Enquanto caminhava em direção à casa principal sob o céu estrelado do interior, levei a mão ao rosto, sentindo o cheiro forte e másculo de Jorge ainda impregnado em meus dedos. Aquele odor me invadia, reativando a luxúria que deveria ter terminado lá dentro.
.
Entrei em casa como um fantasma. O silêncio da matilha ainda pairava, mas agora eu carregava o cheiro do predador que andava do lado de fora.

No banheiro, girei o registro do chuveiro no máximo. A água quente atingiu meu corpo como chicotadas. Esfreguei a pele com força, querendo arrancar o rastro de Jorge, mas a cada movimento, o cheiro dele parecia emanar dos meus poros, misturando-se ao vapor do banheiro. Passei o sabonete pelas pernas, vendo a mistura esbranquiçada descer pelo ralo, levando embora a prova física, mas deixando a memória queimando na pele.

Quando a água bateu no meu ombro esquerdo, um grito mudo travou na minha garganta. A mordida de Jorge estava ali, viva e latejante. Um semicírculo perfeito de dentes cravados na minha carne, a pele rompida e arroxeada ao redor. Limpei o sangue coagulado com cuidado obsessivo, sentindo o ardor dilacerante que, de forma perversa, parecia um eco do prazer violento que ele me impusera. Eu não estava apenas limpando um ferimento; estava batizando a prova da minha posse. Aquela cicatriz seria minha tatuagem secreta, o lembrete eterno de que, no galpão, eu não era um Matias, eu era dele.

Desabei na cama, os lençóis limpos parecendo estranhos contra minha pele que ainda queimava. A exaustão era um peso de chumbo, mas minha mente era uma tela repetindo em loop a imagem de Jorge me quebrando na bancada, o som do cinto estalando, o gosto do meu próprio sangue na boca dele.

Encolhi-me sob o cobertor, sentindo o latejar rítmico no ombro. Eu tinha passado dias desejando o toque de Daniel e André, mas a brutalidade de Jorge tinha anulado tudo. O medo de ser pego pela minha mãe, Helena, agora parecia insignificante diante da certeza de que eu pertencia àquela violência rústica. Eu não dormi; eu apaguei, rendendo-me a um sono pesado e povoado por sombras de cordas e cheiro de fumo.

O sol mal havia começado a riscar o horizonte quando uma batida violenta na porta de madeira destroçou meu refúgio.

— Marcus! Acorda, porra! — A voz de André era alta, carregada daquela disposição irritante que eu costumava invejar. — O velho Matias já tá de pé e o café tá na mesa. Se a gente atrasar a lida do bananal hoje por tua causa, eu mesmo te arrasto pelos pés. Bora, as bananas não vão do cacho para as caixas sozinhas

Sentei-me na cama de sobressalto. O corpo estava rígido, cada articulação clamando por repouso. O movimento brusco fez meu ombro gritar. Levei a mão ao local, sentindo a gaze que eu havia improvisado colada ao ferimento da mordida.

A realidade caiu sobre mim com o peso de uma tora. A guerra silenciosa com meus irmãos continuava, a ordem moral de Helena permanecia intacta, e eu teria que me levantar, vestir a máscara de "engenheiro" e o "orgulho do papai", e ir para a roça trabalhar.

Pior que tudo: eu teria que encarar Jorge. Teria que olhar para aquele homem brutalo de 35 anos, sob a luz implacável do sol, fingindo que ele era apenas o capataz, enquanto meu corpo inteiro latejava, marcado e humilhado, gritando a verdade que só nós dois sabíamos.

Continua...


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Ficha do conto

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Nome do conto:
Os Irmão Matias Parte IV

Codigo do conto:
258731

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
05/04/2026

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