Naquela noite, o vento sussurrava promessas,
e a lua, curiosa, assistia ao nosso silêncio ardente.
Era como uma lente encantada,
registrando segredos de um amor sem pressa.
Tuas mãos me procuravam
como quem decifra um mistério.
Meu corpo, entregue, se tornava morada do teu toque,
abrigo dos teus beijos.
O tempo esqueceu de existir.
Somente nós e a lua, inteira,
derramando luz sobre a pele em brasas.
Teu olhar me vestia de ternura,
meu suspiro pedia mais.
E entre o brilho do céu e o sal da areia,
éramos um só corpo, uma só respiração.
Quando o amanhecer veio,
os pássaros nos viram em silêncio,
duas almas ainda presas
ao calor da noite que não queria acabar.
Hoje, cada lembrança daquela lua
retorna como fumaça e perfume,
me envolve, me invade,
e me faz reviver, em pensamento,
o amor selvagem daquela madrugada.