O cheiro de sexo ainda impregnava minhas narinas, uma mistura de meu perfume barato com o suor forte e masculino dele, enquanto eu deitava ali no colchão do subsolo, sentindo o esperma dele escorrendo lentamente do meu cuzinho ainda contraído. Foi o início de uma avalanche. Nas semanas que se seguiram, aquele encontro na academia desativada se repetiu, sempre com a mesma voracidade, mas com acréscimos que faziam meu coração disparar. Carlão não aparecia de mãos vazias. Ele trazia presentes que gritavam "puta" mais alto do que qualquer palavra. Saltos agulha de plataforma vermelha ou transparentes, lingerie de renda transparente que mal cobria meus mamilos, colares de couro. Eu usava tudo para ele, me transformando naquela mulher insaciável que ele tanto gostava de possuir. A vida seguiu seu curso duplo até a oportunidade perfeita bater à minha porta. Meu marido precisou viajar a trabalho para o interior de São Paulo e, por causa da logística da viagem, passaria o final de semana inteiro por lá. Eu, por minha vez, só teria que trabalhar na quarta-feira seguinte. A casa ficou vazia na quinta-feira à noite, e eu senti a liberdade formigar sob minha pele como mil formigas elétricas. Não perdi tempo. Pela manhã, dirigi até uma loja no centro que eu conhecia, mas onde nunca tinha tido coragem de entrar. O ar condicionado forte gelou minha pele nua sob o vestido de alcinha soltinho. Passei os dedos pelos tecidos, escolhendo com critério rigoroso. Primeiro, um biquíni fio dental preto, tão fino que parecia apenas um fio costurado ao redor da cintura e passando entre minhas nádegas. Depois, o achado mais ousado: uma calcinha de algodão branco, com letras garrafais e vermelhas estampadas na frente: "PUTA" e "VADIA DE NEGRO". Ao tocar o tecido áspero da estampa, senti um calor subir pelo pescoço, antecipando a reação dele. Voltei para casa e arrumei a mala com mãos trêmulas de excitação. Coloquei os saltos que ele me tinha dado, todos arrumados em pares, e as peças de lingerie mais provocantes que possuía — sutiãs de renda abertos na frente, cintas-ligas, bodies de látex. Juntei vestidos curtos, decotados, tecidos justos que colariam no meu corpo. Fechei a mala com um baque seco, como se estivesse fechando um pacto. Sem avisar meu marido, sem deixar pistas, peguei o carro e bati para a Rodovia. Ubatuba me esperava. O apartamento que tenho lá, pequeno e com vista para o mar, seria o cenário da minha depravação. A brisa do mar já entrava pela janela aberta quando cheguei. O cheiro de maresia misturado ao silêncio do lugar me deixou ainda mais molhada. Larguei a mala na cama e, sem perder um minuto, peguei o celular. O dedo hesitou por apenas um segundo sobre o nome dele na tela antes de eu pressionar a chamada. Ele atendeu na primeira badalada. — Oi, minha Linda. — A voz dele era grave, rouca, e eu pude imaginar o sorriso malandro no rosto dele. — Oi, meu negão... — murmurei, deixando o tom de voz cair para um sussurro suplicante. — Meu marido viajou. Estou sozinha em Ubatuba. Ouvi ele bater algo de madeira, talvez uma mesa, e uma risada baixa. — Sério? Sozinha nessa praia toda? — Sozinha e cheia de vontade. Comprei coisas novas. Coisas que você vai gostar. — Passei a mão pela calcinha que estava vestindo, sentindo o tecido úmido. — Traz essa rola linda pra cá. Preciso que você arrombe meu rabo de novo, gostoso. Houve uma pausa do outro lado, o som de um isqueiro aceso. — Tô de folga no final de semana, Carla. Mas só consigo ir sexta-feira de manhã. O turno acaba cedo. — Sexta tá bom... — eu disse, frustrada mas aliviada por ele vir. — Vai ter sexta, sábado e domingo inteiro pra nós. Vamos trepar até não aguentar. — Espera aí, minha putinha — ele interrompeu, e notei uma mudança no tom, algo mais conspiratório. — Se a gente vai ter três dias, que tal convidar um casal de amigos meus? Eles estão livres, eles são liberais também. Eles só vão no domingo ou sábado no inicio da noite. A sugestão caiu como uma bomba, mas em vez de medo, sinto uma onda de choque elétrico percorrer minha coluna. Um casal. Quatro pessoas. O pensamento de ser usada por mais alguém, de ser observada enquanto dava minha xana e meu rabo para Carlão, fez minhas pernas tremerem. — Um casal... — repeti, ofegante. — Você acha que eles são de boas? — Eles vão adorar — ele riu, sujo e promissor. — Então tá combinado? Sexta eu chego, domingo a festa aumenta. Vou encher essa sua xana de porra. — Tá combinado, amor. Vou estar te esperando, pronta pra ser sua cadela. Desliguei o telefone e joguei-me na cama do apartamento, olhando para o teto. O silêncio de Ubatuba não era mais de solidão, mas de expectativa. Sexta, sábado e domingo. Três dias para deixar de ser a esposa exemplar e mergulhar de cabeça na lama do prazer, entregando meu corpo para Carlão e quem sabe mais ele quisesse trazer. Minha xana pulsava, pedindo passagem, e eu sabia que o final de semana seria longo, sujo e inesquecível.
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