Aulas secretas no mar



Depois que nos lambuzamos todinhos, Augusto se juntou a nós e passamos o resto da tarde na cama da Júlia. Só parávamos de vez em quando pra comer alguma coisa ou beber água. Júlia estava radiante, brilhando de um jeito que só ela conseguia. Deitada no meio de nós dois, com os dedos deslizando devagar no peito do pai, ela falou com aquele sorrisinho safado que já conhecíamos bem:
— Amanhã vamos pra praia de Itaguaré. O mar é calmo, as ondas são tranquilas… e sempre tem umas pessoas por perto. Quero ensinar Silvana a surfar direitinho. — Ela olhou pra mim, mordendo o lábio de leve. — Eu adoro quando nos observam.
Augusto deu um sorrisinho cúmplice e concordou na hora. Eu senti um calor subir pela barriga, mistura de nervoso bom com muita expectativa. Júlia não disfarçava: ela adorava ser o centro das atenções. Não era só pra gente… ela queria que o mundo inteiro visse o quanto era desejada.
Saímos bem cedinho. O biquíni vermelho que ela escolheu pra mim era tão pequeno que eu me sentia quase pelada. O dela, pretinho e delicado, era pura provocação. Antes de sair de casa, Júlia parou na frente do espelho, ajeitando as alcinhas, virando de um lado pro outro, admirando o próprio corpo com um prazer que dava pra sentir de longe. Parecia que ela se amava vendo a própria imagem.
Chegando em Itaguaré, a praia estava com pouca gente: uns casais mais pra lá, uns jovens espalhados e o mar bem calminho refletindo o céu. Júlia tirou o short devagar, esticou o corpo todo e deixou a brisa do mar tocar sua pele, sabendo perfeitamente que vários olhares já estavam nela.
As aulas de surf começaram de boa. As mãos dela seguravam minha cintura com firmeza, me ajudando a ficar equilibrada na prancha. Cada “correção” era um toque demorado, um roçar que ia deixando meu corpo todo arrepiado. Quando um casal passou caminhando pela areia, Júlia nem pensou em se afastar. Pelo contrário, colou ainda mais o corpo no meu, deixou o cabelo molhado cair no meu ombro e sussurrou bem pertinho do meu ouvido:
— Eles estão olhando…
A voz dela tinha um tom de puro prazer. Júlia simplesmente florescia quando sentia que estava sendo observada. Não era só tesão… era como se ela precisasse daquilo pra se sentir viva, poderosa. Ela arqueava as costas, jogava o cabelo pro lado, transformava cada movimento numa pequena apresentação. Quanto mais gente olhava, mais ela brilhava.
Logo o Augusto entrou na água e veio pra perto da gente. Na parte em que dava pé, os três ficamos juntinhos. Toques suaves, corpos se encostando, respirações misturando com o barulho das ondas. Júlia sempre no meio, guiando tudo com calma. Ela deixava as ondas brincarem com a gente, revelando um ombro aqui, uma curva ali, um suspiro mais forte. E olhava de canto de olho pros outros na praia, como se aquilo a alimentasse por dentro.
Num certo momento, ela subiu na prancha que flutuava e puxou o pai pra perto, depois estendeu a mão pra mim. Os movimentos eram lentos, quase uma dança molhada. Um dos jovens mais adiante parou e ficou olhando, fingindo que olhava pro mar. Júlia sorriu colada na minha boca e murmurou baixinho:
— Deixa eles olharem… quero que eles sintam o que não podem ter.
Aquele risco de serem vistos deixava tudo muito mais gostoso. A gente surfava um pouquinho, ria, pegava onda, depois voltava pro abraço quente do mar. O sol esquentando a pele, a água salgada brilhando no corpo, e os olhares distantes alimentando o fogo que a Júlia tanto gostava de provocar.
Ela realmente precisava daquilo: da admiração, da atenção, de se sentir o desejo proibido que todo mundo queria, mas só ela e a gente podiam tocar.
Quando o entardecer chegou, pintando tudo de dourado e rosa, saímos da água com o corpo leve e a cabeça ainda fervendo.
No caminho de volta, Júlia falou com aquela voz manhosa:
— Silvana, vem pro banco de trás comigo. Papi dirige.
Mal o carro pegou a estrada e ela já estava em cima de mim. Afastamos os biquínis molhados devagar. Pele com pele, gosto de sal e de sol. Beijos longos, respirações ofegantes, mãos explorando com calma e desejo. Júlia soltava uns suspiros mais altos de propósito, querendo que o pai ouvisse tudinho. Eu me entreguei pra ela com vontade, e ela retribuía do mesmo jeito, transformando o banco de trás num mundinho só nosso — com o Papi ali na frente, escutando cada gemidinho.
Quando chegamos em casa já era noite. Júlia segurou meu rosto com as duas mãos, me deu um beijo bem demorado e profundo, e sussurrou:
— Pena que está acabando, mas outros virão, Sil… Muito obrigado por ter vindo e tornado esse fim de semana tão especial.
Eu sorri, ainda com o coração acelerado, e respondi:
— Foi o melhor fim de semana da minha vida, Júlia.

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Ficha do conto

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silvanajambo

Nome do conto:
Aulas secretas no mar

Codigo do conto:
265126

Categoria:
Bissexual

Data da Publicação:
22/06/2026

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