"Estou pensando em me separar dela”... Aquela frase pegou Giovanna em cheio, como se o elmo de uma poderosa corrente, estivesse para ser quebrado por uma força indestrutível. Viúva, mãe de três filhos, acabando de fazer quarenta e quatro anos, conseguiu a muito custo, casar os dois primeiros filhos com duas das mais respeitadas e cortejadas jovens da Igreja em que freqüentava assiduamente quatro vezes por semana, todas as semanas. E assim que casou o filho mais velho e o do meio, sua missão foi a de arrumar um bom partido para Pietra, sua filha caçula. Em sua juventude, Giovanna era bastante cortejada, pois sua beleza chamava a atenção, mesmo ela estando nos trajes mais simples. Tanto chamava que os mais abastados homens da cidade viviam em seu encalço, desejando-a. Isso a fez casar-se com um executivo renomado, dono de uma empresa do ramo alimentício, cuja sede ficava em um bairro da cidade, que abrigava um grande complexo industrial. E assim viveram felizes por longos treze anos de casamento, até um acidente automobilístico ceifar a vida de seu marido. De lá para cá, sua vida foi se dedicar ainda mais à Igreja em que se converteu, e aos seus filhos. Pois jurou no epitáfio de seu falecido marido que iria batalhar para que nenhum deles se perdesse no meio do caminho e assim o fez. Porém essa luta e sua devoção quase cega fizeram-na ficar descuidada da aparência física, e a mesma perdeu a maior arma feminina, quando se trata de atrair o sexo oposto: a vaidade. Giovanna, com o passar dos anos, aumentou um pouco a silhueta sem perder as curvas, ficando cheinha. Só que por desleixo, perdeu a vaidade em nome da fé. Isso a transformou numa mulher insossa, insípida, sem muitos atrativos, mesmo com curvas avantajadas. Assim que seu segundo filho casou (o mais velho se chamava Paolo, o do meio se chamava Patrício e a caçula se chamava Pietra), ela dedicou uma grande parte de sua vida à procura de um bom partido para a sua filha mais nova: uma jovem de vinte e cinco anos, que herdou da mãe, toda a beleza que a mesma possuía na juventude. Tanto procurou, fez palpites, conversou com outras mães da Igreja, que quando já estava quase desistindo, logo encontrou. O pretendente dela era ninguém mais, ninguém menos do que Andreas Rienzo, o filho mais velho da pastora da Igreja em que ela congregava. Rienzo, apesar de ter nascido em berço Protestante, conhecia mais os prazeres do mundo do que qualquer outro jovem da Igreja em que sua mãe era pastora. Tanto que era bastante admirado pelas jovens dos grupos de mocidade e pelos músicos dos ministérios de música, da Igreja em que sua mãe pregava. Ele era um rapaz que não deixava escapar de suas mãos, nenhuma irmã da Igreja, seja ela adolescente, jovem ou adulta. Em uma de suas aventuras carnais, ele enrabou a filha caçula de um missionário que estava de passagem com sua família pelo Estado: uma adolescente de dezesseis anos, que ainda era virgem. Por isso que por respeito a isso, ele a convenceu de ser sodomizada em nome do prazer. Outra de suas aventuras aconteceu dentro da própria Igreja: enquanto a mãe dele pregava no culto dominical, sobre a castidade e o adultério, Rienzo transava com a Irmã Berenice: uma esposa dedicada, casada há mais de vinte anos, com o irmão Jonas, regente do coral da Igreja. Só que apesar da má-reputação que Rienzo possuía, ele disfarçava seu caráter tão bem, que era visto por todas as moças como um bom partido, pois o fato dele ser filho da pastora da Igreja o colocava numa posição bastante privilegiada dentro da mesma. Muitas filhas de membros da Igreja, buscando ocupar o posto de namorada, noiva ou esposa do filho da pastora, praticamente se jogavam em seus braços, com a mesma facilidade que um peixe-voador caía dentro de um barco pesqueiro. E para a infelicidade geral das mulheres da Igreja, cujas mais devotadas eram aquelas que ele mantinha casos proibidos, foi com Pietra, a caçula de dona Giovanna, que ele se redimiu de seus atos obscenos. Mas só o fez, porque dona Giovanna era muito amiga da pastora Gioconda, sua mãe. Na verdade, as duas estudaram juntas na mesma faculdade Protestante de Teologia, e, por um golpe do destino na mesma Igreja Messiânica Parangate: uma igreja que pregava a liberdade total do ser humano através da fé, sem aliená-lo. Uma verdadeira Igreja Protestante contraditória, já que uma grande parte delas aliena. Tanto que a mesma aceitava casamentos entre seus membros e membros de outras Igrejas, sem nenhum problema. As duas se reencontraram alguns anos após terem terminado o curso e ocasiões diferentes: Giovanna como missionária e Gioconda como pastora. E por causa desse reencontro, Giovanna viu a resposta para suas preces serem atendidas, pois Rienzo, o filho mais velho da pastora (Ela tem apenas um casal de filhos, que são Andreas e Carla Rienzo) iluminou o sorriso dela, quando foi apresentada por Pietra, como namorada dela. Eles namoraram durante uns quatro anos e, vendo o amor crescendo entre eles cada vez mais, não perderam tempo e foram evoluindo a relação. De namorados passaram a noivos e após dois anos de noivado, resolveram se casar. Algumas jovens quando souberam da notícia, na tentativa de impedir que o casamento acontecesse, foram até a casa de Rienzo implorar para que ele não se unisse a Pietra. Só que ele, não levando nenhuma delas a sério, transou com todas, fazendo de cada uma, sua despedida de solteiro. A cerimônia foi uma das mais invejadas pelas jovens dos grupos de mocidade, não pela beleza da decoração, mas pelo fato de que o noivo era o mais de todos os homens que freqüentavam aquele ambiente, até o presente momento. Porém, como todo relacionamento, por melhor e mais perfeito que se preze, alguma coisa faltava. E era justamente na parte sexual, que essa falha era visível. Por mais experiente com as mulheres que Rienzo fosse, Pietra sua esposa, não conseguia atender às suas expectativas, apesar de tamanha beleza. A formação religiosa de castidade total antes do casamento imposta pela mãe, de acordo com o que falava a Bíblia, não a fizeram uma mulher por completo e, resumindo tudo: na cama ela não conseguia satisfazer o marido, nem se permitia ir além de seus limites, por causa dos preceitos religiosos de seu Protestantismo. Esse comportamento extremamente casto, mesmo depois de casada, fez com que Rienzo fosse a cada ano que passava se tornando um esposo mais ausente, em relação às suas obrigações de marido e mais galinha do que quando era solteiro. Pois as jovens da Igreja Messiânica Parangate, ainda com o desejo incessante de que o mesmo se separasse de Pietra, para que elas tivessem uma chance de conquistá-lo, davam em cima dele durante os cultos (ou fora deles), cediam com facilidade às cantadas de Rienzo e ele, corneando a esposa sem o mínimo de escrúpulos, transava com elas onde ele quisesse e quando ele quisesse. Gioconda, mãe de Rienzo e pastora da Igreja, durante suas pregações nos cultos, quando via o filho se levantar e sair de perto de Pietra para os fundos da Igreja, sendo acompanhado depois por alguma mulher da congregação, seja ela jovem ou adulta, já sabia para que ele estava se afastando e orava com fervor, para que o mesmo fosse iluminado por Deus e tomasse o rumo certo na vida. Só que dentro de si, ela sabia que o filho estava mais do que seduzido pelos prazeres desse mundo: ele tinha se tornado escravo deles. E mesmo conhecendo o filho que tem, ela era, de alguma forma, conivente com seus atos libertinos. Mas ele não chegou a retornar ao ponto de partida por acaso: muitas vezes, ele tentou fazer com que Pietra fosse uma mulher que conseguisse satisfazê-lo, sugerindo filmes cristãos eróticos para casais, falando sobre sexo de modo mais aberto e até tentando, quando estavam tendo relações sexuais, fazer com que ela experimentasse novas posições ou novas formas de sentir prazer, como o sexo oral, por exemplo. Mas suas investidas eram quase todas sem sucesso, pois ela parava o ato sexual na mesma hora e esfriava, pois não admitia esse tipo de depravações. Quando esse problema de Pietra chegou aos ouvidos da mãe dela, ele começou a se tornar uma preocupação para dona Giovanna. A mesma começou a aconselhar a filha, explicando que a esposa deve satisfazer o marido na cama, para manter a harmonia do casamento, do lar e, principalmente, para evitar que o marido pense em separação. Mas Pietra desconversava tudo aquilo, falando que tais atos eram por demais luxuriosos, e até mesmo demoníacos. Com o tempo, cansado dessa rotina morna e sem graça, Rienzo começou a evitar cada vez mais a esposa: chegava tarde do trabalho e saía logo cedo para trabalhar; às vezes tomava fortes chás de camomila no lugar do café da janta, para dormir o mais rápido possível e, quando transavam, fazia como que por obrigação, pois era sempre aquele papai-e-mamãe sem sal, onde Pietra afirmava que gozava bastante. Mas ele, por mais gostosa que fosse a esposa, não conseguia se sentir um homem realizado, muitas vezes tendo que imaginar que no lugar de Pietra estavam outras mulheres que transava, apenas para que suas penetrações chegassem até o gozo. Num belo dia de sol e flores primaveris, Rienzo, após passar o horário de almoço dentro do almoxarifado, transando com a secretária do chefe da empresa em que trabalha, tomado de uma profunda coragem, adiantou o serviço no trabalho e saiu mais cedo e saiu, rumo à casa de dona Giovanna, sua sogra. Lá chegando, sentou-se com ela, conversou sobre sua vida matrimonial com Pietra e soltou a bomba que faz a cabeça de dona Giovanna ir de zero a cem em menos de três segundos: ia separar-se da filha dela. Desesperada, ela tentou conversar de todas as formas com Rienzo. Só que em todas as tentativas, ela recebia do genro a mesma resposta. Não suportando mais a idéia de perder o prestígio que adquiriu por ter se tornado a “sogra do filho da pastora”, Giovanna procura Gioconda abriu todo o jogo para ela, não na condição de serva e pastora, mas na condição de amiga: - Gioconda, eu não agüento mais esse pesar em minhas costas. Seu filho quer se separar da minha filha, e por mais que eu converse com Pietra, ela sempre coloca a Igreja e a Palavra de Deus na frente das relações sexuais. Não sei o que está acontecendo com essas evangélicas de hoje, que não se entregam pros maridos na cama, julgando fazerem coisas do demônio – disse a jovem senhora, sentada no sofá do escritório da pastora. Muito calada e atenciosa, a pastora Gioconda, sentada no mesmo sofá que Giovanna, ouviu toda a história da relação do filho dela com Pietra, ficou alguns segundos em silêncio, como quem procura uma solução dentro de si, fala: - Quando você era casada, como eram as relações com seu marido? - Nossa Gioconda – disse Giovanna meio que envergonhada – isso não é pergunta que se faça a uma mulher da minha idade. E ainda mais uma viúva. - Não precisa ter vergonha – disse Gioconda sentando um pouco mais próxima a ela – às vezes o problema pode ser de família. Você pode ter sido extremamente recatada, e ela pode ter herdado isso de você. - Mas isso nunca! Nos meus tempos de casada, nos permitimos de tudo um pouco – disse Giovanna um pouco alterada – pequei bastante na cama para satisfazer o meu marido. E Deus fez um grande favor para mim, me libertando dele. Se a morte dele não tivesse acontecido, eu hoje seria uma das mulheres mais prostituídas do bairro em que eu moro. Gioconda, olhando-a nos olhos, tocou levemente o joelho de Giovana e disse, num tom de voz natural: - Então eu vou aconselhar para você, o mesmo que eu aconselho para todas as outras irmãs daqui da igreja: faça com seu genro, o que a esposa dele não está querendo fazer. Giovanna toma um susto, afasta-se da pastora, levanta-se do sofá e fala, horrorizada: - Você está insinuando que eu deva ter relações sexuais com seu filho? - Não estou vendo Rienzo como meu filho – falou Gioconda de maneira terna – mas sim como seu genro. E se isso te deixa preocupada, umas dez irmãs daqui da congregação mantém os casamentos das filhas perfeitos, tendo relações sexuais com seus genros. Elas evitam que os mesmos arrumem amantes na rua, e os casamentos perduram até hoje. Giovanna ouve tudo com perplexidade, pois sabe quem são essas dez outras irmãs que a pastora menciona. Aquilo tudo provocou nela um arrepio na espinha, como se um raio descesse do céu e atravessasse todo o seu corpo. O choque emocional, ao ouvir aquilo da boca da pastora que faz as mais belas pregações dominicais, a fez relembrar os tempos em que não era ainda convertida, e aparece um filme pornográfico em sua mente, relembrando a luxúria diária que era a sua vida. Era como se o proibido houvesse despertado nela, um lado que fora durante muitos anos, reprimido pelas imposições da religião. Sem dizer uma palavra a mais, Giovanna pega sua bolsa e sai da igreja, retornando para sua casa. Mas as palavras da pastora Gioconda ainda zumbiam em sua cabeça, pois as mesmas ficaram dentro dela, como se tivessem sido marcadas a ferro e fogo. Naquela noite, Giovanna teve um sonho extremamente erótico: ela estava deitada com a cabeça no colo de Pietra, nua, de pernas abertas enquanto seu genro Rienzo, metia fundo no meio de suas pernas. E ela sentia o membro duro dele bater fundo em seu ventre, mesmo aquilo sendo um sonho. Quando estava quase gozando, ela acorda assustada, com o corpo todo suado e o sexo ardendo em chamas, de tanto se tocar enquanto dormia. O short do baby-doll estava todo encharcado, sinal de que as palavras da pastora despertaram na madura Giovanna, a libido que estava a muito tempo adormecida. Seu corpo, sua mente e sua alma estavam totalmente perturbados, pois o lado devassa que ela tanto abafou com orações, vigílias e banhos frios, explodiu como um vulcão em erupção. Aquilo tudo a deixou tão desorientada, que ela já não podia ver ou chegar próximo ao seu genro Rienzo, que logo sua mente imaginava mil situações consideradas para ela, como pecaminosas. Seu corpo queria avançar em Rienzo, para mostrar à Pietra como uma mulher despudorada de verdade satisfaz um homem. Mas sua formação moral e religiosa a impediam de seguir adiante com seus desejos mais luxuriosos. E enquanto Giovanna lutava contra seus instintos mais primitivos de fêmea no cio da espécie humana, a mesma assistia de camarote, a decadência do casamento de sua filha única com o melhor partido da Igreja em que congregava. Um dia, numa noite quente de verão, Pietra entra chorando na casa de Giovanna, desesperada e com uma triste notícia: Rienzo pedira o divórcio e parecia não querer voltar atrás. Ela sentou-se com Pietra no sofá e disse que era culpa dela, pois sempre a aconselhou que entre marido e mulher, quando estão entra quatro paredes, não existe moralismos. Pietra desesperada pede que a mãe vá a sua casa, conversar com ele. Admirada com a atitude da filha, Giovanna vai a seu quarto, arruma o cabelo fazendo um rabo-de-cavalo, põe uma maquiagem leve, porém sensual, um vestido justo até os joelhos, uma calcinha fio-dental que lembrava os tempos de casada, uma grande bolsa e saiu de casa, com a promessa de que vai fazer Rienzo esqueça essa ideia de separação. Ela entra em seu carro e segue até o apartamento de Rienzo e Pietra. Assim que estaciona na vaga de visitantes, ela tira da bolsa um par de sapatos vermelhos de salto alto, calça-os e vai até a portaria do condomínio. Como o porteiro sabe que ela é sogra de Rienzo, ela entra sem precisar que o mesmo interfone até o apartamento do casal. Ela então passa da portaria, vai até o prédio onde fica o apartamento de Rienzo e Pietra, e entra no elevador. Lá dentro, o corpo dela começa a esquentar e sua mente começa a separar a Giovanna puritana, da Giovanna despudorada. Passado e presente começaram a duelar dentro dela. A mulher que na época em que era casada não tinha limites para o prazer lutava contra a mulher cheia de freios e restrições, sendo que era a felicidade da sua filha e o posto de mulher mais invejada da igreja, que estavam em jogo. E para manter o posto e salvar o casamento de Pietra, Giovanna estava disposta a ir até as últimas conseqüências, pois sabe que muitas daquelas jovens dos grupos de mocidade e até mesmo as mães delas, torcem para que o casamento deles dois não dê certo, para que elas possam lutar como animais, para arrastar para elas, o posto de sogra e nora da pastora. O elevador chega ao andar em que o casal mora. Ainda com a mente em ebulição, uma pane geral toma conta do seu corpo, pifando sua mente. E para o espanto dos mais desavisados, quando ela colocou o pé fora do elevador, não estava ali a Giovanna cheia de pudores e sim a antiga Giovanna: a devassa; a fêmea fatal; a totalmente despudorada de seus conceitos religiosos.
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