Ela recebeu apenas uma mensagem:
"Se um dia sentir vontade de fazer algo diferente, encontre-me atrás do Museu do Ipiranga. Sente-se por um instante no banco em frente ao bambu-real. Você vai reconhecer o lugar. E, se quiser ter certeza de que é comigo, pergunte apenas: 'Aqui é o famoso bambuzal do museu?'."
Não havia assinatura.
Durante dias, a curiosidade venceu qualquer explicação lógica. Quem seria? Por que aquele lugar? O que havia de tão especial naquele bambuzal?
Na hora marcada, ele já estava sentado no banco. O coração acelerado. Observava cada pessoa que passava, tentando esconder a ansiedade atrás de uma tranquilidade ensaiada.
O vento fazia o bambu cantar baixinho. O parque seguia sua rotina, indiferente ao que acontecia ali.
Então ela apareceu.
Caminhou sem pressa, como quem apenas passeava pelo jardim. Ao passar diante dele, diminuiu o ritmo e, sem sequer olhá-lo diretamente, perguntou:
— Aqui é o famoso bambuzal do museu?
Ele sorriu.
— É sim... Que bom que você veio.
Ela respondeu apenas com um leve sorriso.
Por alguns segundos, nenhum dos dois disse mais nada. Apenas ouviram o vento atravessar os bambus.
Às vezes, um simples convite para caminhar ao lado de alguém é suficiente para transformar um lugar comum em uma lembrança inesquecível.
Estarei lá amanha as 11:00 até as 11:15, vem?