Não foi uma gripe comum. Foi uma gripe daquelas que te fazem questionar todas as suas escolhas de vida. Dor no corpo, dor de cabeça, calafrios, espirros, o nariz escorrendo feito torneira aberta. E a cereja do bolo: diarreia. Uma diarreia violentíssima que me fez passar a noite no trono.
Não foi uma noite de sono. Passei mais tempo sentada no vaso sanitário do que na cama. O banheiro virou meu quarto, a privada virou minha cama, o papel higiênico virou meu melhor amigo. A cada meia hora, lá estava eu de novo, sentada no trono, rezando para meus intestinos pararem com a rebelião.
Dormi um pouco, quem sabe duas horas. Não sei. Perdi a noção do tempo entre uma ida ao banheiro e outra. Acordei pela manhã exausta, como se tivesse corrido uma maratona.
Levantei. Lavei o rosto. Coloquei os óculos (porque sem óculos não vejo nem o vaso sanitário). Olhei no espelho e quase gritei de susto. Estava descabelada. O cabelo parecia um ninho de passarinho abandonado. Os olhos vermelhos, o nariz vermelho, a cara inchada. Não era eu. Era uma versão zumbi de mim mesma.
Vestida com meu pijama azul. O conjuntinho: camisa de botões (aberta até o umbigo quase), shortinho curtinho, meias amarelas e a calcinha amarela combinando. Sem sutiã, porque sutiã é invenção do capeta, principalmente quando você está com febre.
Desci as escadas cambaleando. Cada passo era uma batalha. As pernas tremiam, a cabeça latejava, o nariz escorria.
Fernando estava na cozinha. Fez café para a gente. O cheiro invadiu a casa, mas meu olfato estava bloqueado. Só sentia o gosto de remédio e o cheiro da minha própria desgraça.
— Amor, vou trabalhar — ele disse, me beijando na testa. — Na hora do almoço passo para ver como você está.
— Tá bom — respondi, com a voz rouca. — Leva o Antônio?
— Sua mãe vem buscar ele.
— Que bom.
Ele saiu. A porta bateu. Fiquei eu, a diarreia, o sofá e a solidão.
Minha mãe chegou uma hora depois, com uma bolsa de compras e uma cara de "vou salvar minha filha". Entrou, foi direto para a cozinha, abriu a geladeira e começou a cozinhar.
— Fica deitada, filha — ela disse. — Eu cuido de tudo.
— Obrigada, mãe.
Deitei no sofá da sala. O Antônio estava no tapete, brincando com os carrinhos, distraído. Minha mãe cozinhava na cozinha. Eu ficava deitada, conversando com ela, gritando de um cômodo para o outro.
— Como você está? — ela perguntou.
— Morrendo.
— Está gripada?
— Estou com tudo. Dor no corpo, dor de cabeça, calafrio, nariz escorrendo, diarreia...
— Diarreia?
— Passei a noite no trono.
— Coitada da minha filha.
O Antônio estava no tapete. Minha mãe na cozinha. Eu no sofá. Meu celular vibrou. Mensagem do meu pai: "Como você está, filha?" Respondi: "Estou morrendo. Quer vir almoçar?" Ele respondeu: "Já estou indo." Meus pais são divorciados há 20 anos, mas se dão bem. Melhor que muita gente casada.
— Mãe, meu pai vai almoçar aqui — gritei.
— Tá bom. Vou fazer mais comida.
Ela continuou cozinhando. O Antônio continuava brincando. Eu continuei deitada. Até que o interfone tocou.
— Senhora, tem uma encomenda — a voz do porteiro.
Desci. Cambaleando. Chinelo, pijama, cabelo bagunçado, olhos vermelhos, nariz escorrendo. Entrei no elevador. Apertei o botão do térreo. O elevador começou a descer. Parou no andar de baixo.
O filho da vizinha. Devia ter uns 14 anos. Magro, alto, com espinhas na testa, fone de ouvido, moletom. Ele me olhou. Eu olhei para ele. Sorri. Ele sorriu de volta (meio sem graça, porque adolescente).
O elevador desceu.
Eu, doente, feia, descabelada, com a camisa do pijama aberta até o umbigo, sem sutiã, os peitos balançando. O adolescente, com fone de ouvido, tentando não olhar.
Mas ele olhou.
Claro que ele olhou.
Adolescente de 14 anos. Peitos balançando. Ele não é de ferro.
O elevador deu uma solavancada. Normal. Elevador velho.
Eu perdi o equilíbrio e me segurei.
Meu peito esquerdo pulou para fora. Pulou da camisa e ficou balançando na frente do garoto.
Congelei.
Ficamos ali, os dois parados, o elevador descendo lentamente, meu peito para fora balançando. Os mamilos estavam duros (de frio, de febre). O menino ficou hipnotizado. Os olhos arregalados, a boca entreaberta.
— Meu Deus — sussurrei, guardando o peito.
O elevador chegou ao térreo. A porta abriu. Saí correndo. Bom, não correndo. Cambaleando rapidamente. O garoto ficou no elevador.
ENTREI NA PORTARIA.
O entregador estava lá. E o porteiro. Os dois me olharam. Eu, doente, feia, com a camisa do pijama aberta até o umbigo. E sem sutiã.
— Senhora... — o porteiro começou.
— Oi — cumprimentei os dois.
Abaixei para pegar a encomenda. Abaixei e paguei peitinho. Os peitos caíram para fora de novo. O entregador viu. O porteiro viu. Os dois viram. Os dois não desviaram o olhar.
Ficaram ali, olhando meus peitos balançando na portaria (com olheiras, com o nariz escorrendo).
— OBRIGADA! — gritei.
Meus peitos ainda estavam para fora. Coloquei-os para dentro rapidamente, ajeitei a camisa.
Peguei a encomenda. Saí correndo (cambaleando). Entrei no elevador. Ouvi ele dizendo baixinho: "Caralho" e dando risada.
A encomenda na mão, o coração batendo igual um tambor de escola de samba.
ENTREI NO APARTAMENTO. Fechei a porta. Encostei a testa na madeira.
— Mãe — chamei, com a voz trêmula.
Ela estava na cozinha, mexendo a panela. O cheiro de comida invadiu a sala.
— O que foi, filha?
— Mãe... — comecei. — Preciso te contar uma coisa.
Ela parou de mexer a panela. Me olhou. Ela conhece a minha cara. Ela sabe quando fiz merda.
— O que você fez, Pamela?
— Eu paguei peitinho.
Ela piscou.
— Como assim?
— Mãe, paguei peitinho para o entregador, para o porteiro e para o filho da vizinha.
Silêncio.
Minha mãe colocou a colher na panela. Virou-se lentamente. Não falou nada. Só me olhou. O olhar dela era um misto de horror, incredulidade e vontade de rir. Ela ficou em silêncio por mais alguns segundos. Depois, fez o que eu sabia que ia fazer. Começou a rir.
— MÃE! — gritei. — NÃO É ENGRAÇADO!
— É SIM! — ela disse, soluçando de rir. — É MUITO ENGRAÇADO!
— Você tem que aprender a se abaixar com mais cuidado. Principalmente quando a camisa não tem botão no lugar certo.
— A camisa é de botões!
— Pois então abotoe.
— Mãe, estou doente. A febre, a diarreia, a dor no corpo... Eu só queria pegar a encomenda.
— Tá bom, filha. Tá bom. Não precisa ficar com vergonha. Amanhã todo mundo vai esquecer.
Ela voltou a cozinhar. Eu fui para o sofá. O Antônio estava no tapete, brincando com os carrinhos. Deitei, fechei os olhos e respirei fundo.
A vergonha estava passando.
Meu pai chegou uma hora depois.
Entrou com um sorriso. Me deu um beijo na testa. Sentou na poltrona. Conversamos.
— Como você está, filha?
— Morrendo.
— Está com cara de quem está melhorando.
— Estou com cara de quem passou a noite no trono.
— Diarreia?
— MUITA DIARREIA.
Ele riu. Eu ri. A gente riu. A família é isso: a gente ri das próprias desgraças.
— Quer café? — perguntei.
— Está quente? Está doce?
— Está.
— Então sim.
Levantei. Cambaleando. Fui até a cozinha. Minha mãe estava lá, cozinhando. Peguei a xícara. Coloquei o café. Abaixei para entregar para ele.
Abaixei. Paguei peitinho para o meu pai.
Meu pai estava na poltrona, de frente para a cozinha. Ele viu. Viu meus peitos balançando. Viu os mamilos duros. Viu tudo.
O movimento foi natural — uma abaixada simples, dessas que a gente faz mil vezes por dia sem pensar. Mas eu não estava pensando. Estava doente. Febre, diarreia, dor no corpo, a cabeça latejando, o nariz escorrendo. Eu só queria entregar a porra da xícara e voltar para o sofá.
A camisa do pijama azul — a mesma que vesti naquela manhã — estava aberta até o umbigo. Quando me curvei, a camisa se afastou do corpo. Não tinha percebido. Não tinha reparado. O tecido macio deslizou para frente, se soltando da minha pele, se separando dos meus seios.
E meus peitos apareceram livres dentro da camisa, dançando, balançando, se movendo com a gravidade da abaixada. Um balanço suave, ritmado, como um pêndulo. Eles balançavam para frente, para trás, de um lado para o outro, na cara do meu pai.
Olhei para baixo. Vi eles. Vi os dois, se movendo livres, sem sutiã, sem nada.
Meu pai olhando, acompanhando o movimento deles com os olhos.
A vergonha veio forte.
— MEU DEUS! — gritei.
Ajeitei a camisa. Passei a mão no cabelo. Morri de vergonha de novo.
— Pai, me desculpa! Estou doente, pai!
Ele riu. Uma risada alta. Uma risada gostosa.
— Tá bom, filha.
— Você viu — falei, tapando os olhos.
Fui correndo para o quarto. O Antônio foi atrás de mim (ele sempre vai atrás). Entrei no quarto, tirei a camisa do pijama. Os peitos pularam para fora, balançando, livres.
O Antônio sentou na cama. Me olhou.
— MAMÃE! — ele gritou, olhando para os meus peitos.
— Isso, filho. Mamãe só vai vestir uma camiseta.
Abaixei para pegar a camiseta na cama. O Antônio se aproximou. Senti a mãozinha dele no meu peito. Ele apertou. Deu uma apertadinha.
Eu ri. Dei risada.
— Agora mamãe vai vestir.
Vesti a camiseta. Peguei a mão do Antônio. Descemos.
— Pronto — falei. — Peitos guardados.
O almoço foi bom. Minha mãe cozinhou uma delícia. Feijão, arroz, frango, salada. Eu comi de tudo, mas com moderação, porque a diarreia ainda estava à espreita. Conversamos. Rimos. O Antônio brincou. Meu pai contou uma história engraçada. Minha mãe reclamou do ex-marido (a gente riu). Foi um almoço bom.
A dor veio como um alerta.
Não foi uma dor normal. Foi uma dor que subiu do intestino até a garganta, uma contração violenta, um aviso claro de que o corpo estava prestes a entrar em rebelião. Minha barriga roncou — não um ronco normal, daqueles de fome. Foi um ronco profundo, gutural, como se um animal estivesse preso dentro de mim.
— Volto já — sussurrei, levantando do sofá.
Meu pai olhou. Minha mãe olhou. O Antônio nem percebeu.
Corri.
Não foi uma corrida bonita. Foi uma corrida de quem está prestes a perder o controle. As pernas tremiam, a cabeça latejava, o nariz escorria, o suor escorria pela minha testa e pelas minhas costas — suor gelado, porque a febre estava dançando com a diarreia, e o resultado era um show de horror.
Entrei no banheiro do meu quarto. Fechei a porta. Destranquei a calça com mãos trêmulas. Abaixei o short e a calcinha amarela freada. Sentei no trono.
O contato do vaso frio na minha bunda foi um alívio. Um alívio momentâneo.
Os intestinos se contraíram.
Uma onda violenta. Uma contração que veio do fundo do meu ser, que apertou tudo, que não pediu licença. Eu senti. Senti o movimento descendo, a pressão aumentando, a urgência tomando conta.
E saiu.
Não foi um cocô normal. Não foi um cocô bonito. Foi uma explosão. Uma descarga. Um rio marrom e quente que saiu de mim como se tivesse sido liberado por uma represa. Eu senti cada gota, cada jato, cada pedaço.
O som foi terrível. Um barulho líquido, barulhento, violento. Ploc, ploc, ploc. Os respingos no fundo do vaso. O eco no banheiro. Fechei os olhos e rezei para ninguém estar perto.
O fedor subiu.
Não foi um fedor normal. Foi um fedor que subiu do vaso, que invadiu o banheiro, que se espalhou pelos cômodos. O cheiro de diarreia — azedo, forte, penetrante. Eu senti o cheiro e quase vomitei. Meu nariz escorria, mas eu sentia o fedor. Cada molécula de ar estava contaminada.
O cu ardia.
Não era uma ardência normal. Era uma ardência de quem tinha acabado de expelir algo violento, de quem passou a noite inteira no trono, de quem não tinha mais nada dentro de si. O cu estava assado. Assado de verdade. A pele estava vermelha, irritada, dolorida. Cada vez que o papel higiênico tocava, era um choque de dor.
Limpei. O papel saiu marrom. Limpei de novo. O papel saiu marrom. Limpei de novo. Ainda saiu. Eu estava num loop infernal de limpeza infinita.
O papel higiênico ardia. Ardia na minha pele assada, na minha carne irritada. Cada passada era uma queimação. Eu sentia a pele do cu sensível, dolorida, como se tivesse sido esfolada com lixa.
Suava. Suava muito. O suor gelado escorria pela minha testa, pelas minhas costas, pelas minhas pernas. A febre misturada com o esforço de cagar criava uma combinação mortal. Meu corpo estava encharcado.
Dei descarga. A água levou a diarreia. O som da água descendo deu uma sensação de alívio, mesmo que temporário.
Mas o cu continuava ardendo.
Levantei. Olhei no espelho. A cara de quem tinha passado por uma guerra. Cabelo molhado de suor. Olhos vermelhos. Nariz escorrendo. Cara pálida.
Lavei as mãos. Lavei o rosto. A água gelada no rosto deu um alívio momentâneo.
Sentei no vaso de novo. Só por precaução. A barriga roncou de novo. Uma contração leve. Uma ameaça.
Esperei. Não veio nada. Pelo menos não agora.
Levantei. Subi a calcinha e o short. Andei torta. O cu ardia a cada passo. A pele assada raspando no tecido da calcinha. Uma sensação de queimação que não passava.
Abri a porta.
E dei de cara com o Fernando.
— Amor — ele disse. — Como você está?
— Estou uma porcaria — respondi, com a voz rouca. — Caguei violentamente. O cu está ardendo. A barriga ainda dói.
— Coitada.
Ele me beijou na testa. Alisou meu cabelo. O carinho dele era tão bom que eu quase esqueci da dor no cu.
Quase.
Ele me pegou pelo braço. Não foi um toque brusco. Foi um toque firme, seguro, de quem sabia o que queria. Me virou de costas para ele, minhas mãos na parede.
— Ah, não — reclamei, com a voz rouca de gripe e os olhos vermelhos. — Estou morrendo, e você vai me comer?
— Só uma rapidinha — ele disse, com a voz baixa, a boca perto do meu ouvido.
— Bem rapidinha — respondi, contrariada.
Ele puxou meu short e minha calcinha amarela manchada de bosta para baixo. O tecido deslizou pelas minhas pernas, parou nos meus joelhos. O ar frio do corredor tocou minha bunda. Trevi.
Ele abriu o zíper. Ouvi o som metálico. Depois senti.
A pika encostou na minha entrada.
Minha vagina estava seca. Muito seca. Não era sexo planejado. Meu corpo não estava preparado. Não tinha lubrificação, não tinha vontade, não tinha nada.
Mas o corpo respondeu.
A pika entrou devagar. A entrada foi difícil. Áspera. Um atrito que era desconfortável. A cabeça do pau pressionou a entrada, forçou a passagem, abriu caminho. Eu senti cada centímetro, cada milímetro. A pele seca raspando na minha carne.
Meu corpo reagiu.
A vagina começou a molhar. Não muito — só o suficiente para a pika deslizar melhor. Uma umidade quente, súbita, que veio de dentro.
Ele enfiou. Fundo. A pika entrou toda. A sensação de preenchimento tomou conta de mim. Minha boca abriu. Meus olhos fecharam. Minha testa encostou na parede.
Ele começou a meter. Rápido. Forte. Não tinha jeito de "vamos com calma". Era "vamos logo, a minha mãe está na cozinha, meu pai está na sala". Era uma foda de "aproveita enquanto dá".
Eu senti cada estocada. A pika ia e vinha, ia e vinha. Minha cabeça latejava, meu corpo doía, minha vagina ardia. E eu gostava da sensação de ser fodida por um homem que me amava. Mesmo doente, mesmo feia, mesmo descabelada, mesmo com o nariz escorrendo, mesmo com o cu assado de tanto cagar.
Ele metia. Eu gemia e peidava. A parede rangia. O corpo dele batia no meu, as mãos dele apertavam minha cintura, os dedos dele cavavam minha pele.
— Isso — ele sussurrou, ofegante. — Assim.
Aumentou o ritmo. Mais rápido. Mais forte. Eu senti o pau endurecer mais, pulsar, crescer dentro de mim. O sinal. O sinal de que ele ia gozar.
— Vai — pedi. — Goza. Vai logo.
Ele gozou.
A porra quente jorrou dentro de mim. Senti cada jato, cada pulsação. O líquido quente enchendo minha vagina, escorrendo, preenchendo todos os cantos. Quente, grossa, salgada. A sensação de ser preenchida por dentro, de sentir o líquido dele escorrendo, tomando conta.
O pau saiu.
A sensação de vazio. O ar entrando onde antes tinha pau. O músculo se contraindo, se fechando, como se estivesse tentando segurar a porra lá dentro.
Consegui segurar. Consegui segurar para não cagar enquanto ele me comia. Foi uma batalha. Uma batalha épica. Cada estocada era uma ameaça. Cada movimento do pau dentro de mim era um "será que agora vai?". Mas eu segurei. Apertei o cu com força, contraí os músculos, respirei fundo. Segurei.
Até o pau sair.
Quando ele saiu — aquele momento de vazio, de ar entrando, de alívio e de perda — eu perdi o controle e comecei a peidar.
Não foi um peido normal. Foi um peido que veio do fundo do meu ser, que vibrou, que ecoou. Um barulho úmido, ameaçador, prenúncio do desastre. Eu senti o ar saindo, a pressão diminuindo, e pensei: "Talvez seja só um peido. Talvez seja só um peido e nada mais."
Eu senti ele saindo. Senti meu cu abrindo e ele escorregando, descendo pela minha bunda e caindo no chão. A sensação do cocô saindo. A sensação do cu se abrindo, se esvaziando. A sensação de alívio — porque, no fundo, era um alívio.
Senti a textura, a consistência, a temperatura. Não era um cocô normal. Era um cocô gigante. Mole. Quente.
O som do cocô batendo no chão. Ploc. Um som úmido, denso, definitivo. Ploc.
Vi o cocô no chão.
O cu ardia. A pele assada, irritada, doía. E agora, coberta de bosta, ardia mais ainda.
— Não acredito — sussurrei.
Fernando olhou. Viu. Não falou nada. Não riu. Não fez piada. Ele só olhou o cocô no chão, depois olhou para mim. O rosto dele era uma mistura de preocupação e pânico contido.
— Amor... — ele disse, com a voz baixa.
— Só me dá o papel — pedi, com a voz falhando.
Ele me deu o papel.
Olhei para baixo.
Vi o cocô no chão.
Limpei. O papel raspou na pele assada, doeu, ardeu. Senti a carne irritada, a queimação, a vergonha. Limpei o que dava. Subi a calcinha e o short. A calcinha amarela — agora manchada de bosta.
Olhei para o chão. O cocô ainda estava lá.
— E isso? — Fernando perguntou.
— Depois eu recolho — respondi, com a voz rouca. — Você e o seu pau que causaram isso.
Ele riu. Baixinho. Não conseguiu evitar. Eu também quase ri. Mas a vergonha ainda era maior.
Respirei fundo. Ajeitei o cabelo. Abri a porta. Desci para o almoço.
O cheiro de bosta ainda estava no meu corpo. A sensação do cocô saindo. A vergonha ainda estava na minha alma.
Mas eu desci.
Sentei na mesa.
Meus pais estavam lá. Meu pai na ponta, minha mãe do lado, o Antônio no cadeirão dele. Fernando chegou depois, sentou ao meu lado, pegou o garfo.
E eu, Pamela, doente, descabelada, com o cu assado e o nariz escorrendo, sentei na mesa como se nada tivesse acontecido.
A porra do meu marido ainda estava dentro de mim.
A vagina ficou quente, latejando, sensível. Eu sentia cada pulsação. A porra escorria devagar. Cada gota quente descia pela minha perna, molhando a calcinha. Um líquido estranho, que não era meu, que veio de fora, que invadiu.
Eu sentia o peso do sêmen dentro de mim, preenchendo, escorrendo. A vagina se contraía em volta do vazio, tentando segurar. Mas não segurava. A porra escorria, persistente, quente, grossa.
Eu senti o cheiro — o cheiro do sexo, o cheiro da porra, o cheiro de nós dois. Misturado com o cheiro de comida, de café, de família.
A cagada que eu tinha dado no quarto quando o pau saiu. Eu tinha limpado, tinha me enxugado, tinha subido a calcinha. Mas o cheiro... o cheiro ainda estava ali. O cheiro de diarreia, de desespero, de humilhação. Eu sentia a pele do cu assada, irritada, ardendo. Cada vez que eu me mexia na cadeira, a calcinha roçava na carne irritada e doía.
Uma mistura de cheiros. Porra. Bosta. Comida. Família. A minha vida, resumida numa mesa de almoço.
— Pamela, você está bem? — meu pai perguntou.
— Estou, pai. Só um pouco cansada.
— Está com cara de quem está melhorando.
— É o amor — brinquei. — E a comida da minha mãe.
Minha mãe riu. Meu pai riu. O Antônio jogou um pedaço de arroz no chão. Normal.
Almoçamos. Conversamos. Rimos. Eu ria, mas sentia a porra escorrendo. Cada risada fazia o músculo se contrair. Cada movimento do meu corpo fazia o líquido descer mais. Eu apertava as pernas, tentando segurar. Não adiantava. A porra escorria. O cu ardia. A pele assada doía.
Eu estava um bombonzinho recheado com leite condensado e chocolate.
Depois do almoço, batemos papo. Meus pais se deram bem, como sempre. Divorciados há 20 anos, e se davam melhor que muita gente casada. O Antônio brincou no tapete, empurrando carrinhos, feliz.
Eu fiquei deitada no sofá, tentando não pensar na porra escorrendo. Mas a cada movimento, a porra descia mais. A cada respiração, o cheiro da bosta voltava. O cu ardia. A vergonha ardia. A humilhação ardia.
Fernando me levou ao médico. Tomei uma injeção — uma injeção na bunda. A agulha entrou, a dor foi rápida.
Voltei para casa. Deitei. Dormi.
E no dia seguinte, acordei melhor.
A febre tinha baixado. A diarreia tinha parado. O nariz ainda escorria um pouco. O cu ainda ardia um pouco. Mas eu estava melhor.
E eu tinha uma história maluca para contar. Uma história de diarreia e de uma cagada no chão.
Mas é o que temos para hoje.
