Como Sobrevivi à Gripe Parte 2



O Fim da Dignidade de Pamela - Recolheu o Próprio coco

Todos foram embora.

Meu pai foi o primeiro. Deu um beijo na minha testa, disse "melhora, filha", e saiu. Minha mãe foi depois, depois de lavar a louça e guardar as sobras. Fernando levou o Antônio pro quarto, colocou ele pra dormir, e saiu pra trabalhar (ele tinha voltado só pro almoço).

A casa ficou em silêncio.

Eu fiquei sozinha.

Deitei no sofá por um tempo. Fechei os olhos. Respirei fundo. A febre tinha baixado. A diarreia tinha parado. O cu ainda ardia, mas menos. O corpo ainda doía, mas menos. A vergonha... a vergonha ainda estava lá.

O cocô.

O cocô no corredor.

O pedaço de cocô que tinha caído no chão enquanto o pau do meu marido saía da minha vagina.

Eu não tinha limpado. Não tinha conseguido. Na hora, eu só queria descer pro almoço, fingir que nada tinha acontecido, e esquecer. Mas não tinha esquecido. Não dava pra esquecer. O cocô estava lá. No chão do quarto. Esperando.

Levantei. Cambaleando. Fui até o quarto.

Lá estava ele.

O pedaço de cocô. A obra de arte do desespero. No piso claro do quarto. Já estava meio seco, meio grudento. Eu olhei pra ele e pensei: "Como eu cheguei a esse ponto?"

Não sei.

Respirei fundo. Peguei um rolo de papel toalha. Me abaixei. O cheiro ainda estava lá — um cheiro azedo, de diarreia, de humilhação. Meu nariz escorria, a febre ainda estava baixa, mas eu sentia o cheiro.

Peguei o cocô com o papel.

A sensação foi estranha. O cocô estava mole, grudento, quente ainda (mesmo depois de tanto tempo). Eu senti ele esmagar entre os dedos, através do papel. A textura, a consistência, a temperatura. Minha mão tremeu. Meu estômago revirou.
Eu queria matar o Fernando! Estava cheia de ódio dele! Passei 3 dias sem falar com ele.

Coloquei o cocô no lixo. Limpei o chão. Passei desinfetante. Passei de novo. Passei mais uma vez. O cheiro sumiu. O chão ficou limpo. Mas a vergonha e o ódio não sumiu.

Joguei o papel no lixo. Fechei a tampa. Fiquei ali, parada, olhando pro lixo. O cocô estava lá. O cocô que tinha saído de mim. O cocô que eu tinha recolhido.

Fui pro banheiro. Tirei a calcinha amarela. Ela estava manchada de bosta atrãs e de porra na frente. Joguei no lixo. Tirei o short. Também estava manchado. Joguei no lixo. Fiquei pelada.

A água do chuveiro caiu no meu corpo. Quente. Aliviando. A água descia pelas minhas costas, pelas minhas pernas, levando o suor, a febre, a vergonha mas não a raiva do Fernando. O vapor encheu o banheiro.

Fiquei ali por muito tempo. A cabeça encostada na parede. A água quente escorrendo. Os olhos fechados.

O Antônio acordou. Ouvi o choro. Saí do chuveiro, enrolei a toalha na cintura, fui buscar ele. Ele arregalou os olhos olhando pros meus peitos.

— Mamãe! — ele gritou.

— Tô aqui, filho. Tô aqui.

Peguei ele no colo. Ele parou de chorar. Colou a mãozinha no meu peito e apertou.

— Mamãe! — ele disse, apontando os meus peitos.

— Vamos tomar banho?

— BANHO!

Levei ele pro banheiro. Coloquei ele de baixo do chuveiro. Lavei o cabelo, as costas, a barriga, o bumbum e o pintinho dele. Ficou durinho ele riu. Fez bolhas. Jogou água em mim.

E naquele momento, no banheiro, com a água morna, o cheiro de sabão, a risada do meu filho, eu esqueci um pouco do cocô. Esqueci um pouco da vergonha. Esqueci um pouco do dia horrível.

O Antônio olhou pra mim. Sorriu. A mãozinha dele tocou meu rosto.

— MAMÃE! — ele disse, feliz.

— Isso, filho. Mamãe.

Eu sorri de volta.

Porque, no fundo, a vida é isso. É cagar no chão, recolher o próprio cocô, tomar banho com o filho, e rir.

Depois do banho, vesti o Antônio. Coloquei ele pra brincar no tapete. Fiquei na sala, deitada no sofá, exausta.

Mas mais leve.

O cocô tinha sido recolhido. O chão tinha sido limpo. A vergonha ainda estava lá, mas menor. Porém a raiva do Fernando durou dias.

Dormi.
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Comentários


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pamelaoliveira164 Comentou em 03/09/2026

charmer kkkkk

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charmer Comentou em 03/09/2026

"Porque, no fundo, a vida é isso. É cagar no chão, recolher o próprio cocô, tomar banho com o filho, e rir." Bela filosofia de vida.... kkkkkk




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Ficha do conto

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Nome do conto:
Como Sobrevivi à Gripe Parte 2

Codigo do conto:
271367

Categoria:
Confissão

Data da Publicação:
03/09/2026

Quant.de Votos:
4

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1