Não faço ideia de quanto tempo dormi. Acordei ainda sonolento com um cheiro forte de café recém-passado invadindo o quarto. Por alguns segundos, permaneci imóvel, tentando entender onde estava.Virei para o lado e procurei o celular na cabeceira. Quando a tela acendeu, senti um frio na barriga: eu já estava atrasado para o primeiro dia no cursinho.
Antes que pudesse me levantar, ouvi duas batidas leves na porta.
— Bruninho?
Nem deu tempo de responder. A porta se abriu devagar e Romão entrou no quarto e meio que analisou a situação.
— Acorda. Vai se atrasar no teu primeiro dia, .
Ele já estava pronto para sair. O uniforme impecavelmente alinhado, a barba recém-feita, o cabelo ainda úmido do banho e uma caneca de café fumegante nas mãos faziam parecer que ele já estava de pé havia horas.
Demorei alguns segundos para processar o que estava acontecendo. Ainda meio perdido entre o sonho e a realidade, sentei na cama às pressas,ver Romão de uniforme me desconcertou dei uma bela encarada em seu corpo e no volume da sua rola que estava logo na altura do meu rosto,quando recobrei o sentido tentei disfarçar a situacao em que tinha acordado,usando apenas uma cueca slip com meu pau claramente estourando dentro dela e ao lado do meu travesseiro a cueca usada do meu pai.Romão apenas deu um sorriso discreto, apontou para o relógio preso ao pulso e disse, com a tranquilidade de sempre:
— Dez minutos. O café está na mesa.
Consegui me arrumar sem atrasar muito o Romão, que se ofereceu para me deixar no cursinho antes de seguir para o quartel. O trajeto foi tranquilo. Enquanto dirigia, ele me mostrava alguns pontos importantes da cidade — onde ficava o terminal de ônibus, um supermercado, uma padaria e a avenida que eu deveria usar caso precisasse voltar sozinho. Falava de maneira objetiva, como se estivesse me dando instruções para uma missão simples, mas fazia aquilo com uma paciência que eu não esperava.
Meu primeiro dia de aula passou sem grandes acontecimentos. Passei mais tempo tentando decorar o nome dos professores, me localizar pelos corredores e me acostumar à rotina da escola do que propriamente prestando atenção às aulas. Fiz algumas conversas rápidas com colegas da turma, mas ainda me sentia um estranho naquele lugar. Tudo era novo: a cidade, as pessoas e a sensação de que, pela primeira vez, eu estava começando uma vida só minha.
Quando cheguei em casa, encontrei Romão e Cláudia terminando o almoço. Naquele dia ela tinha conseguido folga pela manhã e à tarde, mas à noite seguiria para mais um plantão em outra cidade. Conversamos naturalmente sobre o meu primeiro dia de aula. Cláudia quis saber se eu tinha gostado dos professores, se já tinha feito amizade com alguém e se estava conseguindo me localizar pela cidade. Romão ouvia mais do que falava, fazendo uma pergunta ou outra de vez em quando.
— E aí, Bruninho... Sobreviveu ao primeiro dia? — perguntou ele, servindo mais um pouco de arroz no prato.
— Sobrevivi. Achei que ia me perder, mas foi mais tranquilo do que eu imaginava.
— Daqui a uma semana você já vai andar por essa cidade melhor do que muito morador antigo.
Cláudia riu.
— Não exagera. Ele ainda vai me ligar perguntando qual ônibus pegar.
— Faz parte — respondeu Romão. — Todo mundo começa perdido.
Passei o restante da tarde estudando no quarto. Já eram quase cinco da tarde quando resolvi mudar de ambiente e levar os livros para a sala. Assim que cheguei, encontrei Romão falando ao telefone. A conversa era baixa demais para que eu entendesse alguma coisa. Quando ele percebeu minha presença, interrompeu a frase no meio, lançou um rápido olhar na minha direção e encerrou a ligação.
Guardou o celular no bolso e sorriu de canto.
— Estudando?
— Tentando.
— Bom.
Ficamos alguns segundos em silêncio.
— Bruninho...
— Oi?
— Teu pai me pediu um favor antes de ir embora.
Senti meu estômago apertar.
— Que favor?
Romão sustentou meu olhar por um instante, como se estivesse decidindo quanto deveria contar.
— Depois eu te explico.
— Isso tá começando a me deixar curioso.
Ele soltou uma breve risada,sem perder a marra que carregava com ele.
— Curiosidade demais atrapalha.
Antes que eu insistisse, ele mudou completamente de assunto.
— Faz o seguinte: quando a Cláudia sair para o plantão, se arruma. A gente vai jantar fora.
— Tem algum motivo especial?
Romão pegou as chaves do carro sobre o balcão e deu de ombros.
— Você chegou faz pouco tempo. Tá na hora de conhecer melhor a cidade.
Depois daquilo, meu estudo foi completamente por água abaixo. Passei vários minutos encarando a mesma página sem conseguir lembrar uma única linha do que havia acabado de ler. Minha cabeça só voltava à conversa com Romão. O que ele queria me mostrar? Por que fazia questão de esperar a Cláudia sair para o plantão? E, principalmente, por que aquilo tinha relação com um pedido do meu pai? Conhecendo os dois, dificilmente seria alguma coisa banal.
Fiquei mais alguns minutos na sala apenas para disfarçar a ansiedade, mas logo voltei para o quarto. Olhava o relógio a todo instante. Parecia que os ponteiros tinham decidido andar mais devagar justamente naquela noite.
Pouco antes das sete, ouvi duas batidas leves na porta.
— Bruninho... Tá na hora.
Abri a porta e encontrei Romão já pronto para sair. Estava vestido de maneira bem diferente da rotina do quartel: bermuda, uma camisa de botão de mangas dobradas e um relógio de pulso simples. Ainda assim, mantinha a mesma postura firme de sempre. Parecia o tipo de homem que chamava atenção sem fazer qualquer esforço.
— Bora? — perguntou, girando as chaves do carro no dedo.
Assenti apenas com a cabeça.
Durante o caminho, Romão dirigia com tranquilidade. De vez em quando apontava algum prédio, uma avenida ou um comércio conhecido da cidade.
— Aqui fica o fórum.
— Esse bairro é bom para morar.
— Ali na frente tem um mercado que funciona até tarde.
Eu respondia, mas minha atenção estava longe dali. Tinha a impressão de que ele só mantinha a conversa para tornar o trajeto mais leve. Em vários momentos pensei em perguntar para onde estávamos indo, mas sempre desistia antes de abrir a boca.
Depois de cerca de vinte minutos, ele estacionou diante de um prédio discreto. À primeira vista, parecia apenas um bar comum. A fachada era simples, havia poucas mesas do lado de fora e nada chamava muito a atenção.
Assim que descemos do carro, um segurança alto e careca abriu um sorriso ao reconhecer Romão.
— E aí, major. Faz tempo que você não aparece por aqui.
Romão apertou a mão dele com naturalidade.
— A rotina apertou um pouco.
O segurança então olhou para mim.
— E esse rapaz?
Romão colocou a mão de leve no meu ombro.
— É meu cunhado.O bruninho chegou do interior faz pouco tempo. Resolvi apresentar um lugar diferente da cidade.
O homem sorriu de maneira enigmática e apenas respondeu:
— Então sejam bem-vindos.
Em vez de seguirmos para as mesas do salão, Romão caminhou por um corredor estreito ao lado do balcão. No fim dele havia uma porta metálica. Assim que ela se abriu, uma escada descia em direção a um ambiente iluminado por luzes coloridas, de onde vinha música alta e o burburinho de dezenas de vozes misturadas.
Foi naquele instante que percebi que aquele lugar era muito diferente do que parecia visto da rua.
Havia muitas mesas espalhadas pelo salão, embora o movimento ainda fosse pequeno, provavelmente porque ainda era cedo. Quase todo o público era masculino, desde senhores de meia-idade até rapazes pouco mais velhos do que eu. O ambiente lembrava um bar de luz baixa: mesas ocupavam o centro do salão, enquanto, ao longo das paredes, nichos em formato de "U" abrigavam mesas mais reservadas, oferecendo um pouco mais de privacidade aos clientes.
O que realmente capturou minha atenção, porém, não foi a decoração. As atendentes circulavam pelo salão apenas com lingeries extremamente curtas, algumas até transparentes, atendendo os clientes com naturalidade, enquanto alguns poucos rapazes trabalhavam usando apenas aquelas cuecas jockstrap, servindo bebidas e conversando com quem os chamava.O cheiro de suor,sexo,álcool e cigarros todos misturados.O som da música no fundo em meio às conversas , risadas e bem distante gemidos e gritos. Tudo acontecia com tanta espontaneidade que, por alguns segundos, fiquei apenas parado, tentando entender onde estava.Não deu tempo nem de ficar com tesão com a situação.
Então a ficha caiu.
Aquilo era um puteiro.
Pouco olhei para as mulheres nuas ou praticamente nuas,mas aqueles homens,dos mais novos aos mais velhos,eu nem me dava o trabalho de reparar muito nas suas belezas,mas prestava atenção nos detalhes,a maioria sem cueca apenas com o pau marcando nos shorts,a forma que conversavam com as mulheres uns apertando os seios delas,outros com elas no colo,essas pequenas coisas de macho sendo macho e mostrando estarem famintos para se aliviar me dava bastante tesão.E não só isso mas me dava também inveja dessas mulheres sendo desejadas.
Olhando para eles lembrei de Romão e das noitadas de meu pai,me questionei será que era assim que eles ficavam aqui nesse lugar?Como será que eles comiam essas putas?Será que Romão quebrava essa postura de militar pra macerar essas vadias?Quanto mais pensava mais me dava tesão e vontade de estar na pele daquelas mulheres.
Fiquei paralisado por alguns muitos segundos, tentando processar o que estava vendo. Só voltei a mim quando ouvi a voz de Romão.
— Bruninho.
Olhei para ele.
— Me segue.
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