Me depilei com cuidado de artesão. Cada pêlo, cada fio, cada curva — tirei tudo. Queria estar liso, macio, oferecido. Queria que a pele fosse uma superfície sem obstáculos, só toque, só carne. Depois, a chuca. Água morna, repetidas vezes, até sair cristalina. Até sentir que meu cu estava limpo, vazio, pronto para ser preenchido.
Eu não ia para a sauna para "ver o que rolava". Eu ia para ser fodido. E queria que todos soubessem.
Enquanto me preparava, veio à mente aquela cena de Querelle, de Fassbinder — o marinheiro sendo fodido no bordel, a luz baça, o corpo entregue como sentença. Aquela imagem sempre me arrepiava. Sempre me fazia querer ser ele. Aquela noite, eu ia encarnar aquela fantasia com o corpo inteiro.
Entrei na 269 com o corpo vibrando. Toalha na cintura, passos lentos, olhar que não se desviava. Cada homem que cruzava meu caminho, eu devorava com os olhos. Não importava o rosto. Importava o que eles carregavam entre as pernas. Importava o que eles fariam comigo.
A sauna ainda estava vazia. Deixei o vapor me envolver, a água quente escorrer pelas minhas costas. Esperei. Porque eu sabia que a noite só começava depois da meia-noite. Quando os homens de verdade chegam. Quando o desejo não tem mais vergonha.
Eles vieram.
A primeira mão me puxou no corredor escuro. Não vi o rosto — só senti o corpo forte contra o meu, a mão na minha nuca, a língua enfiada na minha boca. Selvagem. Sem perguntas. Exatamente o que eu queria.
Caí de joelhos. Chupei como quem bebe água depois de dias no deserto. Seu pau era médio, grosso, cheirava a sabonete e tesão. Ele segurou meu cabelo e gozou na minha boca em minutos. Engoli tudo, lambi a cabeça, e ele sumiu no corredor.
Levantei. Outro já me esperava.
Ele me puxou para uma cabine, me deitou de costas e abriu minhas pernas. Sua língua entrou em mim como se conhecesse o caminho de cor. Meu corpo arqueou. Minha mão agarrou o colchão duro. Eu gemia alto, sem vergonha, querendo que todos ouvissem — que todos soubessem que eu estava ali para ser usado.
Ele me comeu de frente. Pernas nos ombros dele. Olhava nos meus olhos enquanto me penetrava — devagar no começo, forte depois. Gozou dentro de mim, quente, abundante. Senti cada jorro, cada pulsação. E já queria o próximo.
Não contei os rostos. Só os paus.
Um moreno, grosso, que me fez engasgar enquanto me masturbava. Um ruivo com o pau fino e comprido que entrou em mim por trás, enquanto eu chupava outro. Um rapaz tímido que só queria que eu sentasse nele — e eu montei, cavalguei até ele tremer inteiro. Dois que vieram juntos: um na minha boca, outro no meu cu, alternando, gozando quase ao mesmo tempo.
Eles vinham e iam. Alguns repetiam. Outros só queriam uma chupada rápida. Eu estava no cio, de verdade. Meu cu não era mais um limite — era só entrada, calor, entrega. Cada pau que entrava me preenchia de um jeito diferente, e eu queria mais. Sempre mais.
Perdi a conta. Fui fodido de quatro, de lado, de frente, contra a parede, no chão da cabine, no banco molhado. Oito paus no meu cu — talvez mais. Dez na minha boca. Perdi a conta depois do sexto gozo que engoli.
Quando a sauna começou a esvaziar, eu estava sozinho no chuveiro. Água quente lavando o cansaço. Meu cu ardia, dolorido e cheio. Eu me sentia usado, aberto, perfeito — como Querelle depois de ser condenado e absolvido pelo mesmo ato.
Saí com as pernas bambas, o corpo marcado, a boca salgada. No táxi, passei a mão no meu cu ainda molhado. Senti a porra escorrendo. Sorri no escuro.
Não foi a primeira vez. Nem será a última.
Mas aquela noite — depois da meia-noite, depois de oito paus, depois de dez gozos — eu fui Querelle. O marinheiro que se entrega. O viado sedento que se preparou, se depilou, se abriu, e foi devorado por todos.
E ainda queria mais.
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