A salvação do pastor 2



Lucas encolhia-se no armário, o celular tremendo na mão, a tela ainda gravando. André — nu da cintura para baixo, suado, a barba desgrenhada, o pênis ainda semi-ereto — encarava o garoto, sentindo o mundo desabar.

— Eu... eu posso explicar... — gaguejou Lucas.

André respirou fundo. Seu cérebro, treinado em anos de sermões, de moralidade, de autopreservação, acordou. Ele não podia... não podia deixar... não podia ser destruído assim.

— Não — André sussurrou, a voz rouca, autoritária. — Não precisa explicar nada. Porque você não viu nada, Lucas.

Ele se aproximou, ajoelhou-se — nu, ridículo, mas imponente de alguma forma — e encarou os olhos do garoto.

— O que você achou que viu... foi um erro. Um pecado. Uma fraqueza da carne que eu confessei a Deus e que foi perdoada. Mateus estava em tentação. Eu tentei... expulsar o demônio dele. Fui longe demais. Fui fraco. Mas isso não é cura, Lucas. Isso é destruição. Isso é o diabo se divertindo com a alma de dois homens.

Lucas piscou, confuso. — Mas... eu pensei...

— Você é jovem — André interrompeu, a voz suavizando, piedosa. — Confuso. O que você sente... o que você pensa que quer... também é tentação. Mas não é cura, filho. É condenação. Me dê o celular. Apague isso. E nunca fale com ninguém. Nunca. Ou duas almas se perdem. A minha. E a sua.

Lucas hesitou. Mas a autoridade de André — mesmo nu, mesmo destruído — era inquestionável. Ele entregou o celular. André apagou o vídeo. Devolveu.

— Vá para casa — André ordenou. — Ore. Peça força. E esqueça o que viu. Por amor de Deus. Por amor da sua própria alma.

Lucas saiu. Cambaleante, confuso, mas obediente. Atravessou a igreja vazia, foi para o estacionamento, dirigiu para casa em transe.

André ficou sozinho no escritório. Chorou. Vestiu-se. E rezei — não para Deus, mas para que aquilo bastasse.

……..

Três dias depois, Ricardo Almeida — gerente financeiro da igreja, pai de Lucas, homem de 52 anos de corpo ainda em forma de quem jogou futebol na juventude — sentou-se em seu escritório no centro da cidade e percebeu que esquecera o carregador do notebook na igreja.

— Droga — murmurou, olhando para a bateria em 3%.

Precisava terminar uma planilha urgente. E sabia que Lucas tinha um notebook em casa — o garoto estava na faculdade até às 18h. Decidiu usar o computador do filho. Só para salvar o arquivo. Só isso.

Entrou no quarto de Lucas — espaço pequeno, organizado, cheio de equipamentos eletrônicos. Ligou o notebook. Senha automática — o garoto nunca fora cuidadoso com privacidade.

Salvou o arquivo. Mas ao procurar a pasta de documentos para verificar se salvou corretamente, viu algo estranho: uma pasta chamada "Igreja". E dentro, um arquivo de vídeo. Nome: "Pastor_André_Sala_Aconselhamento.mp4".

Ricardo hesitou. Curiosidade profissional? Preocupação com o filho que trabalhava com multimídia na igreja? Ele clicou.

O vídeo começou. Tremido, filmado de ângulo estranho, através de uma fresta. Mas nítido o suficiente.

André. Nu. Sobre um rapaz mais novo. Movendo-se. Gemendo. Ordenando. Profanando.

Ricardo sentiu o sangue gelar. Depois ferver. Assistiu até o fim — André gozando, mandando o rapaz sair, a porta fechando. E então... a imagem tremendo, aproximando-se, mostrando o rosto de Lucas no espelho, pálido, assustado, gravando.

O vídeo acabou.

Ricardo ficou parado por cinco minutos. Respirando. Processando. O pastor André — o homem que ele respeitava, que pregava moralidade, que batizara seu filho — fodendo um convertido na sala de aconselhamento. E Lucas... Lucas vendo. Filmando. Escondido.

Quando Lucas chegou da faculdade, às 18h30, encontrou o pai sentado em sua cama. O notebook aberto. O vídeo pausado na tela. O rosto de André congelado em êxtase.

— Pai... — Lucas sussurrou, o sangue sumindo do rosto.

— O que você viu — Ricardo perguntou, a voz baixa, controlada, perigosa.

— Eu... eu posso explicar...

— Viu o pastor fodendo um garoto na sala de aconselhamento. E filmou. E não contou pra ninguém. É isso?

Lucas chorou. Silenciosamente, as lágrimas escorrendo, a cabeça baixa.

Ricardo se levantou. Agarrou o ombro do filho, apertando. — Ele te comeu também? — a voz saiu rouca, quase um rosnado. — Responde. Ele te pegou? Te tocou?

— Não! — Lucas gritou, assustado. — Não, pai, eu juro, eu só... eu estava escondido, eu vi, eu filmei, mas eu não... ele não...

— Cala a boca — Ricardo soltou o filho, recuando. Respirou fundo. Olhou para o notebook. Para o vídeo. Para a prova do pecado.

— Vai para a sala — ordenou. — Fica lá. Não sai. Não fala com ninguém. Preciso pensar.

Lucas saiu, trêmulo, fechando a porta.

Ricardo ficou sozinho no quarto do filho. Olhou para o vídeo novamente. E sentiu algo que não esperava — não apenas raiva. Não apenas nojo.

Ciumes.

O pastor André — que ele admirara, que ouvira pregar centenas de vezes — era um homem de carne. De desejos. De fraquezas. E agora... agora Ricardo tinha poder sobre ele. Poder absoluto.

Ele sabia que André estaria na igreja na manhã seguinte. Sempre chegava cedo, às 7h, para preparar os cultos. Estaria sozinho. Vulnerável.

Ricardo dormiu pouco. Acordou às 6h, vestiu-se com cuidado — calça social, camisa polo, aparência de homem de negócios respeitável. Foi para a igreja.

Estacionou no estacionamento vazio. Entrou pela porta dos fundos — tinha chave, como gerente financeiro. Caminhou pelos corredores silenciosos, ouvindo seus próprios passos ecoarem.

Encontrou André no escritório. O pastor estava sentado atrás da mesa, de óculos, revisando uma pregação. Não ouvira Ricardo chegar.

Ricardo trancou a porta. O clique fez André erguer os olhos.

— Ricardo — André sorriu, forçado. — Que surpresa. Algum problema com as finanças?

Ricardo não respondeu. Foi até a mesa. Colocou o celular sobre o papel. Apertou play.

O vídeo começou. André e Mateus. Nu. Fodendo. Gemendo. Profanando.

André sentiu o sangue sumir do rosto. Tentou falar, negar, explicar.

— Não — Ricardo interrompeu, a voz baixa, fria. — Não minta. Não negue. Eu vi. Meu filho filmou. Meu filho viu tudo. E agora... agora eu tenho você na palma da minha mão.

Ele se inclinou sobre a mesa, invadindo o espaço pessoal de André, o hálito quente no rosto do pastor.

— Você está na minha mão agora — Ricardo sussurrou. — Ou eu destruo você. Entendeu, pastor?

André olhou para o vídeo. Para Ricardo. Para a porta trancada.

E assentiu, trêmulo.

O jogo estava apenas começando.


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Ficha do conto

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Nome do conto:
A salvação do pastor 2

Codigo do conto:
271317

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
02/09/2026

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