Eu tinha vinte e três anos quando o médico me olhou por cima dos óculos e disse, sem rodeios: — Você precisa se mexer. O sedentarismo está começando a cobrar. Natação. Três vezes por semana. Pelo menos. Eu era o tipo de cara que nunca tinha entrado numa piscina depois dos quinze. Corpo padrão: nem magro demais, nem definido. Ombros médios, barriga que só aparecia se eu exagerasse no fim de semana, pernas de quem passava o dia sentado na faculdade. Hetero. Namorando a mesma menina desde o segundo ano da faculdade. Mariana. Loira, engraçada, cheirava a baunilha e me fazia rir até doer a barriga. Nós transávamos com frequência, gostávamos um do outro, planejávamos coisas pequenas. Nada de grande drama. Vida normal. O clube era perto da faculdade. Piscina olímpica, água clorada, cheiro de sol e toalha molhada. Na primeira aula eu estava nervoso pra caralho. Enrolei a toalha na cintura como se ela fosse me proteger de alguma coisa. O professor se chamava Ricardo. Trinta e oito anos, casado, anel de prata no dedo anelar esquerdo. Altura mediana, ombros largos de quem nadava a vida inteira, peito coberto de pelos escuros que se viam quando a camiseta molhada grudava. Voz grave, calma, quase monótona. Olhos castanhos que não se esquivavam. — Você é o Lucas? — perguntou, estendendo a mão. Apertamos. A mão dele era maior, quente, calejada. — Sou. Médico mandou. — Bom. Vamos devagar. Eu não gosto de forçar ninguém. As primeiras semanas foram técnicas. Respiração, posição do corpo, pernada. Ricardo entrava na água comigo. Às vezes a mão dele pousava na minha lombar para corrigir a postura. Às vezes segurava meu tornozelo para mostrar o movimento certo da perna. Tudo profissional. Tudo rápido. Eu sentia o toque e depois esquecia. Ou tentava esquecer. Mas a água tem um jeito de aproximar as pessoas. O corpo flutuando, a pele molhada, o espaço reduzido entre uma parede e outra. Um dia ele estava atrás de mim, mãos nas minhas costelas, alinhando o tronco. — Solta o ar. Isso. Agora segura. A voz dele vibrava perto da minha orelha. O peito dele quase tocava minhas costas. Eu senti o calor da pele dele através da água fria. Meu pau deu um pinote involuntário dentro do short de banho. Fiquei com vergonha. Virei o rosto. — Desculpa — murmurei, sem saber exatamente do que. Ricardo soltou uma risada baixa. — Normal. A água aperta as coisas. Não liga. Mas eu liguei. Naquela noite, deitado ao lado de Mariana, pensei na mão dele na minha lombar. Pensei no cheiro de cloro misturado com o cheiro de homem dele. Me toquei no banheiro pensando nisso e gozei rápido, quase com raiva de mim mesmo. Nas semanas seguintes a proximidade cresceu sem que nenhum dos dois pedisse. Ele começou a marcar aulas particulares no horário em que a piscina ficava quase vazia. Dizia que era melhor para corrigir a técnica. Eu aceitava. Chegava cedo, me trocava no vestiário. Às vezes ele já estava lá, só de sunga preta, secando o cabelo com a toalha. O corpo dele era denso, não de academia de selfie, mas de quem usava o corpo de verdade. Barriga definida sem ser abs, coxas grossas, um volume generoso que a sunga não escondia completamente. Um dia eu escorreguei na borda. Ele me segurou pelo braço com força. O peito dele encostou no meu. Ficamos dois segundos assim, respirando o mesmo ar quente e úmido do vestiário. — Cuidado — ele disse, voz mais baixa que o normal. Soltou. Eu me afastei. O coração batia como se eu tivesse nadado duzentos metros. Começamos a conversar mais. Depois da aula, sentados na beira da piscina, pernas na água. Ele falava da esposa, Ana. Casados há onze anos. Sem filhos. Ela viajava muito a trabalho. Ele falava dela com carinho, mas havia um cansaço na voz. Eu falava de Mariana, da faculdade, do medo de me formar e não saber o que fazer da vida. A gente ria. Às vezes o silêncio ficava confortável demais. Uma tarde ele me pediu para nadar costas enquanto ele segurava minha cabeça, sustentando o pescoço. — Relaxa o corpo. Deixa o peso comigo. As mãos dele estavam sob minha nuca e sob minhas omoplatas. Meu corpo flutuava. Eu olhava para o teto e sentia os dedos dele se movendo quase imperceptivelmente. A água balançava. Meu short grudava. Eu sabia que ele via. Eu sabia que ele sentia o meu corpo tenso. Quando saímos, no vestiário, ele se virou de costas para trocar. Eu também. Mas olhei. O cu dele era redondo, firme, coberto de pelos escuros. O saco pesado pendia entre as pernas. Meu pau endureceu de novo. Virei o rosto rápido demais. Ele pegou. — Tá tudo bem? — perguntou, ainda de costas. — Tá. Só… o cansaço. Ele não insistiu. A resistência começou a rachar no dia em que eu cheguei com o ombro dolorido de ter dormido mal. Ricardo me mandou deitar de bruços na maca de massagem que ficava no cantinho do vestiário. — Só para soltar a musculatura. Não é massagem de spa. É técnico. As mãos dele desceram pelas minhas costas. Polegares pressionando, deslizando. Eu estava só de sunga. A toalha cobria a parte de baixo. Ele massagou perto da borda da sunga. Os dedos entraram um pouco por baixo do elástico, sem intenção sexual aparente. Mas o toque ficou. Eu gemi baixo, sem querer. — Aí dói? — perguntou. — Não. Só… sensível. Ele continuou. Mais devagar. Quando terminou, a mão dele ficou parada na minha lombar por três segundos a mais do que deveria. Eu virei a cabeça. Nossos olhos se encontraram. Havia algo ali. Medo. Desejo. Negação. — Eu sou casado — ele disse, seco. — Eu namoro — respondi. — E sou hétero. — Eu também. Silêncio. A água da piscina batia lá fora. Alguém ria no corredor. — Então por que eu não consigo parar de pensar na sua porra de mão nas minhas costas? — eu soltei, a voz saindo rouca. Ricardo fechou os olhos. Respirou fundo. — Porque eu também não consigo parar de pensar no seu corpo flutuando na minha frente. E isso me deixa puto. Eu nunca… nunca olhei para um homem desse jeito. Levantamos. Nos vestimos sem nos olhar. Naquela noite eu transéi com Mariana e gozei pensando no peito peludo de Ricardo. Depois chorei no banheiro, sem saber se era culpa ou alívio. As aulas continuaram. A proximidade virou quase uma tortura. Ele me segurava mais tempo. Eu me deixava segurar. Um dia, na água rasa, ele estava atrás de mim corrigindo a pernada. O pau dele, mole, encostou na minha bunda por acidente. Os dois travaram. A água parecia ter esquecido de se mexer. — Desculpa — ele murmurou. — Não precisa. Eu empurrei o corpo para trás, só um milímetro. O contato aumentou. Ricardo soltou o ar quente na minha nuca. — Lucas… — Eu sei. Saímos da água. No vestiário o silêncio era denso. Eu tirei a sunga debaixo da toalha. Ele também. Quando me virei, ele estava olhando. Não disfarçou. O pau dele estava semi-duro, grosso, a cabeça já um pouco roxa. O meu também. Ficamos nos encarando, nus, a dois metros de distância. — Isso é loucura — ele disse. — Eu sei. — Eu nunca beijei um homem. — Eu também não. Ele deu um passo. Eu dei outro. A mão dele subiu até minha nuca. A minha subiu até o peito dele, sentindo os pelos molhados. O beijo veio torto, hesitante, quase bruto. Dentes, língua, respiração quente. O pau dele bateu no meu. Os dois gememos ao mesmo tempo. Parei. Afasttei o rosto. — Sua esposa… — Está em São Paulo até sexta. Eu… eu não consigo mais fingir que não quero isso. — Mariana… — Eu sei. Eu sei, porra. Beijamos de novo. Mais fundo. As mãos dele desceram e apertaram minha bunda com força. Eu empurrei o quadril contra ele. Os paus se esfregaram, quentes, úmidos de cloro e pré-gozo. Ele me puxou para o box do chuveiro. Ligou a água quente. O vapor subiu. As mãos dele desceram pelas minhas costas, separaram minhas nádegas. Um dedo roçou o meu cu. Eu tremei inteiro. — Eu nunca… — comecei. — Eu também. A gente vai devagar. Você me fala se doer, se quiser parar, se quiser qualquer coisa. Eu preciso que você sinta prazer. Preciso. Entendeu? Assenti com a cabeça. A boca dele desceu pelo meu pescoço, mordeu o ombro, chupou o mamilo. Eu segurei a cabeça dele, os dedos nos cabelos molhados. Quando a boca dele chegou no meu pau, eu soltei um gemido alto demais para um vestiário. Ele engoliu a cabeça, chupou fundo, olhando para cima. Os olhos castanhos fixos nos meus. — Gosta? — perguntou, a voz rouca, a saliva escorrendo. — Caralho… sim. Ele chupou mais. Mão no meu saco, apertando com cuidado. Eu tremia. Quando senti que ia gozar, ele parou. — Ainda não. Quero te comer. Mas só se você quiser. De verdade. Eu o virei de costas contra a parede do box. Me ajoelhei. O pau dele era mais grosso que o meu, a cabeça larga, as veias saltadas. Cheirei. O cheiro de homem, de suor, de cloro. Lambi a fenda. O gosto salgado me fez a boca salivar. Engoli o máximo que consegui. Ricardo gemeu alto, a mão na minha cabeça, mas sem forçar. — Isso… porra, Lucas… sua boca… Chupei até a mandíbula doer. Quando ele estava quase no limite, me puxou para cima e me beijou com a boca suja do próprio pré-gozo. — Vira. De costas. Apoia as mãos na parede. Obedeci. A água quente batia nas nossas costas. Ele se ajoelhou atrás de mim. As mãos abriram minhas nádegas. A língua dele tocou meu cu. Eu soltei um grito abafado. Nunca tinha sentido aquilo. A língua quente, molhada, entrando, lambendo as pregas, chupando. Meus joelhos fraquejaram. — Ricardo… caralho… — Sente. Só sente. Me diz se é bom. — É… é bom pra porra. Ele lambuzou o dedo com saliva e saliva do meu cu e empurrou devagar. Um dedo. Eu fechei os olhos. A queimação veio e depois virou pressão gostosa. Ele mexeu, procurou, encontrou um ponto que me fez ver estrelas. — Aí? — perguntou. — Aí… não para. Dois dedos. Mais saliva. Ele abria, fechava, massageava. Eu empinei a bunda, pedindo mais sem palavras. Quando os dedos saíram, senti o vazio. Depois a cabeça do pau dele, quente, larga, pressionando. — Respira. Empurra para fora como se fosse cagar. Vai ajudar. Eu vou devagar. Me fala tudo. Eu respirei. Empurrei. A cabeça entrou. A dor foi aguda, branca, quase me fez gritar. Ricardo parou imediatamente. — Tá doendo? — Um pouco… só… espera. Ele beijou minha nuca, minha omoplata, acariciou meu pau com a mão livre, masturbando devagar para misturar o prazer com a dor. Aos poucos o corpo aceitou. Eu balancei o quadril para trás. Mais um centímetro. Outro. A cada empurrão ele perguntava: — Ainda tá bom? Quer que eu pare? Quer mais fundo? — Mais… devagar… porra, é grande. Quando o pau dele estava quase todo dentro, eu tremia. A sensação de estar preenchido, esticado, quente por dentro, era nova demais. Ricardo começou a se mover. Estocadas curtas, profundas, controladas. A cada uma ele gemia no meu ouvido. — Seu cu tá apertando tanto… caralho, Lucas… nunca senti nada assim. Me diz o que você tá sentindo. — Queimando… mas gostoso… cada vez que você empurra eu sinto até o estômago. Ele acelerou um pouco. A mão no meu pau masturbava no mesmo ritmo. A água escorria entre nossos corpos. O som era molhado, obsceno, carnal. Eu empinei mais. Ele segurou minha cintura com as duas mãos e começou a foder de verdade. Estocadas longas, o saco batendo nas minhas nádegas, o pau saindo quase inteiro e entrando de novo até o fundo. — Assim? — perguntou, a voz embargada. — Tá sentindo prazer? Me fala. — Tô… tô gozando… porra, Ricardo, não para… Meu pau latejava na mão dele. A pressão no meu cu era constante, o prazer vinha em ondas. Eu gozei primeiro, jatos fortes contra a parede do box, o corpo inteiro se contraindo em volta do pau dele. Ricardo gemeu alto quando sentiu meu cu apertar. — Vou gozar… posso gozar dentro? Quer? — Quero… enche… porra, enche meu cu. Ele enterrou fundo, tremeu, e eu senti o calor do gozo dele invadindo, jato atrás de jato, quente, espesso. Ele continuou empurrando enquanto gozava, drenando tudo dentro de mim. Depois ficou parado, o peito grudado nas minhas costas, respirando pesado. — Você tá bem? — perguntou, a voz baixa, preocupada. — Doeu? Foi demais? — Tô bem. Foi… intenso. Ele saiu devagar. Eu senti o gozo escorrer pela coxa. Ricardo se ajoelhou de novo, abriu minhas nádegas e olhou. — Tá vermelho. Mas não rasgou. Vou limpar. Ele me lavou com cuidado, dedos suaves, água morna. Depois me virou e me beijou, lento, quase carinhoso. — Eu não sabia que ia ser assim — murmurou. — Eu também não. Ficamos abraçados debaixo da água até ela esfriar. Quando saímos, nos vestimos em silêncio. No estacionamento ele me olhou uma última vez. — Na próxima aula… a gente conversa. Sobre tudo. Sobre o que a gente faz agora. Eu assenti. Entrei no carro. O cu ainda latejava, o gozo dele ainda escorria um pouco dentro da cueca. Dirigi até casa com o coração batendo no peito como se eu tivesse acabado de descobrir uma parte de mim que sempre esteve escondida sob a superfície da água. Naquela noite, deitado ao lado de Mariana que dormia, eu toquei a própria pele e senti ainda o cheiro de cloro e de homem. Não sabia o que ia acontecer amanhã. Só sabia que, por alguns minutos dentro daquele box, eu tinha sido completamente visto. E, pela primeira vez, não tinha corrido.
Faca o seu login para poder votar neste conto.
Faca o seu login para poder recomendar esse conto para seus amigos.
Faca o seu login para adicionar esse conto como seu favorito.
Denunciar esse conto
Utilize o formulario abaixo para DENUNCIAR ao administrador do contoseroticos.com se esse conto contem conteúdo ilegal.
Importante:Seus dados não serão fornecidos para o autor do conto denunciado.