No dia que pedi pro meu namorado amarrar meus pulsos e me bater, ele terminou comigo. Acho que assustei o coitado. Bastou pedir qualquer coisa além do papai-mamãe e o homem quase entrou em pane. Bom… não sofri. Nem corri atrás. Pelo contrário. Naquela altura, minha cabeça já andava ocupada com algo muito mais interessante. Semanas antes, depois de uma trepada péssima na casa daquele frouxo, ele foi pro banho e eu fiquei mexendo no computador dele. E, no auge dos meus vinte e dois aninhos, bastavam cinco minutos sozinha diante de um PC pra eu acabar em alguma safadeza. Ah, mas eu já gostava dessas coisas muito antes da internet. Ainda era uma garotinha quando descobri a maleta que meu padrasto escondia no guarda-roupa. Pelo menos ele achava que estava escondida. Bastava ficar sozinha em casa pra correr até lá e fuçar. Tinha de tudo naquela maleta. Playboy da Maitê Proença, Isadora Ribeiro, Sexy da Rita Guedes, filmes como A Dama do Lotação, Instinto Selvagem e Gabriela. Mas eram uns livrinhos de contos eróticos que mais me prendiam. Nossa, até agora me lembro do cheiro daquele papel barato. Das capas cafonas, das gravuras em preto e branco. Quase todas as histórias tinham traição, desejos proibidos e mulheres fazendo coisas que eu nem entendia direito na época. Mesmo assim, devorava tudo. Como passava as tardes sozinha em casa, foi no meio daquelas revistinhas que me descobri. Que me toquei pela primeira vez. Bom… voltando. O chuveiro nem tinha ligado ainda, então eu tinha tempo. Abri o saudoso Contos Quentes, um site que frequentava quase todo dia. Bons tempos. Foi lá que encontrei A Cela 13, de uma autora chamada Hella. Nossa, como eu gostava daquele conto! Lia e relia, e depois ainda passava um tempão nos comentários, acompanhando os leitores flertando, brigando, implorando continuação… e eu no meio da bagunça também. No MSN, eu era a namoradinha de uns três autores daquele site. E era boa nisso, viu? Fazia cada um acreditar que era o único. Quando descobriam que não eram… puta merda! Virava uma confusão danada, com ciúme, discussão e ameaça de bloqueio. Eu me divertia horrores. Que saudade daquela época. Mas enfim… naquela tarde, de um link pra outro, acabei chegando a um tal Senhor dos Contos. Nome meio pretensioso, não? Quando dei por mim, já estava no blog dele, devorando histórias que mexiam comigo de um jeito que nem sei explicar. E assim começou meu vício. No dia seguinte, lá em casa, bateu aquela vontade de espiar o blog. Fingi que era só curiosidade. Mentira. O computador ofegava embaixo da mesa enquanto o modem chiava tentando conectar. No quintal, a gordura da carne estalava na churrasqueira, as risadas corriam soltas, latas de cerveja se abriam sem parar e meu padrasto pedia mais uma como se fosse o dono do mundo. Aquele tradicional domingo em família. Com todo mundo distraído, inventei que ia pegar uma coisa no quarto e acabei ficando por lá. Deixei a porta encostada e sentei diante do computador. A internet estava uma porcaria naquele dia, e a página demorou uma eternidade pra carregar. Fazia um calor danado. O suor escorria pelo meu pescoço e a saia grudava nas coxas. Nem parecia junho. Ele escrevia de tudo um pouco, mas eram os contos de dominação que acabavam comigo. Num deles, eu era a aluna presa nos fundos da escola pelo diretor. No outro, uma secretária obediente, levando uma bronca do chefe. Fechei os olhos e as palavras ganharam voz dentro da minha cabeça. “Era pra esse relatório estar na minha mesa às onze.” “Me perdoe, meu senhor… eu não…” Puxei a calcinha pro lado. “Mãos na mesa. Não tira até eu mandar.” — Ahnn… Olhei pro guarda-roupa. O brinquedinho estava lá, escondido no meio das calcinhas, na terceira gaveta. — Não. Ainda é cedo. Continuei perdida na fantasia, imaginando a voz do chefe e o castigo que viria depois. “Hoje você vai aprender a me obedecer.” Na minha cabeça, o chicote já cortava o ar. Quase podia ouvir o estalo do couro. A porta abriu num solavanco. Fechei as pernas tão depressa que a cadeira rangeu. — Tia Sara! Olha o que eu ganhei! — Minha sobrinha entrou correndo, toda animada. — Que linda, guria… Quem te deu? — Tio Marcos. O nome dela vai ser Sophia. Puxei a saia pra baixo às pressas, ajeitando o tecido entre as pernas. Por sorte, a menina estava encantada demais com o presente pra reparar em qualquer coisa. Quando saiu, fechei a porta devagar, encostei a testa na madeira e soltei o ar. O blog continuava aberto. Me esperando. Certa noite, com a casa inteira dormindo, lá estava eu diante do espelho. A luz fraca do abajur iluminava minhas pernas, cobertas por meias pretas rendadas até a altura das coxas. Era exatamente o tipo de coisa que, na minha cabeça, excitava aquele homem. As mulheres dos contos dele quase sempre apareciam assim. Dei uma ajeitada no cabelo preso e peguei minha câmera digital, uma Cyber-shot pequenininha que eu adorava. Mirei no espelho e disparei. O flash estourou bem na frente do meu rosto, escondendo quase tudo. Foi sem querer, mas ficou perfeito. Sentei diante do computador e fiquei um tempinho escolhendo as palavras. Criei um e-mail só pra aquilo. Nome falso, idade falsa, tudo falso. A coragem, não. Escrevi: “Às vezes parece que você escreve pra mim…” Anexei a foto e enviei. No dia seguinte, no escritório, abri o e-mail num cantinho da tela. Sempre tinha algum curioso querendo espiar o monitor dos outros. Mas nada de resposta. Odeio esperar, ainda mais quando sou eu que tomo a iniciativa. Tentei me concentrar no trabalho, mas a cabeça voltava toda hora ao último conto dele. Bastava lembrar de uma passagem e eu já cruzava as pernas debaixo da mesa, inquieta. A manhã inteira se arrastou. Depois do almoço, Gabi apareceu na minha mesa. — Está tudo bem, Sara? — Tudo. Por quê? — Sábado você sumiu do aniversário da Tati. — Ai, Gabi… desculpa, mas eu tava mega cansada. Que nada. A festa estava um tédio, com a Tati agarrada naquele noivo dela… aff. Baunilha demais. Preferi ir pra casa me divertir com aquele amiguinho que morava no meu guarda-roupa. Assim que Gabi saiu, conferi o e-mail outra vez. Nada. Merda. Já estava quase indo embora quando chegou uma mensagem nova. Era ele. Abri depressa, mas antes conferi quem ainda estava no escritório. Só eu e o estagiário. “Sabe o que isso significa, Sophia? Você é minha.” Fiquei olhando aquelas palavras, toda besta. Então resolvi provocar. “E se eu estiver só brincando com você?” A resposta veio quase na hora. “Brinque. Se precisar, eu sei te corrigir.” — Tchau, Sarinha — disse o estagiário. Levantei a mão sem tirar os olhos do monitor. Outra mensagem apareceu. “Me ligue… (11) 985…” DDD de São Paulo. Eu estava sem crédito no celular, mas podia ligar da mesa mesmo. Vivia falando com o pessoal da filial, ninguém ia estranhar. Disquei. Chamou uma vez, duas… Na terceira, ele atendeu. — Alô. A voz era calma. Calma até demais. — Sou eu… Sophia. — Muito prazer, Sophia… Adorei a foto. Está em casa? — No trabalho. Ele ficou quieto por um instante. — E como você está vestida agora? Olhei meu reflexo no vidro escuro da janela. — Jeans… uma blusinha simples. — Abra a calça. Puta merda. Justo ali? Dei uma conferida no escritório. Estava sozinha. — E se eu não fizer? — Esse teu jeito teimoso. Gosto disso. Levei a mão ao botão da calça, mas hesitei. — Porra, Sarinha, esqueci a carteira. O estagiário tinha voltado. Que inferno! Pedi um minuto ao telefone e fiquei tentando disfarçar enquanto o garoto remexia nas gavetas da mesa. — Tchau… tchau, Sara. Esperei até ouvir seus passos se afastando e voltei ao telefone. — Pronto… — Imagine minha boca em você. Te chupando. — Vocês sempre param cedo demais. — Eu faria você perder o ar. Fechei os olhos. Na minha cabeça, já estava em outro lugar. Um quarto escuro, lençóis bagunçados, minhas mãos presas. O couro do chicote cortando o ar. — Ai, cacete… — Não goze. Só quando eu permitir. Apertei os lábios. — Por favor… Gozei. Desliguei na mesma hora. Fiquei parada por sei lá quanto tempo, olhando o telefone no gancho, tentando recuperar o fôlego… e o raciocínio. Passamos a nos falar todos os dias. Quase sempre de madrugada. A gente usava a mesma operadora de celular, então dava pra passar a noite inteira no telefone por cinquenta centavos. Em pouco tempo, já não era só tesão. Algumas noites eu apenas contava como tinha sido meu dia. Ele ouvia, aconselhava e às vezes a gente ria junto de alguma besteira. Mas, quando a conversa escapava praquele outro lado, ele assumia o controle. Sempre. Um dia, propôs que trocássemos cartas. Dizia que a letra de uma pessoa era uma coisa íntima demais. Na hora achei meio brega. E, pra falar a verdade, eu tinha uma preguiça danada de escrever. Mas ele tinha razão. Quando recebi a primeira carta, passei um tempão olhando aquela letra torta. Guilherme F. Almeida. Era o nome verdadeiro dele. Agora ele sabia o meu também. Aquilo mexeu comigo mais do que eu esperava. E, quando dei por mim, já estava indo longe demais. Num fim de tarde, chegando em casa, dei de cara com um homem parado no portão. Roupa social, um buquê de rosas na mão. Levei um susto daqueles. Graças a Deus, era só o entregador da floricultura. Atravessei a sala tentando parecer normal, enquanto minha família soltava aqueles “hummm… tá namorando…”, entre risinhos. No quarto, tirei o envelope do meio das rosas e joguei o buquê sobre a cama. “Penso muito em você.” Simples. Direto. Debaixo do cartão havia duas passagens de ônibus. Ida e volta para Balneário Camboriú. Fiquei olhando aquilo por alguns segundos. Meu Deus… aquilo estava mesmo acontecendo. Naquela noite, nos falamos de novo. A conversa começou com uma fantasia inspirada naquele conto da Hella de que eu tanto gostava. Até hoje não sei explicar direito o efeito que aquelas histórias tinham sobre mim. Bastava ouvir a voz dele e, na minha cabeça, o quarto dava lugar ao manicômio abandonado, ao médico sádico e a todas aquelas situações que eu só tinha coragem de imaginar. Naquela noite, a experiência me surpreendeu de um jeito que eu nem sabia ser possível. Fui tomar banho ainda meio atordoada, rindo sozinha debaixo do chuveiro. Depois, voltei pro quarto e liguei pra ele outra vez. — Você acabou comigo… — Quero fazer isso ao vivo. — Acho que vou ficar muito tensa… — Existe alguma coisa que te excite mais? Hesitei. — Tem uma coisa… mas dá vergonha falar. — Pode falar. Contei sobre uma fantasia que tinha visto em alguns vídeos e perguntei se aquilo era mesmo possível. Mesmo depois de tanta intimidade, ainda fiquei sem jeito. — Claro que é possível! — Mas a mão toda lá dentro? — Fica tranquila. Vamos fazer isso. Puta que pariu. Continuamos conversando e acertando os detalhes da viagem. — Você vai chegar primeiro. Quero você de vestido justo, curto, salto alto e meias rendadas. Enquanto ele falava, eu já me imaginava chegando ao hotel daquele jeito. — Fique de costas pra porta. Vou te vendar. — Mas eu quero te ver… — Vou pensar no seu caso. — Isso não vale! Ele riu baixo, daquele jeito calmo. — Precisamos de uma palavra de segurança. — Vou precisar beber alguma coisa. Já tô me vendo supernervosa. — Tamarindo. — Tamarindo? Por quê? — Tem que ser uma palavra que não combine com o momento. Fiquei rindo sozinha do absurdo daquilo. Depois de uma pequena pausa, ele acrescentou: — Ah… e pode levar seu amigo. Aquilo me pegou de surpresa. — Sério? Mas… — Você vai lembrar dessa noite pelo resto da vida, Sara. Resolvi mudar de assunto antes que ele me deixasse ainda mais nervosa. — Tequila… amo tequila. — Boa pedida. Vou levar uma. — José Cuervo… prata, por favor. Aquilo não ia prestar. O ônibus levou quase dez horas de Porto Alegre até Balneário Camboriú, mas, como combinado, cheguei primeiro. O quarto já estava reservado. 411 Entrei puxando o ar, torcendo pra ele não ser um psicopata. Tomei um banho rápido, passei creme no corpo ainda úmido, me vesti e borrifei perfume no pescoço e no colo. Sentei na cama, batendo o pé sem parar. Não aguentei. Peguei o celular e liguei. — Onde você está? Do outro lado, ouvi passos abafados e a voz dele, baixa. — 407… 408… — Aiii! Espera! Joguei o celular na cômoda, corri até a porta, destranquei e voltei enfiando os saltos às pressas. Fui até a janela. O dia nublado deixava a cidade estranha, quase parada. Uma buzina soou ao longe. Depois, só silêncio. O cheiro de mar entrava pela fresta. A porta se abriu. Travei. A chave girou duas vezes, trancando nós dois ali. Ele não veio logo. Mesmo de costas, eu imaginava os olhos dele passeando pelo meu corpo enquanto permanecia imóvel diante da janela. Cabeça baixa, vestido preto curto, meias rendadas e salto alto. Primeiro veio o perfume. Bom demais. Depois, os passos lentos se aproximando por trás. Quando ele finalmente me abraçou, reconheci naquele gesto a intimidade que havíamos construído durante tantas madrugadas, embora fosse a primeira vez que estávamos juntos. — Qual o seu propósito aqui? — murmurou no meu ouvido. — Te servir, meu senhor. — Boa menina. Aquilo me deixava mole. — Feche os olhos. Obedeci. Um tecido macio e frio cobriu meus olhos. Ele amarrou a venda e me virou de frente. Segurou minha nuca e me beijou. Caramba. Quantas vezes eu tinha imaginado aquele beijo? Quando se afastou, eu ainda tentava recuperar o fôlego. — Vira — ordenou, agora com a voz mais baixa. — Mãos no batente da janela. Não tira até eu mandar. Entendeu? — Sim, senhor… Voltei de costas e apoiei as mãos na madeira fria. Se abaixou atrás de mim. As mãos deslizaram pelas minhas pernas, subindo pelas meias até encontrar a calcinha. Puxou o tecido pra baixo até cair nos meus tornozelos. Saí da calcinha, um pé de cada vez. — Abre mais as pernas. Abri… bem devagar, empinando. O hálito dele estava bem perto, ficou alguns segundos ali, respirando contra mim de propósito, me deixando maluca. Quando a boca finalmente me tocou, minhas pernas quase cederam. A língua quente percorreu minha boceta inteira, explorando. Repetiu o movimento ainda mais lento, saboreando cada parte de mim. Chupou meus lábios, sugando um de cada vez, soltando com estalo molhado. — Porra… Já não conseguia controlar a respiração. Enfiou a língua fundo. Gemi alto, as pernas tremiam. Então dois dedos deslizaram pra dentro, curvando-se pra cima no ponto exato. Eu estava encharcada. Para meu delírio, veio o terceiro dedo, aos poucos, me abrindo. — Ahhh… caralho… — soltei, a voz falhando. Metia os dedos girando, abrindo espaço, acertando exatamente onde eu mais queria. — Você aguenta mais. Enfiou o quarto dedo. Meu corpo tensionou inteiro. Parou por um instante, me dando tempo pra me acostumar. Depois veio o polegar. A pressão ficou insana. Ele empurrou, girou e forçou com calma… até a mão inteira deslizar pra dentro de mim. Foi nesse instante que, puta que pariu… eu esguichei. Forte. Muito forte. Muito mais intenso do que certa vez ao telefone. Achei que fosse desmaiar, mas rebolei contra ele, completamente descontrolada. — Safada. Um tapa seco estalou na minha bunda, os dentes dele cravaram na minha carne enquanto a mão fechada permanecia toda dentro de mim. Eu nem acreditava no que estava acontecendo. Nunca tinha sentido tanto prazer. Depois de tirar a mão lentamente, ele se levantou. Virei de frente pra ele, segurei seu rosto e puxei-o pra mim. Beijei-o quase sem fôlego. Interrompendo o beijo, murmurou rouco contra minha boca: — Você desobedeceu. Voltei depressa pra posição, o coração martelando no peito, meio atrapalhada. Atrás de mim, voltou a se abaixar. Tirou meus saltos, um de cada vez. Me senti ainda mais vulnerável, menor. Depois suas mãos subiram pelas minhas coxas. Com uma calma quase cruel, desceu a primeira meia, deslizando o tecido pela minha pele, enrolando até o tornozelo. Fez o mesmo com a outra, ainda mais devagar. O vestido continuou amontoado na minha cintura, deixando a bunda e boceta completamente expostas. — Quero que você conte — ordenou, voz baixa e firme. Mal terminei de registrar as palavras e o chicote cortou o ar. Slaaaap! O couro fino acertou minha bunda com força. — Um! — soltei, a voz saindo trêmula. Slaaaap! — Dois… Os joelhos quase cederam. Slaaaap! — Três… — gemi, a ardência se espalhando quente pela pele. Ele parou. O silêncio parecia amplificar a tensão. — A quem você pertence? — perguntou, a voz grave bem perto do meu ouvido. — A você… Guilherme Almeida… — respondi quase sem ar. A cabeça do pau dele passeava entre minhas pernas, me provocando. Subia, descia, espalhando meu próprio tesão por mim. Soltei um gemido preso na garganta. Baixinho. Posicionando a glande na entrada, empurrou. Sem rodeios. Minhas paredes se esticaram ao redor dele, apertando forte. Soltei um gemido longo. Com as duas mãos na minha cintura, sua estocada me fez ficar na ponta dos pés. Depois outra. E mais outra. Cada vez mais bruto, mais fundo. Meu corpo balançava pra frente com a intensidade das arremetidas. Puxou meu cabelo, me fazendo arquear as costas, e virou meu rosto pro lado. Me beijou com tanta vontade que nossos dentes chegaram a se esbarrar. Tentei manter as mãos no batente da janela, mas não consegui. Acabei agarrando a nuca dele e puxando-o ainda mais pra mim. Os gemidos roucos de Guilherme vibravam contra meus lábios. Minha bunda ainda ardia por causa do chicote. Até que… caralho… gozei de novo. Minhas pernas vacilaram. Achei que fosse cair. — Ahnnn… já não tenho mais forças — murmurei contra a boca dele, com um riso meio desesperado. Guilherme ainda levou algum tempo para gozar. Quando finalmente chegou lá, percebi mais uma imprudência nossa. Sim… sem camisinha. Não tinha juízo nenhum naquela época. Seus braços me envolveram por trás, apertando meu corpo contra o dele. Que delícia. Guilherme oscilava entre um pervertido e um amante carinhoso de um jeito que me viciava. Seus dedos alcançaram o nó da venda, atrás da minha cabeça, e o desfizeram. Quando o tecido caiu, me virei para finalmente olhar aquele homem. Estávamos tão perto que acabamos nos beijando outra vez, agora mais calmos. Deslizei a mão pelo peito dele e o encarei por alguns instantes, antes de baixar os olhos. — Olha pra esse pau… — murmurei, admirada. Comecei a punhetá-lo devagar, sentindo ele voltar a endurecer na minha palma, crescendo outra vez. Preciso confessar que Guilherme não era o tipo de homem que chamaria minha atenção num bar ou numa balada. Não era bonito daquele jeito óbvio. E ali, olhando pra ele, percebi que talvez eu fosse meio… sei lá, fútil? Me senti uma idiota por isso. Talvez, se eu tivesse prestado menos atenção à embalagem, não teria perdido tanto tempo com uns babacas por aí. Depois de passarmos boa parte da manhã na cama, saímos pra comer um peixe à beira-mar. Que momento delicioso. Foi ali que contei a ele sobre meu medo bobo do mar. Desde menina, tenho essa mania de imaginar uma onda gigante chegando do nada e levando tudo pela frente. Vai entender. À noite, voltamos aos trabalhos. Cavalgando forte nele numa poltrona no canto do quarto, tive um orgasmo tão intenso que minhas pernas tremiam. Na hora não me dei conta, mas devo ter apertado aquele pau com tanta fome que os dedos dele cravaram na minha coxa e ele soltou, quase sem ar: — Caralho, vai cortar meu pau assim? Eu ri. — Pompoarismo, querido — queria ter respondido, mas na hora não saiu. Foram dois dias de muito sexo, tequila e boas risadas. Até aquele meu amiguinho entrou na brincadeira. Com os punhos e tornozelos amarrados à cama, fiquei à mercê dele, que deixou o brinquedo vibrando. A ordem era não gozar. Brincadeira, né? Ele queria me castigar mesmo. No domingo à noite, fomos juntos pra rodoviária. O ônibus dele saía uma hora antes do meu. Quando Guilherme embarcou, senti um aperto danado no peito. Um vazio súbito. Houve outros encontros depois, quase sempre muito intensos. Até que, no último, ele percebeu que eu já não estava mais ali de verdade. Eu mal respondia aos e-mails, as ligações foram ficando mais raras, a distância pesou. E eu vacilei… conheci um cara. Enfim… Anos depois, rolou um remember. Eu o procurei e ele foi muito querido. Parecíamos os mesmos de antes. Só que, depois de ele mencionar umas duas ou três vezes o meu erro, entendi que aquilo não ia dar certo. Nunca fui boa em escrever contos. Na verdade, foi por causa dele que comecei a arriscar. Gostei do processo. Por isso, decidi registrar nossa história. Não sei se ele vai ler um dia, mas pelo menos ficará guardada. Nossa história merece ser contada. Foram orgasmos demais pra deixar no esquecimento. Mas hoje, enquanto meu marido tomava banho, não sei o que me deu. Liguei o notebook e entrei naquele e-mail que não abria há séculos. Havia uma mensagem nova. Dele. Enviada há um mês. “Penso muito em você.”
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