A porta da frente estava destrancada.
Esse deveria ter sido o primeiro sinal. Ela sempre a trancava. Dizia ser paranoica com o bairro, e sempre girava a tranca assim que eu entrava. Mas, naquela noite, a porta estava entreaberta, deixando escapar uma fresta de luz amarelada e quente para a varanda.
Empurrei a porta.
O som chegou antes da imagem. Um estalo úmido e rítmico de pele contra pele, constante como um batimento cardíaco. Vinha da sala de estar. Logo depois, ouvi a voz dela — um gemido baixo que eu conhecia muito bem, mas com uma entonação diferente. Mais suave. Quase como um ato de adoração.
Estalo. Palmada. Estalo
Eu me movia no piloto automático, meu tênis sem fazer ruído sobre o piso. O corredor dava para a sala de estar e, ao chegar lá, parei de respirar.
Ela estava no sofá, de quatro; a renda preta do sutiã ainda estava presa, mas a saia estava toda amontoada na altura da cintura. A bunda dela — aquele rabo farto e arredondado que, em tantos sábados, eu segurei com as mãos — estava pressionada contra um rapaz.
Não. Não é um garoto. É um homem.
Dezenove anos — ela tinha mencionado ele uma vez. Já ??estava na faculdade. Em casa para o fim de semana. As mãos dele estavam nos quadris dela, os dedos afundando na carne macia acima dos ossos do quadril, e ele se movia dentro dela com um ritmo lento e deliberado que fez meu próprio pau latejar dentro da calça jeans.
A cabeça dela estava jogada para trás, os cabelos escuros espalhados pelos ombros. A boca estava entreaberta, um fio fino de saliva conectando os lábios. Ela não estava fingindo. Eu já a tinha visto fingir, lá no começo, antes de ela confiar em mim. Aquilo era real.
O ritmo dele acelerou. Um som mais agudo agora, mais úmido. A respiração dele falhou.
— Mãe — ele ofegou, e a palavra me atingiu como uma dose de cachaça: quente e inesperada.
Ela virou a cabeça, e seus olhos encontraram os meus na porta.
Por um segundo, nada se moveu. O olhar dela estava turvo, embriagado de prazer, mas um lampejo de reconhecimento surgiu. O corpo dela não parou. Continuou balançando contra ele, traindo-a, tomando o que desejava.
Então, ela sorriu.
Lento. Deliberado. Um sorriso que dizia: "Eu sei que você está olhando, e não me importo". Quase uma provocação por eu ter demorado a chegar.
Eu não fui embora. Não consegui. Meus pés estavam pregados no chão, e minha mão já se movia em direção ao cinto, sem que eu desse permissão.
O rapaz enterrou o rosto no pescoço dela, seus movimentos tornando-se frenéticos, e ela soltou um gemido longo e trêmulo que terminou em uma risada. Uma risada de verdade. Descontraída.
Quando terminaram, ela se desvencilhou das almofadas e veio em minha direção, nua da cintura para baixo. Não se cobriu. Não teve pressa.
— Você se atrasou — disse ela, sem qualquer tom culpa na voz.
— Meu celular descarregou.
— Eu sei. Imaginei. — Ela lançou um olhar para o filho, que vestia a calça jeans, alheio à minha presença na penumbra. — Ele vai passar o fim de semana aqui.
Engoli em seco. — Percebi.
Ela examinou meu rosto. Desceu o olhar para a minha calça jeans, com o zíper aberto. Para o volume ali. E seu sorriso se alargou.
— Você gostou.
Não era uma pergunta.
Assenti.
Ela ergueu a mão e tocou meu rosto — um gesto tão terno que fez meu peito doer. — Ótimo. Porque quero que você assista de novo.
