O ritual nunca muda. O isqueiro acende, a brasa consome o papel e a primeira tragada densa entra devagar, preenchendo o peito antes de se dissolver no ar. Enquanto a fumaça sobe em espirais lentas pela penumbra do quarto, o efeito começa a se espalhar pelas extremidades — mas, como sempre, o verdadeiro destino dessa viagem não é a cabeça. É lá embaixo. Quase instantaneamente, sinto o calor descer em ondas pesadas, concentrando-se na região inferior com uma urgência magnética. É um pulsar denso, uma sensibilidade à flor da pele que transforma cada fibra do meu corpo em um radar de prazer. O toque do tecido da calça contra a pele deixa de ser rotineiro e passa a ser uma provocação constante, um lembrete físico de que o meu foco já não está em mais nada. A fumaça do segundo tragado ainda paira pesada no ar quando pego o celular. A luz da tela parece mais brilhante do que o normal, cortando a meia-luz do quarto e destacando os detalhes do meu corpo já relaxado na cama. Entro na página, procurando por aqueles contos específicos — histórias que parecem ter sido escritas exatamente para puxar os fios da minha imaginação. As horas começam a se diluir. Para a mente sob o efeito da erva, o tempo perde totalmente o sentido: minutos viram uma eternidade morna e envolvente. A cada parágrafo lido, a cada descrição detalhada de um toque, de um sussurro ou de uma entrega sem pressa, a leitura deixa de ser só visual e se torna física. É como se cada palavra ressoasse direto na minha virilha, alimentando aquele latejar contínuo e pesado. Sentindo a pele cada vez mais quente e hiper-sensível, estendo a mão para a barra da camiseta. Puxo o tecido para cima sem pressa, deixando o ar fresco do quarto tocar a pele do peito e do abdômen — um contraste arrepiante que faz o sangue pulsar ainda mais forte na região inferior. Em seguida, deslizo as mãos até o cós da calça. A urgência cresce, mas a brisa da maconha me faz querer desacelerar cada movimento, saboreando a sensação da roupa deslizando devagar pelas pernas até ficar completamente despido na cama. A pele limpa ao contato com o lençol é uma provocação quase insuportável. Passo uma das mãos sem pressa pela coxa, sentindo a textura da pele arrepiada, enquanto a outra segura o celular, fixada nas linhas eróticas da tela que continuam guiando o meu ritmo. Com os dois pés afundados nesse transe, o tempo simplesmente para de existir. O quarto é um santuário de penumbra, fumaça residual e um calor sufocante que emana direto do meio das minhas pernas. Lendo cada linha do conto na tela, sinto o sangue pulsar com uma força descomunal na região inferior. Não aguento mais o contato só do ar. Minha mão espalmada desce pelo abdômen, arranhando levemente a pele com as unhas até alcançar a base do membro, completamente rígido e latejando num ritmo próprio. Fecho os olhos por alguns segundos, envolvendo a haste com firmeza. O primeiro deslize, lento e carregado de óleo natural e suor, arranca um suspiro pesado da minha garganta. Cada centímetro tocado parece multiplicado por dez sob o efeito da erva; o toque é espesso, quase líquido, e a sensação na cabeça do membro é de um prazer elétrico, à beira do suportável. Abro os olhos novamente, com a vista meio turva pelo torpor. Alterno a leitura na tela com um vídeo que coloco para rodar em segundo plano — os sons abafados de respiração ofegante e o visual explícito se misturam perfeitamente às imagens mentais que a história da página me provocava. Minha mão acelera o ritmo, subindo e descendo devagar no início, depois numa cadência firme e ritmada que acompanha as batidas do meu coração na garganta. A outra mão puxa o próprio peito, beliscando a pele sensível enquanto o corpo inteiro se contorce levemente sobre o lençol. É exatamente nesse momento de pico, onde a mente está completamente anestesiada e o sexo pegando fogo, que a tela do celular brilha com uma notificação no topo. Uma mensagem. Um nome conhecido aparece na tela e, logo abaixo, a prévia do texto corta a minha respiração: “Sei que você tá chapado uma hora dessa... e sei exatamente como você fica. Quer que eu vá aí ou vai me mandar uma foto do que tá fazendo agora?” O impacto visual daquelas palavras escritas na tela, misturado com o toque denso da minha mão no membro ereto, faz a virilha dar um aperto violento. A luz da tela ilumina a pele suada e a tensão evidente no corpo. Sem pensar duas vezes, ergo o celular, enquadro a cena exata — a rigidez do membro ereto na mão firme, o peito arfando e a entrega total àquele momento — e envio a foto sem legenda. A confirmação de entrega pisca, seguida quase que imediatamente por três pontinhos indicando que do outro lado a resposta já está sendo escrita. O celular treme na mão. Não é texto. São dois vídeos recebidos em sequência. Abro o primeiro. A imagem é limpa, focada e direta: ela aparece deitada de costas, com as pernas abertas. Um vibrador grosso e potente está socado fundo na sua vagina, deslizando num ritmo frenético e contínuo. O som do motor misturado aos gemidos baixos e abafados dela ecoa pelo meu quarto, criando um contraste absurdo com o silêncio do ambiente. Dá para ver a pele do quadril contraindo a cada investida do brinquedo, completamente entregue ao prazer. Sem nem dar tempo de processar a onda de calor que sobe pela espinha, o segundo vídeo roda automaticamente. Agora, ela está na mesma cama, mas com as pernas levantadas pro ar, juntas e dobradas, revelando a entrada inteiramente preenchida e esticada pelo vibrador, que continua trabalhando fundo. A posição deixa tudo ainda mais explícito, destacando o movimento do brinquedo entrando e saindo enquanto ela se contorce sobre o lençol. A visão das duas cenas em loop, combinada com o torpor da maconha e a sensibilidade extrema da pele, faz o latejar na região inferior atingir o ponto máximo. A intensidade daquelas imagens, unida ao calor latejando na virilha, transforma cada segundo numa urgência incontrolável. Ajusto o celular na cama, aciono a gravação do meu próprio vídeo e apanho o membro com força total. A mão desliza numa cadência animalesca, acelerada pelo transe da erva e pela excitação que transborda. Meus olhos fixam na tela onde ela continua se masturbando, e o contraste do meu próprio reflexo e do cenário faz o corpo inteiro tremer. Com um último empurrão fundo e descontrolado, sinto o espasmo subir pela espinha. Abro a boca num gemido sufocado enquanto o corpo se arqueia e eu começo a gozar grosso, espirrando jatos quentes e densos sobre o abdômen e a mão que ainda aperta a base. Paro a gravação e envio o vídeo direto para ela, com o peito arfando violentamente e a respiração pesada ecoando no quarto vazio. Demora apenas alguns minutos para a resposta chegar. Abro o chat e o primeiro arquivo é um vídeo rápido dela, ofegante, com os olhos vidrados, mordendo os lábios enquanto assiste. Logo abaixo, a mensagem de texto sela a noite: “Vou salvar esse vídeo... Nossa, amor, gozei muito vendo isso. Boa noite, descansa bem.” Para fechar, a última notificação traz uma foto explícita: o vibrador grosso deitado sobre a cama, completamente melado e brilhando com os fluidos dela por boa parte de sua extensão, testemunha silenciosa do tamanho do gozo que compartilhamos à distância. Deito a cabeça no travesseiro, ainda sentindo o corpo formigar sob o efeito da erva, com o cheiro do suor e do gozo misturados no ar enquanto fecho os olhos para dormir.
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