O reflexo no espelho daquele hotel de luxo em São Paulo não mentia, mas omitia muita coisa. Aos 36 anos, o homem que eu via no vidro parecia ter a vida perfeitamente sob controle: gestor de pessoas respeitado, terno sob medida e uma aliança reluzente na mão esquerda. Meu lar era em Natal, onde deixei Letícia. Nosso casamento sempre foi quente, o desejo entre nós era vivo, mas havia uma lacuna que ficava escondida sob o sol do Rio Grande do Norte. Um segredo que eu guardava trancado há mais de cinco anos. Uma fantasia de entrega total, de submissão, o desejo profundo de ser penetrado — algo que Letícia nunca quis realizar.
Meu celular sobre a mesa de cabeceira vibrou, quebrando o silêncio do quarto. Uma mensagem curta na tela bloqueada.
“Quarto 412. A porta está encostada.”
Meu coração deu um salto violento, batendo contra o peito com a força de um aviso de perigo. Era Amanda. Ela trabalhava na filial de São Paulo e o magnetismo entre nós tinha explodido naquela semana de auditoria. Amanda era deslumbrante: uma mulher trans, morena, alta, de lábios carnudos e curvas marcantes que hipnotizavam qualquer um nos corredores da empresa. Mas, além da beleza óbvia, ela guardava exatamente o que eu mais ansiava.
Guardei o celular no bolso, sentindo a adrenalina gelar minhas mãos. Olhei pelo olho mágico antes de sair para o corredor. O maior medo de um especialista em RH e gestão de pessoas é perder o controle da própria história. Se alguém da firma me visse ali, ou se Letícia me ligasse por vídeo de Natal naquele exato momento, meu castelo de cartas desmoronaria.
A caminhada até o quarto andar foi um teste para os meus nervos. Cada passo no carpete grosso parecia barulhento demais. Eu carregava o peso da traição e o pavor de ser descoberto, mas tudo isso se misturava a um tesão avassalador que eu não experimentava há anos.
Diante da porta 412, hesitei por dois segundos. Toquei na maçaneta. Estava realmente aberta.
Ao empurrar a porta, o aroma do perfume adocicado de Amanda me envolveu imediatamente. A penumbra do quarto era quebrada apenas por um abajur de canto. Ela estava de pé, de costas para mim, observando o mar de prédios da cidade pela janela de vidro. Usava um roupão de seda preto que acentuava a largura dos seus quadris e a linha imponente dos seus ombros.
— Você demorou — ela disse com a voz suave e pausada, virando-se devagar. Aqueles lábios carnudos carregavam um sorriso discreto, consciente do poder que tinha sobre mim.
Fechei a porta atrás de mim. O clique da tranca ecoou na minha mente como um ponto de não retorno.
— O corredor estava movimentado — justifiquei, com a voz um pouco rouca, me aproximando.
Amanda caminhou na minha direção com passos lentos, felinos. O contraste da altura dela me fazia sentir vulnerável, exatamente como eu queria estar. Ela levou as mãos até o nó do roupão, desfazendo-o sem pressa. A seda escorregou pelos braços dela, revelando o corpo escultural: os seios fartos e firmes, a pele morena impecável e, logo abaixo, a anatomia que acelerava meus batimentos — o pênis longo e espesso, já rígido, reagindo à minha presença.
Engoli em seco. O desejo queimava, mas o pânico de cruzar aquela linha e arriscar minha vida perfeita em Natal continuava ali, me cercando a cada segundo.
continua....