O som do preservativo sendo ajustado no escuro foi o último aviso real antes de o mundo desaparecer. Quando Amanda se posicionou e, com uma lentidão quase torturante, começou a me guiar, meu corpo inteiro protestou e agradeceu ao mesmo tempo. A sensação de preenchimento e a espessura dela invadindo o meu espaço mais íntimo me fizeram morder o lábio até quase sangrar. Eu não podia gritar. Cada centímetro que ela avançava era um misto de dor inicial e um prazer visceral, profundo, que eu vinha negando a mim mesmo há meia década. Ela ditava o ritmo. Movimentos firmes, cadenciados, que faziam a estrutura da cama do hotel estalar de leve — um ruído que, na minha cabeça, soava como um trovão. Eu olhava para cima e via os cabelos longos dela balançando contra a penumbra, a silhueta imponente e os seios fartos desenhados pela luz que vinha da janela. O suor de nossos corpos se misturava no silêncio que só era quebrado pelas nossas respirações arfantes. Quando ela me puxou pelas coxas, elevando a intensidade, a sensação de submissão foi completa. Eu estava exatamente onde queria, sendo possuído pela mulher mais deslumbrante que já havia conhecido, entregando o controle que eu passava o dia inteiro fingindo ter. O ápice veio como uma onda que quebra as barreiras de uma represa. Quando desabei no colchão, com o peito subindo e descendo freneticamente, a adrenalina começou a baixar instantaneamente. O silêncio do quarto retornou, mas agora ele tinha um peso diferente. O peso da realidade. Amanda saiu de cima de mim com a mesma elegância felina, caminhando em direção ao banheiro. O som da descarga e, logo em seguida, o barulho do chuveiro lavando os vestígios daquela noite me trouxeram de volta para a Terra. Olhei para o lado. Meu relógio marcava pouco mais de meia-noite. Levantei-me, as pernas ainda levemente trêmulas, e comecei a recolher minhas roupas espalhadas pelo chão. Vestir a cueca, a calça social e abotoar a camisa foi como colocar uma armadura de mentiras. Peguei minha aliança sobre o criado-mudo e a deslizei de volta para o dedo anelar esquerdo. Ela pareceu mais fria e pesada do que o normal. Antes de sair, olhei para Amanda, que agora estava encostada no batente da porta do banheiro, enrolada novamente no roupão de seda, com um olhar calmo e indecifrável. — Nos vemos na reunião das nove, Marcelo — ela disse, com um tom profissional que quase me fez esquecer os últimos quarenta minutos. — Até amanhã, Amanda — respondi, com a voz baixa. Abri a porta do quarto 412 apenas o suficiente para passar. O corredor do hotel estava deserto, iluminado por aquela luz amarelada e estéril. Caminhei até o elevador tentando manter a postura ereta de um gestor de pessoas de 36 anos. Entrei no meu próprio quarto, tranquei a porta e me encostei nela, fechando os olhos. O desejo havia sido saciado, mas o pânico de que a vida perfeita que construí em Natal pudesse ruir com um único deslize agora ecoava em cada batida do meu coração.
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