O silêncio dentro daquele quarto era quase palpável, uma redoma que nos isolava do resto do mundo, mas que também ampliava cada batido do meu coração. Amanda não disse uma única palavra. Ela apenas me encarava, os olhos escuros fixos nos meus, decifrando o turbilhão de medo e desejo que certamente transparecia no meu rosto. A quietude era tão intensa que eu conseguia ouvir o som sutil da sua respiração e o ruído abafado do trânsito paulistano, andares abaixo.
Dei o primeiro passo. Minhas pernas pareciam pesadas, como se minha mente tentasse me puxar de volta para a segurança do meu casamento em Natal, mas meu corpo já pertencia àquele momento. Parei a poucos centímetros dela. O calor que emanava da sua pele morena me atingiu antes mesmo do primeiro toque.
Estendi a mão, os dedos tremendo levemente. Toquei primeiro a linha da sua cintura, subindo devagar pela lateral do seu corpo até alcançar a curva firme de um de seus seios. A pele era incrivelmente macia, quente. Amanda soltou o ar devagar, um suspiro baixo que quebrou o silêncio por um breve segundo, e fechou os olhos, saboreando a minha aproximação. Esse pequeno gesto desarmou parte da minha rigidez.
O silêncio voltou, mas agora não era mais de hesitação; era de pura expectativa.
Ela deu um passo à frente, eliminando qualquer distância entre nós. Senti a imponência da sua altura e, logo em seguida, a pressão firme do seu pênis rígido contra a minha coxa, mesmo através do tecido da minha calça social. O contato elétrico me fez prender a respiração. Meus olhos desceram por um instante, hipnotizados pela imponência da sua anatomia, tão espessa e presente, antes de voltarem para os lábios carnudos dela.
Amanda levou as mãos até o meu pescoço. Seus dedos longos começaram a abrir os botões da minha camisa, um por um, sem pressa, mantendo o contato visual. Cada clique do botão se desfazendo parecia um aviso de que eu estava me despindo da minha identidade de homem casado, de gestor, de cidadão exemplar. Eu estava me tornando apenas o Marcelo que desejava desesperadamente ser possuído.
Quando sua mão espalmada tocou o meu peito nu, um calafrio percorreu minha espinha. Ela deslizou os dedos para baixo, tateando meu abdômen até alcançar o cós da minha calça. O medo de que o telefone tocasse, de que alguém batesse à porta por engano, ou de que eu simplesmente acordasse daquele transe ainda me rondava. Mas quando Amanda inclinou o rosto e roçou os lábios suavemente no meu pescoço, o pânico foi completamente engolido pelo início de uma entrega que eu não podia mais frear.
Continua...