Depois das câmeras, após vê-la exausta no sofá, já não quis mais guardar tudo sozinho. Era tarde, nossa filha já dormia, e decidi que seria naquela noite. Ela estava ali, deitada ao meu lado, assistindo banalidades nas redes sociais, quando resolvi abrir a boca: — Capitu… eu sei. Ela me olhou, assustada: — Sabe o quê? — Eu sei de você e do seu chefe. Vi vocês. Mais de uma vez. O celular caiu das mãos dela. O rosto perdeu a cor, os olhos encheram-se de lágrimas: — Meu Deus… — murmurou, tremendo. — Bento, me desculpa… Eu nunca quis… Foi um erro. Nunca mais vai acontecer, eu juro. Eu a interrompi, e a segurei pelos ombros: — Preciso saber de uma coisa, o que você sente por ele? — Não sinto nada! — respondeu de supetão, chorando. — Nunca! Você é o homem que eu amo. Ele não significa nada! As palavras saíam entre soluços: — Eu nem sei como começou. Ele me perseguiu um pouco, eu neguei muito, ele não desistiu e eu acabei cedendo, encontros rápidos, escondidos durante o expediente. — Encontros Rápidos? Ela baixou a cabeça e o tom de voz: — Começou com alguns beijos, alguns apertos e sarros na sala dele, eu acabei sentindo prazer, me sentia desejada. — O que vi, foi bem mais que “apertos e sarros”, — Vi você chupando e dando a ele tudo que ele quis... — Poxa, eu vi aquele cara gozar dentro de você, sem camisinha, mais de uma vez, você engole a porra dele! Comigo nunca fez isso! Ela me olhou nos olhos dessa vez: — Bento! A verdade é difícil de explicar a você. — Ele gosta de mandar, de humilhar. Ele é um babaca arrogante que se sente poderoso em subjugar mulheres. — Eu tento negar, evito ele sempre que posso, mas quando ele me segura pelo braço, é como se eu me tornasse outra mulher, eu sinto um desejo incontrolável de agradar aquele homem. — Ele ser meu superior, mandar em mim, aquilo me tira do centro, não consigo evitar. Houve silêncio por alguns segundos. Eu deveria estar tomado pela raiva. Mas, no fundo, estava muito excitado por ouvir isso dela, pois a mulher que casei era um poço de timidez, não tirava a roupa na minha frente nas primeiras vezes. Nisso, eu segurei seu rosto, olhei em seus olhos marejados. — Capitu… o que você quer fazer? Como vai ficar tudo isso? Ela ficou confusa. — Como assim? Vou cortar isso, sei lá, vou procurar outro emprego. — Você quer mesmo parar? Seja sincera comigo. Ela pensou um segundo e eu já sabia: — Eu te amo, você é o homem da minha vida... — Mas se eu ficasse ali, eu sei que ele me teria sempre que quisesse, não posso te mentir que evitaria, pois sei que eu ia acabar cedendo e ia ser rápido. Nesse momento eu dei a real para ela: — Eu vi, eu sei e, por mais estranho que pareça, sinto tesão em saber. — Eu só não suporto a mentira. — O que me dói não é você com outro homem. É você esconder de mim. Capitu me encarava com uma feição de incredulidade — Você está falando sério? — perguntou, com a voz presa ainda. Eu outra vez disse: — Estou. — A partir de agora, você pode fazer o que quiser. Com quem quiser. Sentir o prazer que quiser. Mas com uma condição: eu quero saber. Sempre. Ela ainda sem acreditar. — Saber… como? — Pode me avisar antes. Ou pode me contar depois. Mas não me esconda nada. Cada detalhe, cada momento… eu quero que você divida seus encontros comigo. As lágrimas continuavam escorrendo, mas o choro começava a se misturar com um estranho alívio. — Você não tem medo do que vai ouvir? — Tenho! Mas prefiro a verdade, do que viver uma mentira. Ela caiu nos meus braços, tremendo. — Você é louco, Bento… completamente louco. — Talvez. Mas é assim que eu quero. E é assim que eu preciso. — Mas com mais cuidado, cuide da tua saúde, você sabe bem os riscos. — Como você pode perceber, me excita muito esse seu lado “putinha”. Recebi um tapa como reação automática por esse “putinha”. Ficamos abraçados por longos minutos. Fizemos amor, intenso, gostoso, foi libertador. Naquela noite, pela primeira vez, não havia mais segredo entre nós. Capitu descobriu que tinha a liberdade para se entregar a qualquer desejo. E eu descobri que meu desejo era justamente saber do prazer dela.
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