Depois que selamos nosso pacto, passei a ter em expectativa. Não era mais um momento de desconfiança, mas de espera.
Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, Capitu voltaria de um dia diferente e, em vez de mentir, me contaria.
E foi numa sexta-feira. Quando cheguei em casa, percebi nos olhos dela: havia algo escondido, vibrando sob a superfície.
Esperei até nossa filha dormir. E no quarto, ela respirou fundo e começou:
— Bento… eu preciso te contar. Hoje aconteceu.
Meu coração acelerou.
— Com ele?
Ela assentiu, nervosa.
— Duas vezes.
O silêncio se instalou. Eu apenas disse:
— Me conta.
— De manhã, ele me chamou até o andar de cima. Disse que precisava da minha ajuda com papéis de umas compras que eu havia cuidado ano passado.
— Isso é rotina do trabalho, é o que eu faço todos os dias, mas nem cheguei na sala dele, me abordou no corredor e sem cerimônia, me levou para o banheiro.— Estava vazio.
Ela ajeitou os cabelos, como quem revive o momento.
— Ele não falou nada. Só me empurrou para o último box, no fundo. Encostou-me contra a parede, subiu minha saia e sem tirar minha calcinha, apenas puxou de lado e senti a cabeça do pau dele me perfurando, ele me tomou quis. Foi rápido, forte, intenso… e ele novamente ejaculou dentro de mim, sei que você não quer isso, mas nem consegui falar, quem dirá impedi-lo. Dessa vez nem cara feia eu fiz, deixei ele aproveitar bem, para eu aproveitar também.
Fechou os olhos, mordendo o lábio.
— Eu deveria ter resistido, mas não consegui. Quando percebi, meu corpo já estava reagindo. Voltei para a mesa trêmula, sentindo o gozo dele em minhas pernas, com medo que alguém percebesse, mas por dentro… eu estava excitada.
Capitu continuou, a voz mais baixa:
— No fim do expediente, ele me chamou de novo. Fomos em direção ao estacionamento, eu sabia o que viria, não era a primeira vez ali. — Olhou para mim, corando.
— Eu sentei ao lado dele, no carona, ele me puxou pelos cabelos e eu já abri o zíper da calça dele e fui ao encontro do objetivo.
Eu estava muito excitado ouvindo aquilo e ela aos poucos já me masturbava enquanto falava:
— Ele me segurou, não deixou alternativa.
— Chupei o pênis dele por uns dez minutos, ele empurrava muito fundo e ficava falando besteiras, me chama de vagabunda e coisas do tipo.
— Terminou na minha boca. E me segurando com força, me obrigou a engolir tudo, ainda tive que limpar para que ele pudesse ir para casa sem manchas na roupa.
— Nunca fiz isso contigo, eu sei. Mas ali… foi humilhante, e, ao mesmo tempo… excitante. Vergonha e muito prazer misturados.
Cada palavra dela me atravessava.
Crescia em mim, era um fogo estranho, pesado, impossível de controlar.
Peguei sua mão, firme e gozei muito, ela se espantou, nunca me viu tão excitado.
— É isso que eu quero. Que você me conte. Sempre. Não esconda nada de mim.
Nos olhos dela havia um brilho que entregava a verdade: ela tinha gostado.
Aproximei-me, beijei-a. Capitu correspondeu com intensidade, como se o relato tivesse acendido nela tanto quanto em mim.
Confirmei o que entendi no relato, pois ela não havia gozado ainda, então fiz minha parte, chupei ela como se experimentasse uma fruta madura, e fiz ela gozar gemendo e me chamando de corno (eu pedi e insisti para que ela fizesse isso).
Naquela noite, não houve arrependimento. Houve cumplicidade.
Ainda fizemos amor por mais umas horinhas como cúmplices, alimentados pelo que ela viveu e pela coragem de me contar.
Uma real delícia