Marcos manteve a mão no vidro por alguns segundos, sentindo o coração vibrar na ponta dos dedos. Do outro lado, a ruiva sorriu — não um sorriso casual, mas um que dizia “Eu entendo exatamente o que você quer”. Ele poderia ter saído ali mesmo, satisfeito com a estreia. Mas o corpo queria mais do que um gosto. Queria a sensação inteira. Com um passo, virou-se para a porta e abriu-a. O salão pareceu prender a respiração. Não era silêncio completo — as taças ainda tilintavam, o murmúrio continuava —, mas havia uma mudança sutil no ar, como se cada pessoa estivesse calibrando a própria curiosidade. A anfitriã se aproximou, feixes de luz dançando no tecido negro de seu vestido. — Decidiu continuar? — perguntou, encantada com a ausência de hesitação no semblante dele. — Quero ver o que mais existe aqui — respondeu ele. Ela apenas indicou um corredor lateral. — Então siga. — E escolhe com quem. No final do corredor havia uma sala mais íntima, não cercada de vidro, mas aberta, com cortinas espessas formando um semicírculo. Dentro, almofadas, tapete macio, luz baixa — lugar feito para encontros planejados ou improvisados. E lá estavam elas — as três mulheres que haviam parado diante da sala de vidro. A loira ergueu a mão, convidando-o com um gesto leve. — Você sabe que nos chamou, não sabe? A voz dela era melosa, divertida, satisfeita. Marcos sorriu, porque enfim admitia para si mesmo: sim, ele havia chamado. A morena deslizou até ele com um andar felino e estendeu a palma, sem pressa. Quando suas mãos se encontraram, não houve choque, só calor compartilhado e uma certeza quase elétrica entre os quatro. Ali não existia plateia oculta. Ninguém era intruso ou testemunha secreta. Todo mundo que assistia estava ali porque queria. A ruiva aproximou-se pelo outro lado e sussurrou, a boca perto da orelha dele: — Aqui ninguém precisa fingir que não está olhando. — Nem que não está gostando. E era verdade. Marcos percebeu que o desejo, naquele lugar, era tratado como uma língua comum: olhares eram como frases, movimentos eram como respostas. Ele sentou-se nas almofadas, respirou devagar, e deixou que o trio o envolvesse com presença, proximidade, toque suave — nada apressado, nada imposto. Ali, sensualidade era jogo de confiança, um convite que cada um aceitava no próprio ritmo. A anfitriã assistia à distância, orgulhosa da magia silenciosa. E Marcos, pela primeira vez, sentiu-se não apenas visto, mas celebrado.
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