Quando Marcos se acomodou entre as almofadas, percebeu um detalhe que antes lhe passara despercebido: embora as três mulheres estivessem ali, era a morena que seus olhos procuravam primeiro. Não havia nada gritante nela — nada exagerado. Era o contrário: presença silenciosa, firme. Sorriso que chegava devagar, olhar que permanecia. Ela percebeu, é claro. A loira e a ruiva trocaram um gesto rápido com ela — um acordo mudo. Então, com naturalidade, se afastaram, deixando Marcos apenas com a mulher que o prendia desde o primeiro instante atrás do vidro. — Você me escolheu com os olhos antes de saber que tinha escolhido — disse ela, sentando-se à frente dele. Marcos soltou uma risada leve, rendido. — Acho que sim. A morena estendeu a mão e tocou seu antebraço. Foi um toque pequeno, mas carregado de intenção — quase um ritual para deixar claro que nada aconteceria sem permissão. — Posso? — perguntou, não avançando um milímetro até ouvir a resposta. — Pode — respondeu ele, com mais certeza do que esperava da própria voz. Ela se aproximou devagar, a respiração combinando com a dele, até que quase dividiam o mesmo espaço. Não havia pressa — parecia que ambos queriam saborear o caminho, não apenas o destino. — Meu nome é Helena, disse ela, roçando o nariz no dele sem tocar, apenas provocando o ar que separava os dois. — Marcos. — Eu sei — ela sorriu. — Estava te observando antes mesmo de você entrar na sala de vidro. O coração dele deu um salto na garganta. Helena deslizou os dedos pelo peito dele, traçando linhas lentas, exploratórias, como se estivesse aprendendo um mapa ao mesmo tempo antigo e novo. E então ela fez algo inesperado: se afastou só o suficiente para olhá-lo completamente, da cabeça aos pés, sem cerimônia, sem esconder nada. — Você gosta de se mostrar, Marcos, afirmou. Não era acusação — era constatação. E para ele, soou como permissão para respirar fundo. — Gosto quando querem olhar — respondeu. Helena sorriu de um jeito que misturava doçura com perigosa compreensão. — Então olha para mim. Agora sou eu que quero ser vista. Ela se levantou devagar, deixando o corpo falar sem pressa, girando de costas apenas o necessário para que ele entendesse que ali, naquele instante, os dois compartilhavam do mesmo desejo — não exibicionismo contra o mundo, mas um mostrando-se ao outro. Marcos sentiu o salão inteiro desaparecer. Não havia plateia, não havia clube, não havia vidro. Só existia Helena, emoldurada pela luz âmbar, sabendo exatamente o que fazia com cada olhar. E ele descobriu uma verdade que nunca havia considerado: Ser visto era excitante. Mas escolher quem vê — isso era poder.
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