A Casa de Vidro - Parte 3 de 4

Quando Marcos se acomodou entre as almofadas, percebeu um detalhe que antes lhe passara despercebido:
embora as três mulheres estivessem ali, era a morena que seus olhos procuravam primeiro.
Não havia nada gritante nela — nada exagerado.
Era o contrário: presença silenciosa, firme.
Sorriso que chegava devagar, olhar que permanecia.
Ela percebeu, é claro.
A loira e a ruiva trocaram um gesto rápido com ela — um acordo mudo.
Então, com naturalidade, se afastaram, deixando Marcos apenas com a mulher que o prendia desde o primeiro instante atrás do vidro.
— Você me escolheu com os olhos antes de saber que tinha escolhido — disse ela, sentando-se à frente dele.
Marcos soltou uma risada leve, rendido.
— Acho que sim.
A morena estendeu a mão e tocou seu antebraço.
Foi um toque pequeno, mas carregado de intenção — quase um ritual para deixar claro que nada aconteceria sem permissão.
— Posso? — perguntou, não avançando um milímetro até ouvir a resposta.
— Pode — respondeu ele, com mais certeza do que esperava da própria voz.
Ela se aproximou devagar, a respiração combinando com a dele, até que quase dividiam o mesmo espaço.
Não havia pressa — parecia que ambos queriam saborear o caminho, não apenas o destino.
— Meu nome é Helena, disse ela, roçando o nariz no dele sem tocar, apenas provocando o ar que separava os dois.
— Marcos.
— Eu sei — ela sorriu. — Estava te observando antes mesmo de você entrar na sala de vidro.
O coração dele deu um salto na garganta.
Helena deslizou os dedos pelo peito dele, traçando linhas lentas, exploratórias, como se estivesse aprendendo um mapa ao mesmo tempo antigo e novo.
E então ela fez algo inesperado:
se afastou só o suficiente para olhá-lo completamente, da cabeça aos pés, sem cerimônia, sem esconder nada.
— Você gosta de se mostrar, Marcos, afirmou.
Não era acusação — era constatação.
E para ele, soou como permissão para respirar fundo.
— Gosto quando querem olhar — respondeu.
Helena sorriu de um jeito que misturava doçura com perigosa compreensão.
— Então olha para mim. Agora sou eu que quero ser vista.
Ela se levantou devagar, deixando o corpo falar sem pressa, girando de costas apenas o necessário para que ele entendesse que ali, naquele instante, os dois compartilhavam do mesmo desejo — não exibicionismo contra o mundo, mas um mostrando-se ao outro.
Marcos sentiu o salão inteiro desaparecer.
Não havia plateia, não havia clube, não havia vidro.
Só existia Helena, emoldurada pela luz âmbar, sabendo exatamente o que fazia com cada olhar.
E ele descobriu uma verdade que nunca havia considerado:
Ser visto era excitante.
Mas escolher quem vê — isso era poder.
Foto 1 do Conto erotico: A Casa de Vidro - Parte 3 de 4


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Ficha do conto

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Nome do conto:
A Casa de Vidro - Parte 3 de 4

Codigo do conto:
252640

Categoria:
Exibicionismo

Data da Publicação:
20/01/2026

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