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Estávamos num prédio que sobrara parcialmente de pé depois dos bombardeios e dos confrontos naquela cidade alemã onde nos refugiamos. Duas semanas antes, tínhamos sobrevivido por um triz a um tiroteio num vilarejo próximo — escapamos por pouco, deixando corpos para trás.
Acreditávamos que os aliados já tinham tomado toda a região, mas ainda esperávamos ordens de confirmação: se era seguro sair dali e migrar pra nos juntar a um pelotão americano a alguns quilômetros.
Estava num quarto que cheirava a mofo. Hanter entrava nele, com um fuzil Mk III de lado do corpo enganchado numa baioneta, me entregou uma lata de enlatado junto com a faca.
— Por que está escondido?
— Não estou.
— Iria ficar com fome, os outros quase tinham te esquecido na divisão da comida.
Bebia de um odre de cachaça que conseguiram produzir fermentando pão velho. Eu sentei no chão e tentei enfiar a porra da faca na borda da lata sem sucesso, depois de já ter quebrado o gancho. Fazia aquilo desajeitado, enquanto ele observava por um minuto e forçava aquele sorriso cínico de sempre.
— São bem seladas essas latas…
Depois pediu a lata e a abriu em poucos segundos.
— Obrigado.
Enfiei aquele quitute com gosto de lata enferrujada na boca.
Hanter. Sempre com aquela expressão meio fria, meio debochada, apesar de ser o único que restara da companhia — ou o único que ainda tinha algum contato comigo, mesmo que fosse motivado por aqueles interesses que nós dois sabíamos muito bem quais eram.
Quando não conversava com Cristian, quem parecia ter como amigo, às vezes ficava na dele: fumando, bebendo ou admirando a metralhadora, a submetralhadora… Olhava de relance pra mim e depois pro horizonte que a janela escancarada daquele cômodo de cima mostrava. Lá embaixo, o que restava de Schmidt se estendia como um cadáver aberto: casinhas de madeira e pedra reduzidas a pilhas de tijolos pretos e vigas queimadas, telhados afundados como se tivessem levado um soco de gigante.
Observava o corpo magro e sem músculos de Stewer, que tinha por volta de 19 anos, enquanto a fome o fazia enfiar os dedos na lata de quitute, catando os fiapos de carne e o óleo grosso que restavam pra colocar na boca.
Esse veado ainda está vivo até aqui? Pensei. E lembrei do dia em que o vi entrando com Gerande e outros depois de um “banho” em grupo. Depois falavam algo em polonês sobre o rabo de Stewer. Tinha sido a diversão dos três e talvez de outros. Sempre preferiam que ele só ficasse dando cobertura na retaguarda. Nos dois combates ficava sempre atrás de barricadas ou abaixado, às vezes tentava dar alguns tiros com a Thompson que não largava. Acho que isso explicava.
Ele serviria bem ao nosso exercício, com aquele cuzinho dele que eu tava provando agora também. Se era homem, foda-se — não me incomodava. Diferente dos filhos da puta puritanos ou religiosos, que eram quase minoria naquele batalhão.
— Foda-se — pensei. Estamos matando e morrendo… Só quero algo pra enfiar meu pau e me sentir vivo antes de me foder em um combate e apodrecer numa vala qualquer.
Tédio e tesão reprimido. E só tinha o rabo daquele garoto pra gozar. Um bom rabo, por sinal.
— Pode ser outra hora… Eu não tô afim hoje. Me desculpe, eu não tô afim.
Falei enquanto ele tinha me feito levantar e agora enfiava as mãos firmes dentro da minha calça, já friccionando os dedos no meu orifício anal. Começou a passar a língua no meu pescoço. Tinha barba grossa que contrastava com a cabeça pelada recente. O cheiro de cachaça e o fedor de dias sem banho vinham fortes na minha narina.
Me virou de costas contra a parede. Em outro momento seria bom, mas algo estava estranho em mim. Não senti mais o tesão ou o prazer naquilo naquele dia, como antes.
Hanter era forte, habilidoso nos tiroteios. Eu queria voltar vivo, encontrar minha amiga Charlotte, com quem arranjara um casamento de fachada. Já tínhamos combinado sobre a minha homossexualidade e a possibilidade de sair da Inglaterra, longe da presença do meu pai. Poderia usá-lo como usei os outros. Em todo caso, a foda com aqueles homens fedorentos, grossos, assassinos era o que fazia esquecer de tudo o resto. Ainda assim, aquilo seria o sonho de todo homem gay com tesão constante.
Já estava ajudando ele a baixar minhas calças. Sentia as mãos dele na minha bunda, amassando com força enquanto ele…
— Delícia… — falou sussurrando, quase pra si mesmo.
— Abaixa, vai.
Eu de costas pra ele, na parede, me apoiava. Segurou minha cintura, depois colocou a mão nas minhas costas pedindo pra eu me inclinar e ficar completamente de quatro.
Era uma bunda cheinha, mas pequena. Eu podia ver o cu dele ao redor daquela bunda branca e um pouco vermelha dos lados. Esperava que ele tivesse lavado recentemente e não tivesse muitos resquícios de merda. Mas acho que era pedir demais, quando eu mesmo não tomava banho há cinco dias.
Estava bem mais magro do que quando chegou. Eu gostava daquele corpo. Queria ver meu pau entrando, abrindo as laterais daquele cuzinho. Tentei cuspir várias vezes até formar uma gosma concentrada que fedia a quitute e cachaça. Enfiava meu dedo naquele buraco fedido, sentia a pressão ao redor, ainda não estava relaxado para entrar nada com facilidade. Fui colocando aos poucos até sentir as entranhas das paredes internas daquele cu.
Ele começou a se arrepiar. O safadinho gostava mesmo de ser futucado.
Ia colocando mais dedos, depois tentei meu pau e sentia a pele daquela bundinha alisando ele. Não aguentei o tesão e empurrei com mais força até ir se abrindo. Sei que ele já estava acostumado, mas meu pau era um pouco grosso.
— Relaxa…
Abri mais com a mão e senti a entrada. Enquanto ele segurava uma expressão de dor, ou um grito contido.
Coloquei mais cuspe e depois ele colocou um pouco do dele também, colando os dedos para relaxar, mas depois se virou e começou a massagear meu pau. Abriu a boca e passou a língua e enfiou na boca.
Frequentei alguns puteiros de Londres que tinham raparigas experientes que não faziam chupadas tão gostosas. Eu enfiava meu pau na boca dele como queria fazer no seu cu.
— Lambe, vai… Isso…
Segurei na cabeça dele, em cima dos cabelos lisos e desgrenhados, e forcei mais meu pau pra entrar até na garganta.
— Para — falou, com meu pau ainda entalado na boca. — Eu não tô bem… — tossiu, pareceu se engasgar e querer vomitar.
Segurei no queixo dele e ri.
— Não quer mais? Já não tinha feito coisas piores aí com outros. Não quer mais dar pra mim?
— Não, eu não tô querendo… agora.
O pau de Hanter ainda estava duro e ereto, meio curvado pro lado direito. Tinha uma cabeça proeminente, grossura nos lados. Acho que chegava a uns vinte centímetros. Descia já um pouco de gosma de sêmen. Não era um cara muito bonito, mas era bem forte e devia ter por baixo da camisa um corpo gostoso, com peitoral e gominhos salientes sob camadas de pelos suados. Tinha uns trinta e poucos anos.
— Eu quero… — falei meio tímido. — Vamos deixar pra fazer outra vez…
Falei e cuspi com o gosto ruim na boca que me deu ânsia — acho que de pau sem lavar há dias, com o fedor do meu rabo na mesma situação e gosto da carne enlatada vencida.
— Tá — falou seco Hanter. Depois, me olhando cuspir, deu outro suspiro cínico de bêbado.
— Quer um gole?
Me ofereceu um pouco da cachaça.
— HANTER?! — gritou algum soldado do grupo.
— Tô aqui! — falou com voz aumentada.
A porta estava fechada. Hanter a fechara novamente depois de entrar. Talvez já tivesse premeditado me foder. Se não fosse isso, seria visto com as calças abaixadas, que eu nem lembrava depois da emoção do tesão. Coloquei rapidamente antes de Hanter responder.
— Ei, o quê é? — falou, aumentando a voz. — Tô num desses quartos.
Hanter abriu a porta. Depois eu vesti a calça e voltei a sentar no chão, encostado na parede.
— Aqui.
Quando abriu, Cristian apareceu em poucos segundos.
— O que foi, alemães por perto? — Hanter perguntou verificando o carregador do seu fuzil Mk III.
— Não. Até agora não.
— O que tá fazendo?
Me viu, olhou estranho pra Hanter.
— Vim trazer um pedaço de carne pro garoto, vocês querem matá-lo de fome. — Falou rindo forçado.
Também aproveitei pra ficar vigiando o lado sul da cidade por essa janela.
— Ah… sim… — mudou de expressão pra um traço de sorriso, achei. Falou depois:
— Não vai acreditar no que encontramos.