Os dias seguintes foram um borrão de submissão silenciosa. Eu ia todo dia. Às vezes duas vezes. Marcinho me usava como queria: no cu, na boca, na buceta, no chão, contra a parede inacabada, atrás da lona, em cima de uma pilha de madeira. Ele cuspia, xingava, apertava meu pescoço até eu ver estrelas, me fazia gozar repetidas vezes até eu implorar com os olhos (porque com a boca eu nunca pedia). Eu nunca dizia “sim, eu quero”. Mas meu corpo dizia tudo. Eu chegava molhada antes mesmo de entrar no terreno. Então veio a sexta-feira à tarde. O sol já estava baixo, o calor abafado de Campinas grudando na pele. Eu cheguei como sempre: saia curta por baixo da blusa larga, sem nada por baixo, cabelo solto porque ele mandou soltar o coque. Entrei pelo portãozinho lateral que ele deixava entreaberto pra mim. Mas dessa vez não estava sozinho. Marcinho estava encostado na pilastra, fumando um cigarro, e ao lado dele tinha outro homem. Mais alto que ele, pele bem escura, corpo de quem levanta peso o dia inteiro — ombros largos, braços grossos tatuados com nomes e datas antigas, calça jeans surrada, regata preta colada no peito suado. Ele me mediu de cima a baixo com um sorriso lento, preguiçoso, como quem avalia uma mercadoria. — Chegou a putinha — Marcinho disse, apagando o cigarro no chão com o pé. — Essa é a Clara, a crentinha que eu te falei, irmão. O outro riu baixo, voz grave, rouca. — Então é ela? A santinha que vira cadela quando ninguém tá olhando? Marcinho assentiu, veio até mim e segurou meu queixo com força, me obrigando a olhar pro amigo. — É ela sim, o Diego. E hoje ela vai aprender a servir dois de uma vez. Eu prendi a respiração. Meu coração disparou — medo misturado com um tesão que subia quente pela barriga. Diego se aproximou, alto o suficiente pra eu ter que erguer o rosto. Ele cheirava a suor fresco, cigarro e um perfume barato. Passou o polegar grosso no meu lábio inferior, abriu minha boca um pouco. — Abre mais, vadia. Mostra o que sabe fazer. Eu abri. Sem resistir. Ele enfiou dois dedos na minha boca, mexeu devagar, sentindo a língua. — Boa… molhadinha já. Marcinho disse que você engole tudo sem reclamar. Marcinho riu atrás de mim, já abrindo a calça. — Ela não reclama. Ela nem admite que quer, mas faz. Mostra pra ele, Clara. De joelhos. Eu desci. Os joelhos afundaram na terra quente. Os dois ficaram na minha frente, paus pra fora — o de Marcinho eu já conhecia bem, grosso e veioso; o do Diego maior ainda, escuro, a cabeça grossa brilhando de pré-gozo. Eles se masturbavam devagar, olhando pra mim como se eu fosse o entretenimento da tarde. Diego falou primeiro: — Chupa o meu primeiro, santinha. Quero ver se é verdade que você limpa pau sujo com a boca. Marcinho deu um tapa leve na minha nuca. — Vai, cadela. Mostra pro meu irmão o quanto você caiu. Eu me inclinei pra frente. Peguei o pau do Diego com a mão trêmula, abri a boca e engoli devagar. Ele era grande demais — esticava os cantos da boca, batia no céu da boca. Diego gemeu baixo, segurou meu cabelo com as duas mãos e começou a foder devagar, fundo. — Isso… engole tudo, porra. Marcinho disse que você gosta de garganta profunda. Marcinho se posicionou atrás de mim, levantou minha saia e cuspiu no meu cu. Enfiou dois dedos sem aviso, abrindo caminho. — Enquanto você chupa ele, eu vou preparar esse cuzinho pra nós dois. Eu gemi em volta do pau do Diego, baba escorrendo pelo queixo. Diego acelerou, metendo mais fundo, me fazendo engasgar. Lágrimas rolaram, mas eu não parei. Marcinho enfiou o pau no meu cu de uma vez, sem lubrificante além da saliva dele. Doeu, mas o tesão era maior. Eu empinei a bunda pra trás, recebendo. Eles me usaram assim por minutos: Diego fodendo minha garganta, Marcinho metendo no cu com força. Depois trocaram. Diego me virou de costas, me colocou de quatro e enfiou na buceta enquanto Marcinho voltava pro cu. Dupla penetração. Eu sentia os dois me preenchendo ao mesmo tempo, roçando um no outro através da parede fina. Gritei abafado, corpo tremendo. Diego ria, apertando meus seios por cima da blusa. — Olha só… a crente tomando rola dos dois lados. Goza, vadia. Goza pros teus donos. Marcinho puxou meu cabelo pra trás. — Goza sabendo que agora você serve nós dois. Toda semana, quando eu quiser, você vem e abre as pernas pros dois. Eu gozei forte. Corpo convulsionando, cu e buceta apertando em volta deles. Eles não pararam — continuaram metendo até gozarem quase juntos: Diego na minha boca, forçando até eu engolir tudo; Marcinho no cu, enchendo até escorrer pelas coxas. Depois me deixaram ali, de joelhos, rosto babado e gozado, corpo mole na terra. Diego deu um tapa leve na minha bochecha. — Boa puta. Semana que vem eu trago mais um amigo. Você vai aprender a servir três. Marcinho sorriu, ajeitando a calça. — Ela não vai reclamar. Ela nunca reclama. Eu não disse nada. Só respirei pesado, olhando pro chão. Mas quando eles saíram, eu fiquei ali mais um pouco, dedos entre as pernas, me tocando devagar no resto do gozo deles. Porque eu já estava pensando na semana que vem. O tempo passou, e a rotina mudou pra não levantar suspeita. Rogério começou a ficar mais atento — perguntava por que eu saía tanto, por que chegava com o rosto corado, por que às vezes andava estranho. Marcinho percebeu. Ele não era burro. Decidiu que a gente ia se encontrar só uma vez por semana: todo sábado, quando Rogério ia pro grupo de homens da igreja de manhã e ficava o dia inteiro no almoço de confraternização depois. Era o dia perfeito. Eu tinha a casa vazia, a obra parava aos sábados, e Marcinho podia me levar pro terreno ou — depois de um tempo — pra uma casinha velha que o dono da obra emprestava pros pedreiros descansarem no fim de semana. Aquele sábado foi o primeiro em que ele decidiu “ir além”. Não era mais só foda bruta, xingamento, dupla penetração com o Diego. Era o dia que ele queria me quebrar de verdade, me fazer sentir o quanto eu tinha virado dele. E eu… eu deixei. Ele me mandou chegar às 9h em ponto. Eu fui. Vestida como ele ordenou: vestido florido simples por cima, mas sem nada por baixo, salto baixo (pra não fazer barulho), cabelo preso num rabo de cavalo alto. Entrei no terreno e ele já estava esperando na casinha — uma construção pequena de tijolo aparente, com um quarto apertado, colchão no chão, uma cadeira velha e umas cordas penduradas no teto. — Tira tudo. Agora. Eu tirei. Fiquei nua na frente dele, tremendo de frio e expectativa. Ele me olhou devagar, circulando como predador. — De joelhos. Mãos atrás das costas. Eu obedeci. Ele pegou as cordas — grossas, ásperas, de sisal. Começou a amarrar meus pulsos juntos atrás das costas, apertando o suficiente pra marcar a pele. Depois passou a corda por cima dos ombros, cruzou entre os seios, apertou os mamilos com os nós até eu gemer de dor. Continuou: amarrou os tornozelos juntos, me deixou de joelhos, imobilizada. — Hoje você não fala a menos que eu pergunte. Se gemer alto demais, eu amordaço. Entendeu, cadela? Eu assenti. Ele pegou um pano velho e enfiou na minha boca mesmo assim — não pra calar de verdade, mas pra me lembrar quem mandava. Depois amarrou uma venda preta nos meus olhos. Escuridão total. Senti ele se afastar. Ouvi passos, o som de algo sendo arrastado. Depois silêncio. Meu coração batia forte, o corpo inteiro arrepiado. Eu não sabia o que vinha, mas já estava molhada só de imaginar. Ele voltou. Senti o couro de um cinto roçando na minha coxa. O primeiro golpe veio nas nádegas — forte, seco, ecoando no quarto pequeno. Eu arqueei as costas, mordi o pano na boca. Outro golpe. Outro. Ele não parava: alternava entre as nádegas, as costas das coxas, a parte interna. Cada chicotada deixava a pele ardendo, vermelha, sensível. A dor era aguda, mas logo virava calor, um formigamento que descia direto pro clitóris. — Tá gostando, né, sua masoquista de merda? — ele sussurrou, voz rouca. — Olha como você treme. Ele parou os golpes. Senti os dedos dele entre minhas pernas — escorregando fácil na umidade. Dois dedos entraram na buceta, depois no cu, abrindo, preparando. Eu gemia abafado no pano. Depois veio algo novo: um plug anal maior que os que ele usava antes. Ele cuspiu, empurrou devagar. Doeu na entrada, esticou até o limite, mas quando passou o anel, o peso dentro de mim me fez gemer alto. Ele riu. — Isso… agora você fica cheia enquanto eu te uso. Ele me deitou de barriga pra baixo no colchão, bunda empinada, plug no lugar. Continuou o castigo: palmadas com a mão aberta, depois com o cinto de novo. Cada golpe fazia o plug se mexer dentro de mim, estimulando pontos que eu nem sabia que tinha. Eu gozei assim — sem toque no clitóris, só com a dor e o preenchimento. Corpo convulsionando, baba escorrendo do pano na boca, lágrimas molhando a venda. Ele tirou o plug devagar, me virou de costas, abriu minhas pernas amarradas o máximo que dava. Tirou a venda primeiro. Eu pisquei, olhos vermelhos, vendo ele nu, pau duro, olhos escuros de tesão. — Agora a parte que você vai amar odiar. Ele se posicionou em cima de mim, pau na mão. Cuspiu na minha cara de novo — hábito dele. Depois mirou mais alto. — Abre a boca, cadela. Hoje você vira meu mictório. Eu hesitei um segundo. Ele apertou meu queixo, forçou a boca aberta. O jato veio quente, forte, amarelo. Acertou primeiro na testa, escorreu pelo nariz, pelos olhos, pela boca aberta. O gosto era salgado, amargo, quente. Ele mirou na boca, enchendo até transbordar, pingando no pescoço, nos seios. Eu engoli por reflexo — parte dele, parte porque não tinha escolha. O resto escorria pelo corpo, molhando o colchão, misturando com meu suor e a baba. Ele mijou até o fim, sacudindo o pau pra pingar as últimas gotas na minha cara. Depois se abaixou, lambeu o próprio mijo do meu rosto devagar, beijando minha boca suja. — Boa menina… engoliu tudinho. Tá vendo? Você ama ser tratada como lixo. Ele me desamarrou devagar, mas não me deixou levantar. Me fodeu ali mesmo, no colchão molhado de urina e tesão: primeiro na buceta, depois no cu, alternando, me fazendo gozar mais duas vezes enquanto me xingava de “puta mijada”, “cadela fedida”. Quando gozou, foi na minha boca de novo — misturando com o resto do mijo. O dia inteiro foi assim: pausas pra eu respirar, beber água (que ele me dava na boca como se eu fosse animal), mais cordas, mais palmadas, mais plug, mais xingamentos. Ele me usou em todas as posições que quis, sempre me lembrando que eu era dele, que eu amava aquilo, que eu nunca ia escapar. Às 18h, quando o sol já baixava, ele me limpou com um pano úmido (o único gesto quase carinhoso do dia), me vestiu de novo, me deu um tapa leve na bunda. — Próximo sábado, mesma hora. E traz uma coleira. Quero te passear pelo terreno como a cadela que você é. Eu saí dali mancando um pouco, corpo marcado de vermelho, cheiro de urina ainda na pele apesar da limpeza rápida, rosto inchado de tanto chorar e gozar. Mas quando cheguei em casa, tranquei a porta do banheiro, me olhei no espelho — marcas nas coxas, pescoço avermelhado, olhos brilhando — e me toquei devagar, revivendo cada segundo. Porque ele tinha razão. Eu amei. Cada humilhação, cada dor, cada gota.
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