É só o Começo (PIMP) - 1

DINHEIRO SUJO E MÃOS MÁGICAS
A porra do ar-condicionado daquela agência bancária parecia não dar conta do calor que fazia dentro do meu peito, ou talvez fosse só o peso da consciência — se é que eu ainda tinha uma. Saí da sala do gerente com um sorriso de lado, aquele de quem acabou de dar o golpe da vida, mas a verdade era mais amarga. No bolso interno do paletó, o comprovante da transferência. Uma fortuna. O tipo de grana que faz um malandro de quarenta e poucos anos, acostumado a viver de bico e lábia, querer se aposentar ou se enfiar no primeiro puteiro de luxo que encontrar.
Mas o dinheiro tinha cheiro. Não de notas novas, mas de talco barato e daquele perfume de gardênia sufocante da Tia Zulmira.
Parei na calçada, o mormaço de São Paulo batendo na cara como um tapa. Acendi um cigarro, tragando fundo, tentando expulsar a imagem daquela velha desgraçada da minha mente. Eu tinha dezoito anos quando ela resolveu que eu seria o "companheiro" dela naquela casa de praia isolada. Ela dizia que estava me ensinando a ser homem. Mentira. Ela estava era me usando como um brinquedo de carne, explorando cada centímetro do meu corpo jovem enquanto eu, um moleque liso mas perdido, não sabia se sentia nojo ou tesão. No fim, acho que aprendi a lição dela: tudo se negocia, e o prazer é a moeda mais valiosa. Agora, vinte e quatro anos depois, ela tinha batido as botas e deixado tudo pra mim. Um último "presentinho" para o seu sobrinho favorito.
— Puta que pariu, Zulmira... até morta você me fode — resmunguei, soltando a fumaça pro alto.
Foi quando eu a vi.
Do outro lado da rua, desviando dos engravatados e das madames apressadas, estava Andressa. A mesma caminhada de quem sabe exatamente onde pisa, o quadril balançando num ritmo que parecia música. Ela estava mais encorpada, as curvas mais acentuadas por um vestido de malha que marcava até o pensamento. Os seios fartos, a cintura que eu sabia que encaixava certinho nas minhas mãos e aquela raba... Jesus, aquela raba era um monumento.
— Andressa? — Gritei, a voz saindo mais rouca do que eu pretendia.
Ela parou, olhou em volta e, quando seus olhos encontraram os meus, um sorriso lento se abriu. Aquele sorriso de quem conhece todos os meus podres e, mesmo assim, ainda quer brincar no lixo.
— Eduardo? Não acredito. O que você tá fazendo aqui, seu vagabundo? — Ela atravessou a rua, vindo na minha direção com aquele cheiro de óleo de amêndoas e mulher bem cuidada.
— Ganhando a vida, ou o que sobrou dela — respondi, puxando-a para um abraço que durou mais do que o socialmente aceitável. Senti os mamilos dela endurecerem contra o meu peito através do tecido fino. O tesão foi instantâneo, uma porrada na base do estômago. — Você tá maravilhosa, loira. O tempo foi seu escravo, não foi?
— E você continua com essa lábia de malandro, né? — Ela se afastou um pouco, mas deixou as mãos nos meus ombros. — Soube que você andou sumido. O que deu em você?
— Herança, acredita? Coisa de família. Mas chega de falar de morto. Me diz, o que você vai fazer agora? Porque eu acabei de ficar muito rico e muito carente. Vamos jantar.
O restaurante era fino, do tipo que eu nunca tinha pisado antes sem ser pra entregar um pacote suspeito. Mas agora eu era o dono da porra toda. Pedimos o vinho mais caro, Lagosta, o caralho a quatro. Eu não conseguia parar de olhar pra boca dela enquanto ela falava. Andressa tinha se tornado massoterapeuta. Falava de pontos de pressão, de relaxamento muscular, de como as mãos dela podiam desmoronar um homem ou reerguê-lo.
— Eu trabalho pruma clínica de uma velha rica lá nos Jardins, Edu. Ganho uma miséria perto do que ela cobra. Mas eu tenho o dom, sabe? — Ela passou o pé pela minha canela, por debaixo da mesa. Eu quase engasguei com o vinho. — Eu sinto onde dói só de olhar.
— É? E onde você acha que dói em mim agora? — Perguntei, a voz descendo uma oitava.
Ela sorriu, os olhos brilhando com malícia.
— No mesmo lugar de sempre, Eduardo. No seu ego... e entre as suas pernas.
Não terminamos a sobremesa. Paguei a conta com um bolo de notas — só pra ver a cara do garçom — e fomos pro apartamento dela. Era um lugar pequeno, mas arrumado, com cheiro de incenso e óleos essenciais. Mas assim que a porta fechou, o aroma que dominou tudo foi o de suor e desejo reprimido por anos.
Eu a prensei contra a porta, minhas mãos encontrando o caminho por baixo daquele vestido. A pele dela estava quente, macia pra cacete.
— Você não tem noção do quanto eu imaginei isso — sussurrei no ouvido dela, dando uma mordida no lóbulo que a fez gemer alto.
— Cala a boca e me come logo, Eduardo — ela respondeu, puxando meu cabelo e me beijando com uma fome que quase me derrubou.
A gente se desmanchou ali mesmo no corredor. Tirei o paletó, joguei os sapatos longe e ela arrancou a própria calcinha — um fio-dental de renda preta que não cobria nada, só servia de moldura pra aquela buceta rosada e já molhada. Eu me ajoelhei e não tive pressa. Mergulhei o rosto ali, sentindo o gosto dela, o mel que escorria enquanto ela enterrava as unhas nas minhas costas.
— Porra, Eduardo... assim eu não aguento... — Ela arqueava as costas, a respiração curta, os gemidos ficando mais vulgares conforme minha língua trabalhava.
Levantei e a levei pro quarto. A cama era o templo dela. Ela me fez deitar e, por um momento, a massoterapeuta assumiu o controle. Ela subiu em cima de mim, mas não para o ato em si. Ela começou a usar as mãos. Começou no meu peito, descendo pelo abdômen, os dedos fortes, certeiros, amassando minha carne de um jeito que me deixava entre o céu e o inferno.
— Relaxa, Edu... — ela sussurrou, a voz carregada de uma safadeza técnica. — Deixa eu te mostrar o que eu aprendi nesses anos.
Ela deslizou as mãos por dentro da minha cueca, segurando meu pau com uma firmeza que me fez ver estrelas. Começou a massagear a base, o topo, com uma precisão que só quem conhece o corpo humano teria. Eu estava latejando, duro como uma pedra, sentindo cada nervo gritar. Quando ela finalmente montou em mim e se guiou para dentro, foi como se o mundo explodisse.
O sexo foi visceral, barulhento. Não tinha nada de romântico; era um acerto de contas. Eu a virava de quatro, sentindo o impacto dos nossos corpos, o estalo da pele contra a pele. Cada vez que eu olhava para aquelas costas arqueadas, para o suor brilhando na pele dela sob a luz fraca do abajur, eu sentia que estava enterrando a Tia Zulmira um pouco mais fundo na terra. Com Andressa, era vida. Era o agora.
— Grita meu nome, porra! — Eu rosnava, enterrando o rosto no pescoço dela, sentindo o cheiro de fêmea, de prazer real.
— Eduardo! Mais fundo, seu desgraçado... me quebra no meio! — Ela gritava, as mãos agarrando o lençol, os olhos virando enquanto o orgasmo a atingia em ondas.
Quando finalmente gozamos, foi um espasmo longo, uma entrega total. Ficamos ali, ofegantes, os corpos colados pelo suor, o silêncio da noite de São Paulo entrando pela janela entreaberta.
Cerca de uma hora depois, o quarto estava mergulhado numa penumbra azulada. Eu estava encostado na cabeceira, fumando mais um cigarro, enquanto ela descansava a cabeça no meu peito, traçando círculos imaginários nos meus pelos.
— Andressa — comecei, a voz ainda meio ranhosa. — Eu tenho um plano. E envolve essa sua habilidade de me deixar retardado só com um toque.
Ela levantou a cabeça, curiosa.
— Que plano, Edu? Vai me dizer que quer ser meu cliente fixo?
— Não. Eu quero ser seu sócio. — Sentei na cama, encarando-a com seriedade. — Eu recebi uma grana preta, você sabe. Dinheiro sujo de família, mas é dinheiro. E eu não quero mais viver de rolo. Quero algo nosso.
Ela se sentou também, cobrindo os seios com o lençol, mas os olhos brilhavam.
— Do que você tá falando?
— Um salão de massagem. Mas não essas biroscas de esquina ou essas clínicas de dondoca onde você trabalha. Um lugar de elite. Exclusivo. Onde o prazer e a terapia se encontram. Você entra com o talento e a técnica. Você me ensina tudo o que sabe... e eu entro com o capital e a gerência. A gente faz uma dupla imbatível, loira. O malandro e a mestre do toque.
Andressa ficou em silêncio por um tempo, processando a ideia. Ela olhou para as próprias mãos, aquelas ferramentas maravilhosas que tinham me levado ao delírio momentos antes.
— Você quer que eu te ensine? — Ela deu um sorriso de canto, provocante. — Vai ser um aluno difícil, Eduardo. Eu sou exigente. Não aceito toque meia-boca.
— Eu sou um ótimo aprendiz, Andressa. Especialmente quando a professora é uma safada do seu calibre. — Puxei-a de volta para perto, sentindo o calor do corpo dela me convidar para mais uma rodada. — O que me diz? Vamos transformar esse dinheiro daquela velha numa máquina de prazer?
Ela soltou uma risada curta, jogou o lençol pro lado, revelando o corpo que agora seria minha ferramenta de trabalho e minha perdição.
— Vamos, Eduardo. Mas já aviso: a primeira lição começa agora. E você vai ter que suar muito pra ganhar o diploma.
Eu apaguei o cigarro no cinzeiro e me joguei por cima dela. A herança da Tia Zulmira finalmente ia servir para alguma coisa que prestasse. O malandro estava de volta ao jogo, mas dessa vez, as regras seriam escritas com o toque das mãos de Andressa.

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Ficha do conto

Foto Perfil Conto Erotico neymarodrigues

Nome do conto:
É só o Começo (PIMP) - 1

Codigo do conto:
261479

Categoria:
Heterosexual

Data da Publicação:
07/05/2026

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