É o centro de tudo —
não metáfora, não figura de linguagem:
literalmente o centro,
o ponto em volta do qual
o desejo orbita
e perde o rumo.
Quente como interior de terra,
úmida como manhã depois de chuva,
macia de um jeito que a memória
guarda melhor do que fotografia.
Tem lábios que não falam
mas dizem tudo.
Tem um pulso próprio
quando o desejo chega —
uma vida dentro da vida,
um ritmo dentro do ritmo.
Fecha quando tem medo.
Abre quando confia.
Aperta quando quer ficar
com o que entrou nela.
É generosa e exigente
ao mesmo tempo —
dá prazer e cobra atenção,
entrega e retém,
recebe e transforma.
Não é tabu.
É altar.
Não é pecado.
É origem.
Todo homem que já amou de verdade
sabe que existe um lugar no mundo
onde a pressa não tem vez,
onde a brutalidade vira ternura,
onde o mais forte se ajoelha
sem perder nada.
Ela sabe disso.
Sempre soube.