Experiências - Comprando algumas coisas para a primeira vez com o Paulo...

Depois que a tela do celular escureceu e o silêncio da casa voltou a reinar, fiquei deitado no escuro, olhando para o teto. O tesão ainda pulsava, mas algo maior começou a tomar conta de mim: a consciência de que eu havia cruzado uma linha. Mostrar meu corpo daquele jeito — de bruços, a bunda empinada, a cueca socada — não foi só provocação. Foi um anúncio. Um marco. Um "estou pronto para o que vier".

E o que virá, mais cedo ou mais tarde, é inevitável. O Paulo e eu não somos adolescentes que se contentam com beijinhos no carro e punhetas escondidas. Somos dois homens adultos, com desejos adultos, e a direção para onde tudo isso está indo é clara como água. Ele quer me comer. Eu quero ser comido. O resto é logística.

Mas, enquanto a logística não se resolve, minha cabeça não para. Tenho revisitado cada etapa dessa jornada como quem folheia um álbum de fotos. A primeira carona, quando segurei um pau pela primeira vez e senti o poder de fazer um homem gozar com minha mão. O segundo encontro, quando chupei e engoli, descobrindo que o gosto não era dos melhores, mas que o tesão de estar ali, de joelhos, provocando, era viciante. O terceiro, quando o jogo da espera nos levou a uma punheta frenética e eu chupei meus dedos com o gosto dele, saboreando a provocação. E então a chamada de vídeo, a distância encurtada pela tecnologia, a imagem ao vivo do meu bumbum empinado, a frase que deixei no ar: "Vai que um dia você me faz gozar de uma forma diferente que eu nunca experimentei..."

Cada capítulo foi me revelando algo novo. Mas a maior revelação não foi sobre o Paulo. Foi sobre mim.

Durante anos, eu soube o que era ser o macho. O ativo. O que conduz, penetra, goza dentro. Sempre adorei esse papel — e continuo adorando. Minha namorada sabe disso. Nossa vida sexual sempre foi intensa, quente, cheia de cumplicidade. Mas, nos últimos tempos, algo mudou. Ou melhor, algo se expandiu.

Agora, quando transo com ela, eu não estou apenas sentindo. Estou observando. Presto atenção em cada detalhe: como ela arqueia as costas, como sussurra no meu ouvido, como me olha de baixo enquanto me chupa. Decorei o jeito que ela usa as palavras para me enaltecer como macho, os gestos que faz para me provocar, a forma como se posiciona para me receber. E, conscientemente, fui entendendo que ela estava me ensinando — sem saber — o que fazer com o Paulo. Cada provocação que ela usa comigo, eu adaptei para usar com ele. Cada olhar, cada sussurro, cada movimento que a faz parecer a presa — eu aprendi a reproduzir, do meu jeito, para enlouquecer meu macho.

E o mais curioso é que isso não diminuiu meu tesão por ela. Pelo contrário. Agora que eu sei como é estar do outro lado, o sexo com minha namorada ficou ainda mais gostoso. Porque eu entendo. Entendo o que ela sente quando me olha daquele jeito, quando se entrega, quando geme. Eu me imagino no lugar dela — e, ao mesmo tempo, continuo sendo eu, o macho que a come. É uma mistura de sensações difícil de explicar, mas que me faz gozar como nunca.

Agora, cada momento com ela é também um ensaio mental do que virá com o Paulo. Quando ela está ajoelhada na minha frente, me chupando com aquela boca quente, e eu olho para baixo e vejo a cena — a curva das costas dela, os olhos fechados, os lábios deslizando —, eu me imagino no lugar dela. Imagino o Paulo me vendo assim, de cima, com aquela expressão de prazer e poder. Imagino como deve ser estar ali, de joelhos, sabendo que sou eu quem está proporcionando aquilo, mas também sendo dominado pelo olhar do macho que me observa.

Quando ela está de quatro na cama, a bunda empinada, as mãos agarrando o lençol, e eu vejo meu pau entrando nela, desaparecendo devagar, eu me imagino no lugar dela. Imagino a visão que o Paulo terá quando eu estiver assim, de quatro, esperando por ele. Imagino o que ele sentirá ao ver meu corpo aberto, vulnerável, oferecido. Imagino o som que ele fará quando finalmente me penetrar.

E quando ela está deitada de costas, as pernas nos meus ombros, e eu a penetro olhando nos olhos dela, vendo cada expressão, cada mordida nos lábios, cada olhar que insinua as mais safadas intenções, eu me imagino no lugar dela. De pernas nos ombros do Paulo, sentindo-o me preencher, me dominar, me consumir. E eu, como ela faz, morderei os lábios e fecharei os olhos, sentindo tudo. Exatamente como ela me ensinou, sem saber que estava me ensinando.

Cada transa com minha namorada é, ao mesmo tempo, uma aula e uma homenagem. Uma aula do que fazer quando estiver com o Paulo. E uma homenagem ao tesão que ela me inspira. Ela me ensina a ser desejada, a provocar, a receber. E eu, sem que ela perceba, guardo cada lição. Porque quando chegar a minha vez de ser a fêmea, quero que o Paulo sinta por mim o mesmo que eu sinto por ela: um tesão incontrolável, uma vontade de possuir, de marcar, de fazer gozar.

Esses dias, sozinho em casa, me peguei abrindo a gaveta do criado-mudo. Lá estão os produtinhos que usamos: um gel lubrificante, outro que esquenta, um que tem gosto de morango. Peguei o frasco transparente e fiquei olhando, imaginando. Eu já sabia para que servia — já usei com ela inúmeras vezes —, mas agora o contexto era outro. Agora eu me imaginava pegando aquele gel para preparar a mim mesmo. Para quando o Paulo estivesse sobre mim, pronto para me invadir.

Senti um arrepio. Não de medo, mas de antecipação.

Na mesma tarde, abri o notebook e comecei a pesquisar. A aba anônima, por hábito. Digitei "como se preparar para sexo anal passivo" e caiu uma chuva de informações. Eu já sabia o básico: limpeza, lubrificação, paciência. Mas queria mais. Queria dicas específicas, produtos específicos, truques que facilitassem a primeira vez.

Foi quando descobri um universo paralelo. Lojas virtuais inteiras dedicadas a produtos para o público gay masculino. Géis lubrificantes específicos para sexo anal, mais densos, de longa duração, kits de limpeza interna. Anéis de silicone para ajudar no controle. Suplementos naturais para relaxar a musculatura. Tudo isso ao alcance de um clique.

Fiquei rolando as páginas, fascinado. Não me via como um "homem gay" — e talvez o Paulo também não se veja —, mas ali estava eu, consumindo conteúdo feito para homens que fazem sexo com outros homens. E entendi que isso não precisava me definir. O que eu estava fazendo com o Paulo era sexo gay, sim. Masturbar outro homem é sexo. Chupar outro homem é sexo. E, em breve, ser penetrado por outro homem também será. Mas rotular o que eu sou sempre foi o que menos me importou.

Nessas pesquisas, encontrei um termo que fez sentido para mim: bissexual heterorromântico. Um homem que sente atração sexual tanto por mulheres quanto por homens, mas que só desenvolve vínculo romântico com mulheres. Li a definição e parecia que tinham escrito sobre mim. Eu não quero namorar o Paulo, apesar de não querer putaria de sair transando com um monte de homem por aí, como dizem por aí, sou mais adepto do "amigo colorido", "amigo com benefícios" ou como as garotas dizem... o "pau amigo". Não quero acordar de conchinha, dividir contas, apresentar para a família. Mas eu quero transar com ele. Quero senti-lo dentro de mim, quero gozar com ele me possuindo. Com mulheres, é diferente: eu quero transar, namorar, morar junto, construir algo. Essa distinção, que antes me confundia, agora me libertou.

Ainda quero tocar nesse assunto com o Paulo. Quero saber como ele está se enxergando nessa história. Porque, no fim das contas, ele também está fazendo sexo com outro homem. Ele também sente tesão em me provocar, em me dominar, em me chamar de fêmea. Será que ele já parou para pensar nisso? Será que ele se considera hétero ainda? Ou será que, no fundo, ele já aceitou que é bissexual — mesmo que nunca vá contar para ninguém?

Essas perguntas ficarão para outra hora. Por enquanto, sigo na minha preparação silenciosa. Observo minha namorada sem que ela saiba que está me ensinando. Abro a gaveta e olho o gel lubrificante com outros olhos. Pesquiso produtos, leio artigos, estudo meu próprio corpo. Cada descoberta me deixa mais confiante. Mais pronto.

Porque o dia vai chegar. Não sei quando, não sei onde, não sei como ele vai criar a oportunidade. Mas sei que o Paulo, como o macho que é, já está tramando. E eu, como a fêmea que escolhi ser nessa história, já estou me preparando. Quando ele finalmente me dominar, me penetrar e me fizer gozar de um jeito que nunca experimentei, quero estar à altura. Quero sentir tudo. Quero que seja intenso, quente, inesquecível... mesmo com diversos textos e relatos afirmarem que a primeira vez de um homem sendo passivo raramente é realmente boa e prazerosa, mas que nas próximas tudo muito e fica viciante! Ainda bem que para isso existe a segunda vez, a teceira, a quarta... estou disposto à experimentar para confirmar o ditado ou talvez dementir a lenda com uma primeira vez de ver estrelas e gozar sozinho.

Enquanto isso, sigo me preparando. Cada pesquisa na internet, cada produto que descubro, cada detalhe que aprendo vai montando um cenário na minha cabeça. E confesso: só de imaginar essas cenas, meu pau já fica duro.

Outro dia me peguei olhando o gel lubrificante que uso com minha namorada. Um frasco simples, transparente, que sempre esteve ali na gaveta do criado-mudo. Mas agora eu o vejo de outro jeito. Imagino o Paulo chegando, me puxando para o quarto, e eu entregando o frasco na mão dele. "Aqui, Paulo... comprei para você usar." E ele me olhando, já com aquele sorriso de canto, enquanto eu completo, a voz mais baixa, mais manhosa: "Nunca fiz nada... sou virgem. E esse pau vai acabar comigo."

Imagino a mão dele abrindo o frasco, o gel escorrendo nos dedos, e ele se lambuzando sem pressa, me olhando. Ou então eu mesmo abrindo, pingando o gel direto na glande, vendo escorrer pela extensão do pau, e espalhando com as duas mãos — devagar, olhando para cima, sentindo cada centímetro, cada veia, cada pulsação. Ele ia gemer. Eu sei que ia.

Descobri que existem géis que esquentam, que dão um choque térmico gostoso. Fiquei imaginando a cara dele quando eu passasse um desses e o pau começasse a formigar. "O que é isso?", ele perguntaria. E eu responderia, com a maior cara de inocente: "É para você sentir mais prazer, ué. Você não é meu macho?"

Coloquei alguns no carrinho de uma loja virtual. Fiquei namorando a tela, o dedo pairando sobre o botão de comprar, mas ainda não finalizei. O lubrificante mais denso, específico para sexo anal. Um que promete durar mais, deslizar melhor, diminuir o desconforto. Penso em como fazer a compra chegar discretamente — tem aqueles lockers espalhados pela cidade, onde a gente vai, digita um código e retira o pacote sem ninguém ver. Deve ser assim que vou fazer. Sigilo absoluto. Como tudo entre mim e o Paulo.

E os plugs? Confesso que passei os olhos por alguns. Pequenos, de silicone, formatos anatômicos. Não me vejo usando, mas também não digo que é impossível. É uma ideia distante, plantada ali no fundo da mente. Quem sabe, mais para frente, se a vontade surgir. Por enquanto, fica como curiosidade.

O que realmente me pegou de surpresa foram as cuecas. Nunca imaginei que existissem peças masculinas que misturassem conforto e sensualidade daquele jeito. Algumas com detalhes mais discretos, um recorte aqui, uma costura ali. Outras já assumindo a renda mesmo, sem medo. Mas todas com uma coisa em comum: respeitam o corpo do homem. O pau fica devidamente acomodado, confortável, no lugar certo — sem deslocamentos estranhos, sem aquele incômodo de quem está usando algo que não foi feito para si. Umas valorizam e destacam justamente o volume, deixando tudo bem evidente, provocante. Outras são sensuais no geral, abraçando o corpo de um jeito que parece até carícia. Mas as que mais mexeram comigo, confesso, foram as que levavam toda a atenção para o bumbum. Modelos que, com um corte estratégico ou um detalhe de renda, faziam as curvas parecerem ainda mais convidativas. Fiquei de pau duro só de me imaginar usando uma daquelas. Me imaginei num dia combinado com o Paulo — a gente indo para a academia só como desculpa, porque malhar mesmo seria impossível. Eu ficaria de pau duro o tempo todo com uma cueca daquelas. Mas o plano seria outro: a gente se encontrar, trocar olhares, e logo sair dali para algum lugar mais reservado. E, nesse lugar, eu tiraria a bermuda de costas para ele, devagar, deixando o tecido deslizar pelas pernas. Aí, bem devagarzinho, olharia por cima do ombro, safado, só para ver a surpresa no rosto dele ao perceber que eu estava usando uma cueca de renda, com detalhes, valorizando bem o bumbum. Só para ele. Só para ver a reação do meu macho.

Ainda não é o momento — acho que preciso amadurecer essa ideia, deixá-la descansar um pouco para ver se a ideia continua viva ou se foi apenas um delírio momentâneo. Mas me vi usando um dia, quem sabe. Quando estiver pronto. Quando o Paulo merecer.

Coloquei uma dessas cuecas de rendinha no carrinho também, mas a mais comportada por enquanto, a que está na foto abaixo que peguei no anúncio. Só para pensar. Só para imaginar. Porque acho que a oportunidade de usar vai chegar um dia. Mas por enquanto, acho que vou comprar mesmo apenas gel lubrificante e camisinhas... e como todo bom mineiro, vou comprar na Araújo mesmo, por ter os lockers do qual eu falei. E mesmo que alguém veja, gel lubrificante e camisinhas não querem dizer necessariamente que é para eu usar com um homem, não é? Mesmo que eu saiba no meu íntimo que é para usar com o Paulo.

Não que eu queira construir todo um evento mágico como uma noite de núpcias... não é isso, mas quero que o Paulo perceba que realmente quero ele seja o primeiro e que - além dele planejando como fazer acontecer - que eu estou preparando para acontecer. E o mais importante: quero deixar claro pra ele que eu ESCOLHI ele para ser o MACHO que vai me fazer de FÊMEA.

Às vezes me pergunto quantos caras por aí estão vivendo algo parecido. Quantos estão descobrindo, como eu, que o desejo não cabe nas caixinhas que ensinaram para a gente. Quantos estão se olhando no espelho e pensando: "eu gosto de mulher, mas também quero dar para um homem". Ou quantos estão do outro lado, como o Paulo, se descobrindo machos de um jeito que nunca imaginaram — sentindo tesão em dominar outro homem, em fazer dele sua fêmea e fazer a "recém-fêmea" sentir um prazer diferente de tudo que já sentiu.

Foto 1 do Conto erotico: Experiências - Comprando algumas coisas para a primeira vez com o Paulo...


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Ficha do conto

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Nome do conto:
Experiências - Comprando algumas coisas para a primeira vez com o Paulo...

Codigo do conto:
266433

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
07/07/2026

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