O Retorno do Passado e a Revelação do Invisível


O trauma daquele encontro violento com o superdotado me forçou a um pouso de emergência na realidade. Entendi, da maneira mais dolorosa possível, que os meus desejos não podiam me governar ao ponto de me tornar irracional. Eu precisava encontrar um ponto de equilíbrio. A recuperação não foi fácil física fiquei toda rasgada literalmente, emocional e psicologicamente, eu estava em frangalhos , mas, com o tempo, fui me reerguendo.
Aprendi a canalizar minhas fantasias e a condicioná-las à minha realidade. Passei a aproveitar muito mais o Tiago, usando a imaginação durante o nosso sexo para dar vazão ao que sentia, mas sem nunca mais cogitar me meter em aventuras sem sentido na rua. Do Maicon, eu nunca mais tive contato. De vez em quando, eu espiava discretamente suas redes e via que ele continuava bem com a esposa. Eu lembrava das nossas aventuras, sim, mas agora com os pés firmes no chão.
A vida, porém, parecia testar meu autocontrole. Em uma viagem em família para Caldas Novas, me peguei em um flerte silencioso com um rapaz novinho na piscina do clube. Ele me comia com os olhos. Dei uma corda discreta, apenas com o olhar, ao ponto de ele me seguir pelo corredor quando fui ao banheiro. Ele tentou puxar assunto, e levou a mão na minha cintura, mas usei minha nova maturidade para me desvencilhar com um sorriso educado e seguir em frente. Eu sabia controlar a "puta" que existia dentro de mim, embora, naquela noite, tenha gozado com o Tiago imaginando aquele novinho me possuindo, ele era lindo.
Eu achava que estava no controle absoluto da minha vida. Mas o destino tinha reservado uma peça que mudaria o meu rumo de forma inacreditável.
Tudo começou com o meu cocunhado, o Lucas. Ele é casado com a irmã do Tiago, trabalha como agrônomo, é um homem extremamente extrovertido, brincalhão e muito querido por todos. Isso aconteceu quase dois anos após o fim do meu caso com o Maicon. Lucas sempre foi de fazer piadas, mas, de repente, suas brincadeiras começaram a tomar um rumo estranho. Eram frases soltas durante os almoços de família, ditas do nada, que me faziam congelar por dentro.
— Pois é, Tiago — dizia Lucas, rindo, enquanto servia o churrasco. — Tem mulher que parece uma santa em casa, mas se você der o espaço certo, ela revela uma face que ninguém imagina. E o homem da mesma forma, muitas pessoas vivem uma vida dupla sem ninguém imaginar
Eu sorria amarelo, sentindo meu estômago dar um nó. Em outra ocasião, ele olhou para o meu celular sobre a mesa e comentou:
— Hoje em dia o perigo viaja por mensagem, né? Um direct no Instagram, um perfilzinho disfarçado... quando a gente vê, a engrenagem já saiu do lugar.
No começo, tentei me convencer de que era apenas paranoia minha. Mas a confirmação veio em um domingo de folga. Estávamos todos na cozinha e, au passar por ele, Lucas disse baixinho, mantendo o tom de piada, mas com os olhos fixos nos meus:
— Tem gente que fingi que não está entendendo... mas sabe muito bem do que eu estou falando.
Ele me sustentou o olhar. Não era uma brincadeira geral. Era para mim. Eu gelei por completo, incapaz de responder. Passei dias em claro, me perguntando: Como? Será que ele sabe de algo?
A certeza absoluta veio em um churrasco de família semanas depois. Lucas, já um pouco alto pela cerveja, voltou à carga com as indiretas, mas dessa vez foi cirúrgico:
— O mercado de defensivos agrícolas na região de Minas está forte. Conheci um agrônomo muito bom de lá, um tal de Maicon... o cara viajava bastante, de vez enquanto ele até vem aqui na cidade. Uma figura.
O meu mundo desabou. O copo quase escorregou da minha mão. Naquela mesma noite, trancada no banheiro, entrei no Instagram do Lucas e busquei pelos seguidores. Meu coração quase parou. Lá estava o perfil do Maicon. Eles se seguiam. Na verdade, haviam trabalhado juntos anos atrás em uma multinacional de defensivos agrícolas. Eram amigos próximos.
O pânico me dominou por completo. O passado estava voltando para me cobrar e a ameaça agora estava dentro da minha própria família. Pensei em me desesperar, mas respirei fundo. Se ele quisesse falar algo para o Tiago, já teria falado depois de tanto tempo, pensei. Decidi ficar firme e deixar para ver até onde ele iria.
Na reunião familiar seguinte, aproveitando que todos estavam na sala assistindo TV, fui até a varanda buscar um copo de água. Lucas apareceu logo em seguida.
— E aí, Maria? Pensativa hoje? — perguntou ele, encostando-se no balcão.
— Lucas — decidi enfrentá-lo, mantendo a voz baixa e firme. — Aquelas coisas que você fala... são para mim, não são? Você está querendo me dizer alguma coisa?
Ele deu um sorriso de canto, aquele mesmo sorriso seguro que eu já tinha visto em outro homem no passado.
— Pode ficar tranquila, cunhada. Seu segredo está trancado a sete chaves comigo. Eu jamais faria nada para prejudicar você ou o Tiago.
Fiquei sem direção, mas decidi não recuar. O jogo já estava exposto. Eu precisava saber de tudo.
Nas semanas seguintes, sempre que tínhamos breves minutos longe dos olhares da família, o quebra-cabeça ia se completando. Lucas me explicou que, anos atrás, quando Maicon começou a se envolver comigo, mandou uma mensagem para ele contando que havia conhecido uma mulher incrível da minha cidade. Orgulhoso, Maicon enviou uma foto minha para o Lucas.
Lucas, ao abrir a mensagem, reconheceu imediatamente a própria cunhada. Mas, em vez de criar um escândalo ou contar para a família, ele agiu com uma astúcia silenciosa. Não disse ao Maicon que me conhecia e o deixou continuar o jogo. Maicon, achando que estava apenas confidenciando suas aventuras a um amigo de outra cidade, contava absolutamente tudo o que fazia comigo para o Lucas.
— Ele me contava cada detalhe, Maria — disse Lucas, com a voz baixa e o olhar brilhando. — Inclusive sobre como você ficava encharcada só com os olhares dele na piscina do hotel... e de como você desceu com a porra dele escorrendo na calcinha para o seu marido ver.
Minhas pernas tremeram. Era verdade. Lucas sabia de detalhes que apenas eu e Maicon compartilhávamos. Mas o golpe final ainda estava por vir.
— E um belo dia — continuou Lucas, aproximando-se um pouco mais —, o Maicon me ligou e fez um convite. Disse que ia armar uma surpresa para você em um motel de uma cidade vizinha. Disse que ia vendar os seus olhos, amarrar suas mãos e que eu poderia entrar no quarto para participar do jogo.
Minha respirou travou. O quarto escuro. A música alta. Os três homens que haviam me possuído na escuridão.
— Foi você... — balbuciei, com os olhos arregalados. — Você participou daquilo...
— Participei, Maria. Eu era um dos três que estava lá com você — ele confessou, com um sorriso carregado de luxúria. — E posso te dizer? Você é muito gostosa. Até hoje eu não consigo esquecer aquele dia.
A revelação me deixou em choque, mas imediatamente disparou um turbilhão na minha cabeça. Naquela tarde de olhos vendados, eu havia sido compartilhada por três desconhecidos. Dois deles haviam sido apenas borrões de toque e urgência, mas um... o terceiro... havia me marcado para sempre. Aquele que tinha um membro de tamanho e grossura extraordinários, que havia me preenchido de um jeito inesquecível e me feito gozar de uma forma sobrenatural.
Desde aquele dia, eu vivia com a obsessão silenciosa de saber quem era o dono daquela sensação. Agora que eu sabia que o Lucas estava no quarto, a dúvida começou a me devorar por dentro. Será que era ele? Será que o meu cocunhado era o dono daquele pau que me deu o orgasmo mais violento da minha vida, ou ele era apenas um dos outros dois? Esse mistério começou a mexer profundamente com o meu psicológico, me deixando em um estado de ansiedade e excitação torturantes.
Eu precisava de uma prova. Precisava saber a verdade.
— Me mostra a foto — pedi a ele em um encontro posterior, tomada por aquela curiosidade mórbida que estava prestes a me enlouquecer. — Você disse que tinha uma foto. Eu quero ver.
— Aqui não, é perigoso — ele desconversou de início, rindo da minha urgência.
Mas a oportunidade surgiu. Em um final de tarde na garagem da casa de campo da família, enquanto todos organizavam as malas, ele se aproximou com o celular na mão, fingindo me mostrar um vídeo qualquer caso alguém olhasse de longe.
— Tem certeza de que quer ver, Maria? — ele provocou, com a voz baixa.
— Tenho. Mostra.
Ele girou a tela rapidamente. A imagem me transportou de volta àquela tarde às cegas. Era uma foto tirada de lado, na penumbra do quarto do motel. Eu estava de quatro, de costas para a câmera, com as mãos amarradas na poltrona e os olhos vendados.
E, me penetrando por trás na foto, estava o Lucas.
No instante em que meus olhos se fixaram na tela, tudo se encaixou. Ao ver a imagem dele me possuindo, vi com clareza o tamanho e a grossura impressionantes do seu membro. Era exatamente a mesma pica colossal que havia me preenchido de forma inigualável. A mesma que havia quebrado minhas barreiras e se gravado na minha carne.
Ali, olhando para aquela tela na garagem, eu tive a certeza absoluta: o Lucas era o homem da minha obsessão. O meu cocunhado era o estranho que havia me feito flutuar em puro prazer.
Ele recolheu o celular rapidamente, guardou no bolso e sussurrou bem baixinho antes de se afastar:
— Eu já gozei todinho dentro de você, Maria. E foi maravilhoso.
Ele se retirou, deixando-me paralisada no meio da garagem. Minhas pernas estavam bambas, meu coração martelava no peito e um calor súbito, violento e inevitável começou a pulsar intensamente entre as minhas pernas.
O passado havia colidido com o presente da forma mais perigosa e excitante possível. O homem que conhecia o meu lado mais obscuro, a minha versão mais "puta", agora se sentava comigo à mesa em todos os almoços de domingo. E, pior — ou melhor —, eu finalmente sabia que era ele o dono do meu maior desejo.

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Ficha do conto

Foto Perfil maria-galvao
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Nome do conto:
O Retorno do Passado e a Revelação do Invisível

Codigo do conto:
267283

Categoria:
Traição/Corno

Data da Publicação:
15/07/2026

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