Encontro uma toalha branca perdida entre lençóis velhos e a pego. Pego a minha estendida na janela e vou até ao banheiro, me deparando com Roger retirando a meia de seus pés, sentado na tampa da privada. Ele usava apenas uma cueca de cor turquesa, destoando bastante das peças monocromáticas que vestia antes. Mantinha essas peças no colo inclusive, escondendo o volume entre as pernas. Lhe entrego a toa-lha e ele agradece.
— Obrigado, deixa eu arrumar essas roupas. — ele tenta dobrar as roupas, mas falha miseravelmente.
— Só me entrega que eu arrumo, vai banhar logo, homem.
Roger hesita, todavia, no fim levanta e me entrega as peças. Agora tenho uma visão mais completa do seu corpo e meus arrepios retornam. Do pouco que vi dele sabia que era um homem peludo, porém não imaginava que fosse tanto. Pernas, braços, peitos e principalmente barriga eram cobertos por pelos grossos e enrolados. Além dos pelos, tatuagens também cobriam parte da pele negra dele, até tento decifrar as imagens, mas não consigo. Pelo jeito Roger não era o único bêbado da casa. Por um segundo foco em sua virilha, o pênis dele estava visivelmente flácido dentro da cueca, porém isso não impedia de produzir certo volume, ainda mais espremido entre as lar-gas coxas do homem. Imagino que volume se deriva de suas bolas na verdade, que apa-rentam ser enormes. Pensar em Roger dessa maneira estava me trazendo uma empolgação indesejada no momento, então direciono meu olhar para outro lugar.
— Sabonetes, shampoos etc, estão todos no box caso precise.
— Shampoo? Por que você tem isso? Você é careca! — Roger diz após se levantar com um pulo.
Fico tão ofendido com o comentário que nem me abalo com o volume da cueca pulando junto com ele.
— Eu uso na barba e é bom ter, nunca se sabe quando algum bebum cabeludo vai dor-mir na minha casa. — respondo nervoso.
— Não sou cabeludo, meu cabelo tá bem curtinho na verdade. — dessa vez ele não reclama de ser chamado de bêbado.
— Mais cabelo que eu garanto que você tem. Agora vai banhar logo, vai. Tô doido para dormir.
— Espera, e você?
— “Eu” o quê? — pergunto confuso.
— Também está com uma toalha no ombro. — ele aponta.
— Sim, vou tomar um banho depois de você. — explico.
— Ah, entendi. Pensei que fosse banhar comigo ou querer me dar banho.
Me assusto com o pensamento dele.
— Acho que você já é grande o suficiente para banhar sozinho né? Ou também tá acostumado a tomar banho acompanhado? — brinco com ele.
Dessa vez ele não ri, apenas dá um sorriso.
— Sei lá, você tava tão preocupado comigo estar sóbrio ou não, pensei que iria querer garantir que eu não caísse de bêbado no box. — explica Roger.
Não sei se é o álcool fazendo efeito em mim ou sinto certa malícia em sua fala.
— Confesso que não tinha pensado nesse ponto…
— E nem precisa! Estou bem sério, já acordei e estou estável, olha! — ele dá um tapa no próprio rosto e começa a pular — Nossa, eu acho mesmo que vou vomitar depois.
Meu esforço para não olhar para seu membro ao pular foi em vão, pois para fu-gir daquele ponto decidi olhar para seus peitos peludos, peitos que também balançavam a cada pulo. O comentário de vômito me fez voltar a realidade.
— Homem, só entra nesse chuveiro logo pelo amor de Deus, tu vai melhorar.
— Tem razão, mas antes quero dizer duas coisas. Primeiro, obrigado por se preocupar comigo mesmo eu tendo sido meio escroto. Você é real um achado de pessoa, absurdo você sofrer tanto na mão daquelas pessoas do São Bernardo, sua vida pessoal diz só a você e não molda seu caráter. Comigo você está seguro. — Rogério diz para mim cara a cara.
Fico em silêncio e sinto meu rosto esquentar. Meio que essa era a segunda vez que ele me elogia nessa meia hora e dessa vez a fala me toca mais. Estou envergonha-do e ao mesmo tempo estou feliz ao ouvir aquilo. Estou feliz em saber que estou seguro com ele. Feliz em todos os sentidos. Permaneço em silêncio até ele voltar a falar.
— E a outra coisa…— ele se abaixa e tira a cueca turquesa que vestia— Esqueci de te entregar essa aqui. Não a perca, é a minha favorita! — diz abraçando minha cabeça e depois beija minha careca.
Foi tudo tão rápido que mal consegui olhar para o membro dele, vi apenas um vulto de pelos, porém foi o suficiente para me fazer arrepiar de novo. Roger enrola a toalha na cintura e entra no box.
— É, você tá muito bêbado, sem dúvidas. — digo tentando mostrar confiança, mas a frase sai mais desajeitada do que eu imaginava.
Roger ignora meu comentário e liga o chuveiro.
Volto para meu quarto e enquanto arrumo a cama para ele, começo nas palavras que me disse. Não apenas as que falou no banheiro, mas as que disse na sala antes de tentar ir embora de minha casa. O álcool poderia estar atrapalhando meu raciocínio, todavia, tudo parece ficar ainda mais confuso e estranho quanto mais penso, só tiro uma certeza disso: Ele realmente se importa comigo. Nos conhecemos há tempo mí-nimo, contudo, sua consideração por mim parece ser mais do que verdadeira. Não sei dizer se isso é bom ou não, pois não sei se esse tipo de sentimento vindo de alguém como ele seja válido. Roger fez algo de errado para a família dele, não posso me esquecer disso. Não sei exatamente o que, mas alguma coisa fez. Ele não flor que se cheire, entretanto é um amor de pessoa comigo, como ninguém era há um bom tempo. E para piorar, estou sedento por ele. Sim, sedento. Apaixonado é uma palavra muito forte, sede e desejo por outro lado, definem bem aquilo que sinto. Desde a primeira foto que vi dele o quero e quanto mais conversamos maior esse desejo fica. A voz, o rosto, o jeito e o corpo dele me hipnotizam de maneira como nenhum homem antes e sei que essa impossibilidade de satisfazer minha libido apenas o aumenta. O proibido sempre me atiçou, mas prometi a mim mesmo não cruzar essa linha outra vez. Ele é heterossexual, casado e com problemas na família, não precisa de mim para piorar as coisas. Contudo, seria ele hétero mesmo? Aquela situação no mictório foi bastante estranha, por que ficar logo do meu lado? Ele queria ver meu pau ou queria que eu visse o dele? Queria me tentar como deboche, pois desconfia que eu seja gay? Se for isso, parabéns, conseguiu! Ver Roger de cueca e depois nu em meu banheiro só me fez querê-lo mais, quero tocar seu corpo, sentir a textura áspera de seus pelos e gosto salgado de cada centímetro de sua pele. Percebo minha respiração pesada e pênis endurecer ao pensar só de pensar nessa cena. No impulso, aperto meu membro sobre a calça e faço movimentos de vai e vem na região, com a outra mão aperto meu mamilo esquerdo e solto um gemido leve. A voz grave dele ressoa em minha mente, me fazendo morder os lábios. Continuo nesse ritmo por alguns segundos até que decido tirar meu pinto da calça para me masturbar de uma vez, entretanto escuto o chuveiro desliga de repente.
Continua...
(Foto de arte de Rogério na cena descrita, desenhada por mim)